domingo, 31 de março de 2013

PT, Eleições e Classe Média

A Classe Média forma opinião

O PT era um partido majoritariamente de classe média. Com o tempo virou o partido do povão, mas perdeu parte significativa da classe média, embora tenha governado muito para o povão, para a classe média e para os ricos. Todos ganharam com o governo do PT.

Então, por que parte significativa da classe média se afastou do PT?

Por que o PT fez muitas concessões aos partidos políticos, como forma de garantir a governabilidade no Congresso Nacional. Mas não cuidou de teorizar e fundamentar bem a relação com a classe média. O povão quer ser classe média, mas a classe média não quer ser povão. Esta é uma realidade que não pode ser ignorada.

Como nossa imprensa resolveu ir para a direita inescrupulosa, o PT, além de não reforçar a aliança com a classe média, ficou refém da imprensa mentirosa e manipuladora. Aumentando assim a desconfiança da classe média em relação aos compromissos do PT.

Poderíamos reforçar a aliança com o povão sem se afastar da classe média? Poderíamos. Daria mais trabalho, mas não ficaríamos somente na defensiva da “governabilidade”.

Para nossa alegria, Dilma ajudou muito a recuperar o apoio da classe média.

Mas o partido precisa ajudar mais. Feliciano foi outro mau exemplo. O PT não precisava ter passado por isto. Deveria ter sido mais cuidadoso. Precisamos tomar cuidado com os parlamentares com ficha suja tanto do ponto de vista da honestidade como da idoneidade moral e dos valores democráticos.

Além de elaborar a lista das bondades para a classe média, vamos ajudar Dilma e o PT a voltar a se relacionar bem com a classe média?

Vejam esta matéria do Estadão de ontem:

Pasta 'empacota' programas para a classe média


Secretaria de Assuntos Estratégicos vai integrar projetos de apelo eleitoral
e complementá-los com ações de outras áreas

30/03/2013 | 2h 08 - DÉBORA BERGAMASCO / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Depois de dez anos batendo na tecla do combate à pobreza, o governo federal prepara um "pacote" assistencial para a classe média, que representa hoje 52% da população brasileira. A Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência (SAE) está mapeando todos os programas já disponíveis para este estrato social. Após identificados, eles serão integrados e complementados por ações de outros ministérios.

A iniciativa seguirá o mesmo script do processo que deu origem ao Brasil Sem Miséria, plano que unificou uma centena de ações de transferência de renda aos mais pobres.

Para o economista Ricardo Paes de Barros, subsecretário de Ações Estratégicas da SAE e um dos líderes deste mapeamento, "hoje o governo brasileiro tem uma quantidade enorme de programas voltados para a classe média, mas não são percebidos pela população dessa forma porque não estão organizados e empacotados assim".

"É nada mais que pegar grande parte daquilo que a gente já faz, organizar, dar uma estrutura e perceber pontos cegos. Os ministérios específicos terão o dever de casa de completar o que está faltando. É explicitar o que implicitamente o governo brasileiro já tem, como valorização do salário mínimo. Mas não há prazos e a presidente vai lançar quando e se achar que é conveniente."

O ministro interino da SAE, Marcelo Neri, concorda: "Falta esse empacotamento e acho que ele já está no horizonte, porque o número de pobres está sendo reduzido". Neri, que assumiu a Secretaria há pouco mais de uma semana, já vinha estudando o assunto como presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), instituição vinculada à pasta que agora comanda.

"A frase de que 'o fim da miséria é só o começo' está querendo dizer 'o que vem depois?'", explica Barros. O jogo de palavras que aponta para os passos futuros da gestão de Dilma Rousseff foi criado pelo marqueteiro João Santana e apareceu, por exemplo, em propaganda do governo federal na TV em fevereiro deste ano.

Conforme classificação da Secretaria, integra a classe média hoje o brasileiro que dispuser de renda per capta entre R$ 291 e R$ 1.019 mensais. Abaixo disso, faz parte da classe baixa (28% população), e acima deste patamar, da alta (20% dos cidadãos), de acordo com dados organizados pela SAE e publicados no estudo "Vozes da Classe Média 2", em novembro do ano passado.

Segundo Neri, as necessidades da classe média são diferentes das dos mais pobres. "Aqui o plano é menos ligado à transferência de renda e mais associado ao fornecimento de serviços públicos de qualidade, revolução do ensino, melhoria nos transportes."

Outro viés das pesquisas no âmbito da SAE apontam que hoje o cidadão da camada social intermediária não sonha apenas com um trabalho com carteira assinada, mas com estabilidade no emprego.

Por isso, iniciativas de valorização do profissional como o Pronatec, de acesso ao ensino técnico, e o Ciência Sem Fronteiras, de intercâmbio para estudantes de graduação e pós, entrarão neste plano ainda embrionário e sem nome.

sábado, 30 de março de 2013

Eleições – Como o diabo gosta...

PSB e PDT se articulam com os tucanos

Como na política brasileira predomina o cinismo, todo mundo anda “fingindo de morto para comer o urubu”.
Esta matéria de Josias de Souza com certeza não foi inventada por ele. Alguém passou as informações e estas devem ser verdadeiras. Josias não é de mentir nem de inventar notícias...

Das duas uma:
Ou os partidos continuam à venda,
ou em 2014 teremos um divisor de águas entre os comprometidos com um “governo social” de Lula e Dilma de um lado,
e os comprometidos com o neoliberalismo e o ressentimento do outro.

Quem viver verá.
Vejam a matéria de Josias e reflitam sobre o assunto.

Eduardo Campos cogita acomodar PDT na vice


Josias de Souza – UOL - 30/03/2013 - 5:24

Os ajustes ministeriais de Dilma Rousseff não riscaram dos planos de Eduardo Campos as legendas com representantes na Esplanada. O presidenciável do PSB cogita entregar ao PDT a segunda posição da sua futura chapa.

Quem dialoga com Eduardo em nome do PDT é seu presidente, Carlos Lupi. O mesmo Lupi que acaba de obter de Dilma a troca do ministro do Trabalho – saiu o desafeto Brizola Neto e entrou o escudeiro Manoel Dias.

A preferência de Eduardo pelo PDT levou-o a refugar um aceno de Gilberto Kassab. Presidente do PSD, o ex-prefeito de São Paulo insinuou que, tendo a vice, sua legenda poderia fechar com o governador pernambucano.

Kassab fez isso longe dos refletores, há cerca de dois meses e meio, numa fase em que ainda discutia com Dilma a entrada do PSD no governo. Eduardo não topou. Parte de seus operadores achava que ele deveria ter dado asas à negociação.

Por quê? O PSD dispõe de um tempo de tevê equivalente ao do PSDB de Aécio Neves. Nas suas avaliações, Eduardo concluiu que o benefício da vitrine eletrônica não compensaria o custo político de ter como companheiro de chapa um vice “conservador”. O PDT seria, na opinião dele, uma logomarca mais apresentável.

A coligação idealizada por Eduardo é composta de cinco partidos:
além do seu PSB e do PDT, os oposicionistas PPS e DEM, e o governista (ma no troppo) PTB.

Nesta segunda-feira, a própósito, Dilma deve receber os líderes congressuais do PTB.
Enquanto a presidente tricota com a turma de Brasília,
Eduardo se entende com o ex-deputado Roberto Jefferson (RJ).

Delator do mensalão, condenado no julgamento do STF, Jefferson
encontra-se licenciado da presidência do PTB.
Mas diz-se que ainda controla a legenda.
Em 2010, entregou o tempo de tevê ao tucano José Serra.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Cinema Japonês e Kishimoto

Viva a Internet

Depois de duas publicações neste blog sobre o lançamento do livro Cinema Japonês na Liberdade e de várias tentativas de encontrar a resenha escrita por Jorge Okubaro, que não consegui até hoje, nem no Google nem no Estadão, para minha grande alegria, recebi no dia 26, terça-feira passada, a carinhosa mensagem do autor do livro:

"Prezado Gilmar

Como autor do livro, fiquei muito tocado e agradecido pelo teu texto!

A ótima resenha de Jorge Okubaro pode ser lida
na página da editora Estação Liberdade no Facebook:


https://www.facebook.com/photo.php?fbid=478766905510611&set=a.275619599158677.70773.275591042494866&type=1&theater

Gostaria também de convidar você e todos os teus leitores para o lançamento do livro que será realizado hoje (terça, 26/3) a partir das 18h30 na Livraria Cultura
do Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2073).

Um grande abraço,

Alexandre Kishimoto"


Apesar de só ter lido a mensagem à noite, como tinha que ir buscar minha esposa no consultório dela, na Rua Jericó, aproveitei para convidá-la para conhecer Alexandre e prestigiar o lançamento do livro.

Fomos, compramos dois exemplares, um para nós e outro para minha família na Bahia, com dedicatórias para mim e para meu irmão Gildemar/Dema, especialista em tudo sobre o Japão, por ter morado lá durante onze anos, ter feito o doutorado, casado com uma issei, puro sangue, e ter tido uma filha também em Nagoia.

Vejam nossa foto no lançamento.
Eu e Alexandre. Pessoa agradabilíssima!



E em homenagem a todos os japoneses, mais uma foto do nosso pequeno jardim japonês, construído por um japonês, especializado em jardinagem, a pedido de minha esposa, japonesa e para alegria da familia.




Graças a internet, as pessoas se descobrem, se conhecem,
e muitos matam a saudade dos velhos tempos de convivência.

Economia sem paixão

É bom prestar atenção

Um dos melhores analistas econômicos do Brasil é José Paulo Kupfer. Seus artigos merecem sempre uma leitura atenciosa, principalmente agora que os jornais estão cheios de “analistas políticos e econômicos” que estão à serviço da oposição, dos banqueiros e dos ressentidos.

O Estadão é um jornal que está cheio de “analistas e professores conservadores” e até com alguns de baixo nível político, embora tenham diplomas de “doutores ou PHD”.

Mas, ainda temos bons jornalistas no jornal e o próprio jornal ainda não se rendeu às mediocridades de outros jornais, revistas e canais de televisão. Como dizem os mais velhos: O Estadão ainda é um conservador ético que acredita num Brasil capitalista, democrático e socialmente equilibrado.

Aproveitem o feriado e leiam com atenção o texto de Kupfer, você não vai se arrenpender.

Ênfases distintas


29 de março de 2013 | 12h13 - José Paulo Kupfer

Depois da divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), referente aos primeiros três meses de 2013, nesta quinta-feira, os analistas não chegaram a um consenso sobre a estratégia de política monetária que o Banco Central colocará em ação, a partir de agora. Não convergiram as avaliações sobre o início do novo ciclo de alta, seu nível e ritmo.

Essa maior dispersão nas interpretações das mensagens do RTI se deve não só aos múltiplos aspectos lançados pelo documento no xadrez da política de juros: se muitos são em favor de uma alta dos juros, pelas resistentes pressões inflacionárias relatadas, outros tantos vão na direção de aguardar a definição de determinados elementos, capazes de retardar ou mesmo mostrar a desnecessidade de mexer na taxa básica de juros.

Deve-se também aos ruídos produzidos pela entrevista da presidente Dilma Rousseff, na África do Sul, ao fim da cúpula dos Brics, entendida pelo mercado como um sinal de que não aceitaria aumentos da taxa básica que afetassem o crescimento, mesmo diante de índices de inflação mais elevados.

A massa de informações e análises contidas no RTI de março deste ano, de modo geral, empresta ao documento um tom mais benigno, em relação ao de dezembro de 2012. Aponta, por exemplo, sinais de retomada dos investimentos, não mencionados no calhamaço anterior, reafirma convicções na direção deflacionária da conjuntura internacional, acredita em alívio das pressões dos alimentos sobre a inflação, assim como da taxa de câmbio, e até faz uma aposta no caráter menos expansionista da política fiscal este ano.

Apesar disso, o RTI não escondeu o aumento do grau de preocupação do BC com a trajetória dos preços, em relação ao relatório de dezembro. Essa preocupação não é visível apenas pela elevação das projeções daqui até meados de 2015. Aparece também nas referências à indexação ainda existente na economia e na visão de que as expectativas se deterioram quando os preços se acomodam em níveis mais elevados. Avança ainda por questões mais conceituais, registrando sua crença no fato de que “taxas de inflação elevadas reduzem o potencial de crescimento da economia, bem como de geração de empregos e de renda.”

Restringida pela dicotomia emprego-inflação, a política econômica navega num rio de águas agitadas, mas de margens estreitas. É nesse ambiente que a equipe econômica, diretamente liderada pela presidente Dilma, e o Banco Central, que dispõe de autonomia informal, mas também faz parte do governo, adotam ênfases distintas.

Se a ênfase de Dilma é a manutenção do emprego, a do BC é o controle da inflação. Ambos, de todo modo, exatamente em razão dos limites apertados nos dois lados da equação, não dispõem de liberdade para movimentos radicais. A “cautela” no manejo da política monetária, já presente na ata da última reunião do Copom e reafirmada no RTI, é uma expressão desses limites.

É dentro dessa lógica que se pode entender que a tendência do BC é de moderar a política de juros, procurando adiar ao máximo o início de um novo ciclo de alta e limitando também ao máximo o nível e o ritmo das eventuais elevações. Curioso observar que se trata de uma estratégia antípoda à adotada pela instituição no período de Henrique Meirelles, quando o Copom decidia subir a taxa básica ao primeiro sinal de escape dos índices de inflação da convergência para o centro da meta.

As duas estratégias não são isentas de riscos. Muito ao contrário. Fazer o balanço das possíveis perdas e ganhos é tarefa complexa e não há como assegurar que uma é melhor do que a outra, até porque é preciso considerar o ambiente e as condições de cada momento.



quinta-feira, 28 de março de 2013

Flores para os países no blog

Chegamos a 88 países

Nestes últimos dias, novos países e novas pessoas andaram pesquisando nosso blog. Gente da Lituânia, do Panamá, da Suazilândia, da Jordânia, de Macau e de El Salvador vieram se somar aos demais países de todos os continentes que nos visitam com certa regularidade.

É claro que os campeões são Brasil com 160 mil, Estados Unidos com 25 mil, Alemanha com 5 mil, China com 3 mil, mas são frequentes pessoas de Portugal, França, Ucrânia, Rússia, Reino Unido, Suíça, Espanha, Japão, Cabo Verde, Angola, Israel, Itália, Moçambique e tantos outros países.

Para mostrar minha gratidão com tantos visitantes de tantos países,
vou mostrar duas fotos das mais de 2.400 tiradas com flores e artes.

Vejam estas mariazinhas como parece uma obra de arte da natureza.

Até parece que elas estão fazendo pose...



Agora vejam nosso caminho entre as flores num dia de chuva.

Uma homenagem aos japoneses...



E lendo as notícias trágicas de Chipre, fui olhar a lista dos países que acessaram este blog e, para minha alegria, alguém de Chipre também já passou por aqui.

Que as flores e os caminhos possam estimular as pessoas a priorizarem o bem comum e a fraternidade.
Como tudo na vida, as crises econômicas também passam, mesmo deixando sequelas.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Lula, Dilma e o Brasil sem pobreza

Candidatos a 2014 e 2018. Sem medo de ser feliz!

Vejam o recado de Lula.

Lula diz que não descarta disputar
a Presidência da República em 2018


Atualizado: 27/03/2013 09:57 | Por O Estado de S. Paulo, estadao.com.br

Em entrevista, ex-presidente também afirma que Dilma tem 'amplas chances' de vencer no 1º turno em 2014 e considera legítima a movimentação de Eduardo Campos

SÃO PAULO - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista ao jornal Valor Econômico publicada nesta terça-feira, 27, que não descarta se candidatar à presidência da República mais uma vez, em 2018.

"Vai saber o que vai acontecer nesse país, vai que de repente eles precisam de um velhinho para fazer as coisas. Não é da minha vontade. Acho que já dei minha contribuição. Mas em política a gente não descarta nada", disse o petista.

Em relação às eleições de 2014, Lula avalia que Dilma "tem ampla chance de ganhar no primeiro turno" e que ainda "é muito cedo" para falar da candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). No entanto, ele afirma que "jamais" pedirá a Campos que não seja candidato à Presidência, com quem afirma ter uma relação de amizade "inabalável".

"Ele é um jovem de 40 e poucos anos. Termina seu mandato no governo de Pernambuco muito bem avaliado. Me parece que não tem vontade de ser senador da República nem deputado. O que é que ele vai ser? Possivelmente esteja pensando em ser candidato para ocupar espaço na política brasileira, tão necessitada de novas lideranças.

Se tirar o Eduardo, tem a Marina que não tem nem partido político, tem o Aécio que me parece com mais dificuldades de decolar. Então é normal que ele se apresente e viaje pelo Brasil e debata (...) Acho bom para a democracia. E precisamos de mais lideranças", afirmou.

O petista aproveitou para alfinetar o PSDB. Disse que os tucanos "estão sem liderança" e que o ex-governador José Serra se desgastou. "Eu avisei: não seja candidato em a prefeito que não vai dar certo. Poderia estar preservado para mais uma. Mas Serra quer ser candidato a tudo, até síndico do prédio acho que ele está concorrendo agora", ironizou. Quanto a Aécio Neves, disse que o governador mineiro "não tem a performance que as pessoas esperavam dele".

Lula ainda defendeu suas viagens ao exterior, custeadas por empreiteiras, e disse que viaja para "vender confiança". "Adoro fazer debate para mostrar que o Brasil vai dar certo. Compre no Brasil porque o país pode fazer as coisas. Esse é o meu lema. Se alguém tiver um produto brasileiro e tiver vergonha de vender, me dê que eu vendo".

O petista se recusou a fazer uma análise do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, pois prefere aguardar a análise dos recursos da defesa, mas garantiu que fará isso após o trânsito em julgado da ação. "Não é correto, não é prudente que um ex-presidente fique dizendo 'Ah, gostei de tal votação', 'tal juiz é bom'. Não vou fazer juízo de valor das pessoas. Quando terminar a votação, quando não tiver mais recursos vou dizer para você o que é que eu penso do mensalão", afirmou.

terça-feira, 26 de março de 2013

Crise da Europa e Solução Brasileira

Bresser-Pereira e a Europa

Cortar salarios, aumentar desemprego, SAIR DO EURO, derrubar os governos e outros caminhos. Todos têm propostas para acabar com a crise européia, mas ninguém consegue botar o guizo no pescoço do gato. Nem os governos, nem os eleitores concordam ou conseguem seguir as receitas tradicionais.

Por que não seguem o exemplo do Brasil?

Vejam uma boa parte de uma material escrita pelo professor Bresser-Pereira sobre a Crise Européia e suas soluções. Da minha parte, acho que a menos ruim é a saída do Euro. Que todos fiquem na União Européia e liberem os países para continuarem ou não no Euro.

A perplexidade europeia

Folha – 25/03/13 – Luiz Carlos Bresser-Pereira

Para resolver a crise é preciso reequilibrar os custos unitários do trabalho, ou seja, reduzir salários
A crise financeira da zona do euro foi relativamente superada, mas a crise econômica continua profunda. A crise financeira soberana do euro de 2010 decorreu da crise bancária global de 2008 que levou os Estados a se endividarem para socorrer os bancos.

Ela foi superada quando o presidente do Banco Central Europeu garantiu que compraria no mercado secundário os títulos da dívida soberana dos países.
Entretanto a crise econômica da zona do euro continua sem solução. A economia da Europa como um todo está estagnada, porque as taxas de câmbio implícitas ou internas dos países do Sul se apreciaram em relação às dos países do Norte e as suas empresas deixaram de ser competitivas.

O conceito de taxa de câmbio interna é relativo ao valor e não ao preço de mercado da taxa de câmbio. O valor da taxa de câmbio não decorre das variações na oferta e na procura de moeda estrangeira, que fazem com que a taxa de câmbio de mercado flutue em torno do seu valor, mas é o valor que deve ter a taxa de câmbio para tornar competitivas as empresas existentes no país.

O valor da taxa de câmbio depende da relação entre aumento da produtividade e dos salários em um país (o "custo unitário do trabalho") em relação aos demais países.

Em 2003 o então premiê da Alemanha, Gerhard Schröeder, através da iniciativa Agenda 2010, promoveu a flexibilização das leis trabalhistas e, ao mesmo tempo, celebrou um acordo entre empresas e sindicatos segundo o qual os salários deixariam de ser aumentados proporcionalmente à produtividade, em troca de segurança no emprego.

Como os países do Sul não fizeram o mesmo, seu custo unitário do trabalho subiu em relação à Alemanha, a taxa de câmbio interna se apreciou, as empresas perderam competitividade e se endividaram, as famílias também se endividaram, e isso se traduziu em grandes deficit em conta corrente, não obstante as contas públicas continuassem equilibradas (exceto na Grécia).

Para resolver a crise econômica
é preciso reequilibrar os custos unitários do trabalho,
ou seja, reduzir salários.

(1) A forma normal de fazer isso seria cada país recuperar sua capacidade de depreciar a taxa de câmbio -uma solução que distribui por toda a sociedade o custo do ajustamento necessário e o faz em um instante-, mas que exige uma reforma monetária que, de forma planejada, descontinue o euro.

Como os europeus não têm coragem para fazer isso,
(2) uma alternativa seria uma inflação que reduzisse os salários reais
ao mesmo tempo em que os países do Norte da Europa aumentassem seus salários,
mas a Alemanha não aceita perder competitividade em relação à China e aos Estados Unidos.

(3) A terceira alternativa é a que está sendo adotada:
é a "austeridade", ou seja, a redução dos salários através da recessão e do desemprego.
É uma solução desumana cujo peso cai sobre os assalariados e as pequenas empresas.

É a solução contra a qual os cidadãos europeus, perplexos, protestam nas ruas e nas eleições, mas, afinal, é a solução possível enquanto não perderem o respeito quase religioso que desenvolveram em relação à sua moeda única (EURO).

segunda-feira, 25 de março de 2013

Ford São Bernardo e Marinho mostram o caminho

Mais emprego e renda para todos.

Prefeitura, Governo de São Paulo, Governo Federal,
Ford e Sindicato geram mais emprego e renda em São Bernardo do Campo.

Quem conhece Marinho sabe da sua competência.
Parabéns a todos que participaram desta iniciativa,
inclusive o governador de São Paulo. Unidos somos fortes!

A festa foi muito bonita, além do acerto politico,
50 mil pessoas comemoraram este novo caminho para o Brasil.

Um pacto por um Brasil para todos!

Vejam a matéria do Estadão de hoje:

Sindicato participa de lançamento de novo Ford

Novo Fiesta foi apresentado no centro de São Bernardo com apoio dos metalúrgicos, marcando nova era nas relação trabalhistas no ABC

Estadão – Economia - 25 de março de 2013 - CLEIDE SILVA - O Estado de S.Paulo

Num fato inédito em São Paulo, a Ford apresentou ontem a cerca de 50 mil pessoas o novo Fiesta, compacto premium global que a marca começa a produzir no ABC paulista. Com show da cantora Claudia Leitte no Paço Municipal de São Bernardo do Campo, o público viu o carro antes mesmo de seu lançamento oficial, que ocorre hoje na fábrica com a presença de autoridades como o governador Geraldo Alckmin e o prefeito local, Luiz Marinho.

Pouco antes do show, quem apareceu no palco para um breve discurso não foi o presidente da Ford do Brasil, Steven Armstrong, que permaneceu na área para convidados. Foi o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, em mais um sinal da evolução das relações entre capital e trabalho na região considerada berço do sindicalismo brasileiro.

Marques afirmou que o novo produto - o carro global (feito em vários países) - chegou após 15 anos de negociações com a empresa e garante o futuro da fábrica no ABC. "A fábrica agora faz parte definitivamente da estratégia global da Ford". Boa parte do público era formada por funcionários e seus familiares.

Há 23 anos, Marques estava no grupo de trabalhadores demitidos durante a chamada "greve dos golas vermelhas", que reivindicava aumento salarial. Foi deflagrada no setor da ferramentaria, onde trabalhadores usavam macacões com golas vermelhas.
Após as demissões, trabalhadores ocuparam a fábrica e destruíram vários carros, alguns deixados de rodas para cima no pátio. A greve durou 51 dias e, após acordo, Marques foi reintegrado. Até hoje é funcionário da montadora, embora afastado há vários anos para exercer funções sindicais. Outra grande greve, de 50 dias, ocorreu em 1998, quando a Ford enviou cartas de demissão a 2,8 mil trabalhadores às vésperas do Natal. Na época, muitos analistas acreditavam que a fábrica seria fechada.

"Desde então, houve um amadurecimento de ambas as partes, trabalhadores e empresas viram que era possível encontrar alternativas viáveis", disse Marques ao Estado. "E o novo Fiesta, primeiro carro global a ser fabricado em São Bernardo, é resultado desse processo". Nos anos 90 a fábrica tinha 7 mil funcionários e hoje tem 4,2 mil.

Revista.
Retrato desse novo comportamento aparece na capa da edição de quinta-feira da Tribuna Metalúrgica, publicação do sindicato distribuída diariamente. A publicação parece folheto de propaganda da montadora. Com a foto do Fiesta e letras garrafais num quadrado vermelho, anuncia:

"Ford lança novo carro com festa no Paço Municipal".

A página interna traz depoimentos de trabalhadores, sindicalistas e do próprio Marques ressaltando que o lançamento de um produto global trará mais tranquilidade aos funcionários, garantirá salários e empregos à indústria do ABC.

"Todos nós evoluímos", desse Rogelio Golfarb, vice-presidente da Ford, minutos antes do show.

"Aprendemos muito com eles e eles com agente".

Segundo o executivo, a vinda do Fiesta coloca a fábrica do ABC no contexto mundial do grupo de ter toda sua linha com carros globais até 2015 e foi facilitada pela parceria. "Foi um trabalho integrado e o sindicato sabe como é importante o sucesso desse produto".

Hoje, a fábrica do ABC produz o Ka basicamente para o mercado brasileiro e a picape Courier.
"Um acordo fechado em 2011 selou a produção do Fiesta no ABC", disse Marques. Entre as medidas acertadas está a criação de uma nova jornada na estamparia, com sete turmas se revezando no trabalho nos sete dias da semana. Segundo o sindicalista, a medida gerou "aumento de eficiência que ajudou a compor a equação de custo para a produção do novo carro".

O próximo passo, disse, é negociar uma substituta para a Courier. "Já mostramos que o ABC é viável".




Paul Singer e a Biblioteca Mindlin

Dois símbolos nacionais

No dia 24, sábado passado, foi finalmente inaugurada a Biblioteca Mindlin, com os livros doados pela família Mindlin. Além de ser uma das maiores e melhores biblioteca do Brasil, representa um gesto raríssimo na nossa história: Uma família que prioriza a cultura e o conhecimento, constitui a maior e melhor biblioteca particular do país e, ao final da vida, doa o acervo para uma Universidade e para o País.

Domingo foi dia de homenagear um professor, militante e amigo dos trabalhadores brasileiros.

Neste domingo, dia 25 de marco,
o professor Paul Singer completou 81 anos de vida histórica.


Uma vida dedicada ao conhecimento, ao trabalhadores, à economia solidária e à família.

O Brasil tem orgulho de ter recebido as famílias destes imigrantes que vieram da Europa, fugidos do nazismo por serem judeus, e aqui no Brasil e em São Paulo, reconstruiram suas vidas e ajudaram o nosso país e o nosso estado a melhorar.

Paulo Singer ao completer 81 anos de vida e a família Mindlin merecem nossa gratidão e solidariedade plena.
Vejam a boa matéria que a Folha publicou no domingo sobre a Biblioteca Mindlin.

Tom emotivo marca inauguração da Biblioteca José Mindlin na USP

Abertura encerra processo que durou mais de uma década e custou cerca de R$ 130 milhões
Em discurso, a ministra da Cultura Marta Suplicy prometeu que vai recuperar a Biblioteca Nacional
Folha – 24/03/13 - CASSIANO ELEK MACHADO - DE SÃO PAULO

Numa cerimônia de quase duas horas, aberta pelo crítico literário Antonio Candido, 94, foi inaugurada no final da tarde de ontem, na Cidade Universitária, na USP, um dos principais centros de estudos e referência sobre o Brasil.
Foi com casa cheia que foi aberta a nova Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, grande atração de um imponente prédio de 22 mil metros quadrados.

Políticos como o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, a ministra da Cultura, Marta Suplicy, o secretário estadual de Cultura de São Paulo, Marcelo Araujo, e uma extensa lista de intelectuais, como os uspianos históricos Fernando Novais, Boris Fausto e Ismail Xavier, ocuparam o auditório do novo espaço.

Foi uma celebração à memória do empresário e bibliófilo José Mindlin (1914-2010), que, desde os 13 anos, quando comprou um livro raro de 1740, até o final da vida, construiu, com a mulher, Guita (1916-2006), aquilo que Candido classificou como "um acervo realmente notável".

A inauguração de ontem concluiu um processo de 13 anos. O arquiteto Eduardo de Almeida relembrou que em 2000, no intervalo de um concerto no teatro Cultura Artística, recebera o convite de Mindlin para fazer o prédio.
Realizado em parceria com o arquiteto Rodrigo Mindlin Loeb, neto do bibliófilo, o edifício já abriga a biblioteca, de 60 mil volumes, espaços expositivos e o auditório István Jancsó, de 300 lugares
A empreitada custou R$ 130 milhões, bancados por BNDES, Petrobras, Ministério da Cultura, USP e longa lista de patrocinadores privados.

No início do segundo semestre, o edifício deve receber também a nova sede do Instituto de Estudos Brasileiros da USP. "Este conjunto representa uma nova chance do Brasil se repensar", disse Fernando Haddad, com o tom emotivo presente em todos os nove discursos da tarde.
Campeão de citações foi o mote de vida de Mindlin: "Não faço nada sem alegria", frase emprestada por ele do ensaísta francês Michel de Montaigne (1533-1592).

"Mindlin era destes homens perto dos quais a vida parecia melhor", comentou Antonio Candido.
Os elogios foram estendidos para a família. Marcelo Araujo sublinhou quão raros são, no país, os que doam importantes bens culturais para o público. "São tão raros quanto os herdeiros que honram os desejos dos pais."
Sérgio Mindlin, filho do doador, frisou a importância da digitalização de parte do acervo.


domingo, 24 de março de 2013

Eleições e Mercantilismo

Para todos prestarem atenção

Como no Brasil os Partidos Políticos negociam tudo, como se fosse mercadorias; a Imprensa orienta os partidos como se fossem os patrões dos políticos; e o judiciário investiga, julga e manda prender conforme orientações da Imprensa e das “Forças Ocultas”, é bom que todos, que estão vendendo, comprando, ou apenas sendo “eleitores”, prestem atenção neste bom artigo de Vinícius Torres.

Está publicado na Folha, mas é bom. Não desmerece o conteúdo.

Dilma vence primeiro tempo

Oposição não tem treinador, reforço, esquema tático, torcida e tem medo de sair do vestiário

Folha – 24/03/2013 - Vinicius Torres Freire

PRESIDENTES populares podem perder eleições? Decerto não levam para as urnas todos os seus votos de prestígio, como é fácil perceber pelos recorrentes segundos turnos das disputas presidenciais no Brasil.
Diz-se que o carisma de Lula elege postes. Mas o ex-presidente não teve carisma para vencer as eleições presidenciais de 1989, 1994 e 1998. A beatificação de Lula aconteceu em algum momento de seu primeiro governo.

Dilma Rousseff não tinha o jeitão e menos ainda o jeitinho da liderança carismática, mas é uma governante tão popular quanto Lula. Além de gostar de seu governo, o povo gosta dela também, indicam pesquisas recentes.

Quase carregado pelas ruas e sertões na campanha de 1994 ("meninos, eu vi"), reeleito em 1998 apesar de dois anos de tumulto econômico e agito social de PT e aliados, FHC viu seu prestígio desabar para sempre depois da desvalorização do real, em janeiro de 1999.

Mais ou menos um quinto do eleitorado que aprovou com louvor Lula ou Dilma não votou no ex-presidente ou não pretende votar na presidente. Quantos outros podem mudar de ideia?
A sorte da oposição depende da queda de um meteorito econômico ou escandaloso sobre Dilma? Quão forte é o vínculo da massa mais pobre com Dilma, Lula e/ou o PT?

Note-se de passagem que as políticas petistas populares vão muito além do clichê do Bolsa Família e do salário mínimo melhor; favorecem pessoas de classe muito variada.

Afora a grande expansão dos programas de transferências direta de renda, há o ProUni, as cotas na universidades, o Minha Casa, Minha Vida, os milhões de microcréditos para miniempresários, a formalização dos assalariados e dos autônomos e por aí vai, para programais mais capilarizados.

Isto posto, parte dessas pessoas não vota no candidato petista. Talvez o vínculo seja menos forte ainda devido ao fato de que a incorporação dos pobres se dê de forma em geral passiva, e não por meio de mobilização política forte.
Insatisfeitos de elite é o que não falta e há cada vez mais. Parecem, porém, passivos ou incapazes de oposição eficaz.

O "fenômeno Marina (Silva)" mostrou que há gente à procura de "terceira via", além de eleitorados fulos com a relativa estagnação de sua renda (no topo da pirâmide).

Empresários têm demonstrado sua insatisfação com o governo "votando com o bolso": investem pouco, em parte porque desconfiam do rumo que o governo dá à economia (há, ainda desafetos terminais, ideológicos ou programáticos).

Governadores e prefeitos estão irritados.
Perdem receita devido às desonerações de impostos; pagam salário mínimo maior e salários maiores para professores também devido a políticas federais. A maioria dos Estados bateu Dilma no Congresso na votação dos royalties do petróleo.

Por falar nisso, fazia tempo que o governo não levava tantas invertidas no Congresso, que Dilma sempre considerou um problema, tanto que seu governo evita quanto pode o Parlamento.

Esses setores insatisfeitos vão "ligar os pontos", organizar uma candidatura e um programa que vá além de gestionices e hipocrisias "éticas", quando não de ideias francamente reacionárias?

Mais sobre cinema japonês na Liberdade

Nem no Estadão nem no Google

Como não consegui, neste domingo, baixar a matéria com o texto de Jorge Okubaro, sobre o livro Cinema Japonês na Liberdade, bvou mostrar um texto antigo, de Karin Kimura, sobre pré-lançamento do livro com debate no Centro Cultural Hiroshima.

Continuarei tentando achar o texto para mostrar. Não sei por que está tão difícil. É uma pena, ontem mesmo, segundo meu irmão, foi aniversário do nascimento de Kurosawa, 23 de março de 1910.

Vejam mais notícias e não deixem de comprar o livro. Vale a pena...

Alexandre Kishimoto apresenta livro sobre o cinema na Liberdade




Pré-lançamento do livro é promovido com debate sobre cinema e comunidade nipo-brasileira

por Karin Kimura - 13.03.2013

http://madeinjapan.uol.com.br/2013/03/13/alexandre-kishimoto-apresenta-livro-sobre-o-cinema-na-liberdade/
O antropólogo Alexandre Kishimoto apresenta o livro “Cinema japonês na Liberdade” no dia 13 de março, quarta-feira. O evento contará com a presença do cineasta e jornalista Alfredo Sternheim e do jornalista Nelson Hirata, que participarão de um debate sobre a construção da identidade dos imigrantes japoneses em São Paulo.

Kishimoto traz uma série de relatos de frequentadores dos cinemas da Liberdade, retratando experiências vividas dentro da comunidade japonesa e nipo-descendente no Brasil. No livro, os cinemas japoneses da Liberdade e os filmes exibidos servem como fio condutor para que os depoimentos construam parte dessa identidade. Passando por histórias que vêm desde as projeções ambulantes no meio rural até a adesão do público não-nikkei às sessões, “Cinema japonês na Liberdade” permite que o leitor conheça histórias que vão além das projeções nas telas.

A iniciativa do debate faz parte do projeto Travessias em Conflito do Núcleo Hana de Pesquisa e Criação Teatral, que investiga a imigração japonesa no Brasil com a proposta de apresentá-la sob uma ótica diferenciada. A coleta de depoimentos dentro da comunidade visa a construção de um repertório para futuras obras dramatúrgicas como parte de um programa de fomento ao teatro em São Paulo.

Cine Niterói foi a primeira casa voltada exclusivamente

para a exibição de filmes japoneses no Brasil

Apresentação do livro “Cinema japonês na Liberdade”
Quando: 13 de março de 2013, às 19:00
Onde: Centro Cultural Hiroshima, rua Tamandaré, 800,
Liberdade, São Paulo–SP (próximo à estação São Joaquim do metrô)
Informações: Travessias em Conflito

sábado, 23 de março de 2013

Além das Telas e dos Jornais

Cinema Japonês na Liberdade

O Estadão de hoje, no caderno Sabático, tem um ótimo texto de Jorge J. Okubaro, com o título “Para além das telas”, onde o autor faz a resenha do livro “Cinema Japonês na Liberdade”. Eu tentei por vários caminhos baixar o texto para mostrar para voces. Não consegui, mesmo sendo assinante do jornal. O texto sobre a biblioteca Mindlin, na USP, aparece com a maior facilidade, mas este sobre o cinema japonês, eu não consegui.

Estudei e frequentei intensamente à Liberdade, bairro da colônia japonesa em São Paulo, na década de 70. Estudei no Roosevelt e fiz ótimas e saudosas amizades com os japoneses. Tinha um que era do Japão e campeão brasileiro de “Sexagem”. Nunca tinha ouvido falar disto. Aí aprendi que é uma técnica para identificar o sexo dos pintos com apenas um dia de vida.

Frequentamos os cinemas do bairro.
Filmes de todos os tipos, com seus dramas e suas histórias de amor.
Quando entrei na FGV em São Paulo, o cineclube era de primeira qualidade
e lá assistimos várias séries de filmes japoneses.

Vou guardar o caderno Sabático e tentar baixar novamente a matéria sobre o livro.
Se eu consegui eu a mostro para vocês.
Mas, como na resenha o autor cita uma música que ficou muito famosa,
eu a consegui baixar no youtube e mostrar abaixo.

A vida é assim, as telas e os jornais, muitas vezes, já não conseguem ter a agilidade que o computador e a internet propiciam.

Ouçam a música, comprem o livro e pesquisem sobre Jorge Okubaro,
diz o Google que ele é muito bom. Quando eu tiver mais tempo também volto a falar de Okubaro.

Por enquanto, fiquem com Kimito Itsumademo, com letra em japonês e em português.

Kimito Itsumademo


Já ia me esquecendo de contar:
Estou casado com uma japonesa há 34 anos.
E temos uma filha mestiça, muito especial.
Uma das boas coisas que fiz na vida.


sexta-feira, 22 de março de 2013

Curdistão e Palestina – dois povos e dois países

ONU tem que decidir

Dois povos numerosos que a ONU e todos os países que participam da ONU são devedores para com estes povos. Obama está em Israel retribuindo o apoio eleitoral e alertando os judeus de que o Estado Palestino é irreversível. Quanto mais demorar pior será para Israel, porque perderá o apoio internacional.

Já os CURDOS, que são mais de três milhões de pessoas distribuídas na Turquia, Iraque, Síria e Irã, também precisam ter seu país. Esta proposta apresentada por Lapouge, que os curdos tenham autonomia sob as fronteiras destes países não dá certo. Cada vez que aparece um ditador maluco, começam perseguições contra os curdos.

Se os armênios e outros países de menos de dois milhões de habitantes tiveram direito a ter seu país, os curdos que são muito mais numerosos também devem ter seu país. Os americanos, ingleses e russos têm muito a ver com esta história.

Leiam este bom artigo de Gilles Lapouge, correspondente do Estadão em Paris.

Um momento histórico para a causa do Curdistão

22 de março de 2013 | 2h 10
O Estado de S.Paulo - Análise: Gilles Lapouge

Uma cena histórica teve lugar esta manhã na Turquia:
a pedido do seu líder Abdullah Ocalan, os rebeldes curdos decidiram abandonar a luta armada na Turquia e transferir seu combate para o plano político. Para avaliar a solenidade do momento, lembremos que esta guerra que os curdos travam com os turcos persiste há 29 anos e já provocou 45 mil mortes.

Como ocorreu este momento histórico? Ocalan, que anunciou a mudança, é uma figura invisível, pois está numa prisão turca há 14 anos. Por outro lado, o anúncio foi feito em Diyarbakir, que faz as vezes de capital do Curdistão turco. Essas peculiaridades são fiéis à índole da nação curda. Que parece ser um território um tanto mítico, um fantasma étnico que provoca pesadelos no Estado turco.

Para completar, os curdos estão desmembrados entre Turquia, Iraque, Síria e Irã.

Esta situação imprecisa dos curdos é ainda mais insólita diante do fato de que são um povo muito antigo. Sob o nome de Medes, tornaram-se uma ameaça mortífera para a Grécia, que atacaram no ano 400 a. C..

Em 1978, Ocalan fundou o PKK, partido de linha marxista-leninista. Em 1984, diante do impasse político, Ocalan passou à luta armada. Perseguido, Ocalan foi capturado no Quênia. Foi condenado à morte em 1999, mas o governo de Ancara, que desejava transmitir uma imagem mais "humanista", para apoiar a candidatura da Turquia à União Europeia, aboliu a pena de morte em 2002. Assim, privou-se do direito de executar o líder curdo.

O ódio de Ocalan pelo governo conservador de Recep Erdogan não diminuiu. Para Erdogan a prisão de Ocalan acabaria com a rebelião. Mas, do fundo da sua cela, Ocalan continua dando ordens aos rebeldes curdos. O chefe do PKK tornou-se, assim, um personagem fascinante, descrito pelos turcos como um demônio, e chamado pelos curdos de Apo (o tio). No início, a luta era pela independência. Mas Ocalan entendeu que é uma meta fora de alcance. Adota então uma mudança decisiva: o PKK se contentará em exigir uma "autonomia" das regiões de população curda.

O caminho da paz abre-se lentamente. Mas não tenhamos esperanças prematuras. Vários chefes curdos indicam que Ocalan é um velho cansado. Outros vão mais longe, vendo-o como um traidor. E espalham rumores de que ele tem medo de morrer e esse medo explica seus compromissos com Ancara. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO


quinta-feira, 21 de março de 2013

Sindicato dos Bancários aos 90 anos

Um outro olhar para a História

Lutas, conquistas e cidadania. O olhar dos trabalhadores.
Esta é uma das mais belas histórias do Brasil,
a qual tenho imenso orgulho de ter contribuído com 34 anos.

Vejam a programação publicada na Folha Bancária e no site do Sindicato.

São Paulo – O aniversário do Sindicato já começou e você é convidado mais que especial. No dia 18, o Momento Bancário em Debate lançou o primeiro dos seis vídeos que vão tratar de temas de grande relevância para os trabalhadores.
O segundo MB em Debate Especial está agendado para 8 de abril e deve tratar da democratização da comunicação. Também estão previstas mesas sobre saúde e condições de trabalho, papel do Judiciário e reforma política.

História – O mês de abril tem início com a valorização dos 90 anos do Sindicato. No dia 1º serão lançados livro e vídeo, relatos dessa história que se funde aos principais episódios da luta pelo fortalecimento da democracia no Brasil. O lançamento será promovido ainda na Regional Osasco, dia 5.

Também a partir de 1º de abril, começa a circular a FB Especial 90 anos. Serão sete edições que retratam o período por meio de históricos, fotos, relatos e entrevistas com as principais lideranças da categoria.
E para levar ainda mais adiante essa história, para todas as gerações, circula durante todo o mês o Gibi dos 90 anos, que traz Euriko e sua turma contando a incrível história da categoria.

Palco de algumas das principais mobilizações dos trabalhadores, a Quadra dos Bancários também vai abrigar um dos principais eventos da festa dos 90 anos, no dia 16 de abril, data do aniversário do Sindicato.

Internacional – O papel dos sindicatos no fortalecimento da democracia será tema de debate a ser realizado entre os dias 24 e 25 de abril, com a participação de representantes de países da América do Sul, do Norte e Europa. “São os trabalhadores, reunidos em torno de suas entidades representativas, que fazem mover a roda da história no sentido de buscar a igualdade de direitos, inclusão social, ampliação da democracia”, destaca a presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira.

“Nosso Sindicato tem esse papel na história do Brasil e muitos outros também, em diversos países do mundo. Esse seminário vai destacar essa atuação fundamental, mas nem sempre reconhecida.”

Também estão previstas sessões solenes na Câmara dos Deputados, em Brasília, e na Assembleia Legislativa, em homenagem à entidade representativa dos bancários de São Paulo, Osasco e região.
Comemoração – O mês de aniversário do Sindicato será fechado com uma grande festa no Clube Juventus, no dia 26. Informações sobre horário e convites serão disponibilizadas em breve.

Em abril também será lançado um festival de música, com encerramento no mês de agosto, na festa do chope do Dia dos Bancários (28 de agosto) e apresentação dos vencedores.

Site do Sindicato dos Bancários de São Paulo - Cláudia Motta - 20/3/2013

Folha, Eleições e Barriga de Aluguel

Dando nomes aos “candidatos”

A Folha, além de passar a priorizar a versão em detrimento dos fatos, resolveu que será a direção nacional da campanha contra o PT, Dilma e Lula. Neste “vale tudo eleitoral”, a Folha coloca-se como meio para divulgar e estimular todos os partidos e candidatos que aceitem fazer parte da “frente ampla” em defesa do neoliberalismo e da valorização dos ressentidos com o PT ou com o PMDB. Nesta guerra, “vale tudo” para desgastar o governo e forçar um segundo turno nas eleições do ano que vem.

“A ameaça é bastante real, com Aécio prometendo grande votação em Minas, Campos abrindo uma cunha no Nordeste, Marina acolhendo os "sonháticos" e Gabeira embalando o voto "cult", sem falar que Chico Alencar (PSOL) pode criar uma opção para o que resta da esquerda pura.”

Leiam esta preciosidade de hoje:

Campos e Serra

Folha – Eliane Cantanhêde – 21/03/2013.

BRASÍLIA - Um dado relevante da pesquisa CNI-Ibope sobre a popularidade da presidente é o período de campo (minado para a oposição): os eleitores foram ouvidos de 8 a 11 de março, ou seja, exatamente em cima do Dia da Mulher e do pronunciamento em que Dilma anunciou, em tom de campanha, pela TV, o fim de impostos da cesta básica. Deve ter sido coincidência...

E um resultado muitíssimo relevante é que a popularidade dela subiu fora da margem de erro e bateu em 85% no Nordeste, região muito populosa, que rendeu votações decisivas para Lula e Dilma e é fundamental para a candidatura Eduardo Campos. Com 85% de Dilma, ele tem pouca margem para trabalhar.

E, sem o Nordeste, pode ir tirando o cavalinho da chuva.

Enquanto Campos tenta se viabilizar e Aécio debate tecnicamente o esfarelamento da Petrobras, a agenda de Dilma é concreta e simbólica, ao mesmo tempo: foto e sorrisos com Francisco, o papa "dos pobres"; redução na conta de luz e no preço do prato que vai à mesa dos brasileiros todo santo dia; pesquisas que demonstram força e sossegam aliados afoitos; ministérios para os partidos; muitas viagens ao Nordeste.

Essa estratégia, aliada à imagem de mulher firme, mantém a presidente como favorita. Não evita, porém, a ameaça do segundo turno, que é sempre uma pedreira --e custa caro.

A ameaça é bastante real, com Aécio prometendo grande votação em Minas, Campos abrindo uma cunha no Nordeste, Marina acolhendo os "sonháticos" e Gabeira embalando o voto "cult", sem falar que Chico Alencar (PSOL) pode criar uma opção para o que resta da esquerda pura. *

Ah! Por falar nisso, José Serra e Eduardo Campos se encontraram sigilosamente em São Paulo. E não foi para falar de flores. Já tem gente até sonhando com uma chapa geográfica e sinuosa: Campos e Serra.

Em política, nada é impossível.

Nota deste blog:

Principalmente no Brasil, onde os partidos, os políticos,
o judiciário e a imprensa não primam pela coerência, transparência e ética.

Além de reeleger Dilma-Temer, precisamos eleger o máximo possível de governadores,
senadores e deputados federais.

Assim teremos condições de providenciar uma Constituição que espelhe o Brasil para todos.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Dialogando com o Mundo

200 mil acessos e 85 países

Nesta manhã o blog chegou a 200.048 acessos e 85 países diferentes. Tudo isto antes de completar dois anos de existência. Para quem começou como um pedido para registrar depoimentos de casos e causos da vida, até que chegamos muito longe.

Este ano, não sei porque, as pessoas estão comemorando muitas datas importantes e tempos dos acontecimentos. Cinquenta anos do disco de João Gilberto com Stan Getz, o mesmo tempo do DISCO dos Beatles que marcou o mundo, 90 anos do Sindicato dos Bancários de São Paulo, 30 anos de CUT, 10 anos de governo Lula/Dilma, 33 anos de PT, 35 anos de formados na FGV-SP, etc.

Por que, de repente, o tempo ficou tão importante?

As fotos também voltaram a ser muito importante. Os fotógrafos, os pintores, os artistas, os escritores voltaram a ser mais importantes do que os políticos. Ainda bem...

Eu gostaria de escrever mais sobre os países e as mensagens que já apareceram neste blog. Por exemplo, falar sobre a Malásia, Angola, Letônia, Ucrânia, Tunísia, Uruguai, China e tantos outros países que, embora não sejam bem conhecidos pelos brasileiros, pessoas nestes países vivem acessando este blog. Serão brasileiros?

Para continuar dialogando com o mundo, já que a Terra é a nossa Pátria, baixei o nosso criador da Bossa Nova cantando uma música lendária e especial, “Corcovado”, cantada por João Gilberto. E para mostrar que nem tudo está perdido, reproduzo uma matéria da Folha de São Paulo sobre os 50 anos da gravação do disco de João Gilberto com Stan Getz, Tom Jobim e outras feras da música. A Folha ainda não sucumbiu...

Mais um motivo para comemorar ouvindo João Gilberto.

Corcovado by Joao Gilberto



Gravação de disco clássico de João Gilberto
com Stan Getz faz 50 anos


Lançado em 1964, "Getz/Gilberto" abriu as portas para a música brasileira nos Estados Unidos
Responsável pelos arranjos, Tom Jobim teve de administrar os egos do violonista e do saxofonista no estúdio

Folha – Lucas Nobile – 20/03/2013

Na noite de anteontem, a cantora Miúcha voltou a se surpreender com seu ex-marido, em visita que fez a ele no apartamento da rua Carlos Góis, no Leblon (Rio).
O encontro não ocorreu por motivos especiais, mas neste ano completam-se cinco décadas que Miúcha conheceu o compositor, cantor e violonista João Gilberto, 81.

Os dois se conheceram logo depois de ele se separar de Astrud Gilberto, com quem havia gravado o antológico "Getz/Gilberto", ao lado do saxofonista americano Stan Getz (1927-1991).
"Ele está cantando e tocando como nunca. A mão dele não envelhece. Talvez ele apronte alguma surpresa, não deu a vida por encerrada", disse a cantora sobre a possibilidade de João retomar os shows cancelados em 2011, que comemorariam os 80 anos do pai da bossa nova.

Rodeado de seus violões, João Gilberto mantém-se recluso como em 1963. Naquela época, somente a mulher de Getz, Monica, foi capaz de convencê-lo a deixar o hotel em Nova York, e seguir para o anexo do Carnegie Hall, onde aconteceriam os ensaios para "Getz/Gilberto".

Depois de muita insistência, João acabou entrando no estúdio A&R, nos dias 18 e 19 de março para gravar o álbum que abriria as portas para a música brasileira no exterior.
Stan Getz já estava de olho na música brasileira. Em 1962, lançara "Jazz Samba", com Charlie Byrd, e "Big Band Bossa Nova".

Admirador de violonistas brasileiros, em 1963 gravou "Stan Getz With Guest Artist Laurindo Almeida" e "Jazz Samba Encore!", com Luiz Bonfá no violão e Tom Jobim no piano e também no instrumento de seis cordas.
Contratado pela Verve, que tinha Creed Taylor como produtor, Getz descobrira sua nova pepita: João Gilberto.

O baiano de Juazeiro era um dos "aventureiros" que decidiram ficar nos EUA, assim como Jobim e o baterista Milton Banana. Em 1962, ele participara do lendário show de bossa nova no Carnegie Hall -que, apesar de problemas técnicos e críticas negativas, é tido como marco da bossa nova naquele país.
Além dos dois protagonistas, estavam no estúdio Jobim, Milton Banana, o baixista Tião Neto, cujo nome foi omitido da ficha técnica.

O disco teve a estreia de Astrud Gilberto, então com 23 anos, que interpretou "The Girl from Ipanema" e "Quiet Night of Quiet Stars", versão em inglês para "Corcovado".

No repertório, além dos dois temas, estavam "Doralice" (Dorival Caymmi), "Pra Machucar Meu Coração" (Ary Barroso), "Desafinado" (Jobim e Newton Mendonça), "Só Danço Samba", "O Grande Amor" (ambas de Jobim e Vinicius de Moraes) e "Vivo Sonhando" (só de Tom).

O álbum, que completa 50 anos de gravação neste mês.

terça-feira, 19 de março de 2013

Avaliação de Dilma chega a 85% no Nordeste

Para desespero dos neoliberais e dos ressentidos

Vejam esta nova pesquisa sobre o Governo Dilma. Apesar de todas as baixarias da imprensa e apesar dos “oposicionistas” de plantão, os números são favoráveis ao governo Dilma.

O PT mais o PMDB, juntamente com os partidos que ainda quiserem permanecer na base do Governo Dilma devem se preparer para 2014. Se Eduardo Campos “blefar”, Dilma e Lula precisam pagar para ver e não ficarem reféns.
O importante é não perder o controle da economia.
Na política nosso time é bem melhor do que esta oposição oportunista.
Vejam a matéria da UOL.

Avaliação positiva do governo cresce mais no Nordeste, reduto de Campos

UOL - BRENO COSTA - DE BRASÍLIA - 19/03/2013 - 12h13

A pesquisa CNI/Ibope que mostra um novo recorde na aprovação do governo de Dilma Rousseff --chegou a 63% de "ótimo" ou "bom"-- aponta que o maior crescimento na avaliação do governo e na forma de governar da presidente, nos últimos três meses, ocorreu na região Nordeste.

A forma de governar da presidente foi aprovada por 85% dos entrevistados residentes no Nordeste. Em dezembro, esse índice era de 80% - crescimento, portanto, acima da margem de erro de dois pontos percentuais. Na avaliação do país como um todo, essa avaliação positiva é de 79%.

Aprovação ao governo Dilma chega a 63% e bate novo recorde, diz pesquisa
Conta de luz e cesta básica levam aprovação do governo Dilma a novo recorde

A guinada da presidente se dá na região onde o potencial adversário da presidente nas eleições do ano que vem, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), tem seu maior capital político. O crescimento verificado na pesquisa também ocorre ao mesmo tempo em que Campos vem aprofundando seu discurso como alternativa a Dilma para as eleições de 2014.

A mesma situação ocorre na avaliação do governo. No Nordeste, aqueles que consideram o governo "ótimo" ou "bom" foi a 72% (em dezembro, eram 68%). As outras regiões registram 60% de avaliação positiva.

LUZ E CESTA BÁSICA

A pesquisa capta o período em que começou a valer a redução de até 20% nas contas de luz de consumidores residenciais. Usada como forma de frear o crescimento da inflação, outra medida popular do governo, e mais recente, foi a desoneração da cesta básica. As duas medidas foram anunciadas pela própria presidente em pronunciamentos em cadeia nacional de rádio e televisão. A oposição acusou a preside nte de fazer uso eleitoreiro desses pronunciamentos.

A pesquisa aponta que as notícias sobre a redução nos valores da conta de luz e da cesta básica estão entre os três fatos mais lembrados pelos entrevistados. Só perdem para a tragédia da boate Kiss, em Santa Maria, e a presença da presidente no local, em solidariedade aos parentes das vítimas. O aumento do preço da gasolina, notícia negativa para o governo, foi citada por apenas 3%.

Outro dado apontado é que o maior crescimento de avaliação do governo ocorreu justamente na área de impostos. Em três meses, a aprovação das medidas do governo nessa área saltaram de 30% para 37%.

ECONOMIA
Apesar dos dados decepcionantes em relação ao crescimento do PIB, que cresceu apenas 0,9% em 2012, o emprego e a renda apresentaram resultados robustos, conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O nível de desemprego chegou a 5,5%, o mais baixo da história. Em relação à renda, a alta de 4,1% no ano passado representou o crescimento mais acentuado desde 2004, segundo o IBGE. Esses dois fatores mexem muito mais com a percepção econômica da população do que os dados do PIB.

Sobre a inflação, apesar da pressão nos preços registrada nos últimos meses, a pesquisa mostra que a satisfação da população com as medidas tomadas em relação ao problema cresceu de 45% para 48% - acima da margem de erro, portanto.
O intervalo entre a última pesquisa CNI/Ibope e a divulgada nesta terça-feira também coincide com o início de uma ofensiva publicitária do governo sobre a erradicação da miséria.

O governo anunciou ter retirado da extrema miséria todos os registrados no Cadastro Único do governo federal, que serve de base para programas de transferência de renda, como o Bolsa Família. Ou seja, todas essas famílias agora recebem mensalmente do governo pelo menos R$ 70 per capita. A erradicação da pobreza extrema foi a principal promessa de Dilma na área social.

A pesquisa CNI/Ibope foi realizada entre os dias 8 e 11 de março,
com 2.002 pessoas em 143 municípios de todo o país.

Dentro e Fora da História

O dever do historiador

Eric Hobsbawm, apresentou um ensaio como conferência inaugural do ano acadêmico de 1993-4 na Universidade da Europa Central em Budapeste a um grupo de estudantes basicamente oriundos de ex-países comunistas da Europa e da antiga URSS e depois publicou no New York Review of Books, de 16 de dezembro de 1994.

Este ensaio está publicado no livro "Sobre História",
autoria de Eric Hobsbawm
e publicado pela Companhia de Bolso, em 2013.

No final do ensaio, Hobsbawm conta a seguinte história
sobre o que ele acha que deve ser...

O DEVER DOS HISTORIADORES


“Como estudantes desta universidade, vocês são pessoas privilegiadas. As perspectivas sâo as de que, como bacharéis de um instituto conhecido e prestigiado<, irão obter, se assim escolherem, uma ótima condição na sociedade, carreiras melhores e ganhos maiores que os de outras pessoas, embora não tanto quanto os de prósperos homens de negócios. O que eu quero lembrar a vocês é algo que me disseram quando comecei a lecionar em uma universidade. “As pessoas em função das quais você está lá”, disse meu próprio professor, “não são estudantes brilhantes como você. São estudantes comuns com opiniões maçantes, que obtêm graus medíocres na faixa inferior das notas baixas, e cujas respostas nos exames são quase iguais. Os que obtêm as melhores notas cuidarão de si mesmos, ainda que seja para eles que você gostará de lecionar. Os outros são os únicos que precisam de você.”
Isso não vale apenas para a universidade, mas para o mundo.


Os governos, o sistema econômico, as escolas, tudo na sociedade não se destina ao benefício das minorias privilegiadas. Nós podemos cuidar de nós mesmos.

É para o benefício da grande maioria das pessoas, que não são particularmente inteligentes ou interessantes (a menos que, naturalmente, nos apaixonemos por uma delas), não têm um grau elevado de instrução, não são prósperas ou realmente fadadas ao sucesso, não são nada de muito especial.

É para as pessoas que, ao longo da história, fora de seu bairro, apenas têm entrado para a história como indivíduos nos registro de nascimento, casamento e morte. Toda sociedade na qual valha a pena viver é uma sociedade que se destina a elas, e não aos ricos, inteligentes e excepcionais, embora toda sociedade em que valha a pena viver deva garantir espaço e propósito para tais minorias.

Mas o mundo não é feito para o nosso benefício pessoal, e tampouco estampo no mundo para nosso benefício pessoal. Um mundo que afirme ser esse seu propósito não é bom e não deve ser duradouro.”

Nota do blog:


No mundo atual,
- quando vemos a pressão do sistema financeiro para reduzir ou acabar o Estado do Bem Estar Social e implantar o neoliberalismo,
- quando vemos a imprensa insistir que os governos devam usar apenas critérios de “meritocracia”, mesmo que isto signifique excluir a maioria da população da estrutura do Estado,
- voltar a ler os escritos de Hobsbawm é um alento para manter as esperanças na Vida e na História.

Hobsbawm, juntamente com Cartier Bresson e muitos outros, viveram e retrataram o Século XX.
Precisamos começar a construir o Século XXI, a partir destes personagens que semearam para um mundo melhor...


segunda-feira, 18 de março de 2013

Aprendendo com a Nova Zelândia

Vejam que boa matéria!

O jornal Valor, mais uma vez, faz um gol de placa.
Vejam que bela materia sobre criação de gado leiteiro na Bahia. Embora grande, a materia é parte do que foi publicado no Valor de hoje.
O governo Dilma precisa fazer uma parceria internacional e intensificar a modernização do Nordeste, superando a industria da seca.

Modelo na fazenda, Leitíssimo amplia portfólio
Autor(es): Por Bettina Barros | De Jaborandi (BA)
Valor Econômico - 18/03/2013

David Broad (esq.) e Simon Wallace: demanda dos consumidores levou a Leitíssimo a investir no lançamento de leite desnatado e creme de leite feito com nata
O que faz um neozelandês mudar para o interior da Bahia? Leite. E o que leva nove neozelandeses a investir R$ 100 milhões na Bahia? Água, sol e pasto farto, condições ideais para produzir leite. E, claro, um gigantesco mercado doméstico de lácteos para ser explorado.

Doze anos depois de fincarem pé no país - dez para estruturação do negócio e dois de gôndola -, os sócios-fundadores da Leitíssimo, marca que se gaba de ter 100% do leite produzido e engarrafado na fazenda, preparam o passo seguinte para consolidar sua participação no mercado brasileiro. Com mais um aporte de R$ 10 milhões, quase seu faturamento anual, a empresa apresentará a partir de 2014 seu novo portfólio de produtos, desta vez com foco na venda de leite desnatado e creme de leite feito a partir da nata descartada.

Radicados onde a Bahia encontra Minas e Goiás, eles tampouco estariam apostando no mercado brasileiro se não tivessem trazido de casa o trunfo genético que criou a "kiwicross", um cruzamento de vaca europeia de boa produtividade de leite mas rústica o bastante para suportar o calor do Cerrado.

Pivôs de irrigação da Leite Verde: no oeste da Bahia, questão de sobrevivência
A raça inusitada e o modo de produção da Nova Zelândia replicado na fazenda Leite Verde, no município baiano de Jaborandi, têm atraído os olhos da concorrência e amantes do produto em geral. Todos querem saber o que está por trás da Leitíssimo, que apesar de jovem já foi catapultada à condição de "queridinha" dos baristas e sorveterias badaladas do Sudeste.

Não é só a qualidade do leite nem a embalagem bonitinha que chamam a atenção. Mais importante, para os demais produtores, é o fato de a fazenda no oeste da Bahia - uma região tradicionalmente de soja, milho e algodão - produzir hoje mais leite por hectare que nos Estados Unidos (os maiores produtores mundiais) e três vezes mais que na Nova Zelândia (os maiores exportadores de leite). "Nossos amigos não acreditam quando eu falo", diz ele, "porque lá na Nova Zelândia são três vacas por hectare. Aqui nós temos dez".
A entrada deles no mercado brasileiro não é totalmente estranha. Embora o leite represente um quarto da pauta de exportações do país, a produção da ilha não tem para onde se expandir. Nos últimos anos cresceram os relatos de produtores locais partindo da Oceania para outros países, em busca de terras para produzir.

Na escola da fazenda, as crianças são divididas e compartilham uma única sala
Wallace, hoje com 41 anos, chegou ao Brasil em 2001. Entusiasta, foi o desbravador que percorreu vários Estados e visitou "umas 100 propriedades rurais" até chegar a Jaborandi. Em um português pontuado por gírias baianas, ele explica que, além do potencial de mercado para lácteos, a escolha pelo país se deveu a laços comerciais anteriores - seu pai, David, já vendia vacas a produtores brasileiros.

"Escolhemos aqui por causa do microclima da região, de temperaturas mais amenas para os animais, e da água abundante", diz ele, apontando para fotos, mais amareladas que deveriam, dos primeiros anos na fazenda - a escavação do primeiro buraco, as tendas de dormir, as festas juninas improvisadas e a escuridão de 5,5 mil hectares até então não privilegiados pela fiação de energia elétrica.

Nos dez anos de silêncio proposital, que suscitou a curiosidade da vizinhança e da imprensa, Wallace e Bell prepararam o terreno e formaram o rebanho até o anúncio oficial do empreendimento em 2011. O tal "sistema" neozelandês, que eles dizem com orgulho ser a alma do negócio, é uma conjunção de fatores que engloba o manejo correto do pasto, a genética bovina, as relações humanas e os olhos dos donos sempre por perto.

A "kiwicross", cruzamento de vaca europeia produtiva e resistente ao calor

A primeira regra é morar na fazenda, como manda a tradição neozelandesa. "No Brasil, vocês vivem nas cidades e deixam [um capataz] tomando conta da produção. Eu fico na fazenda 240 dias por ano", diz Wallace, que só sai para compras corriqueiras em Mambaí, a cidade de apoio em Goiás, ou para participar das quatro reuniões por ano do conselho da sua fazenda na Nova Zelândia.

Outra característica da produção é o mix de alimentação e animais apropriados. Assim como em seu país, as vacas se alimentam unicamente com pasto e um complemento de milho triturado para garantir a quantidade de proteína necessária ao organismo (o "sorvete" oferecido após as ordenhas).

O rebanho foi formado por inseminação artificial para garantir as qualidades exigidas pelos produtores - vacas holandesas, de alta produtividade, com jersey, que confere a rusticidade que falta aos animais do Norte da Europa. "Não adianta pôr uma Ferrari aqui. Precisamos de um 4x4", diz Wallace, referindo-se à escolha da melhor genética para a região. O sêmen é trazido de touros neozelandeses.

Recentemente, a fazenda adotou a sexagem dos embriões como forma de forçar o nascimento de bezerras. Segundo eles, o retorno tem sido positivo: uma taxa de 87% de nascimento de fêmeas (os machos são sacrificados, seguindo uma prática comum no campo).

Na fazenda, produção de leite por hectare já é maior que nos Estados Unidos

Wallace diz que a combinação dessa genética animal e da variedade de pasto tropical, que cresce mais rápido por causa da incidência do sol e da água, ajudam a explicar por que as vacas da Leite Verde produzem 14 mil litros por ano, contra a média de 6 mil litros no resto do país. "Quando meu pai me visitou e viu a velocidade com que o pasto cresce aqui, ele disse ter certeza que a fazenda daria certo".

A comparação é assim: para cada hectare de pasto em Jaborandi são recolhidos 45 mil toneladas de matéria seca (pasto cortado e desidratado) por ano; na Nova Zelândia são 15 mil toneladas por ano. "Mas isso não se traduz necessariamente em mais leite porque o pasto lá é melhor", acrescenta Broad.

Os pivôs de irrigação são outro diferencial. A água, retirada do rio que passa pela propriedade, molha o pasto sempre que preciso. Isso garante pastos verdes o ano inteiro. No oeste da Bahia, trata-se de uma questão de sobrevivência do negócio - a fazenda encerrou na segunda passada 28 dias sem chuvas, e o tempo já está seco de novo.

Aos oito pivôs operando hoje com cerca de 500 vacas cada, a Leite Verde acrescentará mais três até o fim deste ano e pretende chegar a 20 em seis anos. Das ordenhadeiras, o leite segue por caminhão para o laticínio, ali do lado, sofre os choques térmicos de praxe para esterilização e é envasado na hora.

Para quem anda pela fazenda, tudo parece ser cuidadosamente controlado. Broad explica que isso é possível graças à verticalização - até as garrafas e rótulos são feitos dentro da fábrica, que não possui estoques para evitar contaminação. "Mantemos garrafas para 15 minutos, caso a máquina pare".

A gestão descentralizada também ajuda a deixar a máquina mais azeitada - cada pivô tem o seu gerente e, em tese, todos conseguem resolver problemas do dia-a-dia sem ter de chamar por ajuda pelo rádio e esperar por ela.

A boa relação entre funcionários e patrões também é um vetor para o sucesso, dizem os sócios. A começar pelas casas. Distribuídas pelos pivôs - "assim qualquer um chega a pé à sua função", diz Broad -, elas são todas iguais. E amplas. E bonitas. O refeitório, colado à escola, também é compartilhado. E uma quota de 12 garrafas de leite por mês é oferecida de graça aos funcionários, patrões incluídos.

A escola é outro ponto de atração para os visitantes. Ao estilo neozelandês, as crianças compartilham uma única sala de aula, com subgrupos divididos por idade e assessorados por duas professoras, uma baiana e outra voluntária da Nova Zelândia, que pode ser substituída ou optar por ficar após o término de cada período escolar. A sala tem hoje 11 meninas, filhas de neozelandeses e baianas.

Como era de se esperar em grotões do campo brasileiro, há casos de alunas de pais analfabetos que já falam e escrevem em português e inglês fluentes. "Olha o salto [educacional] que está ocorrendo", diz Broad, pai de três Marias.

Dali o pasto já começa e é possível ver ao longe as vacas comendo, ruminando ou dormindo. Segundo Broad, o bem-estar animal é uma preocupação herdada de casa e tem impacto na lactação. As vacas devem estar em boa condição de saúde porque o sêmen fica fragilizado ao ser sexado, diz. "Se não estiver assim, ela não fica prenha".

No fim do dia, os neozelandeses se dizem otimistas, apesar do desafio de crescer sem perder a qualidade. A carta de referência, afinal, é o produto que vai para a garrafa. "Produzimos um ótimo leite, tão bom quanto o da Nova Zelândia", diz Wallace. E ele engata um comentário curioso: as maiores remessas por Sedex de chineses que vivem na Nova Zelândia para as suas famílias na China são de leite. "Eles adoram". Quem sabe isso não ocorra com a Leitíssimo também?

domingo, 17 de março de 2013

USA e o fiasco no Iraque

Perdas irreparáveis...

Quem tem sua dor é quem geme.
Entre os muitos males das guerras...

Vejam este artigo sobre a invasão do Iraque.

'Depois de tudo, nenhuma desculpa nos foi oferecida'


Hoje nos Estados Unidos, sobrevivente da guerra diz que
tensão sectária era consideravelmente menor antes do início do conflito

17 de março de 2013 | 2h 01

RAED JARRAR , THE NEW YORK TIMES , é blogueiro árabe-americano, arquiteto, escreveu este artigo para o Progressive Media Project, sobre assuntos domésticos e internacionais.- O Estado de S.Paulo

Nasci no Iraque e em 2003 vivia em Bagdá. Minha família e eu passamos as primeiras semanas de março nos preparando para a invasão liderada pelos Estados Unidos. Minha tarefa era armazenar gás para o gerador, colocar fitas nas janelas e contratar uma pessoa para cavar um poço no quintal. Como temíamos, o presidente George W. Bush deu início à guerra em 20 de março. Nós sobrevivemos, mas estamos entre os afortunados.

Milhões de iraquianos foram mortos, feridos, desalojados. Um dos países mais desenvolvidos da região à época da invasão, o Iraque hoje está entre os piores em termos de infraestrutura e serviços públicos. Bagdá está na mais baixa colocação no ranking de qualidade de vida, de acordo com recente levantamento global da consultoria Mercer.
Sou metade sunita, metade xiita, ou "sushi" como os iraquianos chamam jocosamente filhos de casamentos mistos. Nunca questionei minha seita antes de 2003. Nem sabia quem, entre meus amigos, era sunita ou xiita. Mas hoje as divisões sectárias tornaram-se componente essencial da nova identidade do Iraque e constituem uma ameaça à sua integridade territorial e unidade nacional.

A invasão e a ocupação do Iraque tiveram um impacto bastante negativo sobre os Estados Unidos também. Cerca de 4,5 mil jovens americanos foram mortos, 32 mil feridos e centenas de milhares voltaram ao seu país com traumas psicológicos. De acordo com o Prêmio Nobel Joseph Stiglitz e a professora de Harvard Linda Bilmes, os contribuintes americanos acabaram injetando US$ 3 trilhões na invasão e ocupação do Iraque e assistência aos soldados de retorno ao país.

O fiasco do Iraque também afetou a credibilidade e a reputação dos EUA no mundo inteiro.

Bush e seus assessores, apoiados por especialistas, enganaram a população americana. O que lhes foi dito é que o Iraque possuía armas de destruição em massa e a invasão do país protegeria o mundo de um perigo iminente. E a eles também foi prometida uma operação rápida e transparente que libertaria o Iraque e era do agrado dos iraquianos. Nada disso ocorreu.

Depois de tudo, nenhuma desculpa foi oferecida aos iraquianos, nenhum político foi processado, nenhum especialista foi responsabilizado e nenhuma indenização foi paga ao Iraque. Se você não apoia a ideia de indenizar o Iraque, reflita sobre isso: o Kuwait vem sendo indenizado por um país que ilegal e imoralmente o invadiu em 1990. Esse país, acredite ou não, é o Iraque.

Dez anos depois de Bush travar essa guerra sem sentido, hoje sou cidadão americano e resido em Washington. Mais do que nunca, estou ansioso para virar uma nova página nas relações entre Estados Unidos e Iraque. Mas diante do que ocorreu, não posso simplesmente varrer essa guerra para baixo do tapete.

Os EUA devem desculpas ao Iraque,
têm de pagar pelo que destruíram e
precisam responsabilizar os indivíduos
que estavam por trás daquela guerra.



sábado, 16 de março de 2013

Provocações da Folha – Todos contra o PT e o PMDB

Eduardo Campos é melhor que Marina, Serra e Aécio

Quantos partidos a Folha tem? Tantos quantos forem necessários para derrotar o PT. Este é o desafio do PT e do PMDB.
Do PMDB? E se este também aceitar fazer o jogo da Folha? As tentações serão muitas. Ofertas mil e muitas outras coisas. Vale tudo pelo objetivo de derrotar o PT.

O azar da Folha e da direita e dos ressentidos, é que temos LULA.
E enquanto Lula estiver vivo será nossa reserva eleitoral imbatível.
O único medo que eu tenho é que “apareça um acidente ou um louco para matar Lula”.
A história tem muitos exemplos disto. Kennedy, Gandhi, Luther King, etc. Os assassinos fabricam loucos para matar os inconvenientes, sejam eles políticos ou músicos. Não duvidem de se fazer o mesmo aqui no Brasil.

Até 2014, Dilma, Lula, o PT e o PMDB vão ter que “dormir com os inimigos” e esperar para ver. Além dos méritos do mandato, Dilma, Lula e Temer precisam ter como principal aliado o POVO.
Este decide as eleições.

Por enquanto, divirtam-se com estas provocações da Folha:

Dá para fazer muito mais que Dilma, diz Eduardo Campos em jantar com empresários

Folha – Monica Bergamo - 16/03/2013 - 03h00

"Dá para fazer muito mais" que a presidente Dilma Rousseff. Com esse, digamos, slogan, o governador Eduardo Campos (PSB-PE), de Pernambuco, passou seu recado a um grupo de 60 empresários que se reuniram na quinta-feira (14) em SP, num jantar, para conhecê-lo melhor --e descobrir se ele é, mesmo, candidato à presidência. Boa parte saiu de lá com a certeza de que Campos vai, sim, se lançar contra Dilma em 2014.

O encontro foi na casa do empresário Flávio Rocha, da Riachuelo. E Campos soltou o verbo.
Começou dizendo que o Brasil teve grandes conquistas nas últimas décadas --e logo engatou crítica que a oposição sempre fez a Lula, a Dilma e ao PT: "O Brasil não começou ontem. Não começou com o partido A, B ou C".

Na sequência, engrossou o coro dos que dizem que as coisas no país vão bem --mas podem piorar. "Não há grande incômodo nas grandes massas. Não há na classe média esse sentimento, nem de forma generalizada no empresariado. Mas há, nesse instante, nas elites, grande preocupação com o futuro. Há o sentimento de que as coisas podem piorar."
Os "florais aplicados em todas as crises" não funcionaram desta vez, diz Campos. "E mais do que de repente começa uma série de medidas, em série, em relação a vários setores, sobretudo, no início, na área do petróleo", segue, referindo-se aos pacotes lançados por Dilma. "Há um sobressalto daqueles que foram atingidos e daqueles que não foram atingidos por medidas." Para ele, "se estabelece uma ansiedade total".

"E a tudo isso se somou a antecipação do debate eleitoral", segue o governador, referindo-se, sem citar o nome de Lula, ao fato de o ex-presidente ter lançado Dilma à sucessão presidencial.
"Um debate maniqueísta, eu sou o bem, você é o mal."

Na sequência, Campos passa a criticar a campanha presidencial de 2010, quando Dilma Rousseff disputou com José Serra (PSDB-SP). "Nós tivemos uma campanha das mais pobres do ponto de vista do conteúdo. Acusação de lá, defesa de cá. Acusação de cá, defesa de lá. Sinceramente, não dá para respeitar como um debate à altura dos desafios do Brasil. E isso deixou as coisas desamarradas para o futuro."

"Um monte de político se junta e diz: 'Olha, a gente precisa ganhar a Presidência da República'. É como dizia o meu avô [Miguel Arraes]: na política, você encontra 90% dos políticos atrás de ser alguma coisa. Dificilmente eles sabem para que."

É chegada a hora, portanto, de debater. E é o que o governador está fazendo, ainda que desperte a ira de Lula, de Dilma e do PT --até então seus aliados. "Esse é o momento para que o Brasil aprenda a viver com diversidade. Fazer crítica não é ser contra, não é ser inimigo."

E crítica é o que não falta. "O estado que está aí, as políticas, as normas como são feitas, precisam evoluir."
"Dá para ser melhor. E não é uma ofensa para quem está aí você dizer que dá para ser melhor. Nós queremos mais. E que bom que queremos mais, né? Isso deveria desafiar as pessoas a fazer, a quebrar o velho costume e afirmar novos valores."

"Dá pra fazer muito mais", repete Campos. Para, então, disparar o torpedo: "E isso não vai ser feito se a gente não renovar a política. O pacto político que hoje está no centro do governo que eu defendo, que ajudei a eleger, a meu ver, não terá a condição de fazer esse passo adiante. Não vai fazer. As últimas eleições no parlamento brasileiro [em que Renan Calheiros foi eleito presidente do Senado com o apoio de Dilma e do PT] são uma indicação. É ficar de costas para tudo isso."

O governo, além de tudo, "às vezes não dialoga". A solução "é falar com o governo pela imprensa. Não quer me receber? Você pode tuitar. Eu, por exemplo, tive a oportunidade de dar a minha opinião sobre a Medida Provisória dos Portos pela imprensa, porque não tive a oportunidade de discutir [com Dilma] antes. Apesar de o meu estado ter o porto público mais eficiente do Brasil. Eu podia até ser convencido de que estava certo. Mas não custava nada ouvir a mim e a outros."

"Quanto mais popularidade o governo tiver, mais paciência e diálogo deve ter", afirma. "E popularidade vai e vem. Popularidade é uma coisa. Voto é outra coisa.
O ano, afirma ele, deveria ser o da construção de "convergências políticas". "E nós corremos um sério risco de botarmos 2013 fora."

"Enquanto o Brasil diz que tem o petróleo do pré-sal, importa gasolina. A Petrobras, que já foi 'case' de sucesso lá fora, tá cheia de problema. E aí? Vamos ficar discutindo a eleição que vai ter em 2014 ou o país? Porque daqui a pouco a gente não sabe nem o que vai encontrar em 2014, entendeu? Precisamos encontrar em 2014 um país em que seja possível fazer algo para ele melhorar. E, sinceramente, a gente não pode ficar pelos cantos, constrangido em fazer o debate."

Campos diz que a presidente Dilma conhece suas críticas. E mais: sabe também que seu partido, o PSB, o pressiona para se lançar candidato à presidência. "Quem disse a ela não foram terceiros, fui eu mesmo", afirma. "Ela sabe o que o meu partido pensa e sabe os sonhos que meu partido tem. Se esses sonhos vão ser realizados ou não, é outra coisa."
Ele então faz uma ressalva: "Só não vamos nos meter em aventura. E não vamos ajudar a destruir o que nós construímos. Nós queremos é seguir adiante, não é desmanchar as coisas boas que foram feitas. Nós queremos fazer mais coisas boas". Continuidade, mas com liderança renovada.

Campos finaliza a conversa da noite sem assumir que é candidato.
"Não vamos entrar num debate eleitoral. Cada um tem seu relógio.
Ninguém é obrigado a andar no fuso horário dos outros.

Nota do blog:

Ainda bem.
No entanto, é preciso orar e vigiar.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Bancos aumentam concentração

Agora controlam o Crédito Consignado

As Agências Reguladoras estão mais a serviço das empresas do que dos consumidores ou do governo. Este é mais um filho do governo FHC que o governo Lula manteve e Dilma ainda não conseguiu regulamentar.

A ausência de uma gestão compartilhada séria, onde estejam representados os consumidores, as empresas, os governos e os trabalhadores, leva a formação de oligopólios e de controle de preços pelas empresas, além da falta de qualidade nos serviços prestados. Não é por acaso que os campeões de reclamações são as empresas de telefonia e os bancos.

Agora os grandes bancos resolveram assumir o controle do Crédito Consignado. Vai sobrar para os aposentados e os assalariados que ficarão cada vez mais nas mãos dos bancos.

Vejam parte de uma boa matéria que saiu no jornal Valor de hoje.

Crédito consignado vira produto de banco grande

Concorrência: BB, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander
têm 74,3% do mercado de crédito consignado

Valor - Por Felipe Marques e Carolina Mandl | De São Paulo – 15/03/2013.

O crédito consignado já não é mais o mesmo, pelo menos para os grandes bancos privados. Se até pouco tempo atrás Itaú Unibanco, Bradesco e Santander torciam o nariz para essa modalidade de empréstimo com desconto direto no salário, agora já enxergam nele um bom negócio.

Há quatro anos, o trio dos maiores bancos privados do país tinha uma fatia de 17,86% do estoque de crédito consignado do país, sendo que a maior parte disso vinha da compra de carteiras produzidas por instituições de médio porte. No fim do ano passado, os três já eram responsáveis por 25,64% do total, um avanço que daqui para a frente só deve crescer. E rapidamente.

O movimento já ficou bastante evidente na sociedade que o Itaú fez com o BMG, banco mineiro especializado em crédito consignado, em julho do ano passado. "Daqui para a frente, os principais pilares de crescimento do Itaú são o crédito consignado, o imobiliário, cartão de crédito e infraestrutura", diz Rogério Calderón, diretor de controladoria do Itaú Unibanco.

Não há duvida de que a segurança do recebimento do empréstimo é bastante bem-vinda para os bancos, principalmente em meio a um surto de inadimplência. Mas vai além disso. Os grandes bancos viram que não poderiam ficar de fora de um tipo de crédito para pessoas físicas que já soma R$ 192,4 bilhões. Já é um estoque igual ao de financiamento de veículos.

Por que deixar essa mina nas mãos de dezenas de pequenos bancos? Ou dos bancos públicos?
O Banco do Brasil, por já ter entrado no consignado com força pelo menos desde 2006, tem em balanço R$ 58,6 bilhões de consignado. A Caixa Econômica Federal ainda é dona de outros R$ 33,4 bilhões, sendo que só em 2012 avançou 37,5% no produto.
Juntos, os cinco maiores bancos do país já têm 74,3% do mercado de crédito consignado, o que faz dessa modalidade de empréstimo um negócio definitivamente de bancos de grande porte. Se poucos anos atrás eram mais de 60 bancos disputando o consignado, hoje restaram pouco mais de 15, segundo estimativas de mercado. Cruzeiro do Sul, Matone e Morada são só alguns dos nomes que desapareceram.

Podem ser poucos os que ficaram, mas nem por isso a concorrência arrefeceu. Apenas ganhou novos contornos. Com grande poder de fogo, as instituições de grande porte puxam para cima as comissões pagas aos chamados "pastinhas", os promotores de venda de crédito, importantes figuras na oferta do consignado. Na medida em que a competição entre as instituições financeiras aumenta, as gratificações pagas aos intermediários tendem a subir, segundo banqueiros de instituições de grande porte ouvidos pela reportagem.

Não é nada, porém, como já se viu no passado, quando as comissões chegaram a abocanhar a rentabilidade do negócio, fator que contribuiu para a saída de vários bancos desse nicho. "Existe uma concorrência grande. Mas a diferença é que agora os competidores estão fazendo conta", diz João Roberto Gonçalves Teixeira, presidente do banco Votorantim.

Apesar de ter cancelado uma série de convênios de consignado com entidades públicas por causa das elevadas comissões, o Bonsucesso também avalia que a competição se dá hoje de forma menos predatória. "Pagamos gratificações entre 10% e 12%, sendo que elas já foram de até 20%", afirma Juliana Pentagna, diretora do banco mineiro. Alguns bancos relatam comissões em torno de 15%, mas também afirmam que estão em níveis mais baixos do que em 2011.

Mesmo assim, nesse cenário, os bancos consideram baixa a chance de vingar a proposta do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de limitar a comissão dos "pastinhas" a 10%, afirmam os executivos, que preferiram não ser identificados. Os aposentados e pensionistas do INSS respondem por 30% dos empréstimos consignados, segundo dados do Banco Central.

"É na comissão que vai acontecer a disputa entre os bancos, mais até do que nas taxas de juros de empréstimos. Não tenho dúvida que os bancos vão seguir operando acima do teto", afirma um executivo de uma das cinco maiores instituições do país. Segundo ele, é no consignado do INSS em que as comissões são mais altas, em comparação, por exemplo, aos convênios de Estados e municípios.

"O mercado encontra outras formas de remunerar o promotor de crédito. A comissão da originação do empréstimo pode ser 10%, mas uma série de outros bônus aumenta esse valor", diz Edison Costa, presidente da Aneps, associação que reúne promotores de venda e correspondentes bancários. Entre as bonificações, estaria a remuneração atrelada ao volume de operações que determinado "pastinha" faz, por exemplo.

Costa também afirma que 10% de comissão é um valor insuficiente para que um correspondente possa atuar. Segundo cálculos da associação, os promotores de crédito originam cerca de R$ 50 mil a R$ 75 mil de empréstimos novos por mês. Para cobrir os custos operacionais da atividade, ele calcula que a comissão precisaria girar entre 15% e 17%.

"O INSS já tentou limitar a comissão no passado e não conseguiu. Como desta vez o esforço é conjunto com o Banco Central, pode ser que seja diferente. Mas não vejo isso mudar enquanto a concorrência estiver no nível que está", afirma executivo de banco que atua no consignado.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Flores como Esperança

Lágrimas de Cristo para a Igreja

Passei o dia olhando os jornais e os sites
e não achei nada que me motivasse a escrever.
Estou com a ressaca da escolha do novo papa.
Não tem nada contra a Argentina.
Tem a ver com a Igreja Católica e seu modo de vida atual.

Depois de várias reuniões e matar a saudade dos fatos históricos,
inclusive vendo entrevistas de Dom Paulo Evaristo Arns de 1993,
resolvi jogar a toalha e não escrever nada.

Apenas mostrar algumas flores que mostrem meus sentimentos.

Vejam que pequena amostra de beleza
este cacho de flores "Lágrimas de Cristo"



São flores de final de temporada,
Ainda bonitas e mimosas.

Mas outras flores já estão mudando de cor e murchando...



Atualmente este pé de Lágrimas de Cristo já não tem flores,
apenas algumas folhas...

Ainda bem que, no mesmo jardim, temos dezenas de pés de "mariazinhas".

Estas florescem o ano todo e sempre são belas e humildes.



Da mesma forma que as flores passam,
os papas e cardeais também passarão.
Mais tarde teremos novas flores
e novos papas e cardeais.

Jesus morreu na cruz para servir de exemplo à humanidade.
Os cardeais e papas de hoje vivem se esquecendo de Jesus.
E hoje fui alertado que não existe apenas um São Francisco.
Aí fiquei mais contente,
este Papa Francisco não é o São Francisco de Assis.
Este sim, eu sempre tive como referência...

Como dizem as feministas:
Apesar de tudo,
Não podemos desistir.
A vida continua...

quarta-feira, 13 de março de 2013

Papa novo – Abusaram da boa fé

Um papa argentino? Vá lá...

Mas, ter sido denunciado como aliado da ditadura sanguinária que matou e prendeu milhares de argentinos?

Não quiseram um papa brasileiro e conservador, mas elegeram um papa de direita e que ainda se autochama de Francisco? É maldizer a imagem de São Francisco de Assis.

No meu blog de ontem, eu pedia para os cardeais não se esquecerem de São Francisco de Assis, mas eu acho que fui mal entendido, eles correram para a extrema direita e, para enganar os leigos, se disseram... franciscanos.

Mas, Deus escreve certo por linhas tortas...
E o tempo será o Senhor da Razão.

Quero ver as matérias dos jornais desta quinta-feira...

Por enquanto leiam um dos textos da UOL:

Novo papa já foi acusado de cumplicidade com crimes da ditadura argentina


Arcebispo de Buenos Aires, o cardeal chegou a testemunhar em julgamento sobre a desaparição de sacerdotes
UOL - Atualizada às 19h22

Recém-eleito papa, o argentino Jorge Mario Bergoglio é acusado de ter sido cúmplice de crimes cometidos pela ditadura cívico-militar de seu país (1976-1983). Arcebispo de Buenos Aires, o cardeal chegou a ser convocado para testemunhar em julgamento sobre a desaparição de sacerdotes durante os anos de terrorismo de Estado.

Em sua primeira aparição, Jorge Mário Bergoglio pediu uma oração a Bento XVI

De acordo com a Asssociação Mães da Praça de Maio, Bergoglio facilitou o sequestro dos sacerdotes jesuítas Francisco Jalics e Orlando Yorio. A versão da entidade é corroborada pelo jornalista Horacio Verbistky, autor de diversos livros sobre o assunto. “[Ele] era chefe da Companhia de Jesus, às quais eles pertenciam, mas em vez de protegê-los, lhes tirou a proteção eclesiástica e poucos dias depois foram sequestrados”.

“Ele os denunciou por estarem vinculados com a subversão e de terem desobedecido seus superiores hierárquicos”, continuou o jornalista, afirmando que a informação estava documentada na chancelaria argentina.

Em 2011, durante as audiências do processo sobre o plano sistemático de roubo de bebês - nascidos em prisões clandestinas, durante a ditadura, e adotados ilegalmente por outras famílias, em sua maioria próximas a autoridades militares –, Bergoglio chegou a ser citado para declarar, após testemunhas apontarem que ele estava ciente deste tipo de crime.

Leia mais: Como a Igreja Católica ajudou a implantar a ditadura na Argentina


“Como é que o Bergoglio diz que só sabe do roubo de bebês há 10 anos?”, questionou em uma audiência Estela de la Cuadra, que apresentou ao tribunal cartas de seu pai ao arcebispo, agora papa, nos quais pedia que este intercedesse na procura por sua filha desaparecida, e de sua neta, que nasceu em um centro clandestino de prisão e tortura da ditadura.
Segundo o depoimento de Alicia De la Cuadra, primeira presidente da Associação Avós da Praça de Maio, durante a busca por sua neta, Bergoglio teria dado a ela uma carta na qual dizia que o bispo argentino Mario Piqui intercederia no caso. Após o contato com autoridades policiais, no entanto, o bispo teria afirmado ao casal que a criança estaria vivendo com um "bom casal” e que a suposta adoção já não tinha “volta atrás”.

Além dos indícios de cumplicidade no esquema de roubo e apropriação ilegal de menores, Bergoglio deveria declarar acerca da morte de religiosos durante a repressão. Segundo a imprensa local, em depoimento de cerca de quatro horas, o cardeal afirmou que se reuniu com integrantes da Junta Militar que governava o país - Jorge Rafael Videla e Emilio Eduardo Massera - para pedir a libertação dos sacerdotes.

Em entrevista à televisão pública argentina, no entanto, o jornalista Verbitsky afirma que na audiência ante os tribunais, Bergoglio negou informações concedidas a ele em uma entrevista.

Segundo a reportagem, o novo papa deu ao jornalista detalhes sobre uma ilha chamada El Silencio, no delta do Rio Tigre, que teria sido vendida em 1979 pelo episcopado argentino para a Marinha, com o objetivo de servir como centro clandestino de prisão. “[Ele] negou [perantes os juízes] fatos que eu tenho claramente documentados”, disse Verbistky.

Em audiência sobre crimes cometidos na Escola de Mecânica da Marinha (Esma), centro de detenção clandestino da ditadura, a ex-presa e desaparecida María Elena Funes relatou que o arcebispo de Buenos Aires tinha proibido um dos jesuítas de atuar como padre na região de Bajo Flores, no sul da capital argentina, por razões ideológicas.

Berglogio foi denunciado pela primeira vez por cumplicidade com crimes da ditadura em 1986, no livro Igreja e Ditadura, escrito por Emilio Mignone, autor defensor dos direitos humanos que teve sua filha desaparecida.

*Com informações dos jornais Página 12 e Tiempo Argentino