quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Papa brasileiro, pode ser a novidade

Latino, conservador e alemão

No mundo globalizado, as impressões valem mais do que a realidade. Assim, combinando com a crise econômica da Europa e a importância quantitativa que os católicos latinos têm em relação à Europa, mas tendo como fato principal, o cardeal de São Paulo, d. Odilo Scherer,ser conservador e de uma das maiores arquidioceses do mundo, este pode ser escolhido como novo papa.

O papa polonês cumpriu uma fenomenal missão histórica ajudando a desmontar décadas de tolerância com as ditaduras comunistas. Bento 16 se refez com os americanos ao indenizar as pessoas prejudicadas pelos padres pedófilos e também em consolidar o fim da Teologia da Libertação na Igreja Católica.

Agora, um papa brasileiro, conservador e alemão, simboliza bem este novo momento para os católicos do mundo. Uma religião com muita ação religiosa e pouca vida social e política. Política, só se for conservadora...

Este texto de Elio Gaspari é o que saiu de melhor até agora sobre a sucessão do papa, mesmo sendo publicado na Folha.

Vem aí um conclave inesquecível


Folha - Elio Gaspari – 13fev2013.

É possível que se acabe a época de papados eurocêntricos que começou em 1978 com João Paulo II

Tudo o que se pode esperar da escolha do sucessor de Bento 16 é o fim de um Vaticano eurocêntrico. Desde que Karol Wojtyla tornou-se João Paulo 2º a Europa é o centro das atenções da Cúria.

O papa polonês cumpriu uma fenomenal missão histórica ajudando a desmontar décadas de tolerância com as ditaduras comunistas. Seu sucessor teve um pontificado medíocre enrolado pela tolerância com escândalos sexuais e financeiros de sacerdotes. Um deles passou de raspão pelo Brasil, num trambique do namorado da atriz Anne Hathaway, sócio do sobrinho do atual decano do Colégio de Cardeais, o poderoso ex-secretário de Estado Angelo Sodano. A moça micou em US$ 135 mil e o rapaz foi preso nos Estados Unidos.

As dificuldades do Vaticano com suas finanças são antigas. Foi Pio 9º quem avisou: "Posso ser infalível, mas estou falido." Já os desempenhos sexuais de alguns sacerdotes, mesmo sendo coisa antiga, tornou-se uma encrenca recente, com a qual João Paulo 2º e Bento 16 nunca conseguiram lidar direito, envenenando a missão pastoral de dioceses europeias e americanas.

O eurocentrismo da Cúria Romana refletiu-se no Brasil. Durante o pontificado de Paulo 6º, Pindorama passou de dois para oito cardeais. Hoje tem cinco. Bento 16 deixou sem o barrete cardinalício as arquidioceses de Rio e Brasília. Porto Alegre teve cardeal e está sem. Recife, a primeira sé cardinalícia do país, está na segunda divisão desde os anos 60, quando a ditadura hostilizava d. Helder Câmara e não queria vê-lo cardeal.

Se foi econômico com os barretes brasileiros, Bento 16 foi generoso aspergindo-os pela Europa. Elevou a diocese de Valência (800 mil habitantes), na Espanha, mas não confirmou o barrete de Porto Alegre (1,4 milhão de habitantes).
Quem especular o nome do sucessor de Ratzinger pode jogar cara ou coroa. Nos seis últimos conclaves elegeram-se três favoritos (Ratzinger, Paulo 6º e Pio 12) e três azarões (João Paulo 2º, João Paulo 1º e João 23, um gorducho que mal cabia nas vestes preparadas pelos alfaiates que trabalharam no conclave).

Pode-se esperar que depois de um papa saído da academia de teólogos e da burocracia de Roma, venha um pastor, como os dois João Paulo e João 23. Um administrador de diocese do Terceiro Mundo uniria o útil ao agradável.

É assim que entra nas listas, com um sopro romano,
o cardeal de São Paulo, d. Odilo Scherer,
pastor de uma das maiores arquidioceses do mundo.
Aos 63 anos, teria um longo pontificado.
Ele tem uma característica anfíbia.


É brasileiro, mas, como quatro outros cardeais brasileiros (Cláudio Hummes, Paulo Evaristo Arns, Aloísio Lorscheider e Vicente Scherer, seu parente distante), descende da imigração alemã.

A mola mestra da eleição dos dois últimos papas foi a capacidade de articulação da hierarquia alemã.

D. Odilo lidera a facção conservadora do clero brasileiro, derrotada na última eleição da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e nas eleições gerais em que se meteu. Para consumo mundial, preenche o requisito de um papa do Terceiro Mundo, condição só superável pela escolha de um africano como Francis Arinze, de Lagos, na Nigéria. Mais que africano, Arinze tem 80 anos e passou 25 em Roma. Seria um papa de transição.
Com uma eleição marcada para o fim de março e um papa vivo, vem aí um conclave inesquecível.

Um comentário:

  1. O Élio Gaspare é um jornalista de 1ª linha, escreve para “O Globo. A reportagem é boa, bem escrita, interessante, uma pena que ele a jogou no lixo por escrever esse comentário: “um gorducho que mal cabia nas vestes preparadas pelos alfaiates que trabalharam durante o conclave”. Sorte dele quo o Papa João XXIII já morreu e não poderá processá-lo por, digamos, “gordofobia”. Prezado jornalista, João XXIII foi um grande refomador da igreja católica, além de renovar a igreja escreveu 8 incíclicas, entre elas a “Pacem in Terris” (sobre a Paz de todos os povos na base da Verdade, Justiça, Caridade e Liberdade). Então esse “gorducho” simplesmente é um dos maiores papas que já tivemos e uma das grandes figuras do século XX. Acredito que utilizou muito mal o termo em seu artigo, acredito que os grandes jornalistas não necessitam baixar o nível. Que tal o seu editor fazer uma reforma em “O Globo” e meter-lhe um pé nas nadegas?

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