quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Pão de Açúcar e Casino falam com BRF

Abilio e Previ se calam

Enquanto a Previ continua sem informar a seus associados, Abilio Diniz está incomodado com a iniciativa de o Casino procurar a BRF.

É importante que todos acompanhem esta disputa entre grandes empresários.
Os funcionários e o próprio Brasil serao afetados com os resultados desta disputa.

Vejam mais esta material do jornal Valor.


Casino fala com BRF e irrita Abilio Diniz


São Paulo, SP, 20 de Fevereiro de 2013 - Valor – Adriana Mattos

O Casino, sócio de Abilio Diniz no Grupo Pão de Açúcar, tem procurado os principais acionistas da empresa de alimentos BRF para deixar claro a sua posição contrária à ida de Abilio para o conselho da BRF, apurou o Valor. O contato com os fundos de pensão Previ, Petros e com a Tarpon tem sido feito pelos franceses nos últimos dias e incomodou Abilio, a ponto de o assunto ter sido tratado ontem (19) entre advogados do Casino e Abilio, pouco antes da reunião do conselho de administração do GPA, na tarde de ontem.

Segundo fontes próximas às partes, Abilio questionou Marcelo Trindade, advogado do Casino, sobre essa postura do sócio, em um encontro nos corredores da sede do grupo. "Agora vocês estão também falando com os fundos?", perguntou Abilio. Trindade disse que o Casino estava defendendo os interesses da companhia - dentro da ideia de que existiria, na visão do sócio, conflito de interesses na ida de Abilio para o conselho de BRF. "Tudo o que vocês queriam eu fiz [a respeito das condições de negociação para sua saída do GPA]. Agora querem impedir que continue com minha vida?", disse Abilio. A conversa não avançou.

Fonte ligada ao Casino conta que Abilio teria dito que ainda está "aberto a conversas" com o sócio - pessoas próximas à Abilio negam que tenha comentado essa possibilidade. As negociações para a saída de Abilio do GPA pararam em novembro.

Esse tom nada amigável permeou a reunião do conselho do GPA, ocorrida na tarde de ontem (19). Conforme antecipou ontem o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, logo no início da reunião, Luiz Fernando Figueiredo e Cláudio Galeazzi, futuros membros do conselho de GPA, convidados por Abilio para a reunião, não puderam acompanhar o encontro. Arnaud Strasser, membro do conselho indicado pelo Casino, pediu que os dois se retirassem. Abilio já havia, na segunda-feira, informado os membros do conselho que chamaria Figueiredo e Galeazzi para serem ouvintes na reunião. Strasser informou, em troca de emails, que era contra.

Os dois nomes foram indicados por Abilio para substituir Geyse e Pedro Paulo, mulher e filho de Abilio e atuais conselheiros. Para o Casino, não haveria porque permitir a entrada de possíveis membros ainda não eleitos (a assembleia para eleição ocorre hoje dia 20) para discutir tópicos sensíveis à empresa, disse o Casino. Aos mais próximos, Abilio diz que queria integrá-los mais rapidamente ao grupo.

Nas horas seguintes da reunião, membros do conselho do Pão de Açúcar aprovaram uma "carta conforto", fato inédito na empresa. Nela, fica assegurado que se Abilio entrar com uma ação criminal contra algum dos administradores da empresa, inclusive o presidente Enéas Pestana, o Casino fica responsável pela defesa dos administradores, uma espécie de seguro para os gestores.

Ainda foi aprovado por maioria a remuneração para membros do comitê da companhia, mas foi acertada a necessidade de fazer um estudo paralelo a respeito dos valores da remuneração. O valor do plano de retenção também foi alvo de debate. Geyse Diniz, mulher de Abilio, questionou se o montante dos benefícios do plano estavam sendo seguidos, no valor de R$ 130 milhões para todos os participantes do plano. Strasser respondeu que não abriria valores de remuneração, inclusive porque, disse ele, Abilio teria interesse em levar diretores do GPA para a BRF.

Strasser questionou Abilio sobre essa hipótese. O empresário não respondeu. Strasser, por algumas vezes, repetiu a pergunta durante a reunião, o que foi considerada uma provocação por Abilio.

Um comentário:

  1. Gilmar,
    Tenho na memória uma negociação entre o GPA e a PREVI, quando a GPA contruiu uma nova sede mas teve que vender para a PREVI com o compromisso de pagar aluguel. Entretanto a GPA deu calote na PREVI mudando sua sede para seu antigo prédio na rua Brigadeiro Luiz Antonio, deixando a PREVI com um elefante branco nas mãos.
    Não me lembro a data quando isso ocorreu, mas pesquisando no google achei essa reportagem que conta um pedaço da história.

    http://www.arcoweb.com.br/memoria/implosao-na-berrini-uma-das-03-09-2007.html

    ""Recordando a história do edifício, Bross informa ter sido ele que convenceu as lideranças do Pão de Açúcar a construir a nova sede, com o aval de um dos executivos do grupo, Luiz Carlos Bresser Pereira, que em 1987 seria ministro da Fazenda do governo Sarney (Bresser e Bross serviram juntos na Cavalaria). A empresa ocupou a torre de 1987 até 1990 - época de séria crise interna, motivada por disputa de herança, pelo Plano Collor e agravada pela construção do prédio -, quando retornou para a avenida Brigadeiro Luiz Antônio, local de origem da rede. Certamente, os idealizadores do espaço não possuem boas recordações do falecido conjunto. Para eles, parece não ter valido o conhecido slogan “Lugar de gente feliz”, imediatamente associado à rede Pão de Açúcar. Resta, então, desejar felicidades aos futuros ocupantes.""

    Essas pessoas não são confiáveis para gerir o patrimônio da PREVI.

    ResponderExcluir