quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Brasil à Venda – Aviação

Capitalismo sem capitalistas

Vejam mais uma reportagem sobre a forma como as empresas estrangeiras estão tomando conta da economia brasileira. Seja comprando nossas empresas ou conquistando o mercado através de melhores preços e melhores atendimentos.

Por que o Brasil aceita isto?

Agora as empresas estrangeiras avançam sobre a Aviação Nacional.
Vejam parte da reportagem do Estadão do dia 13, quarta-feira passada.

Companhias aéreas dos EUA avançam
depois que o Brasil abriu o mercado


Desde abertura do mercado, brasileiras tentam reagir,
mas não acompanham avanço das estrangeiras nos voos entre os dois países

13 de fevereiro de 2013 | 2h 04
GLAUBER GONÇALVES/ RIO - O Estado de S.Paulo

A liberalização do mercado de voos entre o Brasil e os Estados Unidos pelo acordo de "céus abertos" firmado em 2010 está abrindo caminho para o avanço das companhias aéreas americanas no País. Embora tenham começado a reagir com mais força à atuação agressiva das estrangeiras, as empresas brasileiras têm ficado para trás.

De setembro de 2011 - um mês antes do início da liberalização - para cá, as companhias nacionais ampliaram em 26% as frequências nessas rotas, ante uma alta de 32,6% por parte das americanas. Em números absolutos, a diferença é maior. As companhias brasileiras acrescentaram 18 voos por semana nessas rotas, menos da metade do crescimento das internacionais.

Antes do acordo, havia um limite de 154 operações semanais para cada país. Agora, com frequências adicionais autorizadas em 2011 e 2012, as americanas já mantêm 179 voos por semana entre os dois países.

A TAM e a Gol, que começou a voar para os Estados Unidos no fim do ano passado, têm apenas 69 frequências semanais, nem metade do permitido antes dos "céus abertos", conforme levantamento feito pelo Estado com base nas informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A abertura total do mercado está prevista para 2015.

Para especialistas, com a liberalização, o País desistiu de ter companhias aéreas fortes internacionalmente, mas garantiu que haja oferta de voos em rotas em que existe forte demanda, como é o caso do corredor Brasil- Estados Unidos. Isso evita que os preços subam.

Nos últimos anos, a Anac vem atuando para abrir o mercado.


Em 2009, acabou com o piso para o preço das passagens aéreas em voos internacionais de longa distância, medida que, na época, contrariou a TAM, única brasileira que voava para fora da América do Sul. Na região, as tarifas já estavam liberadas desde 2008.

Uma sinalização contrária, porém, foi dada recentemente pelo governo Dilma Rousseff. Com um acordo de "céus abertos" praticamente acertado com a União Europeia desde 2011, o País voltou atrás e decidiu não assiná-lo. A justificativa foi evitar uma concorrência maior das europeias, que são mais competitivas que as aéreas brasileiras.

Um dos fatores que dão mais força às concorrentes americanas e europeias é a escala. Os custos mais elevados para o setor no País também jogam a competitividade das empresas brasileiras para baixo. "Nosso custo em relação ao americano é muito maior. Temos que trabalhar com um preço de passagem no limite", explica Riet.

O principal motivo do interesse das empresas americanas e nacionais nesse mercado está na forte procura dos brasileiros por viagens para os Estados Unidos. Com o dólar mais barato nos últimos anos, ficou mais em conta, em alguns casos, viajar para Miami do que para o Nordeste.

Nem mesmo a alta da moeda americana no ano passado desencorajou os brasileiros a viajar para o exterior. De acordo com dados do Banco Central, em 2012, os brasileiros gastaram US$ 3,9 bilhões em passagens nas companhias aéreas estrangeiras, ante R$ 3,7 bilhões em 2011. "Mesmo com o dólar mais alto (que em 2011), a viagem para o exterior está mais barata que dentro do Brasil", afirma Fernandes, da UFRJ.

American Airlines. De olho nessa demanda, a American Airlines é a companhia que tem puxado para cima a oferta de voos desde a assinatura do acordo de "céus abertos". Graças às 56 frequências extras para fora do eixo Rio-São Paulo liberadas nos últimos dois anos, a companhia conseguiu ampliar o número de voos para 102 por semana.

Com a eliminação das barreiras, o plano da companhia é seguir crescendo no País, afirma o diretor da American Airlines no Brasil, Dilson Verçosa Jr. Mesmo com o processo de recuperação judicial em curso nos Estados Unidos, a American seguiu adiante com uma forte expansão nos voos para o Brasil. Hoje, a companhia voa para São Paulo, Rio, Brasília, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Manaus. O plano é alcançar mais dois destinos este ano com voos diários: Porto Alegre e Curitiba. Com isso, a empresa terá voos em todas as regiões do País.

Outras empresas americanas também estão apostando no País, como Delta Airlines, United Airlines e US Airways.

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