sábado, 19 de janeiro de 2013

Mantega apoia Abílio na BRF?

Jogo pesado já envolve 280 milhões

O Estadão resolveu sair do silêncio e fez uma boa matéria sobre os negócios entre Abílio Diniz e a BRF. A Folha continua omissa. O Valor era o único jornal a noticiar sobre o assunto. O que o Estadão mais contribui é que noticia que, além de comprar milhões de reais em ações, Abilio esteve com Mantega, em Brasilia, e pelo que o jornal diz, o governo apoia as intenções de Abilio.

O governo controla os Fundos de Pensão, principalmente a Previ. Logo, ou o governo esclarece sua posição para os funcionários das estatais, para o mercado e para a sociedade, ou a situação do governo pode ficar delicada.

Leiam com atenção e preparem-se para os próximos dias...

Abilio Diniz compra mais ações da BRF e já tem fatia relevante da companhia

Fundo que administra os investimentos do empresário já desembolsou pelo menos R$ 280 mi na compra de ações da companhia;
segundo fontes, porém, aquisições podem somar R$ 1 bi

18 de janeiro de 2013 - Raquel Landim e Melina Costa, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Abilio Diniz vem comprando dia a dia ações da BRF, empresa resultante da fusão de Sadia e Perdigão. Segundo o Estado apurou, na última quarta-feira, o fundo Santa Rita, que administra investimentos do empresário, possuía cerca de R$ 280 milhões em ações da empresa. A participação de Abilio, no entanto, já pode ser muito maior. Fontes próximas ao negócio acreditam que chega a R$ 1 bilhão, o que significaria cerca de 3% da BRF.

Com apoio dos fundos Previ e Tarpon, dois dos principais sócios da empresa, e com o aval do governo federal, Abilio Diniz costura um acordo para se tornar presidente do conselho de administração da BRF, substituindo Nildemar Secches, responsável pelo crescimento da Perdigão e pela fusão com a Sadia. O nome de Abilio deve ser proposto pelos fundos na assembleia geral da BRF, que vai ocorrer em abril.

Abilio tenta até essa data se tornar um acionista relevante da empresa, com uma fatia próxima a 4%. No dia 31 de dezembro, pouco depois de começar a montar sua estratégia, o fundo Santa Rita tinha apenas cerca de R$ 75 milhões em ações da BRF. No dia 16 de janeiro, último dado oficial disponível, o valor chegou a R$ 280 milhões. O empresário vem comprando as ações pouco a pouco para evitar uma valorização excessiva.

Nesta sexta, a corretora Link adquiriu R$ 350 milhões em ações da BRF. Segundo fontes do mercado, a operação teria sido feita a pedido do fundo Santa Rita, de Abilio Diniz. Por meio de sua assessoria de imprensa, o empresário não comentou o assunto.

No dia 11 de janeiro, Abilio levantou R$ 1,5 bilhão com a venda de ações preferenciais do Pão de Açúcar, grupo fundado por seu pai, cujo controle foi vendido ao varejista francês Casino. Ele ainda detém 47,5% das ações ordinárias da Wilkes, a holding que controla o Pão de Açúcar, e segue como presidente do conselho de administração do grupo.

A expectativa de fontes envolvidas no caso é que a situação fique mais clara no dia 1 de fevereiro, quando ocorre a próxima reunião do conselho da BRF, a primeira desde as movimentações de Abilio. Os principais acionistas da companhia são os fundos de pensão estatais Previ e Petros, com 12% e 10% do capital, respectivamente, e o fundo privado Tarpon, com 10%.

Abilio Diniz teria sido convidadopelo Tarpon para tentar assumir a presidência do conselho de administração da BRF. Tarpon e Previ estariam insatisfeitos com a gestão da empresa, que consideram pouco agressiva. O empresário esteve em Brasília no fim do ano passado e conversou com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre o assunto. Segundo o Estado apurou, o governo federal apoia as intenções de Abilio.

Mudanças. Antes da movimentação dos acionistas para substituir Nildemar Secches, a BRF estava preparando silenciosamente a sucessão de seu comando, já que, pelos estatutos da companhia, o presidente executivo, José Antonio do Prado Fay, tem de se aposentar dentro de pouco menos de dois anos, quando completa 60 anos.

A BRF criaria o posto de presidente mundial, que seria ocupado por Fay até a sua aposentadoria. A empresa também escolheria um presidente para o Brasil, onde está a maior parte de suas operações. Dois nomes estavam sendo cotados para o cargo: José Eduardo Cabral Mauro, vice-presidente de Mercado Interno, que veio da Sadia, e Luiz Henrique Lissoni, vice-presidente de Supply Chain, que trabalhou na Femsa, Os planos estão congelados até que a mudança no conselho de administração seja votada.

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