segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Amor, Doença e Morte

Como lidar com isto?

Depois de lermos bons comentários sobre o filme dirigido por Michael Haneke, diretor alemão, fomos ao cinema assistir ao filme AMOR.

Mesmo sendo seção do início da tarde de domingo, ficamos impressionados com a quantidade de gente no cinema. Todos provavelmente estavam com grande expectativa.

A plateia era composta amplamente por pessoas de mais de 50 anos... Todos, como nós, já lidamos com a morte de parentes e amigos que estão indo, muitos deles mais jovens do que nós. Daqui para frente, os avisos de morte serão mais frequentes.

Mas, o filme, que segunda a crítica, seria uma homenagem ao amor,
também aborda, de forma forte, a EUTANÁSIA, o SUICIDIO
e as relações pais e filhos no mundo moderno.

Sei que não é recomendável falar sobre o final do filme, mas achei muito desagradável os críticos fazerem apologias do amor no filme e não falarem nada sobre eutanásia e suicídio. Dois assuntos tão polêmicos.

Antes de mais nada, recomendo a todos que vejam ao filme. É bom em todos os sentidos, principalmente pelo grande desempenho do casal de idosos...

Mas, como todos sabem que sou espírita da teologia da libertação. Mesmo sendo libertário, fiquei preocupado com a quantidade de pessoas idosas, muitas com dificuldades de locomoção, que vão ao cinema em busca de estímulo e esperança para lidar com a velhice e a solidão, e podem ficar chocadas com a resposta ser a eutanásia e o suicídio.

É evidente que, para os ateus, que não acreditam em nada após a morte, a solução do filme é bastante pertinente e simples. Evita-se o sofrimento, como nas civilizações antigas ou mesmo em Esparta na velha Grécia.

Há um filme antigo japonês, muito bonito, chamado "Balada de Narayama”, que também aborda a questão da velhice e da morte, numa sociedade de escassez, como era o Japão na época. Já vi filmes sobre a África onde os velhos doentes eram abandonados à noite para as hienas. Literalmente....

Como estou ficando velho, chegando aos 60 anos, meus pais estão com 89 e ainda estão vivos, considerei que seria importante compartilhar estas questões com os amigos.

O mundo atual, com tanta medicina, plano de saúde, legislação sobre terceira idade, precisa lidar com vida afetiva até os 100 anos de idade, saúde de idosos, companhias para os idosos, e principalmente afeto e amor familiar.

Se não garantirmos estes benefícios, os velhos se transformarão em fardos para os filhos e para a comunidade, inclusive o erário público. E a saída para eles, os filhos e os poderes públicos, será estimular a eutanásia e o suicídio. Será mais barato e não ficarão com sentimento de culpa.

A gente pode ter direito a tudo, mas não podemos deixar de refletir sobre estas questões. Sem demagogia barata, sem dogmatismo, sem ceticismo e levando em consideração quem vai ao cinema em busca de esperanças.

Como vocês estão vendo, o filme mexeu comigo...

4 comentários:

  1. É Gilmar, anos atrás quando assisti o filme Balada de Narayama, fiquei chocada, pois eu era muito jovem e a idade não era uma preocupação, quem diria a morte... mas quando a idade vai chegando e nossa experiência também, o olhar para o mundo muda e começamos a pensar em viver muito bem o hoje. Saudades de vc. Bju. Ana Lucia

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  2. Esses idosos que tem tanto p/ nos ensinar, vc. não acredita a falta que me fazem, não me lamentando, pq. também sou espírita + sentindo a falta do conhecimento e do compartilhar. um grande abc.

    Eliane Villar

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  3. Olá Gilmar, como vai?

    Como sei que você está sempre aperfeiçoando seu blog e seus textos, envio-lhe a seguinte sugestão:

    Quando você for falar sobre um livro ou filme no blog e for contar partes ou o final, procure colocar essa informação logo no início destacado como é hábito nos bons blogues e sites (wikipedia, por exemplo), algo como "O texto revela partes do filme" porque é muito chato lermos um texto ou crítica e, sem termos intenção, descobrirmos o final de livro ou filme que pretendíamos apreciar.

    Abraços, William

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  4. Gilmar,

    No mesmo dia em que você postou este texto eu o repliquei no "verso e conversa"; ontem, 4 de março, o Fernando Ferreira (você se lembra dele, é claro!) teceu comentário, só que o fez através da postagem publicada no meu blogue, e o fez dirigido nominalmente a você. Ele deve ter se enganado. Repasso, na íntegra, o que ele escreveu, inclusive com e-mail e telefone.

    Abraço.

    "FF4 de março de 2013 14:18
    Salve, grande Gilmar!

    Como e onde anda o amigo?
    Sobre o seu post e o tema - os idosos - creio que a sociedade nunca se importou com ela.
    Veja:
    1. as uti's e cti's, revelam-se, pelo assunto veiculado pela imprensa sobre a médica em curitiba, a eutanásia disfarçada, sem consentimento e, portnato, assassina;
    2. os fundos de pensão não tem propostas para seus participantes na terceira idade e na velhice - casa de saúde, retiros assistidos, comunidades, etc. Julgam que pagnaod aposentadoria e/ou pensão cumprem seu papel;
    3. os sindicatos de trabalhadores - e, também os patronais - nunca tiveram projetos para os trabalhadores velhos e aposentados - exceto as chamadas colonias de férias que, no geral, servem a todos, ativos e inativos, sendo menos voltados para a terciera idade;
    4. os empreendimentos e imobilárias e cooperativas de habitação de trabalhadore,s por exemplo, também nunca projetarm pequenas residencias adaptadas aos mais velhos, com as facilidades e assistências e prevenções - além da arquitetura, atividades fisicas, preventivas, lúdicas, terápicas, ocupacional, ambulatorias, etc.
    5. O governo tem apenas o Estatuto do Idoso que não atende a essa demanda que tratmoas aqui e o SUS não cosnegue antender os mais jovens quanto mais os mais velhos e mais doentes e incapacitados.
    No fim das contas, o que conta é mesmo é quanto voce tem na sua conta bancária para gastar com a sua velhice e com as doenças que possa vir a adquirir.
    Finalmente, poderia elencar mais e mais propostas, criticas e sugestões, mas podemos fazer isso oportuna e pessoalmente pra, também, matar as saudades.
    Tema bem levantado, Gilmar!
    Está aí uma boa causa para uma grande luta.
    Fraterno abraço, velho!

    Fernando S. Ferreira (21) 86555541
    ferreirafernando@uol.com.br"

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