quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Rolinhas da Vila Madalena

Uma raridade em São Paulo

Um dia de novembro, quando deixei o carro para conserto numa rua da Vila Madalena, voltei para casa caminhando e olhando as árvores e as flores. De repente, numa das ruazinhas da vila, observo que os fios dos postes estavam repletos de rolinhas.

Parei e fiquei olhando para entender o porquê de tantas rolinhas juntas. Elas começaram a voar em direção a uma casa pintada de verde e com muros altos. As rolinhas voavam e pousavam no jardim da casa.

Fiquei nas pontas dos pés e olhei por uma fresta do jardim. Centenas e centenas de rolinhas disputam o milho moído, conhecido como "quirela", que estava distribuído no chão em grande quantidade.

Nunca vi tantas rolinhas juntas!



Vejam esta outra foto.



Quando eu era criança e adolescente, ia ver as rolinhas nas caatingas no interior da Bahia, lá em Serrinha ou em Teofilândia. Com o clima seco, nunca teve tantas rolinhas juntas. Mas a Vila Madalena tem.

E, mais importante do que ter tantas rolinhas, é saber que tem alguém na Vila Madalena que todos os dias alimenta as rolinhas.

Sinal de que a cidade de São Paulo, com mais de dez milhões de habitantes, pode ser humanizada, ter flores, ter sabiás, rolinhas, periquitos e tantas outras coisas belas.

Não vou dizer o nome da rua da Vila Madalena, com medo de as construtoras irem lá comprar as casas que ainda têm jardins, rolinhas e pessoas de idade que gostam de flores e de pássaros.

Mas é uma rua que já apareceu no blog com muitas flores, é perto da Rua Natingui, e do local que um Land Rover com motoristas bêbados atropelou e matou um jovem brilhante e cheio de futuro.


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