quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Nova Rota da Seda liga China à Europa por trem

O mundo se renova com os chineses

O quê dificulta o Brasil a ter um “choque de modernidade”? Todo mundo culpa todo mundo, mas não se consegue fazer uma “frente ampla pela modernidade com inclusão social”.

Dilma precisa ler esta matéria do jornal Valor e intensificar as Câmeras Setoriais e os Grupos de Trabalho com forte presença dos trabalhadores, dos consumidores e dos produtores, além dos governos. Ouvir apenas os empresários não vale.

Nova "Rota da Seda" liga China à Europa


Valor – 27/12/2012

As multinacionais que operam na China vêm estabelecendo fábricas no interior do país em busca de mão de obra mais barata. Mas isso tem uma desvantagem: essas fábricas podem ficar a mais de mil quilômetros da costa.

Para as companhias que exportam para a Europa - ainda um dos maiores mercados para os produtos chineses - o transporte por ar de Chongqin ou outras cidades do interior é caro demais. O transporte de produtos em caminhões ou trens para os portos de Xangai ou Yantian, em Shenzhen, e depois em navios para a Europa ocidental pode levar 40 dias.

Para a Hewlett-Packard (HP), que produz notebooks em Chongqin, há uma alternativa: uma rede internacional de trens de carga que liga a China à Europa. Desde 2011, a HP já transportou 4 milhões de notebooks pela rota ferroviária de 11.179 km, inaugurada no ano passado pelas autoridades ferroviárias de Chongqin e do governo central chinês.

Ela começa em Chongqin e atravessa Cazaquistão, Rússia, Bielorrúsia e Polônia, antes de chegar a Duisburg, na Alemanha. Uma linha separada sai do norte da China e vai até a Ferrovia Transiberiana, que percorre 9.288 km de Vladivostock a Moscou.

Com planos de transportar também suas impressoras a jato de tinta via trem, a HP diz que intensificará o uso da ferrovia da média de um trem por semana para 1,5 em 2013. "Fomos pioneiros na ida para o oeste da China e somos pioneiros no desenvolvimento dessa rota", diz Tony Prophet, vice-presidente sênior de operações para sistemas de impressão e pessoais da HP.

O embarque de um contêiner em um trem custa cerca de US$ 10 mil, um terço do preço do transporte aéreo, diz Prophet. Embora o custo ferroviário seja duas vezes maior que o do transporte marítimo, a carga demora apenas 21 dias de Chongqinq até a Europa ocidental. No entanto, a "pegada de carbono" deixada pelo transporte ferroviário representa a trigésima parte da do transporte aéreo.

Companhias de produtos eletrônicos como a Foxconn e a Acer, ambas com fábricas em Chongqin, também estão embarcando produtos para a Europa por trem, segundo a companhia de transporte internacional Far East Land Bridge, com sede em Viena. Henry Wang, porta-voz da Acer confirmou que a companhia está usando a ferrovia; a Foxconn não quis comentar.

BMW, Audi e Volkswagen estão usando a ligação ferroviária para transportar autopeças produzidas na Alemanha para suas unidades de montagem na China. "Cada corrida vazia custa muito dinheiro, portanto é preciso um equilíbrio entre o Oriente e o Ocidente", diz Thomas Kargl, diretor-presidente da Land Bridge, acrescentando que sua empresa está administrando trens para todas essas companhias. Somente a BMW envia de três a sete trens por semana de Leipzig para a China, transportando autopeças para sua unidade de montagem em Shenyang.

Outros setores inclinados a adotar o transporte ferroviário incluem o siderúrgico, o de sucata, plásticos e produtos químicos, segundo Kargl. A DHL e a DB Schenker anunciaram no ano passado o lançamento de serviços mais frequentes. A DHL passou de um serviço de transporte noturno para um concorrente global em logística, incluindo o transporte ferroviário; ela é controlada pela Deutsche Post. A DB Schenker outra empresa de logística, é controlada pela Deutsche Bahn, uma companhia ferroviária alemã.

Os chineses estão entusiasmados com as conexões ferroviárias com a Europa. O governo cogita a possibilidade de financiar a construção de trilhos em vizinhos da Ásia central como o Uzbequistão e o Quirguistão, segundo relatos da agência de notícias estatal Xinhua News Agency.

O premiê Wen Jiabao referiu-se à ligação ferroviária China-Europa como parte de uma nova Rota da Seda, a rota terrestre que ligou o oeste da China com o leste do Mediterrâneo por mais de mil anos. Os russos também estão gostando: a Russial Railways, a empresa ferroviária estatal, é acionista da Far East Land Bridge.

"Ter tranquilidade nos negócios com os russos é muito importante. Eles controlam a linha", diz Kargl. "Se você tiver o apoio deles, tudo correrá bem."

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