sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Renovação na China gera expectativa

O mundo em mutação

A cada congresso do PC chinês saem dirigentes mais velhos e são eleitos dirigentes mais jovens. Isto é, dirigentes de 80 anos deram lugar aos de 70, que deram lugar aos de 60 e agora chega ao poder os dirigentes na casa dos 50 anos. Para um país milenar, isto significa muita coisa.

Além da idade, esta renovação coincide com as renovações na Europa, no Brasil e mesmo nos Estados Unidos. Este Obama reeleito não é igual ao Obama do primeiro mandato, inseguro e lento para tomar decisão. Agora, como Obama não poderá ser reeleito, ele governará buscando mais resultados imediatos e levando em consideração a necessidade de gerar mais empregos para os americanos.

Embora nossa imprensa não tenha dado nem um décimo de espaço como deu para as eleições americanas, esta transição chinesa tem muito significado para o mundo e também para o Brasil.

Leiam mais uma boa matéria de Claudia Trevisan:

Comitê de PC chinês conclui reforma

Congresso do Partido Comunista abre caminho para aposentadoria de Hu e Wen

15/11/2012 – Claudia Trevisan, correspondente em Pequim - O Estado de S.Paulo
Ao som da Internacional Socialista e juras de fidelidade ao marxismo, o Partido Comunista da China concluiu ontem seu 18.º congresso com a eleição dos 376 integrantes do Comitê Central, que guiarão a organização nos próximos cinco anos. Entre eles, estão os homens que serão apontados hoje para compor o organismo máximo de comando do país, na mais ampla troca de dirigentes em uma década.

A velha guarda representada por Hu Jintao, de 69 anos, e Wen Jiabao, de 70, saiu de cena para dar lugar à nova geração de líderes, que será comandada por Xi Jinping, de 59 anos, e Li Keqiang, de 57. Ambos assumem hoje postos de comando do Partido Comunista, em um sistema de gestão coletiva no qual vão compartilhar o poder com os demais integrantes do Comitê Permanente do Politburo, cuja composição deve ser reduzida de nove para sete pessoas.

Xi Jinping e Li Keqiang são os únicos dos atuais membros do organismo que foram reeleitos para o Comitê Central do partido. Os sete restantes aposentaram-se, incluindo Hu Jintao e Wen Jiabao, que continuarão a ocupar os cargos de presidente e de primeiro-ministro da China até março, quando serão sucedidos por Xi e Li, respectivamente.

Os 376 escolhidos para o Comitê Central foram anunciados no principal jornal da rede de TV estatal CCTV, às 19 horas locais (9 horas de Brasília). Enquanto o locutor anunciava a lista, a tela com fundo vermelho e o símbolo comunista da foice e do martelo reproduzia os nomes em caracteres chineses amarelos.

O grupo reúne-se hoje para apontar os 25 novos integrantes do Politburo e os sete (ou nove) membros do Comitê Permanente do organismo. Xi será o secretário-geral do Partido Comunista da China, o mais importante posto de comando do país. É provável que ele também assuma a chefia da Comissão Central Militar, caso Hu Jintao decida deixar o cargo imediatamente.

Nesse caso, Hu estará se afastando do precedente estabelecido por seu antecessor, Jiang Zemin, que permaneceu no comando das Forças Armadas pelo período de dois anos depois de abandonar a chefia do Partido Comunista.

Excluídos.

Segundo a imprensa oficial chinesa, houve uma renovação de quase 50% dos membros do Comitê Central. O atual presidente do Banco Central, Zhou Xiaochuan, não foi reconduzido ao organismo, o que significa que a entidade ganhará um novo dirigente sob a gestão de Xi Jinping.

O empresário Liang Wengen, fundador da fabricante de máquinas pesadas Sany, também ficou fora da lista. Homem mais rico da China, com uma fortuna estimada em US$ 11 bilhões, ele era visto como o primeiro representante do setor privado com chances de chegar ao Comitê Central do Partido Comunista.

As mulheres somam apenas 10 dos 205 integrantes com direito a voto no organismo, uma redução em relação às 13 que integravam o grupo de 204 cujo mandato chegou ao fim ontem. Os demais 171 integrantes do Comitê Central têm direito a voz, mas não votam.

O congresso também escolheu os membros da Comissão Central de Disciplina e Inspeção, o organismo responsável pelo combate à corrupção na China, que será chefiado por Wang Qishan, de 64 anos. Responsável por questões financeiras e econômicas no atual gabinete, Wang deverá estar entre os sete (ou nove) membros do Comitê Permanente do Politburo que serão anunciados hoje.

Outros prováveis integrantes do organismo da cúpula são Liu Yunshan, de 65 anos, chefe do Departamento de Propaganda e responsável pela censura, Zhang Gaoli, de 65 anos, dirigente da cidade de Tianjin, Yu Zhengsheng, de 67 anos, comandante de Xangai, e Zhang Dejiang, de 65 anos, que substituiu Bo Xilai em Chongqing.

Desafios.
O país que os novos líderes receberão registra o mais baixo índice de crescimento desde 1990 e enfrenta desafios importantes, como o aumento da desigualdade, a degradação ambiental, a corrupção generalizada e a necessidade de transformação de seu modelo de desenvolvimento.


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