quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Pão de Açúcar, Casino e Confusão

O velho e o novo

As novas matérias da Folha e do Estado de hoje, são mais velhas do que a matéria do jornal Valor de ontem. Como sempre, precisamos ler muita coisa para entender o que está acontecendo. Leiam a matéria do Valor:

Proposta de Abilio envolve R$ 8 bilhões

Valor - Por Graziella Valenti | De São Paulo - 27/11/2012 às 00h00

Abilio Diniz decidiu, pela primeira vez, pedir diretamente a Jean-Charles Naouri, dono do Casino, uma definição sobre os próximos passos envolvendo o Pão de Açúcar, empresa na qual são sócios.

Quer saber se assumem de uma vez o papel de negociadores ou se deve se dedicar, exclusivamente, ao papel de presidente do conselho de administração do grupo.

O empresário Abilio Diniz comunicou o interesse de sair do Pão de Açúcar, empresa que ajudou a fundar ao lado do pai, e ficar com a Via Varejo na carta enviada diretamente a Naouri, o dono do Casino.

No texto, ao qual o Valor teve acesso, Abilio diz que é preciso definir "qual rota" irão tomar e enfatiza que a "indefinição" é prejudicial à companhia. Espera, com isso, colocar um ponto final na insegurança do sócio sobre seu real interesse na negociação e acelerar as tratativas.

A comunicação atende a uma necessidade sinalizada pelo próprio Casino, por conta do temor de que o apetite de Abilio pela Via Varejo, maior varejista de eletroeletrônicos do país, seja um jogo de cena.

A carta foi enviada pouco antes de Abilio decolar para Paris, no domingo à noite, na tentativa de participar de reunião na sede do Casino. Embora Naouri não tenha permitido a presença de Abilio na reunião (ver página B1), a carta é encarada pelo Casino como o passo mais importante dado pelo empresário desde que as negociações começaram, pois até então todos os documentos que corriam entre São Paulo e Paris eram "apócrifos" e utilizavam "codinomes" para as empresa envolvidas.

A partir de agora, aumenta a pressão sobre ambas as partes. De um lado, Casino terá de se posicionar objetivamente. Do outro, Abilio empenhou seu compromisso.

Nessa carta, Abilio deixa claro que o caminho da Via Varejo, com uma troca de ativos, para a transação foi uma sugestão do próprio Naouri, que ele aceitou. E lembrou que em 25 de julho, último encontro que tiveram pessoalmente, ambos tinham se comprometido com a negociação. "Isso já faz cinco meses", desabafa o brasileiro.

Desde agosto, os representantes de ambos os lados trabalhavam num modelo para a separação definitiva de Abilio Diniz do grupo Pão de Açúcar, ainda que numa negociação vagarosa. Entretanto, há três semanas que Abilio não tem retorno sobre alguns pontos encaminhados ao sócio francês.

Não está definido se Abilio aceita ou não ficar com a empresa caso os Klein não aceitem vender sua fatia. Esse ponto tem incomodado o Casino.
A transação envolve 19 milhões de ações ordinárias de Abilio, mais as 61 lojas, que serão entregues à empresa. As lojas são avaliadas em R$ 2,5 bilhões.
Somados às ações ordinárias, o que está na mesa é entregar ao Pão de Açúcar ativos avaliados em R$ 4 bilhões. A companhia pagaria Abilio com o controle da Via Varejo (52,5% da companhia) e mais a participação na empresa de comércio eletrônico Nova Pontocom - 50% desse negócio está debaixo da Via Varejo, 44% sob Pão de Açúcar e 6% estão com executivos.
Com isso, restam cerca de 21 milhões de ações preferenciais dedicadas ao negócio que serão a proposta à família Klein, que tem 47% da Via Varejo. A preços de mercado, esses papéis valem hoje pouco menos de R$ 2 bilhões.

Restariam na mão de Abilio aproximadamente mais 15 milhões de ações preferenciais que seriam vendidas ao Casino, ou seja, mais R$ 1,4 bilhão.

Assim, a troca de ativos pela Via Varejo e Nova Pontocom envolveria R$ 6,5 bilhões, aproximadamente, e mais R$ 1,5 bilhão seriam recebidos em dinheiro, para a saída completa e imediata de Abilio do grupo que ajudou a fundar. No total, a operação movimentaria cerca de R$ 8 bilhões.

Na BM&FBovespa, o grupo Pão de Açúcar - operação alimentar, mais Via Varejo (Ponto Frio e Casas Bahia) e a Nova Pontocom - está avaliado em R$ 24,4 bilhões.

Ainda não está claro se o Casino vai considerar a carta de Abilio, além de um passo importante, como a segurança que faltava para a transação avançar. Recentemente, por conta do preço atrativo em bolsa (Pão de Açúcar está próximo de sua máxima histórica), o Casino teve receio de que Abilio poderia vender suas preferenciais na bolsa. Na carta à Naouri, o empresário diz que não o fez e que a prioridade é levar o negócio adiante.

Com a troca de ativos, o Pão de Açúcar cancelaria as ações ordinárias recompradas de Abilio e, com isso, o Casino seria o dono isolado do capital votante da empresa.
Quando as conversas foram paralisadas, Abilio oferecia sua contraproposta para dois detalhes cruciais.

Ele deseja ficar com a sede da empresa - a loja número 1 do grupo. Ofereceu ao sócio francês ter a garantia de compra do prédio em até dois anos. Outro ponto era o acordo de não competição, cuja proposta era um bloqueio até junho de 2013.

2 comentários:

  1. COERÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

    Roberto Jefferson (PTB) – 4 milhões – igual a 7 anos e 14 dias;

    Pedro Henry (PP) – 3 milhões – igual a 7 anos e 2 meses;

    Valdemar Costa Neto (PR) – 8 milhões – igual a 7 anos e 10 meses;

    João Paulo Cunha (PT) – 50 mil reais – igual a 9 anos e 4 meses.


    Alguém disse que no STF os pretos, as prostitutas, os pobres e os petistas são tratados diferentemente.

    Deve ser porque é petista que o deputado que recebeu menos dinheiro vai ficar mais tempo preso.


    Aliás, o único que vai direto para a prisão. Os outros terão direito ao regime semi-aberto.

    O Supremo Tribunal Federal é um primor de coerência.

    ResponderExcluir
  2. Esclarecimento:
    Eu odeio a expressão "pretos, prostitutas, pobres...".
    O uso foi apenas um ritual de ironia contra a decisão do Supremo.

    ResponderExcluir