terça-feira, 13 de novembro de 2012

Mensalão, a História e o Julgamento

Os cínicos, a verdade e os fatos

Na vida, tudo serve para a História.
Hoje, ao ver a capa dos dois jornais tradicionais de São Paulo, a Folha e o Estadão, chamou-me atenção o fato de as manchetes serem iguais.
Não é coincidência, é que cada vez mais eles estão iguais: ressentidos com o PT.

Pensei em não escrever nada sobre o assunto, e só falar de flores. Mas, achei que estes jornais, representantes do conservadorismo mereciam uma reflexão. Mesmo que seja uma reflexão emocional.

A própria Folha já falou que “uma mentira repetida mil vezes, pode se transformar numa verdade”, na sua propaganda ironizando o nazismo. Mas, as verdades podem ser relativas.

Uma verdade de hoje pode ser uma mentira ou uma visão diferente amanhã. E, para a História, esta verdade, ou esta versão da verdade, continua sendo importante.

Nossa grande imprensa ficou cínica. Perdeu o compromisso com a pluralidade, optou pela verdade única e o compromisso com suas versões.

O Judiciário brasileiro, na História, não tem muito o quê mostrar de progressista ou de libertário. Nosso judiciário, majoritariamente, sempre libertou fazendeiros mandantes de crimes, empresários sonegadores e corruptores, e outras mazelas.

Nosso judiciário majoritariamente sempre esteve comprometido com os senhores de escravos.

E a nossa esquerda? A esquerda no Brasil não tem tradição democrática. Até por que, a direita nunca a deixou existir legalmente.

Em 500 anos de Brasil, a esquerda pode viver legalmente somente pouquíssimos anos. Um curtíssimo período no pós-guerra e agora, depois da redemocratização nacional em 1980.

O direito à legalidade dos partidos de esquerda, não foi concessão da direita brasileira, foi conquista na luta, com mortes, prisões, exílio e desemprego.

Ironicamente, desta vez, a direita ainda não colocou a esquerda, mais uma vez, na ilegalidade. Por enquanto, está condenando alguns dos seus representantes.
Esta etapa do mensalão ainda não está concluída. Mas já marcou a nossa História.

Com o tempo iremos saber quais os verdadeiros motivos que levaram estas pessoas que estão na função de juízes a, de repente, se transformarem em arautos da moralidade, a serviço de uma imprensa cínica e manipuladora.

Da mesma forma, o tempo irá mostrar como foi a ação dos “policarpos da vida”, psicografando pareceres que são divulgados na imprensa antes destes juízes apresentarem-nas nos tribunais, entre outros comportamentos duvidosos.

Já conhecemos muito do como foi o processo de impeachment de Collor pelo Congresso Nacional, e que este mesmo STJ o absolveu mais tarde. Como absolveu banqueiros e outras pessoas do mundo do capitalismo tupiniquim.

A Folha de São Paulo ganhou mais uma.
A História da Folha está 3x1, três a um.
Sendo três para os conservadores e um para os progressistas.


Três pontos conquistados pelos conservadores quando (1) apoiou a Ditadura Militar e o golpe de 1964; (2) quando se aliou a Serra e ao seu “vale tudo”; e (3) agora, quando não mediu esforços para esculachar a imagem do PT e de seus altos dirigentes no primeiro mandato de Lula.

O único ponto para os progressistas, e que a História sempre reconhecerá como o clímax da Folha, foi a brilhante participação deste jornal nas Campanhas das Diretas. Este ponto, como diz Washington Olivetto, ninguém esquece.

Mas, na mesma capa da Folha, lá no cantinho direito da parte inferior do jornal, tem uma pequena chamada, sobre um assunto de grande importância para o povo de São Paulo. A notinha diz:

“Polícia investiga venda de dados de PMs a criminosos”.


“A corregedoria da Policia Militar paulista investiga policiais que teriam vendido para criminosos uma lista com nomes, endereços e telefones de quase cem PMs.”

Nota do Blog:

Agora, a gente fica sabendo que os PMs que morreram, executados por bandidos, não morreram aleatoriamente, foram escolhidos a dedo pelo PCC, que comprou os dados cadastrais na própria corporação.

Se não podemos confiar nos políticos, nos juízes, na polícia e na imprensa, onde vamos parar?

A HISTÓRIA JULGARÁ A TODOS!


5 comentários:

  1. S não podemos confiar nos políticos, juízes, polícia e na imprensa, vamos ter q confiar nos amigos. Bom Dia p vc. Fiquemos assim, por enquanto, pq isso é possível.

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  2. Quando o velho Villar falava, "que esses cabras da folha eram um bando de safados", eu achava que era um exagero. Com o passar do tempo, só posso me reverenciar a este senhor e dizer que realmente ele tinha razão.
    Abs.

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  3. Prezado Gilmar,

    Penso que para compor esse mural que você abriu sobre o tema vale a leitura da coluna do Jânio de Freitas, na mesma Folha, desta terça-feira, 13 de novembro:

    VOZ DAS PROVAS

    Jânio de Freitas-Folha de SP-13-11

    Foi uma das coincidências de tipo raro, por sua oportunidade milimétrica e preciosa. Várias peculiaridades do julgamento no STF, ontem, foram antecedidos pela manchete ao pé da pág. A6 da Folha de domingo, título de uma entrevista com o eminente jurista alemão Claus Roxin: “Participação no comando de esquema tem de ser provada”.

    O subtítulo realçava tratar-se de “um dos responsáveis por teoria citada no julgamento do STF”, o “domínio do fato”. A expressão refere-se ao conhecimento de uma ocorrência, em princípio criminosa, por alguém com posição de realce nas circunstâncias do ocorrido. É um fator fundamental na condenação de José Dirceu, por ocupar o Gabinete Civil da na época do esquema Valério/PT.

    As jornalistas Cristina Grillo e Denise Menchen perguntaram ao jurista alemão se “o dever de conhecer os atos de um subordinado não implica corresponsabilidade”. Claus Roxin: “A posição hierárquica não fundamenta, sob nenhuma circunstância, o domínio do fato. O mero ter que saber não basta”. E citou, como exemplo, a condenação do ex-presidente peruano Alberto Fujimori, na qual a teoria do “domínio do fato” foi aplicada com a exigência de provas (existentes) do seu comprometimento nos crimes. A teoria de Roxin foi adotada, entre outros, pelo Tribunal Penal Internacional.

    Tanto na exposição em que pediu a condenação de José Dirceu como agora no caótico arranjo de fixação das penas, o relator Joaquim Barbosa se expandiu em imputações compostas só de palavras, sem provas. E, em muitos casos, sem sequer a possibilidade de se serem encontradas. Tem sido o comportamento reiterado em relação à quase totalidade dos réus.

    Em um dos muitos exemplos que fundamentaram a definição de pena, foi José Dirceu quem “negociou com os bancos os empréstimos”. Se assim foi, é preciso reconsiderar a peça de acusação e dispensar Marcos Valério de boa parte dos 40 anos a que está condenado. A alternativa é impossível: seria apresentar alguma comprovação de que os empréstimos bancários tiveram outro negociador –o que não existiu segundo a própria denúncia.

    Outro exemplo: a repetida acusação de que José Dirceu pôs “em risco o regime democrático”. O regime não sofreu risco algum, em tempo algum desde que o então presidente José Sarney conseguiu neutralizar os saudosos infiltrados no Ministério da Defesa, no Gabinete Militar e no SNI do seu governo. A atribuição de tanto poder a José Dirceu seria até risível, pelo descontrole da deformação, não servisse para encaminhar os votos dos seguidores de Joaquim Barbosa.

    Mais um exemplo, só como atestado do método geral. Sobre Simone Vasconcelos foi onerada com a acusação de que “atuou intensamente”, fórmula, aliás, repetida de réu em réu. Era uma funcionária da agência de Marcos Valério, por ele mandada levar pacotes com dinheiro a vários dos também processados. Não há prova de que soubesse o motivo real das entregas, mesmo admitindo desde a CPI, com seus depoimentos de sinceridade incomum no caso, suspeitar de motivo imoral. Passou de portadora eventual a membro de quadrilha e condenada nessa condição.

    Ignoro se alguém imaginou absolvições de acusados de mensalão. Não faltam otimistas, nem mal informados. Mas até entre os mais entusiastas de condenações crescem o reconhecimento crítico do descritério dominante, na decisão das condenações, e o mal-estar com o destempero do relator Joaquim Barbosa. Nada disso “tonifica” o Supremo, como disse ontem seu presidente Ayres Britto. Decepciona e deprecia-o –o que é péssimo para dentro e para fora do país.

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  4. A revista Carta Capital traz na edição desta semana um editorial e uma reportagem sobre o mesmo tema e seus desdobramentos no que se convencionou chamar de mensalão tucano.

    As tramas são enormes. Entre os dois julgamentos há uma combinação entre quatro ministros do Supremo e Fernando Henrique, Artur Virgílio, Tasso Jereissati e Álvaro Dias, para que o julgamento do mensalão do PT se desse exatamente nessa época pré eleitoral de 2012. A gravação sobre essa combinação foi feita no segundo semestre do ano passado, em 2011.

    Como se percebe sem nenhum esforço, há uma vontade única espalhada por todas as forças politicas do país em levar o debate político e de disputas de ideias e projetos para as páginas policiais.

    O resultado é sabido no que vai dar tais iniciativas.

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  5. Mesmo com tudo isso, com todos contra alguns, o PT cresceu - e cresceu com consistência, pois nenhum deles tem o que se convencionou chamar-se de "MILITÂNCIA". Podemos ser até velhos, como citam alguns jornalistas conservadores, mas seremos sempre atuantes, pois a velhice não se esconde - se declara! Vamos a luta companheiros.

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