domingo, 14 de outubro de 2012

Degeneração da Folha de S.Paulo

Jânio de Freitas é uma exceção

A degeneração política da Folha de São Paulo veio mais rápida do que seria normal.

Na época da ditadura militar,
os donos do Grupo Folha dividiam as linhas políticas em vários jornais. Tinha a Folha de São Paulo mais progressista e tinha a Folha da Tarde que era a porta-voz do DOI-CODI, órgãos de terror da ditadura. Na Folha da Tarde as mortes aconteciam antes de os presos políticos morrerem.

Com a redemocratização, os Frias acabaram com a Folha da Tarde e com a aliança explícita com a repressão. Agora, os Frias já não obedecem, agora eles mandam. Passaram a ser a elite pensante do neoliberalismo e da dominação política e jurídica. Superaram a Globo.

Mas os Frias não esperavam que surgisse o PT
e uma figura tão importante quanto Lula.

Por que todos os partidos obedecem aos Frias e o PT e Lula não obedecem?
Como diz Mino Carta: por que não reconhecem a Casa Grande e a Senzala?

Como os Frias ainda não podem recomendar novo Golpe Militar, estão recomendando novo Golpe Jurídico. Afinal, eles apoiaram o golpe de Honduras e do Paraguai. Apoiar um golpe no Brasil é só uma questão de conveniência.

Vejam esta matéria de Jânio de Freitas, um jornalista experiente, já de idade e que representa uma exceção na Folha e no jornalismo brasileiro da grande imprensa.

Tudo que Jânio de Freitas escreve, desmontando a farsa do julgamento pelo STF, também vale para a Folha.

Afinal, já não sabemos quem escreveu primeiro o julgamento, se foram os jornalistas ou se foram os juízes. Isto é igual à época da ditadura militar, quando a Folha da Tarde anunciava com antecedência que determinado preso político morreu ao tentar fugir e foi atropelado. Mas o preso ainda estava na prisão, sendo assassinado somente à noite.

Jânio de Freitas e Mino Carta podem não viver para ver o Brasil com uma imprensa digna e pluralista, mas, o que é uma vida perto da eternidade?

Leiam este bom texto, apesar de ter sido publicado na Folha. É de Jânio de Freitas.

A mesada e o mensalão

Janio de Freitas – Folha S.Paulo – 14/10/2012 – domingo.

Passados sete anos, ainda não se sabe quanto houve de mentira na denúncia inicial de Roberto Jefferson.
A mentira foi a geradora de todas as verdades, meias verdades, indícios desprezados e indícios manipulados que deram a dimensão do escândalo e o espírito do julgamento do "mensalão".

Por ora, o paradoxo irônico está soterrado no clima odiento que, das manifestações antidemocráticas de jornalistas e leitores às agressões verbais no Supremo, restringe a busca de elucidação de todo o episódio. Pode ser que mais tarde contribua para compreenderem o nosso tempo de brasileiros.

Estava lá, na primeira página de celebração das condenações de José Dirceu e José Genoino, a reprodução da primeira página da Folha em 6 de junho de 2005. Primeiro passo para a recente manchete editorializada – CULPADOS -, a estonteante denúncia colhida pela jornalista Renata Lo Prete: "PT dava mesada de R$ 30 mil a parlamentares, diz Jefferson". O leitor não tinha ideia de que Jefferson era esse.

Era mentira a mesada de R$ 30 mil.
Nem indício apareceu desse pagamento de montante regular e mensal, apesar da minúcia com que as investigações o procuraram. Passados sete anos, ainda não se sabe quanto houve de mentira, além da mensalidade, na denúncia inicial de Roberto Jefferson. A tão citada conversa com Lula a respeito de mesada é um exemplo da ficção continuada.

A mentira central deu origem ao nome – mensalão
- que não se adapta à trama hoje conhecida. Torna-se, por isso, ele também uma mentira. E, como apropriado, o deputado Miro Teixeira diz ser mentira a sua autoria do batismo, cujo jeito lembra mesmo o do próprio Jefferson.

Nada leva, porém, à velha ideia de alguém que atirou no que viu e acertou no que não viu. A mentira da denúncia de Roberto Jefferson era de quem sabia haver dinheiro, mas dinheiro grosso: ele o recebera. E não há sinal de que o tenha repassado ao PTB, em nome do qual colheu mais de R$ 4 milhões e, admitiria mais tarde, esperava ainda R$ 15 milhões.

A mentira de modestos R$ 30 mil era prudente e útil.

Prudente por acobertar, eventualmente até para companheiros petebistas, a correnteza dos milhões que também o inundava. E útil por bastar para a vingança ou chantagem pela falta dos R$ 15 milhões, paralela à demissão de gente sua por corrupção no Correio.

Como diria mais tarde, Jefferson supôs que o flagrante de corrupção, exibido nas TVs, fosse coisa de José Dirceu para atingi-lo. O que soa como outra mentira, porque presidia o PTB e o governo não hostilizaria um partido necessário à sua base na Câmara.

Da mentira vieram as verdades, as meias verdades e nem isso.
Mas a condenação de Roberto Jefferson, por corrupção passiva, ainda não é a verdade que aparenta. Nem é provável que venha a sê-lo.

MAIS DEDUÇÃO

Em sua mais recente dedução para voto condenatório, o presidente do Supremo, Ayres Britto, deu como certo que as ações em julgamento visaram a "continuísmo governamental.

Golpe, portanto, nesse conteúdo da democracia que é o republicanismo, que postula renovação dos quadros de dirigentes".

Desde sua criação e no mundo todo, alcançar o poder, e, se alcançado, nele permanecer o máximo possível, é a razão de ser dos partidos políticos. Os que não se organizem por tal razão, são contrafações, fraudes admitidas, não são partidos políticos.

Sergio Motta, que esteve politicamente para Fernando Henrique como José Dirceu para Lula, informou ao país que o projeto do PSDB era continuar no poder por 20 anos.

Não há por que supor que, nesse caso, o ministro Ayres Britto tenha deduzido haver golpe ou plano golpista. Nem mesmo depois que o projeto se iniciou com a compra de deputados para aprovar a reeleição.

2 comentários:

  1. Ótima reportagem, principalmente vindo de uma pessoa (Jânio de Freitas) com tanta credibilidade. É tudo que vc, Gilmar, já vinha nos dizendo... Abs fraterno.

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  2. A Folha é velha conhecida. abs Janete

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