sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Lula, Mino Carta e a Imprensa

“Cabra marcado para morrer”

Há várias formas de se matar uma pessoa.
A mais comum é matar fisicamente, dar um tiro, cortar a garganta, envenená-la ou provocar um “acidente misterioso”.
Outra forma é tentar denegrir a imagem pública desta pessoa. Chamá-la de “bêbado”, alcóolatra, analfabeto, grosseiro, corintiano, nordestino, etc.
Outra forma é cassando o mandato político e até proibir de viver no país, exilando-a.

Atualmente, nossa imprensa usa a forma de denegrir a imagem de Lula, talvez, se soubessem que ele chegaria tão longe, teria usado a primeira forma: o teriam matado ainda na época da ditadura. Era fácil, pegava-o nas madrugadas de porta de fábrica, forjava um assalto com morte e pronto.

O Brasil seria bem diferente de hoje.
Os pobres continuariam pobres e os ricos não teriam que conviver com esta “classe média” de 53% andando de carro, de avião, viajando para Argentina, Paris e Miami. E ainda seria fácil encontrar empregadas domésticas e serviçais. Tudo por um prato de comida e um salário de 80 dólares mensais.

Deixaram o homem solto e vivo e agora, tudo é diferente.
Deram asa a cobra.

Pobre faz faculdade, pobre vai trabalhar de carro, pobre viaja de avião e ganha bem, tem pleno emprego e até os trabalhadores rurais se aposentam ganhando salário mínimo de mais de seiscentos reais.

E ainda aparece este tal de Mino Carta, italiano ilustre, culto, mas “traidor” da classe dominante brasileira. Veio para o Brasil, trabalhou com os ricos nos melhores jornais e revistas e agora resolveu ser amigo de Lula e defensor do governo de Lula e de Dilma. É só o que faltava! Estes estrangeiros não conhecem o Brasil verdadeiro.

Vejam o que Mino Carta fala da Imprensa Brasileira e de Lula.

A obsessão da mídia contra Lula

Mino Carta – Carta Capital – 21/09/2012

Por que Lula se tornou a obsessão da mídia nativa?
Por que tanta raiva armada contra o ex-presidente?
Primeiro é o ódio de classe, cevado há décadas, excitado pelo operário metido a sebo, tanto mais no país da casa-grande e da senzala.

Onde já se viu topete tamanho?
Se me permitem, Lula é personagem de Émile Zola, assim como José Serra está nas páginas de Honoré de Balzac. O sequioso da emergência que chegou lá.
Dez anos depois. No fim de setembro de 2002, jornalões e revistões enxergavam Lula como se vê acima. E o operário ganhou as eleições…

Depois vem a verdade factual, a popularidade de Lula, avassaladora. E vem o confronto com os tempos de Presidência tucana, e o triste fim de Fernando Henrique Cardoso, o esquecido, no Brasil e no mundo. Assim respondem os meus meditativos botões às perguntas acima. E as respostas geram outra pergunta.

Por que a mídia nativa, intérprete da casa-grande, goza ainda de prestígio até junto a quem ataca diária e obsessivamente se seus candidatos perdem os embates eleitorais decisivos? Memento 2002, 2006, 2010. Mesmo agora, véspera dos pleitos municipais, as coisas não estão bem paradas para os preferidos de jornalões e revistões.

Será que o jornalismo brasileiro dos dias de hoje faz apostas erradas? Defende o indefensável?
Na semana passada publiquei os números da verba publicitária governista distribuída entre as empresas midiáticas. Mais de 50 milhões para a Globo. Para nós, pouco mais de 100 mil reais. E sempre há quem apareça para nos definir como “chapa-branca”…

E a Editora Abril, então? Na compra de livros didáticos, fica com a parte do leão em um negócio imponente que em 2012 já lhe assegurou a entrada de 300 milhões. Pode-se imaginar o que seus livros ensinam. Enquanto isso, a Petrobras acaba de cancelar um contrato de 11 milhões que estava para ser fechado com a casa do Murdoch brasileiro. Vem a calhar, a confirmar-lhe tradições e intentos, a última capa da sua querida Veja, ponta de lança na estratégia da guerra contra Lula.

A revista de Policarpo Jr., parceiro de Carlinhos Cachoeira em algumas empreitadas, produz esta semana mais uma obra-prima de antijornalismo. Formula acusações gravíssimas contra Lula sem esclarecer quem as faz (Marcos Valério ou seus pretensos apaniguados?), mas nome algum é citado, e o advogado do publicitário mineiro desmente a publicação murdoquiana. Ricardo Noblat (porta-voz de Veja?) informa no seu blog que a Abril vai divulgar o áudio de uma entrevista com Valério, e horas depois comunica que Policarpo Jr. convenceu a direção da Abril a deixar para lá, ao menos por ora.

Quanta ponderação, por parte de Policarpo… Suas relações com Cachoeira CartaCapital provou com documentos tão irrefutáveis quanto inúteis: a CPI não vai convocá-lo para depor, como seria digno de um país democrático, porque o solerte presidente-executivo abriliano foi ter com o vice-presidente da República para lembrá-lo de que se Veja for julgada, todos os demais da mídia nativa entram na dança.

Este específico enredo prova as dificuldades de governar o país da casa-grande e da senzala. É preciso recorrer a alianças que funcionam como a bola de ferro atada aos pés do convicto e padecer como vice o representante de um partido pronto a ceder diante das pressões da Abril. E da Globo, como CartaCapital relatou ao longo da cobertura da CPI do Cachoeira. Resta o fato: a mídia nativa é bem menos poderosa do que os graúdos supõem, inclusive os do próprio governo.

Uma exceção talvez seja São Paulo, com sua capital dos shoppings milionários, da maior frota de helicópteros do mundo depois de Nova York, de favelas monstruosas a rodear os bairros endinheirados, de mil homicídios anuais (5 mil no estado).
Refiro-me à cidade e ao estado mais reacionários do Brasil. Aqui tudo pode acontecer.

De todo modo, os senhores, de um lado e do outro, caem na mesma esparrela dos jornalistas que os apoiam ou os denigrem. Os jornalistas e seus patrões, na certeza da ignorância da plateia, acabaram por assumir o nível mental que atribuem a seus leitores, ouvintes e assistentes. Os graúdos apoiados agarram-se em fio desencapado, os ofendidos temem um poder em vias de extinção.

E não percebem que a tentativa de demonizar Lula consegue é endeusá-lo.

2 comentários:

  1. Você já escreveu alguma vez a respeito da Morte de Celso Daniel? Caso tenha escrito gostaria de fazer uma comparação quando você diz das maneiras de "matar" uma pessoa. No caso de Celso, MATARAM mesmo... e ai?

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  2. Mataram também o Toninho, prefeito de Campinas e filiado ao PT. Em ambos os casos, tanto a polícia quanto a Justiça, jamais identificaram os assassinos e seus mandantes. Mas, quando voce conversa com os moradores destas cidades, Santo André e Campinas, muita gente sabe alguma coisa sobre os mandantes.
    Este é o "x" da questão: A Polícia e a Justiça funcionam somente quando interessa a alguns, não são para todos os cidadãos.
    É por isto que temos que aperfeiçoar nossa Democracia, organizando uma nova Constituinte. Simples, prática e universal, isto é, que valha para todos os brasileiros.

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