sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Folha, Datafolha e o Fanatismo

Torcedor fanático não é racional

Uma vida para construir credibilidade. Uma eleição para destruir. A Folha, como proprietária do Datafolha, depois de comprometer a imagem do jornal, agora está correndo o risco de comprometer a imagem do Datafolha.

O Datafolha com o passar do tempo conquistou credibilidade. Mesmo quando vários institutos davam números diferentes, o Datafolha mantinha sua margem de erro e, no final das eleições, os números se aproximavam mais do Datafolha do que dos outros.

Com a redemocratização do Brasil, todos desejamos que se consolidem as instituições, as empresas, os sindicatos, igrejas e ongs, todos com seriedade e transparência. A democracia pressupõe a diversidade, a pluralidade e as disputas eleitorais.

Nestas eleições de São Paulo, a Folha, através do Datafolha, já derrubou os números de Haddad, ajudou a inchar os números de Russomano, puxou Serra para cima na pesquisa anterior, e agora nesta pesquisa publicada hoje, resolveu derrubar cinco pontos de Russomano.

Tudo isto para reconhecer o crescimento de Haddad, mas manter Serra em segundo lugar, “devidamente dentro do desvio padrão”. Isto é, pode manipular, desde que não comprometa a margem de segurança, que é aceitável estatisticamente, mas moralmente não recomendado.

A Folha atua nas eleições como “torcedor fanático”, não reconhece os dados racionais, apenas justifica suas posições e sua torcida. Depois, justifica novamente que “torcer é assim mesmo”.

Mas usar empresas como a Folha ou o Datafolha como torcedores fanáticos, pode comprometer a imagem da empresa e assim comprometer a sobrevivência do próprio negócio.

Como diria um ministro da época de FHC: “O Datafolha está atuando no limite da ilegalidade”. Isto é, a Folha está jogando suas últimas fichas para ver se Serra vai para o segundo turno, mesmo que, para isto, comprometa a boa imagem do Datafolha.

Da mesma forma que teve coragem de “derrubar cinco pontos de Russomano”, se precisar, “sacrificará os números de Serra”, para adequar os números ao dia 7 de outubro, quando os eleitores, silenciosamente, mostrarão seus números definitivos.

Pode ser que dê certo para a Folha, mas, tudo está indicando que Haddad vai para o segundo turno e que terá chances efetivas para ganhar as eleições.

Podemos torcer para times, podemos ter religião, podemos gostar mais de um modelo econômico do que outro. Enfim, podemos ser diferentes. Mas não devemos ser fanáticos. Devemos respeitar a vontade do povo.

Para o bem de São Paulo.



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