terça-feira, 18 de setembro de 2012

Crise na Europa está longe de acabar

Aprendendo na dor

“Quem não aprende no amor, aprende na dor”, já dizia o velho sindicalista.
Mas o sofrimento da Europa está demorando mais do que os especialistas imaginavam e vai refletindo sobre a economia mundial.

O Brasil aproveitou-se do período de “vacas gordas” e soube enfrentar “as marolas”, estimulando o consumo interno e a distribuição de renda. Coisas de um operário que virou um bom presidente.

Mas é bom prestar atenção no que diz o Prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman.
Vejam a matéria que saiu no Estadão:

Crise europeia está longe de acabar,
diz Krugman

Para o Prêmio Nobel de Economia, porém, as economias dos países em desenvolvimento têm potencial de crescimento nos próximos anos

15 de setembro de 2012 | 4h 27 - Ricardo Leopoldo - O Estado de S.Paulo

O Prêmio Nobel de Economia e professor da Universidade Princeton Paul Krugman disse ontem que há um longo caminho a percorrer para que sejam solucionados os problemas dos EUA e Europa. "Mário Draghi, presidente do BCE, comprou um bom tempo com suas ações, mas a crise está longe de acabar no continente", disse.

Segundo Krugman, em palestra no Fórum Exame - O Brasil e as empresas brasileiras no novo cenário mundial, em São Paulo, há uma sensação de fracasso na economia global, pois os governos de diversos países "não gastaram o suficiente para tirar o mundo da atual enrascada".

Quanto aos países em desenvolvimento, ele se mostrou animado com as perspectivas de suas economias, pois em geral apresentam um potencial expressivo de expansão nos próximos anos. "Estou otimista com os mercados emergentes, com exceção da China", afirmou, sem detalhar porque está cético em relação aquele país asiático.

Krugman manifestou moderado otimismo com o anúncio da terceira edição da política de afrouxamento quantitativo (QE 3, na sigla em inglês) nos EUA, o que foi feito ontem pelo presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke. O Fed vai comprar US$ 40 bilhões em títulos lastreados em hipotecas por mês, sem prazo para acabar, tendo apenas como horizonte que isso vai cessar quando a taxa de desemprego cair de forma substancial. A taxa de desocupação no país é de 8,1% e 5 milhões de pessoas não conseguem encontrar emprego há pelo menos seis meses.

"Com QE 3 parece que o Fed começou a ir na direção de mexer com as expectativas dos agentes econômicos", comentou Krugman. "Porém, o comunicado de ontem do Federal Reserve não deixa claro sobre qual é o seu compromisso para agir com a política monetária. Mas a mudança de tom do Fed é importante".

O economista também apontou que um dos principais problemas da Europa é não existir integração financeira, o que dificulta a harmonização econômica no continente, já que favoreceria o equilíbrio de renda entre cidadãos de países mais ricos e menos abastados. "Eu não verei o contribuinte alemão pagar por previdência do grego enquanto eu estiver vivo", destacou.

Por outro lado, Krugman disse que a Europa tem esperanças de melhorias e que houve avanços significativos recentemente com a atuação do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mário Draghi. "Draghi foi uma boa surpresa no BCE. Ele tem habilidade para lidar com questões políticas na região", disse.

"Ele financiou bancos que tinham títulos soberanos e afastou a catástrofe da Europa. E, com ele, as chances de o euro sobreviver subiram substancialmente", disse.
Euro. Krugman afirmou que um dos principais problemas da zona do euro é que a região possui uma moeda única, mas sem ter um governo único, o que traz sequelas para a gestão das contas públicas.

No caso dos EUA, ele citou que "está muito claro que o que deu errado foi a dívida das famílias", que era muito elevada até 2007/2008. "Agora ocorre desalavancagem das famílias no país", afirmou.

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