segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Concordo com Bresser Pereira

O Brasil também merece um Pacto Desenvolvimentista

Convivi com o Professor Bresser Pereira na FGV, na década de 70, depois convivemos no Banespa, ele como presidente do banco e eu como diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo. Somos “socialistas românticos”, ele mais próximo dos ricos e eu mais próximo do pobres, mas ambos somos defensores do “Bem Estar Social” e do socialismo democrático.

Hoje Bresser Pereira escreve, no seu artigo da Folha, sobre o Pacto Desenvolvimentista nos países ricos. E eu aproveito, para propor mais uma vez, que façamos este tipo de pacto aqui no Brasil. Mário Covas e Montoro já defendiam isto. Eu, como igrejeiro, sempre defendi esta visão de democracia com inclusão social e ampla liberdade.

O tempo passa, o tempo voa e, quem diria, estamos nos aproximando novamente. A velha novidade está chegando em apoio ao novo para São Paulo. No segundo turno estaremos todos juntos por uma São Paulo mais humana e para todos.

Professor Bresser Pereira, é sempre um prazer continuar lendo seus textos e multiplicar suas ideias.
Espero que Dilma também leia seu artigo.

Minha proposta é “pacto já!”, documentado, explicitado e com respeito às regras do jogo. É botar o Brasil na modernidade.

Pacto desenvolvimentista pós-crise?

Luiz Carlos Bresser-Pereira - Folha – 10/09/12

Aposto num acordo social que revaloriza produção e conhecimento;
sei quantas lutas serão necessárias

Ainda que se esteja sempre afirmando que não existe diferença entre esquerda e direita, ela continua a ser usada por todos, porque a diferença existe, e porque a tese da indiferença é mera tentativa da coalizão política hegemônica de afirmar que não há alternativa a ela.

Mas essa distinção apresenta um problema real: ela supõe luta de classes entre capitalistas e trabalhadores ou entre os pobres e os ricos, o que é só parte da verdade. A outra é que existem coalizões de classe ou pactos políticos associando trabalhadores e capitalistas, na medida em que estes se dividem entre os empresários que dirigem suas empresas, inovam e realizam lucros, e os rentistas que vivem de juros, aluguéis e dividendos.

Denomino desenvolvimentista o pacto político que associa trabalhadores e classes médias aos empresários; neoliberal o que une rentistas a financistas, estes entendidos como os profissionais que gerem a riqueza dos primeiros.

As coalizões desenvolvimentistas são amplas e progressistas, as neoliberais, restritas e conservadoras. Sempre usei essa oposição entre desenvolvimentismo e liberalismo econômico para compreender países em desenvolvimento como o Brasil, mas estou convencido de que se aplica também aos países ricos.

O pacto político por trás do presidente Obama é desenvolvimentista e progressista.
O que apoia Mitt Romney é liberal e conservador.

Esta Folha publicou recentemente quadro com os cinco principais financiadores dos dois candidatos. Enquanto os do lado de Mitt Romney eram bancos (Goldman Sachs, JP Morgan, Morgan Stanley, Bank of America e Crédit Suisse), os principais doadores de Obama eram Microsoft, Universidade da Califórnia, Dla Piper (empresa de advocacia), Google e Universidade de Harvard.

Ainda que uma empresa de advocacia entre os principais doadores do democrata não seja indicação de desenvolvimentismo, as outras são. Não há empresa industrial, mas há duas grandes organizações de tecnologia da informação e duas produtoras de conhecimento.

Enquanto os 30 anos dourados do capitalismo (1949-78) foram de ampla coalizão desenvolvimentista nos países ricos, de um pacto político englobando empresários, trabalhadores e classes médias profissionais, os 30 anos neoliberais do capitalismo (1979-2008) foram de coalizão restrita, de um acordo entre os 2% mais ricos da população.

Enquanto os primeiros foram anos de elevadas taxas de crescimento, moderada redução da desigualdade e grande estabilidade financeira, os segundos foram de baixo crescimento e alta instabilidade financeira e de uma brutal concentração de renda.

Os conceitos de classe social e de luta de classes foram relevantes, mas não são suficientes para explicar esses resultados.

Já a distinção entre empresários e capitalistas rentistas e o conceito de pactos políticos entre setores sociais têm poder explicativo maior. E nos ajudam a pensar como será o capitalismo depois da crise.

Aposto num pacto desenvolvimentista ou progressista,
num grande acordo social revalorizando a produção e o conhecimento,
mas sei quantas lutas serão necessárias para que isso seja verdade
e quão precárias são as previsões humanas.

Um comentário:

  1. Bom pensar na inversão da lógica do rentismo. Bom pensar em distribuição de renda e formas de buscar maior igualdade entre homens e mulheres.Pena que muitos ainda não se apropriem desta inversão e cobrem de seus representantes políticos atos neste sentido. Detalhe: sobre o fato de entidades "produtoras do conhecimento" patrocinarem Obama, vale ver o excelente documentário "Inside Job". Harvard e outras estão intimamente ligadas a Wall Street.

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