terça-feira, 21 de agosto de 2012

Osesp encanta a todos

Gente é para brilhar

Todos estão de parabéns. Tanto pelo sucesso presente, quanto pelo sucesso passado e, principalmente, pelo esforço constante que esta Orquestra vem fazendo.

Um obrigado especial à regente, Marin Alsop. Ela consegue ser competente sem ser arrogante. Os virtuosos, quando são humildes, transformam-se em guias para todos.

Eu sempre gostei da Holanda, sempre fui muito bem recebido quando estive lá, e fico muito contente em ver que nossa orquestra fez uma grande apresentação para os holandeses.

Osesp encanta a Holanda

Em sua turnê europeia, orquestra leva virtuosismo e suingue ao Amsterdã Concertgebouw
21 de agosto de 2012 | 3h 10 - Biella Luttmer - Especial para o 'Estado'

Olhares orgulhosos, vestidos elegantes, saltos altos: o Amsterdã Concertgebouw foi palco da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo no fim de semana. E foi neste redemoinho que vieram as damas sul-americanas que deram cor à sala de concertos holandesa.

E elas viram um concerto que cintilou como as pedras de seus brincos gigantes. A primeira apresentação da Osesp foi uma noite que oscilou entre a latinidade e Tchaikovski, entre o balanço nato e a interpretação aprendida da melancolia russa. Mas isso não foi tudo. A diferença entre os velhos e estabelecidos institutos de música da Europa e os novos talentos da indústria orquestral se tornou instantaneamente clara.

E isso era possível de ser notado antes mesmo que uma nota sequer fosse notada: o jeito com que os brasileiros sentam em suas cadeiras é diferente. Sua atitude é a de um lutador, pronto para defender cada nota com a paixão que você esperaria ver em um bailarino do que em um violinista ou um flautista.

Claro que no começo da noite, a Abertura Festiva de Camargo Guarnieri (1907-1993) soou como deve soar. Com toques impetuosos nos cowbells e uma tuba ascendente, a abertura do festival fez jus a seu nome. Em outras passagens mais tranquilas, as cores suaves dos instrumentos provaram que em São Paulo os músicos não almejam um dia de ensaio (ou seja, eles têm o tempo que for necessário para ensaiar).

Com o concerto Cello Concerto do checo Czech Antonín Dvorák, a apresentação se tornou mais excitante. O solo foi executado por Antonio Meneses, o brasileiro que é figura já conhecida no Concertgebouw não só como solista mas também como membro do Beaux Arts Trio. Ele mostrou que é possível contar uma história emocionante sem precisar levantar a voz, em uma abordagem pessoal e intimista do famoso concerto.

A diretora musical Marin Alsop,
considerada mundialmente a primeira-dama do masculino clube dos líderes de orquestra, trabalhou duro nos tons e timbres - qualidades nas quais uma orquestra pode de fato se distinguir. Ela possui uma centena de diferentes graduações entre o sussurrar e o rugir, e os eminentes músicos da Osesp já podem executar um número impressionante.

Isso funcionou bem para Antonio Meneses. Ele teve liberdade para regular seu tom para suave sem que houvesse uma orquestra o forçando a executar uma interpretação menos sutil. Em alguns pequeninos momentos, era possível notar pequenas falhas de entonação no naipe de sopro, mas pequena demais para interferir na performance da orquestra.

Na Quarta Sinfonia de Tchaikovski, a orquestra pôde demonstrar suas possibilidades no campo do conhecido repertório romântico. Eles são impressionantes. Marin Alsop adora tempos flexíveis e treinou suas tropas para que elas as possam seguir em cada uma de suas viradas.

A Sinfonia n.º 4 de Tchaikovski fluiu bem com metais que soaram mais impetuosos do que nas orquestras europeias. Alsop compensou isso com maravilhosos fraseados líricos do naipe de sopros. Nesta sinfonia, o Tchaikovski compositor de balé emerge: com uma melodia de clarineta que continua no oboé, no fagote e na flauta, os pulos e piruetas se faziam ver. Grande momento quando a melodia suave do violino foi apoiada pelo mais terno timbau.

Para atestar a qualidade técnica, foi preciso esperar até a terceira parte da sinfonia. Ali, Tchaikovski escreveu e pede instrumentos de corda, blocos cruciais e perigosos até mesmo para as melhores orquestras. Marin Alsop assumiu o risco ao escolher um andamento acelerado, mas graças a cada gesto claro isso se tornou prova do alto nível da ala de cordas da Osesp. Com unidade espetacular, os pizicatos fluíam dos violinos para os violoncelos, e dos violinos para os contrabaixos.

O apaixonante encerramento, com uma parte espetacular para os pratos, terminou com uma saudação triunfal. O som dos pratos era de certa forma mais ríspido do que o usual das grandes orquestras europeias, mas isso não deve ser um grande problema com as abundantes possibilidades financeiras da música brasileira no mundo.

Em compensação, havia o desejo de que as velhas e famosas orquestras pudessem tocar novamente com a mesma vontade e frescor com que esta orquestra top desta região emergente se manifesta. Isso, combinado com a rica experiência de Alsop, prova que a Osesp tem oportunidades de ouro pela frente.

A plateia da Concertgebouw levou a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo em seu coração. Pediu bis e ganhou Frevo, uma dança do Nordeste brasileiro que mostra o perfeito mix entre o caráter nacional e o ofício da música altamente cultivado. Cada um a sua vez, o clarinetista, o trombonista e o flautista (com sua piccolo) se levantaram para seus solos. O desfecho da performance foi um dueto suingado do fagote, enquanto o percussionista deu aos europeus uma lição do mais puro suingue latino.

Depois da Orquestra Simón Bolívar da Venezuela,
a Osesp é a nova sensação
do circuito mundial.

Duas equipes de ponta em uma única região do mundo -, dificilmente isso é uma coincidência.

A América do Sul se tornou um jogador sério no cenário mundial das orquestras.

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