quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Greves Traumáticas

Jogo de perde-perde

Ontem em Brasília vi um jornal com a manchete; Servidores terão reajustes de 17 a 34%. Aparentemente é um grande reajuste e uma grande conquista.

Quando vamos conversar com os grevistas eles dizem que é pouco por que serão aplicados em três anos. Quando conversamos com o governo, eles dizem que foi uma canseira, ter que negociar com o clima tão tenso. Quando ouvimos à população, a maioria ficou contra os grevistas.

Quando olhamos para a Imprensa, vemos que ela ajudou a divulgar a greve, como forma de desgastar o governo Dilma e enfraquece-la nesta campanha eleitoral. A imprensa faz campanha contra o governo Dilma. Jamais fez contra o governo Fernando Henrique. Pelo contrário, estimulou o arrocho salarial, dez anos sem reajuste, estimulou as demissões com PDV, e as privatizões que empobreceram milhares de pessoas. Nossa imprensa tem lado...

Eu vejo tudo isto com muita apreensão.


Este clima de perde-perde pode levar o Governo e o Congresso Nacional a terem que regulamentar as greves no serviço público e a tendência é criar dificuldades para as greves futuras. Os sindicalistas tenderão a dizer que o governo Dilma endureceu igual à ditadura, e a imprensa vai continuar comemorando o desgaste do governo.

Este processo todo, mesmo tendo como interlocutor o brilhante economista do Dieese, Sérgio Mendonça, também serviu para desgastá-lo perante os grevistas, que são os patrões dos funcionários do Dieese. Perante o governo Serginho está prestigiado. Eu continuo gostando muito de Serginho e reconheço que ele foi para o sacrifício. Alguém precisava ir...

Leiam esta matéria da Folha e, com o passar dos dias, vamos ver como vai ficar.

Mas que ficou muita gente sentida, com certeza ficou. Vamos aprender com a História para não repetir erros primários...

Policiais rodoviários e mais 20 categorias colocam fim à greve

Acordo firmado com o governo prevê aumentar a folha de pagamento em até 15,8% nos três próximos anos
Ministério agora tenta a adesão de categorias que ainda resistem, como policiais federais e auditores fiscais

DE BRASÍLIA - Folha - 29/08/2012

Policiais rodoviários federais e outras 20 categorias de servidores públicos da União aceitaram ontem a oferta de reajuste salarial feita pelo governo. A PRF promete retorno imediato ao trabalho.
Além de policiais rodoviários, servidores do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), fiscais agropecuários e 18 categorias representadas pela Condsef (Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal) oficializaram ontem o pacto.

O Ministério do Planejamento espera fechar acordo com outras categorias até o dia 31, data-limite para envio do Orçamento ao Congresso.
"As sinalizações que nós temos (...) são de que mais de 90% dos servidores públicos do Executivo civil assinarão o acordo com o governo", disse o secretário de Relações do Trabalho, Sérgio Mendonça.

A proposta do governo é de reajustes que não ultrapassem o incremento de 15,8% na folha salarial de cada categoria.
As categorias ligadas à Condsef são compostas por 510 mil trabalhadores, ativos e inativos -pouco menos de 50% da folha de pagamento civil.
"Segunda-feira, todo mundo retorna [ao trabalho]", diz Josemilton Costa, coordenador-geral da confederação.
"[O acordo] Não atende às expectativas, mas é preciso considerar o cenário internacional", afirma Pedro Cavalcanti, presidente da FenaPRF (Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais).

Apesar do teto de 15,8% de aumento da folha salarial por categoria, dentro dela, os índices podem variar. No caso das categorias ligadas à Condsef, eles irão de 14,3% a 37%. Além disso, houve aumento do vale-alimentação e do auxílio-saúde. O impacto da oferta é de R$ 3,9 bilhões.

GREVE MANTIDA
Auditores fiscais, agentes, papiloscopistas (especialistas em identificação) e escrivães da Polícia Federal indicaram que manterão a greve. "Com quem decidiu não assinar voltaremos a discutir no ano que vem com impactos para 2014", diz Mendonça.
O governo diz que vai definir um plano de reposição das horas não trabalhadas. Com isso, 11.495 servidores que tiveram o ponto cortado em julho poderão receber pelos dias que ficaram parados.

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