quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Greves, Eleições e Diálogos

O povo quer Paz e Segurança

As “Forças Ocultas” estão interferindo na vida dos brasileiros.

A economia está andando de lado, industriais de São Paulo estão reclamando, os bancos estão ressentidos em função das taxas de juros, a imprensa quer ver “o circo pegar fogo”, e tem um monte de gente querendo aumento. Mesmo que tenham que “fazer o jogo das forças ocultas”.

Vejam que não há pressão grevista nos governos estaduais e municipais.
Isto faz parte das forças ocultas.

Quanto mais gente no governo ficar calada, melhor.
Se as pessoas não têm poderes para resolver as greves, não devem entrar no jogo da imprensa, e sair falando qualquer coisa. O silêncio é importante. E o fundamental é agir para evitar o pior.
A impressão que passa é que está faltando interlocutor no governo federal.

Vejam três sinais evidentes de combustíveis para uma crise institucional:


1 – A imprensa dá manchetes de que as greves se alastram, causando insegurança...
2 – A Polícia Federal resolve fazer greve junto. Gerando mais insegurança ainda...
3 – O Painel da Folha diz que Dilma está muito irritada e que o Ministro da Justiça está mal informado pela Polícia Federal. A Imprensa diz que Dilma pode chamar o Exército para garantir “a ordem”. Nós, que somos mais velhos, conhecemos estas histórias...

Agora leiam as matérias abaixo, todas da UOL e da Folha de São Paulo, sem cortes.

Onda de greves se alastra e desafia governo Dilma

Folha – de Brasilia – 09/08/2012

A greve dos servidores federais ganhou ontem a adesão de policiais rodoviários e ameaça se tornar a paralisação mais ampla do funcionalismo desde o começo do governo Lula (2003-2010), desafiando a gestão da presidente Dilma Rousseff.
PF faz operação-padrão em portos e aeroportos. Polícia Rodoviária ameaça ampliar operação-padrão

Os números oficiais e do movimento não batem. Nas contas sindicais, ao menos 27 órgãos federais foram diretamente afetados, entre greves, suspensão temporária de trabalho ou operações-padrão.
As paralisações já prejudicam o cotidiano da população. Ontem, pelo menos oito estradas ficaram congestionadas por causa de uma fiscalização intensa de veículos. Aeroportos e até a área da saúde, com a retenção de remédios importados em depósitos, estão sendo afetados. Universidades federais estão paradas há quase três meses.

Ontem, em Brasília, grevistas tentaram subir a rampa do Palácio do Planalto, mas foram contidos por policiais.
Até agora, o governo negocia apenas com funcionários de universidades federais.

VAIAS
O ministro responsável por negociar com movimentos sociais, Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), foi vaiado e chamado de traidor em um congresso por manifestantes da CUT, tradicional braço sindical do petismo.
"Traidor, traidor", ouviu. "A greve continua. Dilma a culpa é sua!". Carvalho discutiu aos gritos com a plateia.

Ao fim, o presidente da CUT, Vagner Freitas, comentou: "Se eu fosse presidente, destituía o ministro." "Houve greves grandes, mas eram concentradas em um setor. Essa tende a se ampliar", disse Artur Henrique, dirigente da CUT.

Servidores da PF protestam em Brasília
A decisão do governo de punir grevistas com descontos e não conceder reajustes acirrou os ânimos. Outra medida que desagradou servidores foi um decreto, de julho, facilitando a troca de grevistas por funcionários estaduais e municipais.
Para os sindicatos, há mais de 300 mil funcionários parados entre os 573 mil servidores. O Ministério do Planejamento diz que isso é irreal. "Se fosse tal como é dito, teríamos o serviço totalmente comprometido, e não está. Há pouquinha gente parada e muita fazendo barulho", disse o secretário de Relações do Trabalho, Sérgio Mendonça.

Ele refuta o status de pior greve dos últimos anos e lembra paralisações nos governos Lula e FHC, mas o governo diz não saber quantos servidores estão parados. O país "enfrentou momentos difíceis" com greves antes, disse.
Também repercutiu mal entre sindicalistas e setores do governo a afirmação do secretário do Tesouro, Arno Agustin, dizendo que a greve acabaria no dia 31, com o envio do Orçamento de 2013 para o Congresso, o que encerraria a possibilidade de negociação salarial.

"Nós entendemos que a crise [internacional] é grave. Mas, diante da crise, tem que flexibilizar o superávit primário [economia para pagar juros da dívida] e recuperar carreiras", disse Artur Henrique.
(FLÁVIA FOREQUE, JOHANNA NUBLAT, KELLY MATOS e NATUZA NERY)

PAINEL DA FOLHA DE HOJE:

Piquete Dilma falou cobras e lagartos para Lula sobre a CUT, que considera responsável pela greve generalizada do funcionalismo. E recusou conselhos para receber os grevistas. Nem os ministros palacianos estão autorizados a negociar.

E aí? José Eduardo Cardozo será cobrado pela presidente caso os delegados da PF decidam aderir à paralisação. O ministro da Justiça afiançou a ela que essa hipótese estaria descartada.

O cara Enquanto a greve corrói o humor presidencial, quem segue marcando pontos no "dilmômetro" é Luís Inácio Adams. Além de ter achado a justificativa legal para substituir grevistas por servidores estaduais em setores como portos e a Anvisa, ontem ele obteve vitória judicial para obrigar a manutenção de serviços essenciais.

Janio de Freitas – Folha – 09/08/2012

Desserviços públicos

As greves de serviço público que se voltam contra a população voltam-se também contra a democracia

AS GREVES da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, com os danos da primeira à prestação de serviços ao público e, a segunda, com a interrupção de vias como a ponte Rio-Niterói, fazem aquilo mesmo que as duas polícias invocam para reprimir com a força de cassetetes e armas qualquer grupo, de grevistas ou de manifestantes, que perturbe a normalidade de um serviço, um prédio ou uma estrada do sistema federal.

As greves de serviço público que se voltam contra a população voltam-se também contra a democracia. Na euforia do momento tão esperado, a Constituinte estendeu o direito de greve ao serviço público como uma conquista democrática sem precedente no Brasil. A precaução de preservar o direito da população, porém, ficou longe do equilíbrio necessário entre a nova concessão a uns e as velhas e permanentes necessidades de todos os outros.

A permanência dos serviços, por plantões de servidores nos seus locais de trabalho, é uma farsa dos respectivos sindicatos. Os plantões fazem figuração, sempre com número exíguo de funcionários para que os serviços não sejam mesmo prestados.
Atestam-no as filas imensas, o atendimento com os modos da tal operação tartaruga, as falsas informações que iludem os necessitados de documentos ou de providências pendentes da Polícia Federal, e por aí vai. Ou melhor, não vai.

Não deixar ir se torna mesmo o propósito exibido ao vivo pela Polícia Rodoviária Federal, que saiu de sua mínima valia para solucionar o que não resolve de outro modo: parou milhares e milhares de carros, caminhões, ônibus, gente com compromissos, gente a caminho do trabalho, gente cansada do trabalho, cargas perecíveis, cargas para embarque aéreo -serviço completo, enfim.

Se as polícias que reprimem anormalidades passam a fazer anormalidades, não haverá quem recomponha a normalidade. Mais: estará assegurado, por antecipação, que todos ficarão impunes.

E, pronto, estão estabelecidas as diferenças antidemocráticas: há os que se estrepam com a polícia se perturbarem área federal e, de outra parte, os que tanto reprimem aqueles como fazem livremente as mesmas perturbações.
Não, não as mesmas: as dos policiais são remuneradas e os seus dias de perturbadores contam para promoções por tempo de serviço e para a aposentadoria.

Funcionário da Polícia Federal ganha mais do que professor nas universidades federais e do que médicos do serviço público federal.

E nem se destaque a faixa dos delegados, para não humilhar professores e médicos.


Um comentário:

  1. Preocupante este post. É regra no setor privado o desconto dos dias parados. Faz parte da luta. É histórico. No setor público os grevistas continuam recebendo seus salários normalmente, como se na ativa estivessem. Cumpra-se a recente decisão e desconte-se os dias, aí então veremos se haverá greve. Policiais federais não precisam de curso superior para o concurso, recebem mais que a maioria da média nacional de assalariados, além da conhecida corrupção. Estão mais para Cabo Anselmo do que para sindicalistas.

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