quinta-feira, 23 de agosto de 2012

CUT vai à China

E Artur Henrique envia notícias...

Conhecer a China é conhecer parte importante do poder do século 21. Como a Coreia do Sul, a China também era mais pobre do que o Brasil e já deixou o Brasil e o mundo para trás. Todos estão comendo poeira, ante a agilidade chinesa.

O calcanhar de Aquiles da China são as liberdades individuais. Este é o dilema da humanidade. Como combinar direitos coletivos com direitos individuais? Nos Estados Unidos, quando há grandes divergências, eles historicamente resolvem na bala. Na China a bala é usada pelo Estado. Nos Estados Unidos, pela classe dominante.

A Europa tem mais perfil de “terceira via”, mas está economicamente em frangalhos. O Brasil poderia ser a esperança da humanidade, mas nossa classe dominante ainda é muito provinciana e prefere copiar a elite de Miami. Mas a nova classe média brasileira pode estimular este novo caminho.

E a CUT não deve perder o “olhar crítico”. Elogiar o que a China tem de melhor que é a inclusão de centenas de milhões de pessoas, mas, por exemplo, a ideia de partido único não serve como modelo para nós.

Artur com a palavra:


China quer efetivar nova legislação trabalhista e de seguridade social
21/08/2012 - Agência CUT

E abre diálogo com o movimento sindical internacional.

Relato de viagem enviado por Artur Henrique, da China

O secretário-adjunto de Relações Internacionais da CUT concluiu anteontem, dia 19 de agosto, uma viagem oficial à China. A convite da CSI (Confederação Sindical Internacional), ele representou a Central numa série de atividades com o objetivo de consolidar diálogo e parceria com a ACFTU (All-China Federation of Trade Union), a central chinesa, a maior do mundo. Iniciadas no dia 13 de agosto, as atividades tiveram participação de dirigentes sindicais de sete países. A CUT representou o Brasil.

A ACFTU é a maior central sindical existente no mundo, contando atualmente com 258 milhões de associados.

Durante toda a visita oficial, ficou clara a exposição de que a China é um país que defende o "socialismo com características chinesas" e o fio condutor das propostas chinesas é o que eles chamam de RELAÇÕES HARMONIOSAS, que vale para tudo: relações de trabalho, relações comerciais, relações entre os países.

A preocupação central hoje na China é o controle da inflação, a estabilidade política, a mudança do modelo de desenvolvimento, a melhoria do sistema laboral e o fortalecimento da negociação coletiva, que deverá aos poucos ir substituindo as relações individuais de trabalho. Ainda hoje, a grande tarefa é ampliar a negociação coletiva por empresa e por regiões do país, mas no longo prazo já se fala em negociação por setor, por ramo, mas ainda me parece muito longe.

Outra questão importante é o equilíbrio entre rural e urbano, já que ainda hoje na China a população se divide, em proporções iguais, em cada setor.
Ficou clara a preocupação que a China vem tendo em aprovar uma legislação sobre Seguridade Social, direitos trabalhistas, garantia de pagamento de salários, fortalecer a negociação coletiva, etc.

Essa é uma tendência clara de mudança recente dada à importância cada vez maior que a China vem ocupando no mundo.

Um olhar sobre a China:

A China é hoje o primeiro país em população, com 1 bilhão 344 milhões de habitantes. Registra o segundo maior PIB do planeta, de US$ 7,3 trilhões, segundo números do Banco Mundial relativos a 2011. Os EUA registraram US$ 15 trilhões no mesmo período.
Apesar desses números, aqui na China eles continuam afirmando que este é um país em desenvolvimento, com muitas desigualdades, disparidades regionais e muitas contradições.

Apesar de tudo dar a impressão de uma economia capitalista de mercado, eles também continuam afirmando que a China é um país socialista com características chinesas, e que o modelo defendido por eles é o de um mundo e uma sociedade harmoniosos. Tudo tem esse pano de fundo: as relações de trabalho tem que ser harmoniosas, as relações comerciais entre os países tem que ser harmoniosas, etc.

Pareceu-me mais uma visão que procura preservar e divulgar algumas tradições orientais milenares, do que uma prática do dia-a-dia.

A China tem hoje grandes desafios: o controle da inflação; a diminuição do crescimento, mas com olho no agravamento da crise; fortalecimento do mercado interno, o que representa melhorar a renda dos trabalhadores, sem causar inflação.
A imensa quantidade de trabalhadores que saem do campo em direção às cidades é outro desafio que os chineses tentam equacionar.

A mudança demográfica no médio prazo fará com que diminua o número de trabalhadores em idade economicamente ativa e como consequência haverá o aumento do número de idosos que necessitarão de cuidados, numa economia que só agora está aprovando leis e programas de seguridade social.”

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