sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Cinco anos de Crise Econômica

Os governos salvaram os Bancos e travaram a Economia

Lendo o bom texto de Luis Carlos Mendonça de Barros, "Cinco anos de crise financeira",comentado ontem na Rádio Bandeirantes e publicado hoje na Folha, fiquei pensando sobre a lambança que os governos fizeram para salvar os bancos e, em compensação, afundar as economias em todo o mundo, em nome de uma “segurança”, que era dos bancos e não nossa, o povo.

Fiquei também pensando nos reflexos desta crise econômica na economia brasileira e que tanto nos outros países como aqui, a crise se acentua nos seus desdobramentos. A crise econômica vira crise de governabilidade e de legitimidade. O problema não é resolvido somente com eleições.

A Grécia provou que as eleições, mesmo sendo necessárias,mais aumentaram a crise do que diminuíram. É o dilema de que “errar” com o povo é melhor do que “acertar” sem ele. O capital não fica refém de eleições. Se for possível, ele usa seus mecanismos de intimidação, como fez nas últimas eleições da Grécia e no Paraguai.

O dilema de como fazer as mudanças continua, precisando de governos legítimos e capazes.

A revista inglesa, Economist, desta semana, apresenta uma reportagem sobre a situação da Alemanha e a possibilidade de deixar alguns países fora do Euro. Qual é o custo menor? Tanto social como econômico? A reportagem não responde. Mas tudo indica que esta possibilidade nunca esteve tão próxima.

Aqui no Brasil,
a economia tem sido melhor do que a política. E como os conservadores não ganham no voto, eles agora apelam para o Judiciário. Afinal, eles têm dinheiro para gastar com advogados caros, têm a imprensa como aliados fundamentais e têm o fato de, por tradição, o Judiciário ser conservador.

A imprensa continua a mostrar que o movimento grevista já está afetando a estrutura produtiva e as políticas públicas nacionais. Crianças e doentes podem morrer a qualquer momento por falta de atendimento médico. Estudantes perderão o ano letivo, em função desta longa greve que dura quase três meses.

Todos cobram que, ou o governo negocia uma solução para por fim à greve, ou que medidas jurídicas sejam tomadas para se restabelecer a ordem. Num ano eleitoral, enfraquecer o governo do PT faz parte da tática eleitoral. Ainda mais quando o governo e o Congresso “facilitam as coisas”.

Já que o Congresso Nacional, que é um dos poderes fundamentais, está paralisado, tanto em função das eleições, como em função do julgamento do “mensalão”. O Judiciário está no centro do noticiário, perdendo apenas para as Olimpíadas, que acabam neste final de semana.

Enquanto isto, “la nave va...” como dizia Fellini.

Para onde vai esta nave chamada Brasil e a outra nave chamada Crise Europeia?
E ainda temos que conviver com o “compasso de espera” das eleições americanas. Até novembro, Obama não fará nada que possa ameaçar sua reeleição. Ele vive das pesquisas eleitorais. E o Brasil, também.

Estes fatores listados acima podem causar “incertezas e inseguranças”, gerando desemprego e perda do poder de compra. O povo quer paz e segurança. E para isto, todas as lideranças precisam ter sensibilidade e responsabilidade na hora de falar ou de fazer alguma coisa.

Caso contrário, faremos como diz Luis Carlos Mendonça de Barros: ficaremos olhando para trás e só percebendo agora quais foram os lances que definiram a História.

Mas aí já é passado.
E a vida continua com todos os seus desdobramentos...


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