terça-feira, 7 de agosto de 2012

Caetano chega aos 70 anos

E um baiano especial faz sua homenagem

Este é mais um dos meus bons correspondentes! Benê já teve um texto publicado neste espaço. Hoje sai outro bom texto à lá “On the road”.

Divirtam-se!

caetano veloso, hoje, 70 anos!

até hoje me lembro do dia em que o meu saudoso amigo joãozinho heitz me contou de um show chamado "nós, por exemplo", era o ano de 1964 ; estavam lá caetano, gal, bethânia, tuzé de abreu, fernando lona, a quem tive o privilégio de acontecer, ele era nascido em ubaitaba, terra do meu amigo rafael souza de oliveira, era homossexual e teve uma morte trágica, num desastre de automóvel ;

em 1965, caetano foi para o rio de janeiro, as famílias da bahia tinham como tradição um irmão acompanhar a irmã numa viagem, ele foi como acompanhante da bethânia, que foi substituir a nara leão, no show "opinião" ; a mana cantou o "carcará", arrebentou a boca do balão, consagrou-se na saída da bola !

no primeiro dia que cheguei na escola de administração da universidade federal da bahia, o giberto gil estava na porta, conversando com umas pessoas, e ouvi contarem orgulhosas, vaidosas : - êle está indo para são paulo, contratado como trainee, por uma multinacional ; era a gessy-lever ;

em fevereiro de 1966 eu vim para são paulo, o gil já estava aqui, o caetano já estava aqui, a tv record já era a meca da música popular brasileira, promovia-a de domingo a domingo ;

cresci junto com essa turma, passei de adolescente a adulto junto com tom zé, com a gal, com o caetano, e, não foi pouco o que a nossa geração fez, na história do brasil do século XX ;

lutamos contra a ditadura, lutamos pela modernização dos comportamentos humanos, a favor do uso da pílula anticoncepcional, entendemos e defendemos, com sinceridade, a igualdade do homem e da mulher, o orgasmo feminino, guerreamos ( e vencemos ) para eliminar a tradição da virgindade como valor patrimonial, que a mulher guardava para o marido com o qual se casasse ;

todavia, minha encrenca, eu diria, é com o caetano ; nos meus livros, nas minhas crônicas diárias, há dezenas de citações dele, me identifico com ele, eu de valença, ele de santo amaro, nós dois mulatos assumidos ; no entanto, admiro tanto ele que meus sentimentos sempre se turvaram ! calado, sempre desejei ter um talento como o dele, fazer sucesso como ele, e, e me cobrava, parecendo a mim mesmo um fracassado ;

agora, nestas últimas semanas, depois que voltei a morar na bahia, pela reflexão, resolvi esta inveja que sentia do caetano : os gregos me salvaram, os gregos me acudiram, os gregos entendiam, e vivenciavam, que havia uma hierarquia entre o céu et a terra ; nela, havia os humanos, os heróis ou semi-deuses - e os heróis et os semi-deuses eram iguais - e os deuses ;

ora, sou um humano, e, o caetano é um ídolo, um herói da minha geração, um semi-deus, um quase orixá, aqui na bahia ! saravá, caê !

outra identificação minha com o caetano é a psicianálise, tanto ele quanto eu recorremos ao divã para lidar com os nossos conflitos existenciais, e, grande parte da sobrevivência minha, grande parte da minha evolução devo-a à psicanálise ;

claro, esta crônica de parabéns, escrevo-a do lugar de um admirador crítico dele, sei que ele é polêmico, não escrevo sobre a pessoa dele, mas, sobre a sua contribuição civilizatória ao brasil, durante a segunda metade do século XX ; parabéns, caetano ! abraço,

benê ;

cruz da redenção, 7/8/2012 ;


Um comentário:

  1. Caetano é bom músico, mas politicamente, tucano demais para meu gosto. Prefiro - como pessoa - Dona Cano.

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