quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Bancos: Quando todos perdem

Mau atendimento e assédio moral

Ontem passei um bom tempo numa agência bancária resolvendo problemas.
Chamou-me atenção o fato de a agência estar cheia de clientes e os funcionários aflitos com tanta gente.

Solidariamente perguntei como eles faziam para atender tanta gente. A gerente, toda educada, respondeu-me: Chego às 8h, quase não almoço, e saio às 20h da noite. E a gerente é casada e jovem. Fiquei pensando como ficam o marido e os filhos? Só compartilham a vida familiar nos fins de semana, fazendo supermercado, cozinhando e lavando roupas...

Hoje cedo, vi uma grande matéria no Estadão sobre a redução do numero de funcionários do Itaú-Unibanco. Sabe aquela propaganda de que “Um mais um é mais que dois”? Na verdade, no Itaú, “um mais um deu MENOS que dois”.

O problema é que não existe Agência Reguladora do Sistema Financeiro. Quem faz este papel é o Banco Central, que por lei, não pode determinar sobre número de empregados nem jornada de trabalho. Quem deve regulamentar isto são o Congresso Nacional e o Governo Federal. Aos Sindicatos, cabem a pressão e a defesa das necessidades dos bancários. Mesmo que, para isto, tenham que fazer greve.

Hoje também saiu na Folha Bancária a matéria abaixo sobre a carência da população que vive nos bairros distantes. Lá, além de não ter agências bancárias, as que existem têm poucos funcionários para tanta gente a ser atendida.

Quando atendem mal a população, todos perdem, inclusive os banqueiros que, apesar dos altos lucros, vão jogando a população contra o mau atendimento e os lucros abusivos e contra os próprios bancos. Os bancários sofrem “assédio moral” por mais lucros e mais jornada de trabalho, e o governo perde por não tomar providências enérgicas.

Para fazer justiça, a CEF foi o único banco a contratar mais gente do que despedir. No primeiro semestre deste ano foram mais de três mil contratações. Os demais bancos ficaram devendo contratações. Principalmente o Itaú.

Para defender os interesses dos bancários e da população local, o Sindicato fez uma breve manifestação atrasando a abertura da agência da CEF do Jardim Ângela e depois esteve no Bradesco local.

Sindicato atrasa abertura de agência
FB – 08/08/2012

Bancários e clientes sofrem com falta de funcionários
em unidade do Jardim Ângela; durante manifestação
superintendência agendou reunião com dirigentes

São Paulo – A luta por mais empregos na Caixa Federal continua e chegou ao Jardim Ângela, zona sul de São Paulo, na manhã da segunda-feira 6, com apoio da população da região. Às 7h30, bem antes da abertura da agência, já havia fila no local.

Antes das 10h, dirigentes sindicais colheram 150 assinaturas em documento que pede da instituição financeira serviço melhor para a população e a valorização dos trabalhadores para um atendimento mais eficiente. “É uma região carente de serviço bancário. Os usuários sofrem por horas aguardando para serem atendidos, os bancários sofrem porque estão sobrecarregados. Queremos soluções e, para isto, vamos pressionar a direção do banco”, disse o dirigente sindical e empregado da Caixa Rafael Castro, informando que o abaixo-assinado será entregue à superintendência.

E a mobilização fez a diferença. Durante o ato, a superintendência da Caixa entrou em contato com os dirigentes e uma reunião foi agendada para sexta 10. “Vamos debater com o banco formas de acabar com os recorrentes atritos entre empregados e clientes causados por conta da superlotação na agência Jardim Ângela”, disse Rafael.

Mais lotação – E para comprovar a necessidade de serviços bancários de qualidade da população do bairro da zona sul, bastou olhar para o outro lado da rua.

Os dirigentes sindicais visitaram uma agência do Bradesco lotada e com poucos funcionários. “Conversamos com a população, levamos informações sobre nossa campanha nacional, inclusive o que representa na vida dos clientes a nossa reivindicação sobre emprego, entregue aos banqueiros no dia 1º”, disse Rafael referindo-se à ampliação nas contratações, aumento da inclusão bancária, combate às terceirizações, além da aprovação da convenção 158 da OIT (que inibe dispensa imotivada).

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