quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Bancos e Empresários que ROUBAM

Contabilidade e Auditorias fajutas

Com quarenta anos trabalhando com Bancos, a gente aprende muitas coisas. Uma delas é que, no Brasil, as Auditorias Nacionais e Internacionais NÃO ACHAM FALCATRUAS NOS BALANÇOS DOS BANCOS. Por que será?

O Banco Central que fiscaliza os bancos, inclusive tomando por base os pareceres contábeis e das auditorias, acaba “sabendo dos problemas a-posteriori” e o “erário público paga a conta”. Sempre fiquei com a impressão de que falta regulamentar melhor o Sistema Financeiro e dar mais agilidade ao Banco Central.

Tivemos casos como do Comind, da Delfim, do Auxiliar, do Sul Brasileiro, do Nacional, do Noroeste, do Banco Santos, do Panamericano e agora do Cruzeiro do Sul. Sem contar as privatizações fajutas do governo Fernando Henrique. O Itaú ganhou o Banerj, o Santander pagou um pechincha pelo Banespa e por aí a fora. Muito triste para nosso Brasil e para os brasileiros.

Falar mal dos políticos corruptos é fácil, botar empresários corruptores na cadeia e confiscar seus bens, no Brasil, não existe precedente. No Brasil, roubar é um bom negócio. Ser honesto é fazer papel de otário. Esta é a lógica que historicamente precisa ser invertida. Esta é a principal dívida que os empresários, ou a elite como dizem alguns, tem com o Brasil. A pior dívida de todas.

E hoje todos vão para Brasília pedir mais subsídios e contratos que protegem as empresas e negam direitos aos consumidores e cidadãos brasileiros.

Já passou a hora de repensar tudo isto.

E não podemos contar com nossos juízes e nossa justiça. Falta credibilidade. A imprensa poderia ajudar, mas também está comprometida. Vamos ter que fazer como os candidatos, apelar para as Igrejas para ver se ganham eleições e se moralizamos o Brasil.

Não sei se apelarão para Deus, mas os pastores e os padres estão contribuindo mais para as eleições do que os partidos políticos e seus candidatos.

E pensar que o Banco Cruzeiro do Sul é da Família Índio da Costa, que teve um familiar como vice de Serra e foi um dos bancos que mais contribuiu com o DEM – partido da nossa direita.

Enfim, eu ainda confio no Banco Central, já nas outras instituições, não posso dizer a mesma coisa.

Vejam estas matérias do Estadão e do Valor Econômico:

Balanço mostra rombo de R$ 3,1 bi no Cruzeiro do Sul
Plano para salvar o banco inclui desconto médio de 49% em dívida
e venda para outra instituição financeira até o dia 10 de setembro

15 de agosto de 2012 | 3h 05 - DAVID FRIEDLANDER, LEANDRO MODÉ - O Estado de S.Paulo

O balanço auditado do Cruzeiro do Sul após a intervenção decretada pelo Banco Central (BC) mostra que o rombo total da instituição chega a R$ 3,1 bilhões. Para tentar evitar a liquidação do banco, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) apresentou ontem à noite um plano com dois pontos principais: uma oferta de compra de dívidas do Cruzeiro do Sul com deságio médio de 49% e a venda do banco para outra instituição financeira.

Depois de 70 dias de trabalho, os auditores contratados pelo FGC concluíram que a deficiência patrimonial alcança R$ 2,236 bilhões - R$ 3,1 bilhões descontados do patrimônio líquido do banco, de R$ 874 milhões. Esse é o valor para o qual o FGC busca uma solução.

A partir de hoje, o Fundo vai oferecer aos investidores a proposta de compra de dívida. Serão incluídos no processo investidores externos, que detêm 58,1% do total (R$ 3,3 bilhões), e locais, que possuem 7,5% (R$ 430 milhões). O restante (34,4% ou R$ 1,95 bilhão) é constituído por obrigações do próprio FGC. Nessa última conta, estão incluídos o chamado Depósito a Prazo com Garantia Especial (DPGE) e os CDBs até o limite de R$ 70 mil por CPF. As obrigações do FGC serão cumpridas integralmente, sem deságio.

"Se os credores não aderirem e quiserem pagar para ver, o banco poderá ser liquidado", disse o presidente do Cruzeiro do Sul nomeado após a intervenção, Celso Antunes.

O FGC explicou que a liquidação só será evitada se duas condições forem atendidas: no mínimo 90% de adesão ao plano de desconto de dívida e uma proposta firme para a compra do Cruzeiro do Sul.

Duas instituições financeiras foram contratadas para a renegociação das dívidas externas: HSBC e Bank of America Merrill Lynch. Para a dívida local, ainda não foi definido um banco.
Em relação à tentativa de venda, ontem mesmo o FGC disparou e-mails para 20 instituições financeiras que têm perfil considerado adequado para realizar a eventual compra.

Segundo o presidente do FGC, Antônio Carlos Bueno, são bancos como Itaú, Bradesco, Santander, HSBC, BTG Pactual, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, entre outros.
A oferta de renegociação de dívida ficará aberta até 12 de setembro. Em relação à venda do banco, as propostas serão aceitas até 10 de setembro.

Inicialmente, o BC calculou o rombo em R$ 1,3 bilhão. A conta cresceu em razão de vários problemas. Entre eles, provisões adicionais de R$ 542 milhões para operações de crédito consignado e empréstimos para empresas de pequeno e médio portes; e R$ 612 milhões de provisões adicionais para proteção contra processos judiciais nas áreas cível, trabalhista e tributária).

Além disso, o banco Prosper, comprado pelo Cruzeiro do Sul no fim de 2011, tinha cerca de R$ 100 milhões de operações sem perspectiva de recebimento. Também foi realizado um encontro de contas no fundo de investimento Tâmisa, que tinha ações superfaturadas em aproximadamente R$ 125 milhões.

O FGC foi indicado pelo Banco Central para administrar o Cruzeiro do Sul desde a intervenção, decretada no início de junho. Mantido pelos bancos brasileiros, o FGC tem como objetivo proteger depósitos de clientes. Nos últimos anos, assumiu também um papel relevante em operações de resgate de instituições em dificuldades, como Panamericano e Schahin.

Cruzeiro deu crédito a empresas de fachada

Valor - 14/08/2012 às 00h00

O banco Cruzeiro do Sul vai apresentar hoje um balanço com um passivo a descoberto de cerca de R$ 2 bilhões, segundo o Valor apurou. O rombo total do banco, que está sob intervenção do Banco Central desde 4 de junho, chega a quase R$ 3 bilhões, mas o patrimônio líquido, de R$ 900 milhões, ajuda a cobrir parte disso.

O volume de créditos que pode ter sido falsificados pelos controladores do banco - Luiz Felippe e Luiz Octavio Indio da Costa - ficará dentro das estimativas iniciais do BC, em R$ 1,3 bilhão. A diferença, de cerca de R$ 1,7 bilhão, vem de uma lista supostas irregularidades de mais de 50 itens encontradas pela auditoria. O BC, o Fundo Garantidor de Créditos e a PwC comandam a revisão dos números.

Entre as supostas irregularidades encontradas estão, por exemplo, a concessão de empréstimos para empresas de fachada, que indicaram não ter capacidade de honrar com os empréstimos tomados - todas localizadas no Rio de Janeiro, onde fica parte do banco.

Em busca de uma solução, o FGC, que administra o banco, vai propor aos credores um deságio em suas dívidas, variando conforme o prazo. Quanto mais longo, maior o deságio. Para o bônus emitidos no exterior que vencem no próximo mês (US$ 175 milhões), o FGC proporá um deságio de cerca de 20%. Com as contas ajustadas, o banco será colocado à venda.


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