quinta-feira, 16 de agosto de 2012

As mães são especiais

Mesmo na Era das Mulheres

“Fomos à noite para Santos, onde Manolo está morando com a família, e hoje, quando cheguei a minha sala, vi a mensagem abaixo que André mandou. Hoje não teremos nada de mensalão ou outras bobagens. Hoje falaremos de pessoas, de militantes, de guerreiros, de seres humanos que amam, têm carências, defeitos e genialidades.”

Mas os guerreiros também têm mães, esposas e filhas.
Eu vou relatar uma cena presenciada durante nossa visita ao velório na noite do dia 15, quarta-feira.
Quando lá chegamos, por volta de 22:30h, só estavam Débora, a esposa de Manolo, Carlão, presidente da Contraf, Alice, assessora para tudo da Contraf, colega de mesa de trabalho de Débora, além de amiga, e Odair, funcionário do Sindicato.

Apesar de já ser tarde, a grande expectativa era com a chegada dos familiares, especialmente da mãe de Manolo e da mãe de Débora.

Primeiramente chegou a mãe de Manolo com as irmãs. A mãe, já de certa idade, inclinou-se sobre o filho, que jazia no caixão, e chorou copiosamente indagando: “Meu menino, o que aconteceu?”

Esta cena de uma mãe vendo seu filho morto, bem mais novo do que ela, querendo entender o que faz com que um homem, com crianças ainda pequenas, cheio de esperanças com a família, de repente morra, fez com que todos os presentes também chorassem.

Mas as mães são diferentes


Lembrei-me desta escultura de Michelângelo, a Pietá,
que simboliza a dor de todas as mães.

E, enquanto ainda pensava na Pietá, chegou a mãe de Débora. Da porta ela procurou a filha com o olhar, abriu os braços e exclamou: “Minha filha!”

As mulheres se abraçaram aos prantos, uma mãe que perdeu seu filho, seu menino, uma mãe que vê sua filha ficar viúva, e uma esposa que acolhe a todas e a todos.

Os homens, que não gostam de chorar em público, foram saindo devagarinho. E por um tempo as mulheres choraram juntas.

Para que servem os guerreiros, as guerras, as lutas de classes? Para melhorar a vida de todos, para tornar as pessoas mais humanas, mesmo com suas carências, seus defeitos e suas genialidades.

Foi-se o guerreiro, e ficou a guerreira, a advogada que tem o nome de Débora, que no Velho Testamento consta que foi juíza e profetisa, que ouvia as palavras de Deus e transmitia ao povo de Israel, além de ser esposa e mãe.

Débora não estará sozinha, além dos familiares, nós que convivemos com ela e com Manolo, estaremos com ela durante esta jornada. Um casal que sempre contribuiu com os bancários e o movimento sindical continuará contando com nossa solidariedade.

E as mães de Manolo e de Débora sabem que, como as “mulheres de Atenas”, e como uma boa advogada e militante, Débora dará conta das demandas que aparecerem. Afinal, estamos na Era das Mulheres!



2 comentários:

  1. Pode se imaginar a cena ... Mas jamais o que estamos sentindo. Perdemos o carro chefe da alegria , das encrencas , da cultura , da inteligência ..do sorrido e do carinho.

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