domingo, 19 de agosto de 2012

Adoniran, Elis e o Martinelli

As Histórias de São Paulo

Nossa história passa pelo Edifício Martinelli. Tanto a história dos ricos como a história dos pobres que vieram viver e se fazer na vida paulistana.

Vi a matéria abaixo no Estadão de hoje e resolvi colocá-la no blog, acrescentando que muitas boas histórias dos trabalhadores também aconteceram neste prédio.

A própria CUT – Central Única dos Trabalhadores teve sua infância e adolescência no Martinelli.

A CGT de antes do golpe militar de 64 também tinha sede no Martinelli. O IAPB – Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Bancários, de antes do INSS, também teve sede no Martinelli.

Nosso Sindicato dos Bancários de São Paulo veio para o Martinelli em 1948, no sétimo andar inteiro, sede própria e o melhor andar do prédio. Depois de anos ausente do prédio em função da ditadura militar, voltamos quando eu era presidente do sindicato. E hoje, depois de restaurados os andares, continua sendo um dos mais bonitos.

A história não pode ser escrita apenas pelos ricos, a história tem muitas versões e muitos olhares. Nós devemos registrar também as versões e os olhares da Classe Trabalhadora.

Ao procurar uma música para lembrar do tempo do Martinelli, inevitavelmente fui atrás de Adoniran Barbosa, que era a voz do povo trabalhador de São Paulo, dos italianos e dos nordestinos.

E Adoniran com Elis Regina forma uma dupla eterna da nossa cultura e da nossa vida.

Leiam a matéria sobre o Martinelli, mande suas histórias e escute e veja Elis cantando com Adoniran as maravilhas do Bexiga e de São Paulo.

Edifício Martinelli resgata seu rosa original dos anos 1930


Com 130 metros, histórico arranha-céu foi desbotando ao longo das décadas por causa de chuvas, poluição e falta de conservação

19 de agosto de 2012 | 3h 04 – Estadão
EDISON VEIGA, TIAGO QUEIROZ - O Estado de S.Paulo

Na colher do pedreiro, a massa fresca é tão rosa quanto a do fim da década de 1920, quando o Edifício Martinelli estava sendo erguido. "A diferença é que, na época, a coloração vinha de um tipo de cimento europeu. Hoje, utilizamos argamassa pigmentada", explica o conservador e restaurador Antonio Sarasá. Desde 2008, ele comanda o trabalho de recuperação do histórico arranha-céu de 130 metros de altura, um dos símbolos da cidade.

O restauro era necessário. E não só porque, com o passar dos anos, o Martinelli foi desbotando pelo tempo, pelas chuvas, pela poluição. Para um senhor prédio de quase 80 anos - apesar de inaugurado em 1929, ele só foi concluído em 1934 -, perder o brilho não era o maior problema. "Havia infiltração no telhado, janelas deterioradas, pisos soltos e sem cor...", enumera Sarasá.

A administração do prédio entendeu que uma intervenção era necessária. Começou então uma verdadeira obsessão por conter os gastos, para que fosse possível bancar a recuperação. "Começamos a economizar energia e água. Tudo para fazer caixa", explica o supervisor de manutenção do edifício, Nivaldo Peixoto Júnior. Em 2003, a conta mensal de água girava em torno de R$ 41 mil. Hoje, não passa de R$ 32 mil.

A obra começou em 2008, pela parte estrutural. "Só há poucos meses passamos a mexer na fachada. Então o trabalho se tornou visível a quem passa em frente", diz Sarasá. Até agora, R$ 1,5 milhão já foram investidos. E o rosa voltou mais vivo entre os andares 22 e 26. Também foi feito um trabalho de eliminação de pragas. "O prédio estava infestado", conta Sérgio Magno, químico responsável pelo serviço.

O Martinelli teve sua fase áurea até 1945. Na época, o então maior prédio de São Paulo tinha salões de dança, cinema, hotel e restaurante. Entre 1945 e o fim da década de 1970, o luxo deu lugar à decadência. O que era um classudo hotel se transformou em hospedaria de alta rotatividade. O endereço também abrigou bares, boates e um espaço de entretenimento adulto - misto de cabaré e cassino. Com o passar dos anos, o prédio se transformou em cortiço.

Em 1975, a Prefeitura desapropriou o Martinelli e começou a restaurá-lo. Reinaugurados em 1979, seus andares foram locados a órgãos públicos e empresas privadas.

Imaginário.
Mesmo com altos e baixos, o gigante rosa jamais perdeu seu espaço no imaginário dos paulistanos. Em 1995, o escritor Marcos Rey (1925-1999) lançou O Último Mamífero do Martinelli, em que narra a história fictícia de um sujeito que se esconde nas obras do prédio.


Adoniran Barbosa e Elis Regina 1978



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