sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Brasil vive clima de transição

As pesquisas eleitorais estão mostrando

Por mais que pareça obvio, já que a vida está sempre em mutação, é evidente que há momentos que as mudanças são mais significativas, mesmo quando a gente não se dá conta disto.

As cartas estão na mesa e o jogo está em curso, ninguém sabe ainda qual será o resultado final, mas temos certeza de que sairemos destas eleições municipais com um outro Brasil e uma outra correlação de força partidária.

Estou há dois dias procurando nos jornais e na internet uma boa explicação para as pesquisas e não vi nada ainda que explique bem. A impressão é que todos estão perplexos. O povo, pelas pesquisas, está sinalizando que está deixando de ser “massa de manobra” de formadores de opinião e de políticos profissionais.

O clima eleitoral vai aumentar muito, refletindo na economia, no judiciário, na imprensa, nas campanhas salariais e no comportamento das pessoas.

Hoje nos jornais de São Paulo tem uma foto de Serra na Missa Católica. Um jornal diz até que ele chorou, se lembrando da mãe. Lágrimas de crocodilo. Serra vive atrás dos Evangélicos e dos padres católicos conservadores. Só que os pastores estão fazendo campanha para Russomano.

Quem tem sua dor é quem geme.

Conviver com a violência diária em São Paulo, quando até delegados e policiais estão sendo assassinados por bandidos; conviver com o transporte lotado e demorando horas para chegar ao trabalho, à escola ou em casa; conviver com escolas públicas precárias e com baixos salários e com os desafios da saúde pública deixa a população revoltada.
E eleições é hora de a população dar o troco.

Como dizia o velho Luiz Gonzaga, rei do baião:
“Setembro vem aí, tem safra de algodão...”
Este mês de setembro promete ser muito agitado e com muitos sinais de mudanças.

Tudo indica que em São Paulo teremos boas novidades.
Precisamos ter governantes que sejam mais trabalhadores, transparentes, coerentes, honestos e respeitosos com as pessoas.

Segurança é a questão mais importante para uma cidade.
E é o que menos temos atualmente.

Devemos estimular mudar para melhor,
sem violência e respeitando as pessoas comuns.

Este é um dos motivos que eu gosto de Dilma.
Ela administra para todos, respeitando as diferenças e exigindo resultados.
O Brasil precisa de mais pessoas como Dilma.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Japoneses Baianos e Brasileiros

Um outro Brasil é possível

Vivendo numa época que as notícias ruins se sobrepõem as notícias boas, tento compensar este desequilíbrio falando de flores e de música. E quando se fala de música e flores, é fácil lembrar do Japão. A Bahia lembra mais a música.

Mas, com a industrialização da Bahia, aumentou o número de japoneses morando em Salvador. Meu irmão, que morou no Japão por 11 anos, trouxe mais duas japonesas, que gostam de cantar e de flores.

Meu irmão é físico e professor universitário, mas a paixão mesmo é com música. Assim, resolveu juntar os japoneses e os baianos que moram em Salvador e gostam de música. Criaram um coral chamado Kosmos e um conjunto chamado Ateneu.

Ainda não são tão bons quanto a OSESP, mas fazem milagres nas terras baianas.

Vejam esta apresentação comemorando os 15 anos do Coral:




Coral Kosmos - 15 anos. Kampai! 乾杯
O coral Kosmos está completando, em 2012, 15 anos ininterruptos
cantando exclusivamente músicas japonesas, na terra do Axé.

Kampai é a palavra japonesa usada quando se brinda a alguma coisa: Saúde, Cheers, Santé, Prost.
É uma composição de Tsuyoshi Nagabuchi, e ao longo desse vídeo vemos fotos mostrando várias épocas com membros distintos, nos dois sentidos, desse coral, desde 1993 até 2012.
Kosmos é o nome de uma flor que floresce no outono, no Japão,
e também o nome de uma bela canção.

Coral Kosmos
Regente: Érika Sato
Sopranos: Érika Sato, Terezinha Onaga, Anna Tittl, Fusako Lariú
Contraltos: Gildete das Virgens, Kiyoko Sakamoto
Tenores: Thiago Prates, Ricardo Almeida
Baixo: Gildemar Carneiro

Ateneu Musical Osvaldo Devay de Souza
Violinos: Tiago Alves, Gabriel Dantas, Deodato Guimarães, Ogvalda Torres; Edson Soares, Enã Santos, Valter Bahia
Violoncelo e orquestração: Gildemar Carneiro
Clarinetas: Alan Moreno, Jorge Freitas
Trompete: Zízimo Fonseca
Teclado: Keiko Ribeiro

E agora veja o conjunto Ateneu ensaiando o Hino Nacional Brasileiro.


Japoneses-Baianos = Todos brasileiros.
Contribuindo por um mundo melhor.



Ouçam o Ateneu Musical, de Salvador, ensaiando o Hino Nacional para o Bon Odori de 2012, promovido pela Anisa - Salvador - Ba.
O Ateneu Musical é uma orquestra de amadores, aberta a quem queira participar, que se reúne todos os sábados das 15:30 às 18:00h para tocar livremente.
Se você mora em Salvador e quer participar, comunique-se.

Quando a gente era pequeno, os instrumentos acessíveis eram os da Filarmônica 30 de Junho de Serrinha-Bahia, que não tinha cordas. Tínhamos acessos também a sanfonas, violões e pandeiros. Com o passar do tempo, vemos que instrumentos de cordas estão se popularizando no Brasil.

Minha alegria em ver os meninos e meninas de Trancoso tocarem violinos só aumenta quando vejo os jovens de Salvador também tocando seus violinos e violoncelos.

Apesar do caos que a imprensa nos mostra diariamente,
existe um Brasil que se renova, que cresce
e que nos enche de orgulho.

Bancos falsificam créditos a militares

Banco Cruzeiro do Sul, Banco Santos...

A imprensa continua fazendo de conta que não sabe de nada. As matérias aparecerem de forma secundária. Importante mesmo é só o mensalão. Mas o assunto é muito sério! São bilhões de reais roubados. São mais de 8 bilhões apenas em três bancos. Cruzeiro do Sul, PanAmericano e Schain. Sem contar o Banco Santos e os demais.

O triste da matéria divulgada pelo jornal Valor é que a entidade dos militares é voltada para ajudar os militares músicos. É preciso esclarecer bem esta história. Músico não pode ser “laranja”. Nem entidades de músicos podem servir de fachada para operações ilícitas.

Sinais dos tempos...

Cruzeiro falsificou crédito a militar
Valor - 28/08/2012 às 00h00

No sétimo andar de um prédio na rua Sete de Setembro, número 71, no centro do Rio de Janeiro, foi originada a maior parte do R$ 1,3 bilhão de créditos fictícios encontrados pela fiscalização do Banco Central no Banco Cruzeiro do Sul, segundo apontam dados iniciais da auditoria feita na instituição. O endereço abriga a Associação Beneficente dos Músicos Militares do Brasil (Ambra), criada em 1930 para ajudar os militares e seus familiares, abatidos com a crise de 1929. Em seu site, a Ambra oferece aos militares descontos em faculdades, teatros, assistência funeral e residencial.

O Cruzeiro do Sul está sob intervenção do BC desde 4 de junho, depois de descobertas operações inexistentes de empréstimo consignado fechadas pelo banco. Os problemas no banco, que ainda não está livre da possibilidade de liquidação, somam R$ 3,1 bilhões.
O Valor apurou que os levantamentos iniciais da auditoria mostram que a maior parte dos empréstimos falsos teria sido criada em nome dos associados da Ambra, de acordo com duas fontes que participaram da inspeção.

Eram pessoas que não tinham tomado os empréstimos, mas, que na carteira do banco, apareciam como devedoras. Essas operações sem lastro começaram a ser feitas há pelo menos cinco anos. Por meio de um convênio com a Ambra, o Cruzeiro também fazia empréstimos reais com os associados.

Depois de criar esses empréstimos, o banco teria transferido o dinheiro dos créditos à associação. O destino final dos recursos, porém, ainda não é conhecido. É isso o que os próximos passos da investigação tentarão determinar daqui para a frente.
O caso tem chamado a atenção das autoridades pelo fato de gerar a suspeita de que houve desvio de recursos do banco por meio das próprias operações supostamente falsas. Dessa forma, os créditos fictícios não teriam sido criados apenas para inflar o ativo do banco e gerar resultado aos acionistas.

É algo diferente do que ocorreu no caso do PanAmericano, que tinha um rombo de R$ 4,3 bilhões. No banco que foi controlado pelo empresário Silvio Santos, o Ministério Público apontou que os desvios de recursos ocorreram principalmente por meio de bônus pagos aos executivos em cima de resultados inflados.

Não é a primeira vez que o nome da Ambra surge ligado a fraudes em bancos. A associação dos músicos militares apareceu envolvida no escândalo do Banco Santos, que quebrou em 2005. A investigação mostrou que a Ambra recebeu R$ 49,5 milhões desviados do Santos.

Não é de hoje também que os caminhos de Cruzeiro do Sul e Banco Santos se cruzam.

Luis Felippe e Luis Octavio Indio da Costa, ex-controladores do Cruzeiro, respondem desde 2008 na Justiça a um processo por desvio de recursos da instituição do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira e lavagem de dinheiro.

Procurados pela reportagem ontem, Luis Felippe e Luis Octavio Indio da Costa, não retornaram o pedido de entrevista até o fechamento desta edição. A reportagem não conseguiu contato com a Ambra.

Hoje, encerra-se o primeiro prazo para os investidores em títulos externos do Cruzeiro do Sul aderirem ao plano de reestruturação do banco. O Fundo Garantidor de Créditos propõe recomprar R$ 3,3 bilhões em papéis com um deságio médio de 49,3%. Igual proposta foi feita a investidores locais. Se houver adesão de 90% dos credores, o banco será colocado à venda.

Caso os processos não vinguem, o banco será liquidado.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Manacá da Rua Girassol

A Vila Madalena e suas flores

Sempre que passo na esquina da Rua Girassol com a Rua Wisard fico olhando para o pé de Manacá todo florido.

Seja no dia a dia quando volto para casa e vou comprar o pão, ou seja no fim de semana quando conseguimos dar uma fugida até o Restaurante Saj, comida libanesa simples e de qualidade.

O manacá está sempre lá. Finalmente, consegui tirar umas fotos.

As flores não ficaram tão bonitas como são na realidade. Mas, dá para ter uma ideia do charme desta esquina da Vila Madalena.



Vejam esta outra foto com muitas e muitas flores.




E perto deste manacá florido, ainda existe o “Herói da Resistência”.
O pequeno pé de Ipê amarelo, na calçada entre um bar (parece que fechado) e a entrada de um prédio em construção.
Este sim, uma verdadeira ameaça à sobrevivência do pé de Ipê.


As pequenas flores, quase que não conseguimos vê-las de tantos fios que cortam nossas ruas. Os fios poderiam ser subterrâneos, para não poluir a imagem. E os prédios poderiam ser melhor regulamentados. Os prédios matam a beleza da nossa cidade.

E pensar que, só na nossa pequena rua, temos cinco pés de Ipê?
Ainda bem que ainda não se constrói prédios em nossa rua.

Greve e Segurança Pública

Olho por Olho

Como estive em Brasília ontem, não tive tempo de ler os jornais. Hoje, quando eu postei o texto sobre “Greves Traumáticas”, foi mais refletindo as mensagens que tinha recebido sobre os momentos finais das greves e das negociações, do que as leituras nos jornais.

Quando eu abordei a possibilidade de Dilma e o Congresso definirem uma regulamentação das greves nos serviços públicos, não tinha lido esta matéria no jornal Valor.

Acho importante que os sindicalistas e as pessoas interessadas leiam com atenção. Estava escrito nas estrelas...

Governo prepara lei de greve para setor público

Valor - 28/08/2012

Diante da crise provocada pela paralisação de muitas categorias do funcionalismo, a presidente Dilma Rousseff tomou a decisão política de tentar aprovar uma lei que regulamente as greves no setor público. A investida deve começar depois que as negociações sobre o reajuste salarial dos servidores forem concluídas e do envio da proposta de lei orçamentária para 2013 ao Congresso.

A iniciativa enfrentará novas resistências das centrais sindicais e parlamentares de partidos da base aliada ligados aos trabalhadores. O Executivo, entretanto, deve contar com o apoio da oposição no Congresso. E aposta na rejeição da população às greves para obter o respaldo da opinião pública e levar a ideia adiante.

Apesar da sinalização de Dilma, a proposta do Executivo ainda está em fase de elaboração. Num movimento para pacificar entendimentos da Justiça e uniformizar a legislação existente sobre o assunto, a ideia do governo é proibir paralisações de categorias armadas e garantir que serviços essenciais à população sejam mantidos pelo menos por uma parcela dos servidores responsáveis pela execução dessas atividades.

A lista de serviços considerados essenciais pelo governo abrange 24 áreas. Pelo projeto, os servidores terão de manter em funcionamento a distribuição de energia elétrica e gás, o abastecimento de água, as telecomunicações, a inspeção agropecuária, a arrecadação, o controle de fronteiras e do tráfego aéreo e a inspeção de estabelecimentos industriais e comerciais.

A presidente quer regulamentar o corte do ponto dos grevistas, assim como incluir no projeto a possibilidade de substituição dos grevistas por outros trabalhadores. Essa última medida já está prevista em decreto editado recentemente. "Tem que ter uma lei. Do jeito que está hoje o sujeito acha que pode ficar 60 dias em greve e acha absurdo o governo cortar o ponto", comentou uma autoridade do governo.

"Se os servidores tiverem só direitos e não deveres, aí fica difícil".


Greves Traumáticas

Jogo de perde-perde

Ontem em Brasília vi um jornal com a manchete; Servidores terão reajustes de 17 a 34%. Aparentemente é um grande reajuste e uma grande conquista.

Quando vamos conversar com os grevistas eles dizem que é pouco por que serão aplicados em três anos. Quando conversamos com o governo, eles dizem que foi uma canseira, ter que negociar com o clima tão tenso. Quando ouvimos à população, a maioria ficou contra os grevistas.

Quando olhamos para a Imprensa, vemos que ela ajudou a divulgar a greve, como forma de desgastar o governo Dilma e enfraquece-la nesta campanha eleitoral. A imprensa faz campanha contra o governo Dilma. Jamais fez contra o governo Fernando Henrique. Pelo contrário, estimulou o arrocho salarial, dez anos sem reajuste, estimulou as demissões com PDV, e as privatizões que empobreceram milhares de pessoas. Nossa imprensa tem lado...

Eu vejo tudo isto com muita apreensão.


Este clima de perde-perde pode levar o Governo e o Congresso Nacional a terem que regulamentar as greves no serviço público e a tendência é criar dificuldades para as greves futuras. Os sindicalistas tenderão a dizer que o governo Dilma endureceu igual à ditadura, e a imprensa vai continuar comemorando o desgaste do governo.

Este processo todo, mesmo tendo como interlocutor o brilhante economista do Dieese, Sérgio Mendonça, também serviu para desgastá-lo perante os grevistas, que são os patrões dos funcionários do Dieese. Perante o governo Serginho está prestigiado. Eu continuo gostando muito de Serginho e reconheço que ele foi para o sacrifício. Alguém precisava ir...

Leiam esta matéria da Folha e, com o passar dos dias, vamos ver como vai ficar.

Mas que ficou muita gente sentida, com certeza ficou. Vamos aprender com a História para não repetir erros primários...

Policiais rodoviários e mais 20 categorias colocam fim à greve

Acordo firmado com o governo prevê aumentar a folha de pagamento em até 15,8% nos três próximos anos
Ministério agora tenta a adesão de categorias que ainda resistem, como policiais federais e auditores fiscais

DE BRASÍLIA - Folha - 29/08/2012

Policiais rodoviários federais e outras 20 categorias de servidores públicos da União aceitaram ontem a oferta de reajuste salarial feita pelo governo. A PRF promete retorno imediato ao trabalho.
Além de policiais rodoviários, servidores do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), fiscais agropecuários e 18 categorias representadas pela Condsef (Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal) oficializaram ontem o pacto.

O Ministério do Planejamento espera fechar acordo com outras categorias até o dia 31, data-limite para envio do Orçamento ao Congresso.
"As sinalizações que nós temos (...) são de que mais de 90% dos servidores públicos do Executivo civil assinarão o acordo com o governo", disse o secretário de Relações do Trabalho, Sérgio Mendonça.

A proposta do governo é de reajustes que não ultrapassem o incremento de 15,8% na folha salarial de cada categoria.
As categorias ligadas à Condsef são compostas por 510 mil trabalhadores, ativos e inativos -pouco menos de 50% da folha de pagamento civil.
"Segunda-feira, todo mundo retorna [ao trabalho]", diz Josemilton Costa, coordenador-geral da confederação.
"[O acordo] Não atende às expectativas, mas é preciso considerar o cenário internacional", afirma Pedro Cavalcanti, presidente da FenaPRF (Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais).

Apesar do teto de 15,8% de aumento da folha salarial por categoria, dentro dela, os índices podem variar. No caso das categorias ligadas à Condsef, eles irão de 14,3% a 37%. Além disso, houve aumento do vale-alimentação e do auxílio-saúde. O impacto da oferta é de R$ 3,9 bilhões.

GREVE MANTIDA
Auditores fiscais, agentes, papiloscopistas (especialistas em identificação) e escrivães da Polícia Federal indicaram que manterão a greve. "Com quem decidiu não assinar voltaremos a discutir no ano que vem com impactos para 2014", diz Mendonça.
O governo diz que vai definir um plano de reposição das horas não trabalhadas. Com isso, 11.495 servidores que tiveram o ponto cortado em julho poderão receber pelos dias que ficaram parados.

Clima Seco e Gripe

Parada forçada

Não sei como as plantas estão aguentando o clima tão seco, mas as pessoas estão ficando doente. A gripe me derrubou na segunda-feira e ontem, mesmo tendo que ir para Brasília, a gripe acompanhou-me dia e noite.

Com a gripe e a sinusite atacando para valer, não consegui nem pensar nem ter força física para sentar em frente ao computador e escrever uma mensagem para o dia de ontem.

Pela primeira vez ficamos sem matéria do dia. Mesmo quando viajo de férias deixo as matérias programadas. Mas nesta segunda-feira ao chegar em casa fui direto para cama.

Vim direto do aeroporto para o Centro. São Paulo continua com um trânsito infernal. Agora vou tentar, mesmo com a gripe, limpar os e-mails e escrever uma matéria leve.

Procurei os pés de Ipê floridos de Brasília, mas já tinham acabado.
Lá eles florescem mais cedo. Aqui os pês de Ipê amarelos estão cada vez mais floridos e os sabiás cada vez cantando mais, apesar da seca.

Para os amigos que acompanham meus textos, peço mil desculpas por não postar nada ontem, mas a doença é sempre uma surpresa.


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Furar oligopólios é o grande desafio

Seja oligopólio dos Bancos ou das Montadoras

Uma das formas de as economias nacionais crescerem solidamente é constituindo grandes oligopólios para concorrerem no mercado internacional. O BNDES é o principal banco brasileiro para investir nos “oligopólios brasileiros”.

Mas, quando as empresas estrangeiras querem entrar no mercado brasileiro, elas também enfrentam os oligopólios setoriais delas e dos Bancos que atuam no Brasil. A alternativa passa a ser – criar bancos no Brasil ou ficar dependendo do mercado internacional, que não anda bom.

Os asiáticos, que resolveram disputar o mercado internacional, já decidiram o quê vaão fazer no Brasil:

Asiáticas abrem 'banco' para enfrentar outras montadoras

Anúncio de fábricas no país permite dar financiamento próprio a clientes
Cerca de metade dos veículos é vendida em parcelas; empresas estimam aumento de até 40% nos negócios

Folha – 26/08/2012
GABRIEL BALDOCCHI - DE SÃO PAULO
EDUARDO SODRÉ - EDITOR-ADJUNTO DE VEÍCULOS

Mais do que a chance de conseguir uma redução tributária, os anúncios de construção de fábricas no Brasil abriu às montadoras asiáticas a possibilidade de criar serviços financeiros próprios no país, ferramenta essencial para disputar com as grandes do mercado.

Além de importante fonte para escoar a produção, os chamados bancos de montadoras servem como uma espécie de seguro para contornar momentos de retração no crédito para veículos, uma das principais causas da crise do setor no início do ano.

Luis Curi, presidente-executivo da chinesa Chery, afirma que o serviço financeiro próprio teria ajudado a empresa a vender mais no primeiro semestre. "Tranquilamente de 30% a 40% a mais. Sem sombra de dúvidas", diz.

Metade das vendas de carros e comerciais leves é financiada no país. Para os carros populares, os de maior volume, o índice chega a 70% dos negócios.
No setor, a criação de um serviço financeiro exclusivo chega a ser comparada à divulgação do novo regime automotivo.

O texto é aguardado há meses pelos importadores porque definirá o alívio do adicional dos 30 pontos percentuais de IPI (Imposto sobre Produtos Importados) às estrangeiras que iniciarem a produção no país.

Com a fábrica pronta, a coreana Hyundai fechou parceria com o Santander para financiar as vendas do compacto HB20, com previsão de estreia para este ano.
O grupo CN Auto, importador das vans Hafei Towner e Jinbei Topic, está em negociações avançadas com três bancos e espera ter o Banco CN Auto em operação dentro de 30 dias.

As conversas começaram após o anúncio oficial de projeto para a construção de uma unidade fabril em Linhares, no Espírito Santo.

GARANTIA
O plano de instalação de uma indústria no país oferece garantia para a consolidação do negócio com as instituições financeiras.
"O anúncio de fábrica dá uma tranquilidade maior para a instituição financeira. Dá uma segurança para o banco você ter o longo prazo", afirma o diretor comercial da CN Auto, Humberto Gandolpho Filho.
A Chery negocia com quatro grandes bancos do país, entre públicos e privados. A previsão é anunciar o novo serviço em setembro.
A Districar, importadora de marcas como SsangYong, também estuda a parceria.

Nosso jasmim começou a florir

Como se fosse o primeiro dente

Ontem, preocupados com o clima seco, começamos a molhar todas as plantas no final da tarde. Na medida em que molhávamos, o aroma da terra molhada subia e o clima mudava. Com cuidado também molhamos as folhas das plantas e também molhamos os pisos de cimento.

Como querendo retribuir nosso gesto, de repente, quando olhamos para o grande pé de Jasmim descobrimos que existia uma flor branca do jasmim.

Uma única flor, como fosse o primeiro dente de uma criança.
No ano passado, o jasmim floriu mesmo foi no mês de setembro. Como já estamos no final de agosto, começam a aparecer as flores e no mês de setembro elas serão muitas.

Vejam a primeira flor do nosso jasmim do quintal.



Agora vejam o pé de jasmim tomando só. Este é o lado oposto da flor.
Um lado pega sol pela manhã e o outro lado pega o sol da tarde.
Pena que seja por pouco tempo. O sol é fundamental para as flores.



E esta flor de jasmim da nossa vizinha. É um outro tipo, com folhas largas e fortes. Este floresce mais cedo do que o nosso. As flores são parecidas, mas a planta é diferente.



Estas flores da nossa vizinha são de 19 de agosto
e eu as fotografei por cima do nosso muro.
Na Fradique Coutinho também já começaram a surgir as flores
de um jasmim que mostrei no ano passado.

Com as flores do jasmim e do ipê amarelo os sabiás cantam com mais intensidade e durante todo o dia.

Estamos chegando a setembro, como as flores, esperamos que chova e que o Brasil melhore no noticiário. Nos jornais aparecem mais tragédias do que notícias de flores e alegrias.

domingo, 26 de agosto de 2012

Mais um Banco com fraude de 1,1 bi

Desta vez é o Banco Schain

Bancos como Cruzeiro do Sul, PanAmericano e Schahin somam mais de 8 bilhões em fraudes, roubos e sonegações. A imprensa só destaca corrupção de políticos. Perto do que os Bancos fazem, os políticos são ladrões de galinha.

Como dizia Adoniran Barbosa: “Que tristeza...”
Será que os envolvidos vão para a Cadeia?
“É mais fácil um elefante voar...”

BC e MP investigam o Schahin, 4º banco quebrado com fraudes em dois anos

Banco tinha rombo de aproximadamente R$ 1,1 bilhão, resultado de fraudes e outras irregularidades semelhantes às do Panamericano e do Cruzeiro do Sul.

25 de agosto de 2012 | 20h 20 - David Friedlander e Leandro Modé, O Estado de S. Paulo

Um ano depois da venda do banco Schahin para o BMG, começa a vir à tona mais um escândalo no sistema financeiro. O Schahin tinha um rombo de aproximadamente R$ 1,1 bilhão, resultado de fraudes e outras irregularidades semelhantes às do Panamericano e do Cruzeiro do Sul. O caso está sendo investigado pelo Banco Central, pelo Ministério Público e pela Polícia Federal.

VEJA TAMBÉM
• Lista de bancos problemáticos só cresce

O banco pertencia à família Schahin, dona de um tradicional grupo empresarial brasileiro, com atuação em várias áreas e contratos bilionários com a Petrobrás. Era uma instituição de pequeno porte, desconhecida do grande público, com foco em crédito consignado e no financiamento de veículos usados.

Segundo a apuração do BC, a instituição mentia sobre seus números. Inflava os balanços com créditos duvidosos para esconder suas dificuldades e fingir que era saudável. Além disso, concedia empréstimos a empresas do mesmo grupo, o que é proibido.

O balanço fechado em julho de 2011, já após a venda para o BMG, apontou um patrimônio líquido negativo de R$ 1,3 bilhão. Muito diferente dos R$ 229 milhões positivos apresentados ao público em março do mesmo ano, quando a instituição ainda pertencia ao grupo Schahin.

Com esse roteiro, tornou-se a quinta instituição financeira de pequeno e médio porte a quebrar em menos de dois anos no País. As apurações do BC mostraram que ao menos quatro delas eram ninhos de fraudes e outras irregularidades: Panamericano, Morada, Cruzeiro do Sul e o próprio Schahin.
O BC abriu um processo administrativo para apurar as responsabilidades. Os ex-controladores do Schahin apresentaram defesa.

Ainda não houve conclusão, mas o BC já fez ao menos duas comunicações ao Ministério Público Federal em São Paulo.

A primeira é de maio.
No documento, o BC comunica que seu departamento de supervisão verificou a existência de irregularidades no Schahin. O BC aponta "consistente elevação de resultados mediante operações simuladas, registros de ativos insubsistentes, demonstrações contábeis não fidedignas, abstenção de providência no interesse da instituição financeira e concessão de empréstimo vedado". A documentação foi remetida pelo MP à Polícia Federal.

A segunda comunicação
chegou ao MP em 13 de agosto e trata especificamente dos auditores responsáveis pelos balanços do Schahin.

Essa mesma correspondência foi enviada pelo BC ao Conselho Federal de Contabilidade, que está apurando o caso.

Os ex-controladores do banco Schahin não quiseram se manifestar.
Enviaram uma nota, na qual afirmam que têm divergências "quanto ao entendimento do Banco Central" sobre as operações sob suspeita e desconhecem qualquer apuração do Ministério Público e da PF. Procurados, o BC e o Ministério Público não se pronunciaram.

sábado, 25 de agosto de 2012

Música nova na Praça

Fernanda Takai vem aí

Vejam o texto que saiu na Rede Brasil Atual e hoje também saiu um texto no Estadão.

Fernanda Takai e Andy Summers unem talentos pelo amor à Bossa Nova


Por: Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual publicado dia 23/08/2012

“Vou te contar / Os olhos já não podem ver / Coisas que só o coração pode entender / Fundamental é mesmo o amor / É impossível ser feliz sozinho...”, cantava Antonio Carlos Jobim, em “Wave”, canção-título do álbum de 1967. Quarenta e cinco anos depois, a cantora brasileira Fernanda Takai, vocalista do Pato Fu, encontra o compositor britânico Andy Summers, guitarrista do The Police, no ótimo álbum chamado justamente... “Fundamental”, que conta com 11 canções inéditas, sendo cinco em português e seis em inglês, que prestam uma homenagem à Bossa Nova.

O álbum começa em grande estilo, com a gostosa faixa-título, que parece uma releitura dos clássicos compostos por Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli na primeira fase da Bossa Nova: “Você tentou / Mal disfarçou / Sua verdade / A porta se abriu / E não se viu / Sinceridade / Você insistiu / Mas não conseguiu / Não convenceu”.

A faixa seguinte, “Pra Não Esquecer” conta com um deslumbrante solo de Andy Summer, acompanhado pela potência percussionista de Marcos Suzano. A doce balada “Sorte no Amor” certamente cairia tão bem na voz de Nara Leão, como acontece com a de Fernanda Takai: “Numa doce entrega / Tudo é mais real / Bate um coração de paixão / O amor ideal”. E “No Mesmo Lugar” remete à histórica interpretação de Sylvia Telles para “Discussão”, de Tom Jobim e Newton Mendonça.

Dentre as faixas em inglês, “Falling From The Blue” lembra o repertório da cantora norte-americana Suzanne Vega (outra amante de Bossa Nova) e é pontuada pela percussão de Marcos Suzano e pelo baixo de Abraham Laboriel. A melhor canção é “Skin Deep”, que mistura momentos mais cândidos com outros de uma salutar alegria.

A alegria permanece com a animada “Smile And Blue Sky Me”. “I Don’t Love You” mistura o clima ensolarado com a suavidade, e a batida da percussão com efeitos eletrônicos, como pede a boa new bossa nova, ou o electronic samba. E o álbum termina com a cool “Human Kind”, como um grande standard do jazz.

No release, a jornalista e radialista Patrícia Palumbo aponta que quem uniu Fernanda Takai e Andy Summers foi o compositor, produtor e violonista Roberto Menescal, apontado como um dos criadores da Bossa Nova. Ele, que foi grande companheiro musical de Nara Leão, tocou guitarra na canção “Insensatez”, do álbum “Onde Brilhem Os Olhos Seus”, em que Fernanda Takai interpreta o repertório de Nara, e mostrou o álbum para Andy Summers, com quem havia feito o disco “United Kingdom of Ipanema”.

O britânico ficou tão alucinado com o que ouviu que compôs as 11 canções para a brasileira. John Ulhoa – guitarrista do Pato Fu e marido de Fernanda – traduziu duas delas: “Fundamental” (com Fernanda Takai) e “No Mesmo Lugar”; e Zélia Duncan outras três: “Pra Não Esquecer”, “Chuva no Oceano” e “Sorte no Amor” (essas duas com Fernanda Takai). “Um obrigado muito especial a Roberto Menescal que proporcionou nosso encontro numa noite chuvosa na Barra da Tijuca e foi a inspiração para estas canções”, agradece Andy Summers.

Fernanda Takai e Andy Summers pertencem a gerações e culturas diferentes, mas ambos foram marcados pelo amor à Bossa Nova e o encontro dos dois é um deslumbre para o atual momento da música brasileira. Destaque também para o belo projeto gráfico de Andrea Costa Gomes que mostra uma ilustração de Júlio Reis com os dois artistas caminhando na beira do mar num dia ensolarado.
guibryan1@redebrasilatual.com.br

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Política, Economia, Guerras e Imprensa

As Pessoas e a Verdade ficam para segundo plano

Mais um bom texto de Luis Carlos Mendonça de Barros na Folha de hoje. Deveriam indica-lo para o Conselho Editorial ou de Administração, talvez aumentasse a proporção daqueles que querem que a Folha volte a ser “o maior e o melhor jornal do Brasil” e deixasse de viver do passado. Ou eu estou vivendo do passado?

Mas Mendonça de Barros nos lembra que a Europa deverá esperar as eleições da Alemanha, como o mundo está esperando as eleições americanas. Até lá europeus da Espanha, Grécia, Itália e outros países continuarão desempregados e passando necessidades. É o preço.

Lembrei-me do grande filme Espártaco, onde o general-senador deixou milhares de romanos morrerem na luta contra os gladiadores, esperando que o Senado entrasse em desespero e lhe outorgasse o Poder Ditatorial. O que acabou acontecendo.

Lembrei-me também de um ótimo livro chamado “A Primeira Vítima”, uma tese de um jornalista britânico onde provava que na Guerra, a primeira vítima é a verdade. No julgamento do “mensalão”, estamos vivendo um bom exemplo brasileiro.

Enfim, é mais leve ler sobre a tragédia dos outros do que sobre as nossas próprias tragédias.

Vejam o bom texto de Luis Carlos Mendonça de Barros:

A política comanda a economia

Folha – 24/08/2012 – Luis Carlos Mendonça de Barros

Reformas estruturais mais duradouras na zona do euro devem ficar mesmo para depois das eleições alemãs

Faz cinco anos que o mundo vive sob o impacto de uma das crises econômicas mais graves que a humanidade conheceu.

Em países como Espanha e Grécia, a taxa de desemprego de hoje é igual à que ocorria nos Estados Unidos no auge da Grande Depressão dos anos 1930. No caso da Grécia, projeta-se que mais de 30% da população ativa estará desempregada no próximo ano. Certamente um recorde mundial.

Na minha coluna anterior, trouxe ao leitor da Folha um cronograma detalhado dos fatos que compõem a crônica destes dias terríveis nos países mais ricos do mundo. Hoje, gostaria de refletir sobre o que podemos esperar nos próximos meses e, principalmente, no início de 2013, nas economias avançadas que estão no centro desse longevo furacão econômico.

Uma primeira observação que se impõe ao analista é a de que, antes de chegar aos fenômenos econômicos em si, é preciso ter em conta a situação política nos países mais diretamente envolvidos. Vou mais longe nesta minha observação: para acompanhar e projetar a economia mundial no futuro próximo, é preciso conhecer a dinâmica política das democracias ocidentais e, principalmente, o padrão de comportamento das lideranças que formam os governos desses países. Daí a dificuldade de um grande número de analistas em acompanhar a economia nos últimos meses.

Podemos notar uma característica de ciclotimia no comportamento dos agentes econômicos, que oscila entre momentos de pânico associado a um fim de mundo próximo e momentos de maior estabilidade e confiança no futuro. Para mim, a origem desse comportamento vem exatamente do domínio da política sobre a teoria econômica no encaminhamento da crise.

Tomemos o exemplo da chanceler alemã, Angela Merkel,

a mais poderosa mulher no mundo de hoje.

Todos sabem que a Alemanha é a peça-chave na equação econômica -e política- da zona do euro e que depende de seus dirigentes a continuidade da União Europeia nos padrões de hoje ou uma ruptura estrutural no seu conceito original.

Pois eu vinha notando uma mudança sutil -mas radical- nas declarações de Merkel em relação, principalmente, à possibilidade de o BCE intervir no mercado comprando títulos soberanos dos países vistos como mais frágeis.

Essa decisão é considerada por vários analistas como a única com poder suficiente para estabilizar os juros dos papéis soberanos de Espanha, Itália, Portugal e outros. Pois na semana passada, em uma bucólica viagem de Estado ao Canadá, a chanceler alemã deu uma clara declaração de apoio entusiasmado ao presidente do BCE, o italiano Mario Draghi.

Minhas incertezas em relação ao porquê do apoio de Merkel ao ousado plano do BCE -irresponsável, na opinião do Bundesbank- deixaram de existir quando, no fim de semana seguinte, li na internet um artigo fantástico de um analista político europeu associando essa mudança de 180 graus a um fato que tinha me escapado: a Alemanha terá eleições para seu Parlamento no ano que vem. E Merkel é candidatíssima a um terceiro mandato como chanceler da Alemanha.

Nessas condições, a única alternativa que se apresenta a ela é manter a crise na Europa sob controle via ações pontuais de apoio aos países na marca do pênalti. Ou seja, não há mais espaço de tempo até as eleições alemãs para grandes soluções estruturais sem que a chanceler incorra em altíssimos riscos eleitorais.

E o único e grande aliado de Merkel nessa busca para levar a crise em banho-maria até o ano que vem é Draghi. Com o BCE comprando, no mercado, títulos de prazos menores sem limite de valor, o Fundo Europeu de Estabilização poderá dar conta das necessidades financeiras dos países em dificuldades, inclusive a Itália.

Nesse cenário, haverá redução importante dos riscos de colapso financeiro e os mercados devem voltar a viver dias menos agitados, apesar de um cenário econômico difícil devido ao crescimento econômico ainda de recessão.

Reformas estruturais mais duradouras na zona do euro
devem ficar mesmo para depois das eleições alemãs.

Nota do Blog: E depois das eleições americanas.

4,3 bilhões roubados no PanAmericano

O pior cego é o quê não quer ver

Eu respeito muito a experiência de Miriam Leitão. Mas hoje ela comentou na CBN que este governo (Lula e Dilma) é mais complacente ou tolerante com os banqueiros que fazem falcatruas do que o anterior (FHC). Foi uma informação “não pensada”. Ela sabe que não é verdade. Ela anda fazendo comentários muito sensatos, mas desta vez, ela escorregou.

Ela sabe que a impunidade no sistema financeiro sempre foi regra. Ela falou do Banco Nacional. Este foi um escândalo onde muitos perderam e poucos ganharam. Este raciocínio vale também para todos os outros casos, incluindo o Bamerindus e os bancos estaduais que foram privatizados com valores subestimados, como o Banespa.

Para punir os que participam da impunidade nos Bancos,
é preciso começar pelas empresas de AUDITORIAS, nacionais e internacionais.
Depois, dar condições e exigir mais efetividade do Banco Central e não deixar os políticos se meterem nos bancos. Aí o Banco Central pega todos os profissionais de mutretas...

Todos os casos de bancos com problemas têm contribuições efetivas de políticos graúdos.

Lembram do Banco Santos? Lembram quem estava por trás do Banco Santos?

Agora querem transferir o desgoverno do PanAmericano para a CEF.


A Caixa recebeu documentação com parecer favorável tanto das Auditorias como do Banco Central. Então, devemos punir a CEF por ela ter confiado nas instituições?
Triste Brasil.

Ainda bem que depois das eleições municipais, Dilma vai apresentar um projeto de modernização do judiciário brasileiro.
Para isto, vai contar com o apoio de muita gente honesta e trabalhadora.
Precisamos acabar com esta legislação que facilita para os trambiqueiros e os que têm dinheiro para pagar bons advogados.

Como as flores esperam sua época certa, o Brasil também verá florir uma nova legislação. Espero que não demore, senão vão aparecer mais bancos com contabilidade “maquiada” e pareceres favoráveis das Auditorias.

Vejam as notícias de hoje:

MP denuncia 17 pessoas no caso PanAmericano


Valor – 24/08/2012.
O Ministério Público Federal apresentou à Justiça anteontem uma denúncia contra 14 ex-diretores e 3 ex-funcionários do banco PanAmericano, com base na lei que trata de crimes contra o sistema financeiro.

Em 2010, o Banco Central detectou um rombo de R$ 4,3 bilhões na instituição que era controlada pelo empresário Silvio Santos.

E na Folha de São Paulo:

Procurador leva 17 à Justiça por rombo no PanAmericano


Ex-presidente do grupo afirma que provará sua inocência;
advogados não comentam denúncia
DE SÃO PAULO – Folha – 24/08/2012

O Ministério Público Federal em São Paulo denunciou 17 ex-diretores e ex-funcionários do Banco PanAmericano sob acusação de crimes contra o sistema financeiro.

As fraudes listadas incluem maquiagem de balanço e levaram a um rombo de R$ 3,8 bilhões em 2010. A denúncia foi apresentada ontem à 6ª Vara Criminal da Justiça Federal pelo procurador Rodrigo Fraga, seis meses após o fim das investigações da Polícia Federal.

Entre os denunciados estão Luiz Sandoval, ex-presidente do Grupo Silvio Santos, que foi indiciado pela PF por formação de quadrilha e por prestar informações falsas.
Também foram denunciados Rafael Palladino (ex-presidente do banco), Wilson de Aro (ex-diretor financeiro), Adalberto Saviolli (ex-diretor de crédito), entre outros indiciados pela PF sob suspeita de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta.

Luiz Sandoval disse estar confiante de que terá mais chance de defesa na Justiça. "Não participei da fraudes e a Polícia Federal reconheceu isso", disse. Os advogados de Palladino, De Aro e Saviolli não quiseram comentar porque não tiveram acesso à denúncia.

A denúncia acusa também o banco de vender a mesma carteira de crédito para mais de uma instituição, mantendo, no entanto, os créditos no balanço.

Além disso, os ex-executivos são acusados de receber "por fora" por serviços que não teriam sido prestados.

No total, cerca de R$ 100 milhões foram pagos como "bônus", segundo investigações. Parte desse dinheiro foi parar no caixa de partidos políticos, como revelou a Folha na ocasião.


Imprensa e Liberdade de Opinião

O bom e o mau jornalismo

Vinha descendo a Rua Consolação, olhando as flores das árvores do canteiro central e ouvindo o noticiário da Rádio Bandeirantes. Gosto muito do jeito informal de Boechat tocar o programa. Gosto da equipe e dos comentaristas internacionais.

Boechat faz críticas ácidas aos políticos e governantes, mas faz com um jeito de Cidadão que é prejudicado com a forma como se governa este país. A gente pode até achar que ele “generaliza”, mas o sistema faz jus às críticas.

Acho que as críticas que Boechat faz aos grevistas, principalmente ao pessoal da área de saúde e de segurança, são pertinentes.

Mas, de repente não mais que de repente, aparece uma voz sisuda dizendo: EDITORIAL. E solenemente, como se fosse um Inquisidor da Velha Espanha, faz uma leitura de conteúdo FASCISTA, pior do que no tempo da ditadura militar. Coisa de inquisição.

Boechat, educadamente, não comentou o tal do Editorial do Grupo Bandeirantes.
Afinal, era a voz do patrão. Mas o silêncio de Boechat pode significar concordância ou conivência.

Boechat pode ser libertário, conclamar o povo a não votar ou à desobediência civil, mas ninguém jamais poderá dizer que Boechat seja fascista.

Já as pessoas que escreveram e bancaram o conteúdo do Editorial do Grupo Bandeirantes, são fascistas.

Pela responsabilidade que o Grupo Bandeirantes tem com uma concessão pública, não pode alegar que foi um jornalista ou advogado desavisado quem fez o Editorial. Os donos respondem politica e juridicamente.

Como dizia o funcionário do Grupo Bandeirantes: É uma Vergonha!

Com tristeza, despois de ouvir o Editorial, apertei o botão do rádio, deixando de ouvir a voz agradável de Boechat e desci a Rua da Consolação ouvindo o disco de Paulo Moura com Yamandu Costa, tocando “Saxofone por que choras?”.


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Pão de Açúcar - Agora é oficial

Vitória do Casino e da Folha-UOL

O crepúsculo aconteceu e agora Abilio reina, mas não governa.
O Brasil perdeu mais uma na sua historia de “complexo de vira-lata”.
Constrói riquezas para vender barato para os estrangeiros.
Logo, logo o Casino vai ganhar mais dinheiro no Brasil do que na França.
Igual ao Santander.

Vejam a matéria comemorativa da UOL-Folha.
Ainda não vi nada no site do Estadão.
Triste país...

Casino assume oficialmente o controle do Grupo Pão de Açúcar


Do UOL, em São Paulo – 23/08/2012

O Casino assumiu oficialmente nesta quarta-feira (22) o controle do capital votante do grupo Pão de Açúcar A família Diniz exerceu a opção de venda de um milhão de ações com direito a voto da Wilkes, empresa que controla a maior rede varejista brasileira, segundo informou o grupo francês nesta quinta-feira (23), em comunicado.

O empresário Abilio Diniz anunciou no começo do mês que venderia 2,4% do capital acionário da Wilkes ao Casino. O valor da operação foi avaliado em US$ 10,5 milhões.

Com o exercício desta primeira opção de venda por Diniz, conforme previsto em acordo de acionistas assinado em 2006, o grupo francês elevará sua participação acionária na Wilkes para 52,4%, passando a ser o sócio majoritário da companhia e concluindo o processo de transferência de controle iniciado em 22 de junho.

O empresário brasileiro ficará com os 47,6% restantes, além de seguir como presidente do conselho de administração do Pão de Açúcar.
A segunda opção de venda poderá ser exercida no prazo de oito anos a partir de junho de 2014.

Em 22 de junho,
o presidente-executivo e do conselho do Casino, o francês Jean-Charles Naouri, foi eleito como novo chairman da Wilkes, ocupando a posição antes pertencente a Diniz.
Troca de comando era esperada desde 2006
Essa mudança de comando já era esperada desde 2006, quando o Casino comprou o controle do Grupo Pão de Açúcar, e foi definido que o comando seria transferido ao grupo francês em junho de 2012. O Casino investiu pela primeira vez no Pão de Açúcar em 1999, quando resgatou o grupo de dificuldades.

Porém, a disputa pelo controle da rede varejista ganhou os holofotes no ano passado: Abilio Diniz tentou romper o acordo ao propor uma fusão da companhia brasileira com o arquirrival do Casino, o Carrefour. O Casino, como esperado, vetou o negócio.
Em março, o Casino já tinha anunciado que pretendia usar os mecanismos necessários para assumir o controle exclusivo do grupo. Em maio, o Casino anunciou oficialmente que exerceu a opção que permite assumir o controle da companhia.

Proposta de fusão com Carrefour fracassou
No ano passado, o Pão de Açúcar foi objeto de uma intensa batalha entre o grupo Casino e Abilio Diniz, que tentou se aliar ao Carrefour, concorrente direto do Casino. A ofensiva da parte brasileira terminou em fracasso.
O plano de fusão, revelado em 28 de junho, previa a união dos dois maiores grupos de distribuição brasileiros --o Pão de Açúcar e o Carrefour Brasil-- para criar um gigante avaliado em US$ 41,899 bilhões.

Em julho de 2011, os administradores do Casino rejeitaram o projeto de aliança de sua filial brasileira com o seu grande rival Carrefour.
Ao rejeitar a aliança, o Casino explicou, em comunicado, que os membros de seu conselho, à exceção de Abílio Diniz, consideram a fusão "contrária" a seus interesses e aos de sua filial brasileira.

Além disso, a qualificaram de "hostil e ilegal" e encarregaram seu presidente, Jean-Charles Naouri, de fazer valer essa posição "por todos os meios necessários", também no conselho de administração da Wilkes.

Atualmente o Brasil é o segundo maior mercado para o Casino no mundo depois da França e é um pilar importante na expansão do grupo francês em mercados emergentes em um momento de fraqueza na Europa.

(Com informações das agências Reuters, Valor e AFP)
http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2012/08/23/casino-assume-oficialmente-o-controle-do-grupo-pao-de-acucar.jhtm

CUT vai à China

E Artur Henrique envia notícias...

Conhecer a China é conhecer parte importante do poder do século 21. Como a Coreia do Sul, a China também era mais pobre do que o Brasil e já deixou o Brasil e o mundo para trás. Todos estão comendo poeira, ante a agilidade chinesa.

O calcanhar de Aquiles da China são as liberdades individuais. Este é o dilema da humanidade. Como combinar direitos coletivos com direitos individuais? Nos Estados Unidos, quando há grandes divergências, eles historicamente resolvem na bala. Na China a bala é usada pelo Estado. Nos Estados Unidos, pela classe dominante.

A Europa tem mais perfil de “terceira via”, mas está economicamente em frangalhos. O Brasil poderia ser a esperança da humanidade, mas nossa classe dominante ainda é muito provinciana e prefere copiar a elite de Miami. Mas a nova classe média brasileira pode estimular este novo caminho.

E a CUT não deve perder o “olhar crítico”. Elogiar o que a China tem de melhor que é a inclusão de centenas de milhões de pessoas, mas, por exemplo, a ideia de partido único não serve como modelo para nós.

Artur com a palavra:


China quer efetivar nova legislação trabalhista e de seguridade social
21/08/2012 - Agência CUT

E abre diálogo com o movimento sindical internacional.

Relato de viagem enviado por Artur Henrique, da China

O secretário-adjunto de Relações Internacionais da CUT concluiu anteontem, dia 19 de agosto, uma viagem oficial à China. A convite da CSI (Confederação Sindical Internacional), ele representou a Central numa série de atividades com o objetivo de consolidar diálogo e parceria com a ACFTU (All-China Federation of Trade Union), a central chinesa, a maior do mundo. Iniciadas no dia 13 de agosto, as atividades tiveram participação de dirigentes sindicais de sete países. A CUT representou o Brasil.

A ACFTU é a maior central sindical existente no mundo, contando atualmente com 258 milhões de associados.

Durante toda a visita oficial, ficou clara a exposição de que a China é um país que defende o "socialismo com características chinesas" e o fio condutor das propostas chinesas é o que eles chamam de RELAÇÕES HARMONIOSAS, que vale para tudo: relações de trabalho, relações comerciais, relações entre os países.

A preocupação central hoje na China é o controle da inflação, a estabilidade política, a mudança do modelo de desenvolvimento, a melhoria do sistema laboral e o fortalecimento da negociação coletiva, que deverá aos poucos ir substituindo as relações individuais de trabalho. Ainda hoje, a grande tarefa é ampliar a negociação coletiva por empresa e por regiões do país, mas no longo prazo já se fala em negociação por setor, por ramo, mas ainda me parece muito longe.

Outra questão importante é o equilíbrio entre rural e urbano, já que ainda hoje na China a população se divide, em proporções iguais, em cada setor.
Ficou clara a preocupação que a China vem tendo em aprovar uma legislação sobre Seguridade Social, direitos trabalhistas, garantia de pagamento de salários, fortalecer a negociação coletiva, etc.

Essa é uma tendência clara de mudança recente dada à importância cada vez maior que a China vem ocupando no mundo.

Um olhar sobre a China:

A China é hoje o primeiro país em população, com 1 bilhão 344 milhões de habitantes. Registra o segundo maior PIB do planeta, de US$ 7,3 trilhões, segundo números do Banco Mundial relativos a 2011. Os EUA registraram US$ 15 trilhões no mesmo período.
Apesar desses números, aqui na China eles continuam afirmando que este é um país em desenvolvimento, com muitas desigualdades, disparidades regionais e muitas contradições.

Apesar de tudo dar a impressão de uma economia capitalista de mercado, eles também continuam afirmando que a China é um país socialista com características chinesas, e que o modelo defendido por eles é o de um mundo e uma sociedade harmoniosos. Tudo tem esse pano de fundo: as relações de trabalho tem que ser harmoniosas, as relações comerciais entre os países tem que ser harmoniosas, etc.

Pareceu-me mais uma visão que procura preservar e divulgar algumas tradições orientais milenares, do que uma prática do dia-a-dia.

A China tem hoje grandes desafios: o controle da inflação; a diminuição do crescimento, mas com olho no agravamento da crise; fortalecimento do mercado interno, o que representa melhorar a renda dos trabalhadores, sem causar inflação.
A imensa quantidade de trabalhadores que saem do campo em direção às cidades é outro desafio que os chineses tentam equacionar.

A mudança demográfica no médio prazo fará com que diminua o número de trabalhadores em idade economicamente ativa e como consequência haverá o aumento do número de idosos que necessitarão de cuidados, numa economia que só agora está aprovando leis e programas de seguridade social.”

Fotografias peruanas de qualidade

O Brasil vai descobrindo a América Latina

Galeria expõe fotografias do peruano Martín Chambi

Fotógrafo fixou a vida tanto da elite de seu país como dos despossuídos, dignificando os últimos, segundo Vargas Llosa.

23 de agosto de 2012 | 7h 00 - Antonio Gonçalves Filho - O Estado de S. Paulo

A sintaxe visual aparentemente simples do peruano Martín Chambi encerra um dos grandes mistérios da fotografia. Quais seriam, afinal, as referências culturais desse homem que só cursou a escola primária, filho de mineiro e primeiro fotógrafo indígena latino-americano?

Sejam nas cenas da vida cotidiana, nas paisagens ou nos retratos que integram a exposição Chambi Inédito, a partir de sábado, na Galeria Fass, é possível identificar desde uma fixação no autorretrato como forma de autoconhecimento - à maneira de Rembrandt - até uma luz oblíqua que ilumina apenas fragmentos do corpo, como na pintura de Caravaggio, além de uma composição rigorosamente estudada, que fez com que os críticos o associassem ao pictorialismo.

Teo Allain Chambi, neto do fotógrafo e diretor da fundação que leva o seu nome, confirma a suspeita de que ele talvez tivesse visto algumas reproduções das telas de Rembrandt no estúdio de seu professor de fotografia, Max T. Vargas. "Numa entrevista a um jornal de Lima, em 1927, meu avô disse que sua inspiração era um tal de Rembranat (sic), que tinha visto na casa de seu mestre", conta Teo, também fotógrafo e um dedicado pesquisador da obra do avô, que deixou mais de 30 mil placas de vidro, segundo seus cálculos.

Na primeira catalogação, feita pelo antropólogo norte-americano Edward Ranney com ajuda dos filhos de Chambi, Victor e Julia, eram 14 mil placas. A pesquisa rendeu uma exposição de 150 fotos no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), em 1979, que viajou pelo interior dos EUA e chegou a Londres, passando pelo Canadá.

Ranney, formado em Yale e também fotógrafo, descobriu a arte de Chambi quando o peruano já era um veterano profissional de 73 anos, mas ainda desconhecido fora de seu país. O americano, estudioso das culturas andinas antigas, viu nesse material um valioso guia para analisar os costumes dos descendentes dos incas e uma oportunidade de mostrar ao mundo a qualidade excepcional do trabalho do fotógrafo peruano, transformando em negativos mais de 5 mil placas de vidro de seu estúdio.

As fotos de Ranney, hoje com 70 anos, não disfarçam o legado que recebeu de Chambi em sua formação como fotógrafo. Sobre ele, o curador Peter C. Burnell já escreveu que o americano consegue captar a essência das edificações pré-colombianas, sendo capaz de traduzir o olhar arquitetônico que levou as comunidades indígenas a emular as paisagens andinas em seus monumentos.

O autorretrato de Chambi em Machu Picchu (de 1932) mostra que seu olhar parece ter herdado dos ancestrais essa capacidade de mimetizar a natureza, pois ele mesmo surge como um totem no exato local escolhido pelos turistas como o belvedere das ruínas do antigo império inca, como observa seu neto Teo. Chambi foi pioneiro em fazer cartões-postais de Machu Picchu, a cidade perdida dos incas, descoberta em 1911 (os exploradores, até essa data, passavam por ela sem dar atenção ao patrimônio da humanidade).

Antes de voltar sua atenção para sítios arqueológicos, Chambi vivia de seus retratos da burguesia local de Cusco. É possível identificar dois olhares distintos nas fotos das cerimônias sociais da classe dominante e nas festas populares dos indígenas, com os quais, naturalmente, Chambi se identificava.

Uma de suas imagens icônicas é a das damas da sociedade cusquenhas que emergem entre arbustos como botões de rosa. Nela, as senhoritas são retratadas numa composição teatral, francamente artificial e um tanto ‘camp’. Basta comparar essa imagem com Reunião de Carnaval em Cusco (1930) - luz natural sobre rostos de populares embriagados - para atestar que a simpatia de Chambi estava, obviamente, com os despossuídos.

"Ele foi, de fato, o primeiro a retratar o próprio povo indígena, escravizado até os anos 1920, o que o fez se integrar ao movimento indigenista e colocar as imagens de índios na vitrine de seu estúdio em Cusco", conta o neto Teo Chambi, revelando que pretende organizar uma exposição em Buenos Aires para aproximar sua visão antropológica de Pierre Verger.

O fotógrafo francês, que adotou o Brasil, conheceu Chambi em seu estúdio da Calle Marqués, 69, endereço também frequentado pela elite de Cusco, que contratava o fotógrafo para documentar batizados e festas de casamento. "Nunca fizeram uma exposição comparativa e acho que também valeria a pena mencionar August Sander, embora considere que cada um tem seu mundo, a despeito das muitas afinidades."

Presente em coleções institucionais importantes como as do MoMA de Nova York e particulares, como as dos fotógrafos Mario Testigo e Sebastião Salgado, as imagens de Martín Chambi, além do lado documental e antropológico, destacam-se pelo alto nível técnico. O escritor peruano Mario Vargas Llosa lembra a esse respeito que o mundo de Chambi "é sempre belo". O prêmio Nobel de Literatura acrescenta: "É um mundo no qual as formas de desamparo, discriminação e vassalagem foram humanizadas e dignificadas pela limpeza da visão e elegância do tratamento".

Essa visão, diz o neto do fotógrafo, tem a ver com o senso de honra de um descendente dos incas que, católico, fez do registro da imagem uma profissão de fé. "Isso explica sua fixação nos templos e o fato de ter entre suas primeiras fotos as das procissões de Cusco."

CHAMBI INÉDITO
Galeria Fass. R. Rodésia, 26, tel. 3037-7349. 2ª a 6ª, 10 h/ 19 h; sáb., 11 h/ 15 h. Até 20/10. Entrada franca. Abertura sábado, 11 h, para convidados.

CCBB e o Impressionismo

Ouviu o clamor do povo

Aumentou o horário de visitas,
vai promover NOVAS VIRADAS DE FINS DE SEMANA.

Tudo para facilitar o acesso do povo de São Paulo à vida cultural.

Mais de 70 mil pessoas visitaram a exposição.
Programe-se que vale a pena.
O povo também tem carência de arte e cultura.

Parabéns ao Banco do Brasil e ao Centro Cultural Banco do Brasil.




CCBB estende horários de visitação
e programa mais duas ‘viradas impressionistas’


A exposição Impressionismo: Paris e a Modernidade, que já recebeu mais de 70 mil visitantes nas duas primeiras semanas em cartaz, ganhará mais duas ‘viradas’.

A primeira delas acontecerá no feriado de Sete de Setembro, uma sexta-feira, em que o CCBB funcionará de 10h da manhã até as 23h do sábado, 8.

No último final de semana da mostra a virada está programada para acontecer das 10h da manhã de sexta-feira, 5, às 23h do sábado, 6.

Os horários de funcionamento do CCBB também foram estendidos para atender à demanda do público.

As obras podem ser visitadas de segunda à quinta-feira, entre 10h e 22h;
sextas entre 10h e 23h e nos finais de semana das 8h às 23h.

SERVIÇO - CCBB SP

Impressionismo: Paris e a Modernidade


4 de agosto a 7 de outubro
Virada Impressionista: o CCBB ficará aberto no dia 7 de setembro, sexta-feira, a partir das 10h até às 23h de domingo, 8 de setembro.

Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
Rua Álvares Penteado, 112
Centro – São Paulo – SP
Terça a quinta – 10h às 22h
Sexta – 10h às 23h
Sábado e domingo – 8h às 23h
Informações: (11) 3113-3651 / 3113-3652

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

3,1 bilhões de fraude bancária

Somente em um banco

De “ladrões de galinha” a “ladrões de bancos”, tudo isto em nome da “tradição brasileira”, “do excesso de tributos”, “do dinheiro para comprar drogas”, “do dinheiro para sustentar políticos, juízes, imprensa e casas em Miami”.

Quando acabarem estas eleições, vamos combinar com Dilma para, além de melhorar a Infraestrutura Nacional, abrir um debate pela reestruturação da Justiça Nacional.

Quando a Justiça não funciona, os bandidos fazem a festa.
Estejam eles de terno e gravata, com revólveres na mão ou com carteira funcional.

É preciso dar um “salto de qualidade”

‘FT’: Caso do banco Cruzeiro do Sul é ‘história de terror’

22 de agosto de 2012 | 7h00
Sílvio Guedes Crespo - Estadão

O caso do banco Cruzeiro do Sul “é o tipo de história de terror que todo regulador deveria temer”, segundo o blog BeyondBrics, do Financial Times.

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC), concluiu que o rombo no banco chegou a R$ 3,1 bilhões depois da descoberta de “ativos não existentes”, de modo que o patrimônio líquido ficou negativo em R$ 2,23 bilhões.

Para cobrir esse buraco, o FGC propôs recomprar papéis que estão nas mãos dos credores pagando menos da metade do valor (R$ 49,3%), o que gerou manifestação de descontentamento entre os que emprestaram dinheiro para o banco, em um encontro em Miami.

Mas se 90% dos credores não toparem, o acordo não é feito e o banco, hoje sob intervenção do Banco Central, fecha.

Apesar de a situação ser difícil para os credores, para o sistema financeiro como um todo não há motivo para pânico, segundo Joe Leahy, autor do texto. “Há 137 bancos no Brasil, a maioria dos quais está bem”, opina.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Osesp encanta a todos

Gente é para brilhar

Todos estão de parabéns. Tanto pelo sucesso presente, quanto pelo sucesso passado e, principalmente, pelo esforço constante que esta Orquestra vem fazendo.

Um obrigado especial à regente, Marin Alsop. Ela consegue ser competente sem ser arrogante. Os virtuosos, quando são humildes, transformam-se em guias para todos.

Eu sempre gostei da Holanda, sempre fui muito bem recebido quando estive lá, e fico muito contente em ver que nossa orquestra fez uma grande apresentação para os holandeses.

Osesp encanta a Holanda

Em sua turnê europeia, orquestra leva virtuosismo e suingue ao Amsterdã Concertgebouw
21 de agosto de 2012 | 3h 10 - Biella Luttmer - Especial para o 'Estado'

Olhares orgulhosos, vestidos elegantes, saltos altos: o Amsterdã Concertgebouw foi palco da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo no fim de semana. E foi neste redemoinho que vieram as damas sul-americanas que deram cor à sala de concertos holandesa.

E elas viram um concerto que cintilou como as pedras de seus brincos gigantes. A primeira apresentação da Osesp foi uma noite que oscilou entre a latinidade e Tchaikovski, entre o balanço nato e a interpretação aprendida da melancolia russa. Mas isso não foi tudo. A diferença entre os velhos e estabelecidos institutos de música da Europa e os novos talentos da indústria orquestral se tornou instantaneamente clara.

E isso era possível de ser notado antes mesmo que uma nota sequer fosse notada: o jeito com que os brasileiros sentam em suas cadeiras é diferente. Sua atitude é a de um lutador, pronto para defender cada nota com a paixão que você esperaria ver em um bailarino do que em um violinista ou um flautista.

Claro que no começo da noite, a Abertura Festiva de Camargo Guarnieri (1907-1993) soou como deve soar. Com toques impetuosos nos cowbells e uma tuba ascendente, a abertura do festival fez jus a seu nome. Em outras passagens mais tranquilas, as cores suaves dos instrumentos provaram que em São Paulo os músicos não almejam um dia de ensaio (ou seja, eles têm o tempo que for necessário para ensaiar).

Com o concerto Cello Concerto do checo Czech Antonín Dvorák, a apresentação se tornou mais excitante. O solo foi executado por Antonio Meneses, o brasileiro que é figura já conhecida no Concertgebouw não só como solista mas também como membro do Beaux Arts Trio. Ele mostrou que é possível contar uma história emocionante sem precisar levantar a voz, em uma abordagem pessoal e intimista do famoso concerto.

A diretora musical Marin Alsop,
considerada mundialmente a primeira-dama do masculino clube dos líderes de orquestra, trabalhou duro nos tons e timbres - qualidades nas quais uma orquestra pode de fato se distinguir. Ela possui uma centena de diferentes graduações entre o sussurrar e o rugir, e os eminentes músicos da Osesp já podem executar um número impressionante.

Isso funcionou bem para Antonio Meneses. Ele teve liberdade para regular seu tom para suave sem que houvesse uma orquestra o forçando a executar uma interpretação menos sutil. Em alguns pequeninos momentos, era possível notar pequenas falhas de entonação no naipe de sopro, mas pequena demais para interferir na performance da orquestra.

Na Quarta Sinfonia de Tchaikovski, a orquestra pôde demonstrar suas possibilidades no campo do conhecido repertório romântico. Eles são impressionantes. Marin Alsop adora tempos flexíveis e treinou suas tropas para que elas as possam seguir em cada uma de suas viradas.

A Sinfonia n.º 4 de Tchaikovski fluiu bem com metais que soaram mais impetuosos do que nas orquestras europeias. Alsop compensou isso com maravilhosos fraseados líricos do naipe de sopros. Nesta sinfonia, o Tchaikovski compositor de balé emerge: com uma melodia de clarineta que continua no oboé, no fagote e na flauta, os pulos e piruetas se faziam ver. Grande momento quando a melodia suave do violino foi apoiada pelo mais terno timbau.

Para atestar a qualidade técnica, foi preciso esperar até a terceira parte da sinfonia. Ali, Tchaikovski escreveu e pede instrumentos de corda, blocos cruciais e perigosos até mesmo para as melhores orquestras. Marin Alsop assumiu o risco ao escolher um andamento acelerado, mas graças a cada gesto claro isso se tornou prova do alto nível da ala de cordas da Osesp. Com unidade espetacular, os pizicatos fluíam dos violinos para os violoncelos, e dos violinos para os contrabaixos.

O apaixonante encerramento, com uma parte espetacular para os pratos, terminou com uma saudação triunfal. O som dos pratos era de certa forma mais ríspido do que o usual das grandes orquestras europeias, mas isso não deve ser um grande problema com as abundantes possibilidades financeiras da música brasileira no mundo.

Em compensação, havia o desejo de que as velhas e famosas orquestras pudessem tocar novamente com a mesma vontade e frescor com que esta orquestra top desta região emergente se manifesta. Isso, combinado com a rica experiência de Alsop, prova que a Osesp tem oportunidades de ouro pela frente.

A plateia da Concertgebouw levou a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo em seu coração. Pediu bis e ganhou Frevo, uma dança do Nordeste brasileiro que mostra o perfeito mix entre o caráter nacional e o ofício da música altamente cultivado. Cada um a sua vez, o clarinetista, o trombonista e o flautista (com sua piccolo) se levantaram para seus solos. O desfecho da performance foi um dueto suingado do fagote, enquanto o percussionista deu aos europeus uma lição do mais puro suingue latino.

Depois da Orquestra Simón Bolívar da Venezuela,
a Osesp é a nova sensação
do circuito mundial.

Duas equipes de ponta em uma única região do mundo -, dificilmente isso é uma coincidência.

A América do Sul se tornou um jogador sério no cenário mundial das orquestras.

Arrastões diários em São Paulo

Nossa vida virou um inferno.

Restaurantes, residências, shoppings, automóveis...
Como o governo é tucano, a imprensa noticia mas não cobra providências. Este é um dos motivos do por que Russomano está na frente de Serra nas pesquisas.
Segurança é coisa séria.

Ou o governador Alckmin toma providências ou vai refletir nas eleições em todo o estado de São Paulo. Até nossa querida Vila Sônia está sendo atacada! A cada uma hora se rouba uma residência.

Vamos ter que organizar milícias ou ter que contratar seguranças para sair na rua, almoçar em restaurantes, comemorar aniversário ou até ir ao shopping?

Trio faz arrastão e rouba 18 no almoço


Bandidos usaram arma de brinquedo para atacar restaurante na Vila Sônia; na fuga, bateram o carro em Taboão e 2 acabaram presos

21 de agosto de 2012 | 3h 03 - O Estado de S.Paulo HOJE

Clientes de um restaurante popular na Rua Engenheiro Saraiva de Oliveira, na Vila Sônia, zona oeste de São Paulo, foram alvo ontem de um arrastão durante o horário do almoço. Três ladrões, com uma arma de brinquedo, anunciaram o assalto, por volta das 14 horas, e levaram celulares e dinheiro de 18 pessoas que estavam no local.

Segundo as testemunhas, os bandidos fugiram em um Gol verde. A Polícia Militar foi chamada e conseguiu apreender um adolescente. Em Taboão da Serra, na região oeste da Grande São Paulo, o motorista da quadrilha perdeu o controle, bateu o carro e também acabou preso. Um dos suspeitos conseguiu fugir. O caso foi registrado no 89.º Distrito Policial (Portal do Morumbi).

Trio faz arrastão em aniversário e leva até presentes

Estadão - 20/08/2012 - 11h02 - ONTEM

Ribeirão Preto - Três assaltantes invadiram a festa de aniversário de um adolescente de 16 anos na noite de anteontem e roubaram todos os convidados. O arrastão aconteceu na casa do aniversariante, quando sua família fazia um churrasco para mais de 20 convidados, no Jardim Piratininga, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Os bandidos conseguiram fugir e a Polícia Civil tenta identificá-los.

De acordo com as testemunhas, um bandido ficou na entrada da residência para vigiar a movimentação e dar cobertura aos dois comparsas. Os outros ladrões entraram na festa, renderam todos os convidados e começaram a exigir todos objetos de valor que as vítimas tinham em seu poder. Carteiras, dinheiro, relógios, celulares, alianças e outros aparelhos eletrônicos foram recolhidos.

O assalto foi uma ação rápida e durou em torno de 15 minutos, segundo as vítimas. Foi, porém, tempo suficiente para que a dupla fizesse uma "limpa" nos convidados e na casa.

Um dos assaltantes estava armado com um revólver e o outro pegou uma faca que era usada pelo homem que cuidava da churrasqueira. Para evitar qualquer reação dos convidados e da família assaltados, os bandidos obrigaram todas as vítimas a deitar no chão. E teriam ainda ameaçado o tempo todo caso se levantassem.

Nem os presentes do aniversariante foram poupados pelos bandidos. Eles levaram até um videogame que o garoto havia ganhado de seus pais já há alguns meses.
Os assaltantes também pegaram outros objetos que encontraram na residência, como computadores - incluindo quatro notebooks -, televisões e câmeras fotográficas. Na saída, eles ainda exigiram que dois convidados da festa tirassem seus tênis de marca que usavam.

Após recolher todos os objetos, o trio fugiu em um carro da família. Eles ainda exigiram que o portão maior da casa fosse aberto para que pudessem sair. O veículo foi localizado ontem abandonado em uma rodovia na saída da cidade, mas a polícia ainda não tem pistas que levem aos assaltantes.


Olgária, Salinas e a Ditadura Brasileira

“Neste país não vai ter virada nenhuma.”

Julgando-se invencível, um dos torturadores diz “depois, quando tiver a virada, vocês comunistas se vingam e aí vocês vão fazer pior que a gente. É ou não é? É, mas aqui neste País não vai ter virada nenhuma.”

Eu gosto de ler tudo que encontro nos jornais e revistas sobre Olgária Matos. Tive a felicidade de ter sido seu aluno na FGV em 1977 ou 1978. Ainda tempos de ditadura militar e de repressão. Hoje, Olgária é um símbolo de sabedoria e uma das maiores autoridades brasileira em Escola de Franckfurt.

Olgária fala das coisas como se falasse da eternidade. Mistura o presente com o passado e reflete sobre um futuro desconhecido por nós. Mas o texto abaixo é sobre a dor da prisão e da tortura no Brasil, na época da ditadura. Salinas era professor da USP, da velha USP libertária.

Aos poucos, vamos recuperando nossa História, a "História dos Vencidos" que se tornaram Vencedores. Não para torturar, mas para ajudar este país a ser livre e digno. A virada está sendo realizada pelo convencimento democrático e não pelos golpes civis e militares. Leiam esta aula de Olgária:

Da dor e do pensar


Em suas memórias, ex-professor da USP torturado durante a ditadura militar recusa para si o lugar de vítima ou herói, duas maneiras de se manter acima do exame filosófico.

19 de agosto de 2012 | 3h 11
Olgária Matos - O Estado de S.Paulo

Retrato Calado de Luiz Roberto Salinas Fortes (1937 -1987) é o cenário de uma tragédia pessoal e histórica, nos anos da ditadura militar no Brasil, e das feridas de difícil cicatrização. Inscrevendo-se na linhagem da grande modernidade literária, o narrador lúcido é como o de Chekhov e Pirandello, implicado em dois registros simultâneos, o dos acontecimentos externos e os vividos em uma consciência dilacerada; tradição também da "análise de si", das Confissões de Santo Agostinho a Rousseau, de Montaigne ao Cardeal de Retz. Cenário do tempo e não realismo objetivista, pois é a história de um trauma.

Recusando o tom patético do "testemunho", um discreto ceticismo traduz o absurdo em ironia, conferindo ao relato o sentido de uma conversão laica.

Professor de filosofia antiga em 1974, a sala de aula é uma ágora e a sala de tortura seu avesso - as atrocidades desestruturando os fundamentos da filosofia e a estabilidade de seus princípios. Ao deixar a USP, Salinas foi constrangido por agentes a levá-los a seu apartamento.

Na ruptura da continuidade temporal, a perda da inocência: "Já o coração cavalga diferente e a angústia me esfria o ventre quando subimos até o 20º andar do edifício Copan. Deixo a pasta, visto o paletó, o gesto mais lento que de hábito, arrumo inutilmente as coisas em cima da escrivaninha, percorro com os olhos as estantes, como à espera de um socorro, como à espera daquele numeroso e inerte exército aliado".

Sócrates, o filósofo platônico, ensinava Salinas naquele dia, único entre todos apto a governar para além da lei e da razão de Estado, pela autoridade da sabedoria, porque "é preferível sofrer uma injustiça do que cometê-la". Mestre de si na situação extrema, Salinas não cedeu.

Quando cassados os professores do Departamento de Filosofia ou refugiados no exílio, Salinas, em reunião dos poucos que lá permaneceram, foi contrário à demissão coletiva e nos convenceu de que se devia resistir. Porque toda ação parece necessária no instante, mas é aleatória no tempo, Salinas se interroga sobre a militância política nos anos dos encarceramentos que sofreu: "Que perspectiva nos oferecia, que não a suicida, a ação violenta contra o regime? Não estaríamos antes obrigados a resistir sobrevivendo, do que morrer lançando a força contra a força neste combate desigual e, desta forma, reforçando ainda mais o inimigo?"

Salinas não se esquivou da dor e da vergonha que sentiu. Envergonhou-se pelos torturadores. Por isso suas lembranças recusaram para si o lugar da vítima tanto como o do herói, duas maneiras de se estar acima do exame filosófico. Como vítima, o dano isenta de se pôr em questão; como herói, o reconhecimento de sua superioridade e valor também prescindiria de ponderações para si mesmo e para a comunidade política: "Que crimes cometi, afinal?

O grande pecado não teria consistido justamente na falta de firmeza em me ter convertido integralmente à causa (revolucionária), em não ter acreditado o suficiente na excelência do combate, segundo vai nos revelando pouco a pouco a crônica do período, convertendo-me em dócil mas eficaz instrumento cego a serviço da grande causa?"
Porque não há resposta simples à questão, esse autorretrato se constrói para além da lógica das dívidas e sanções: "Há algo que se rompe, pois não é impunemente que se passa pela experiência da prisão, assim como não se passa impune pela experiência de prender e torturar. Contaminação recíproca. Perda de 'inocência' de um lado e outro lado e profunda crise ideológica de ambos os lados, cujas repercussões até hoje persistem".

Não há aqui desejo de reparação, pois não se trata de anular um mal em troca de uma pena, um trauma é sem consolo e de impossível retribuição: "A dor que continua doendo até hoje e que vai acabar por me matar se irrealiza, embora a dor que vai me matar continue doendo, bem presente no meu corpo, ferida aberta latejando na memória".

O crime imprescritível, impunível e igualmente imperdoável não se esquece com a Justiça, porque ela não resolve o paradoxo de dever recomeçar o tempo. Tarefa do Estado, reparar o crime irreparável, pela ritualização da lei.

Quanto ao passado que persiste em não passar, só há a solidão de si: "Por que escrevo tudo isso? (...) A única coisa que sou capaz de dizer neste momento é que se as escrevo - as memórias - é para dar a mim mesmo, conceder-me em benefício próprio uma 'Anistia Ampla Geral e Irrestrita'". Valem aqui as considerações de La Boétie sobre a amizade: se pela lembrança nos humanizamos, pelo esquecimento nos divinizamos, porque ele é uma forma de perdão.

Retrato Calado é uma maiêutica moderna. Ele compreende o que o torturador esquece, que o vencedor é somente o vencedor do momento. Julgando-se invencível, um dos torturadores diz "depois, quando tiver a virada vocês comunistas se vingam e aí vocês vão fazer pior que a gente. É ou não é? É, mas aqui neste País não vai ter virada nenhuma!"

A violência de "maquiavéis baratos" foi sua ultima ratio.
Embora inibisse a palavra, não calou o pensamento.

OLGÁRIA MATOS É PROFESSORA TITULAR DA USP, DA UNIFESP.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Coreia do Sul, Guerra Fria e Riqueza

O mundo e seus caminhos

Vejam mais uma boa matéria de Raquel Landim no Estadão de hoje. Desta vez é sobre a Coreia do Sul. Que passou o Brasil e a maioria dos países subdesenvolvidos.

Qual foi o segredo? Ser asiático? Ter uma ditadura mais competente do que a nossa? Ter um empresariado mais competente do que o nosso?

Tem até indústria automobilística própria. Nem isto o Brasil consegue ter. Lamentável!

E não adianta botar a culpa nos americanos. Lá quem mandava depois da Segunda Guerra e depois da Guerra da Coreia, também eram os Estados Unidos. Podia ter ficado pobre.
No entanto, a Coreia do Sul compete com a China e com o Japão. Por enquanto.

Avanço coreano é visto como 'milagre'


Especialistas coreanos e brasileiros analisam receita de crescimento que fez o país nos últimos 60 anos se tornar o 9º exportador mundial

20 de agosto de 2012 | 3h 06 - RAQUEL LANDIM - O Estado de S.Paulo

As diferentes fases do Cheong-gye, um canal no centro de Seul, capital da Coreia do Sul, são um retrato fiel da revolução vivida pelo país nos últimos 60 anos. Os coreanos deixaram de ser um dos povos mais pobres do mundo depois de o país se tornar o nono maior exportador e o 12.º em poder aquisitivo.

Na década de 50, Cheonh-gye era uma favela ocupada por famílias que fugiam da guerra que dividiu a península coreana. Anos mais tarde, o córrego foi aterrado e deu lugar a uma autopista elevada, que se tornou um símbolo do progresso. Hoje, depois de uma restauração que consumiu US$ 900 milhões, o canal se transformou num aprazível parque para a população.

O Produto Interno Bruto (PIB) per capita da Coreia do Sul saltou de US$ 70 na década de 60 para mais de US$ 20 mil hoje. Para explicar o fenômeno e entender se a experiência pode ser repetida no Brasil, especialistas coreanos e brasileiros se reuniram na semana passada na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), da Universidade de São Paulo (USP).

O crescimento coreano é considerado pelos especialistas como um milagre, já que se trata de um país praticamente sem recursos naturais (importa todo o petróleo que utiliza), com alta densidade populacional (20 vezes maior que a brasileira), apenas um quarto das terras agricultáveis (o restante são montanhas pedregosas), que sofreu várias ocupações ao longo de sua história e foi arrasado pela Guerra da Coreia (1950-53).

Para reverter a sorte, os governos coreanos usaram a receita desenvolvimentista completa: escolha de campeões nacionais, financiamento governamental, subsídios bilionários e protecionismo. "Política industrial significa intervenção do governo e seu objetivo é corrigir as falhas do mercado", diz Seung Won Jung, diretor do Banco de Desenvolvimento da Coreia do Sul no Brasil. "Mas é necessário dar subsídios aos candidatos certos, com metas e mecanismos para evitar que se acomodem."

Foram sete planos quinquenais de desenvolvimento entre 1962 e 1996. O governo interferia diretamente, escolhendo setores e fornecendo financiamento e incentivos fiscais, mas fixava metas de crescimento e de exportação. Boa parte dos incentivos fiscais, que permitiam deduzir do imposto de renda gastos com promoção de exportações e investimentos em máquinas, só desapareceu em 1995, quando o país entrou na Organização Mundial de Comércio.

Virada. A reviravolta coreana começou na década de 60, quando o país era uma ditadura, com uma agressiva política de promoção de exportações para bens de consumo leves e intensivos em mão de obra como o setor têxtil. Com a ajuda da desvalorização da moeda, os generais coreanos estabeleciam metas de exportação por empresa. Em reuniões mensais, o próprio presidente cobrava os empresários. Quem exportasse tudo o que havia prometido, recebia reconhecimento público.

Em 1973, o governo anunciou um plano para o desenvolvimento da indústria pesada e do setor químico, com foco em máquinas, navios, eletrônicos, petroquímica e metais não ferrosos. Foram criadas também as ferramentas de apoio: o Banco de Desenvolvimento da Coreia, o Fundo de Investimento Nacional e o Banco de Exportação e Importação da Coreia.

A estratégia deu resultados, com o surgimento de empresas conhecidas mundialmente como Samsung, LG, Daewoo e Hyundai. A participação da indústria nas exportações coreanas saiu de 27% em 1962 para impressionantes 89,1% em 1979. No PIB, a fatia da manufatura subiu de 14,4% para 24,3% no período. Mas também houve aspectos negativos: alta capacidade ociosa, inflação, deslocamento de recursos públicos para a especulação financeira.

Abertura. A partir de 1986, a política industrial coreana sofreu uma mudança importante. Em vez de eleger setores, o governo passou a apoiar atividades que beneficiam toda a economia como pesquisa e desenvolvimento, inovação, automação. O país foi gradativamente aberto às importações e ao investimento estrangeiro.
Na década de 90, começa o período de "segyehwa", palavra coreana que significa abertura econômica e cultural e marca o início da internacionalização das empresas do país.

A crise asiática em 1997 pegou a Coreia ainda em um momento delicado. Grandes empresas quebraram, a moeda se desvalorizou e o país foi obrigado a firmar um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Em nome do bem-estar coletivo, toda a população coreana aceitou uma redução de 10% dos salários e grandes corporações realinharam operações e se submeteram as fiscalizações mais rígidas.

De acordo com a professora da Faculdades de Letras da USP, especialista em língua e cultura coreanas, Yun Jung Im, é relativamente fácil na Coreia do Sul conseguir o apoio popular para uma causa coletiva por causa da história do país, que é marcada por invasões, e das difíceis condições geográficas e de clima. "Existe um grande espírito de coletividade."

Hoje, a Coreia do Sul é um mercado aberto, que obedece às leis do comércio internacional, com multinacionais poderosas, um desenvolvimento focado em inovação e em crescimento "verde" através de energias renováveis. "As empresas coreanas hoje são tão grandes que o governo ficou pequeno e seu apoio não é mais fundamental", diz Gilmar Masiero, professor da FEA/USP e coordenador do Programa de Estudos Asiáticos.

Em um texto recente sobre o desenvolvimentismo na Ásia, José Luís Fiori, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, afirma que a política industrial asiática, incluindo a coreana, esteve a serviço de uma grande estratégia social e nacional pela conquista ou reconquista de uma posição internacional autônoma e proeminente.

"A estratégia econômica asiática não tem nada a ver com o chamado desenvolvimentismo latino-americano", escreve Fiori. Como todo milagre, a revolução coreana não é simples de copiar.

Nota do Blog:

Revoluções não se copiam.
Revoluções são feitas por quem quer mudanças
e tem coragem de buscá-las.


Crepúsculo do Pão de Açúcar

Sinal dos tempos na Praça Panamericana

No final da tarde deste domingo, como fazemos toda semana, fui levar o lixo reciclado para o Pão de Açúcar da Praça Panamericana. É um ritual melhor do que deixar para a prefeitura recolher o lixo, por que a prefeitura mistura tudo, enquanto o Pão de Açúcar mantém o lixo separado como fazemos durante a semana.

Para minha surpresa, três grandes árvores que existem no estacionamento estavam “severamente podadas”, isto é, cortadas sem deixar uma folha sequer. É claro que as folhas voltarão a brotar, mas não sei quanto tempo demorará para as árvores voltarem a ficar bonitas.

Não resisti e, depois de entregar os sacos de lixos separados, peguei o celular para tirar fotos das árvores podadas.
Para contrastar, o sol estava muito bonito e o céu colorido no seu crepúsculo.




Vejam esta outra foto das árvores podadas. Vertical dá mais impacto.



Depois das fotos, fui fazer nossas compras para complementar a feira.

Ao mesmo tempo fiquei pensando sobre o significado daquelas árvores cortadas. Em dez anos que compramos ali, sempre vimos os pássaros serem alimentados no estacionamento e as árvores serem bem cuidadas. Desta vez, creio que a intenção foi boa, mas a intensidade da poda foi um pouco pesada.

Será que tem a ver com a nova administração do Grupo Pão de Açúcar?
Agora que tem novo dono?

Lembrei-me que nesta mesma praça existia um Supermercado Sé, que foi comprado pelo Pão de Açúcar e agora é Extra, todos do Casino. Tinha uma agência antiga do Unibanco que agora é Itaú, em frente a outra agência do Itaú. Tinha uma Agência do Banco Noroeste, que agora é Santander, bem perto de outra agência do Santander, que antigamente era Banespa.

Quem ganhou e quem perdeu com tantas mudanças?
Os únicos que não mudaram de dono foram o Bradesco, a Doceira Lelo e o McDonald.
As mudanças econômicas do Brasil estão bem presentes na Praça Panamericana.



E este por do sol no Pão de Açúcar, com estas árvores cortadas e este céu diferente, pode estar querendo dizer novas coisas que a gente não consegue entender.

Com o tempo a gente vai ficar sabendo.



domingo, 19 de agosto de 2012

Adoniran, Elis e o Martinelli

As Histórias de São Paulo

Nossa história passa pelo Edifício Martinelli. Tanto a história dos ricos como a história dos pobres que vieram viver e se fazer na vida paulistana.

Vi a matéria abaixo no Estadão de hoje e resolvi colocá-la no blog, acrescentando que muitas boas histórias dos trabalhadores também aconteceram neste prédio.

A própria CUT – Central Única dos Trabalhadores teve sua infância e adolescência no Martinelli.

A CGT de antes do golpe militar de 64 também tinha sede no Martinelli. O IAPB – Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Bancários, de antes do INSS, também teve sede no Martinelli.

Nosso Sindicato dos Bancários de São Paulo veio para o Martinelli em 1948, no sétimo andar inteiro, sede própria e o melhor andar do prédio. Depois de anos ausente do prédio em função da ditadura militar, voltamos quando eu era presidente do sindicato. E hoje, depois de restaurados os andares, continua sendo um dos mais bonitos.

A história não pode ser escrita apenas pelos ricos, a história tem muitas versões e muitos olhares. Nós devemos registrar também as versões e os olhares da Classe Trabalhadora.

Ao procurar uma música para lembrar do tempo do Martinelli, inevitavelmente fui atrás de Adoniran Barbosa, que era a voz do povo trabalhador de São Paulo, dos italianos e dos nordestinos.

E Adoniran com Elis Regina forma uma dupla eterna da nossa cultura e da nossa vida.

Leiam a matéria sobre o Martinelli, mande suas histórias e escute e veja Elis cantando com Adoniran as maravilhas do Bexiga e de São Paulo.

Edifício Martinelli resgata seu rosa original dos anos 1930


Com 130 metros, histórico arranha-céu foi desbotando ao longo das décadas por causa de chuvas, poluição e falta de conservação

19 de agosto de 2012 | 3h 04 – Estadão
EDISON VEIGA, TIAGO QUEIROZ - O Estado de S.Paulo

Na colher do pedreiro, a massa fresca é tão rosa quanto a do fim da década de 1920, quando o Edifício Martinelli estava sendo erguido. "A diferença é que, na época, a coloração vinha de um tipo de cimento europeu. Hoje, utilizamos argamassa pigmentada", explica o conservador e restaurador Antonio Sarasá. Desde 2008, ele comanda o trabalho de recuperação do histórico arranha-céu de 130 metros de altura, um dos símbolos da cidade.

O restauro era necessário. E não só porque, com o passar dos anos, o Martinelli foi desbotando pelo tempo, pelas chuvas, pela poluição. Para um senhor prédio de quase 80 anos - apesar de inaugurado em 1929, ele só foi concluído em 1934 -, perder o brilho não era o maior problema. "Havia infiltração no telhado, janelas deterioradas, pisos soltos e sem cor...", enumera Sarasá.

A administração do prédio entendeu que uma intervenção era necessária. Começou então uma verdadeira obsessão por conter os gastos, para que fosse possível bancar a recuperação. "Começamos a economizar energia e água. Tudo para fazer caixa", explica o supervisor de manutenção do edifício, Nivaldo Peixoto Júnior. Em 2003, a conta mensal de água girava em torno de R$ 41 mil. Hoje, não passa de R$ 32 mil.

A obra começou em 2008, pela parte estrutural. "Só há poucos meses passamos a mexer na fachada. Então o trabalho se tornou visível a quem passa em frente", diz Sarasá. Até agora, R$ 1,5 milhão já foram investidos. E o rosa voltou mais vivo entre os andares 22 e 26. Também foi feito um trabalho de eliminação de pragas. "O prédio estava infestado", conta Sérgio Magno, químico responsável pelo serviço.

O Martinelli teve sua fase áurea até 1945. Na época, o então maior prédio de São Paulo tinha salões de dança, cinema, hotel e restaurante. Entre 1945 e o fim da década de 1970, o luxo deu lugar à decadência. O que era um classudo hotel se transformou em hospedaria de alta rotatividade. O endereço também abrigou bares, boates e um espaço de entretenimento adulto - misto de cabaré e cassino. Com o passar dos anos, o prédio se transformou em cortiço.

Em 1975, a Prefeitura desapropriou o Martinelli e começou a restaurá-lo. Reinaugurados em 1979, seus andares foram locados a órgãos públicos e empresas privadas.

Imaginário.
Mesmo com altos e baixos, o gigante rosa jamais perdeu seu espaço no imaginário dos paulistanos. Em 1995, o escritor Marcos Rey (1925-1999) lançou O Último Mamífero do Martinelli, em que narra a história fictícia de um sujeito que se esconde nas obras do prédio.


Adoniran Barbosa e Elis Regina 1978