quarta-feira, 25 de julho de 2012

Projeto Musical para Jovens Baianos

Em Salvador, em Trancoso e outras cidades

Já falei dos “Músicos de Trancoso” e agora vou falar dos jovens músicos da Bahia em geral. Além de dar “régua e compasso”, a Bahia tem contribuído com partituras e professores de música, tanto erudita quanto popular. A vida é construída desde a infância, isto vale também para a escolaridade e a formação musical.

Além de ter ficado entusiasmado com os ensaios dos pequenos “músicos de Trancoso”, quando chegamos à São Paulo tive o prazer de ler a matéria da Folha de São Paulo sobre o final do Festival de Inverno de Campos de Jordão.

O grande vencedor foi Yuri Azevedo, um jovem que teve apoio do Projeto Neojiba, voltado para jovens que visa a formação de músicos eruditos e funciona no Teatro Castro Alves. O irmão de Yuri, Caio, pratica Violino no mesmo local. Quem sabe ambos visitem Tancroso e façam uma performance com os meninos e meninas músicos de Trancoso.

Maestro Baiano, de apenas 20 anos, ganha distinção máxima do Festival Internacional de Inverno de Campos de Jordão. Eleazar de Carvalho deve estar rindo no céu...

Vejam a boa matéria da Folha:

Maestro Yuri Azevedo, 20, segue caminho e cabelos de Dudamel
IVAN FINOTTI - DE SÃO PAULO - 24/07/2012 - 05h11

Ele tem a cara, os cabelos desgrenhados e o sorriso de Gustavo Dudamel. Tem a mesma profissão. E até seu apelido é inspirado no festejado maestro venezuelano. Mas Yuri Azevedo, que está se iniciando agora nas artes da regência, fecha a cara quando ouve a comparação.
"Prefiro quando dizem que pareço o Caetano da vanguarda", diz o rapaz de 20 anos, que no domingo (22) foi premiado com o prêmio Eleazar de Carvalho, distinção máxima do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão.

Afinal, "Caetano também é baiano", completa "Yurimel", como lhe chamam seus amigos quando querem provocá-lo.
"O prêmio de Yuri é importante porque o festival nunca o havia concedido a um estudante de regência", disse Arthur Nestrovski, diretor artístico do evento e da Orquestra Sinfônica do Estado de SP.

Garantiu ao rapaz uma estadia de nove meses com bolsa de US$ 1.400 (R$ 2.830) em um instituto americano.
"Yuri é o próximo grande maestro brasileiro", afirmou Nestrovski. "Ele rege sorrindo e com prazer. Quando dissemos para ele conduzir a peça 'Batuque' na premiação, Yuri nem quis olhar a partitura. Sabia decorado."

ANGÚSTIA

Com cerca de dez peças eruditas já gravadas em sua jovem mente, Yurimel (ops...) quer muito mais: "Prefiro decorar. No palco, ler a partitura, que traz inscrições como 'alerta nessa passagem', me deixa angustiado."

Ele cita seus favoritos: Beethoven, Bach, Mozart, Debussy e Heitor Villa-Lobos.
De família simples, o prodígio baiano ajuda as contas da casa com os R$ 1.500 que recebe de bolsa em Salvador. Nada de roupas de marca ou de carro por enquanto: "Reservo para comprar partituras. São caras".

Originário de Cabula, bairro de classe média de Salvador, filho de um técnico de informática e de uma dona de casa, tinha 16 anos, uma bateria e queria ser sambista quando conheceu o Neojiba.
É um projeto para jovens que visa a formação de músicos eruditos e funciona no Teatro Castro Alves (seu irmão menor, Caio, pratica violino no mesmo local).

O Neojiba (Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia), aliás, se fundamenta no programa social venezuelano "El Sistema", que funciona desde 1975 e revelou o maestro Gustavo Dudamel, 31, hoje diretor da Filarmônica de Los Angeles.

Apesar de preferir música clássica a axé, barroca a pagode, e romântica (do século 19) a sertanejo, Yuri admite ouvir um rock às vezes. "Gosto de Radiohead e de bandas dos anos 1980, mais leves." Mas como um maestro erudito reage ao ouvir um pá-pum básico como Rolling Stones? Seria uma música simples demais? "É verdade, acontece. São sempre os mesmo acordes.... Isso me deixa um pouquinho angustiado."


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