sexta-feira, 27 de julho de 2012

Olimpíadas - Londres no Centro do Mundo

Uma homenagem merecida

O Estadão, através de seu correspondente internacional, Jamil Chade, acaba escrevendo boas matérias e acrescentando informações valiosas sobre o significado histórico destas Olimpíadas.

Vejam esta boa matéria deste dia da Abertura Oficial:

Londres já 'salvou' o movimento olímpico

Em 1908, cidade substituiu Roma às pressas, após a erupção do Vesúvio;
Em 1948, livrou o COI da mancha causada por Hitler.

27 de julho de 2012 - JAMIL CHADE , LONDRES - O Estado de S.Paulo

Londres entra para a história hoje como a primeira cidade no mundo a receber três vezes o maior evento do planeta.
E, em cada um deles, a organização, a realidade política e obstáculos foram espelhos perfeitos de suas eras. Arquivos e discursos do Barão Pierre de Coubertin, obtidos pelo Estado, revelam que o fundador do movimento olímpico moderno não disfarçava sua admiração por Londres e seu papel na história do esporte. Mas, acima de tudo, era consciente de que os debates em torno de cada evento eram uma síntese das transformações da sociedade.

Em 1908, os Jogos estavam programados para ocorrer em Roma, numa era de relativa prosperidade. A Europa vivia sua Belle Époque, com o descobrimento de novas tecnologias, otimismo e paz. Mas a explosão do vulcão Vesúvio obrigou o COI a buscar nova sede. Londres saiu ao socorro do movimento olímpico e acabou sendo sede do que o COI considera como os primeiros Jogos de fato competitivos da história moderna.
Os arquivos mostram contrastes marcantes com os atuais Jogos. Naquele ano, o orçamento não chegou a US$ 150 mil, dos quais US$ 120 mil foram para apenas um estádio, que seria demolido em 1985.

Coubertin admite que a transferência de Roma para Londres foi mantida em sigilo e que foi costurada justamente pelo governo britânico na esperança de mostrar ao mundo seu império. "Londres se organizou em poucos meses para receber os Jogos", escreveu.
Em 1908, um dos principais obstáculos era definir como os diferentes territórios britânicos competiriam, incluindo países da coroa britânica, como Canadá e Austrália. Um debate semelhante ocorreu na Alemanha, diante da demanda da Saxônia por ter uma equipe nos Jogos. Coubertin revela que teve de agir e mediar uma solução com o imperador na época.

Outra dificuldade era passar a metragem das raias de léguas para metros. Segundo Coubertin, Londres não apenas salvou o COI, mas deu uma nova dimensão para os Jogos, garantindo a presença da realeza na cerimônia de abertura.

Pós-guerra.
Quarenta anos depois, mais uma vez Londres sairia para resgatar o movimento olímpico, manchado pelas imagens de Adolf Hitler, que havia usado o evento nos anos 30 para promover seus próprios ideais. Em Londres, em 1948, faltava alimento, bairros inteiros haviam sido destruídos e o evento acabou sendo chamado de os Jogos da Austeridade.

Hoje, tanto o COI quanto as autoridades em Londres admitem que 1948 marcaria o início de uma recuperação da moral e da economia europeia. Os jogos acabaram sendo um fator de transformação.

Foi também o ano em que o governo britânico passou uma lei dando cidadania plena a todos os habitantes dos países da Comunidade Britânica.

O resultado foi a chegada de 500 mil pessoas das ex-colônias e uma transformação na cidade. Hoje, o local dos Jogos é marcado pelo multiculturalismo profundo, abandonando o caráter marcadamente branco da cidade até meados do século passado. Hoje, 35% dos 8 milhões de habitantes têm pais vindos de fora do Reino Unido, o que põe a cidade na liderança de uma revolução demográfica na Europa.

Mas, desta vez, é o COI quem vem ao resgate de Londres.
Em sua segunda recessão em três anos e com sua indústria perdendo cada vez mais espaço, o Reino Unido conta com os jogos para reverter uma situação de crise.

Hoje, Londres estará no centro das atenções do mundo, receberá mais de 70 chefes de Estado e espera mostrar uma imagem positiva, depois de meses de notícias ruins.


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