sexta-feira, 13 de julho de 2012

Hemingway - sempre uma surpresa

O drama do Escritor

No mundo do “fast food”, as pessoas não têm noção das dificuldades dos autores de textos e de composições. Muitas vezes uma revista ou jornal pede um texto para um escritor, professor ou profissional liberal e sinaliza o tema desejado e o tamanho do texto.

Acontece que a pessoa começa a escrever, se entusiasma e quando vai ver o texto ficou muito maior do que o pedido. E como cortar? E se o tema der um livro? Só quem convive com este tipo de autor tem ideia do drama.

Vejam um pouco do sofrimento de Hemingway sobre o final de um livro: 47 finais diferentes. É de deixar qualquer um louco. Mesmo que seja um Hemingway.

Finais inéditos de Hemingway

Nova edição de Adeus às Armas incorpora 47 desfechos escritos pelo autor durante confecção do livro.

11 de julho de 2012 | 3h 09 - NOVA YORK - O Estado de S. Paulo

Uma nova edição de Adeus às Armas, de Ernest Hemingway, chegou ontem às livrarias americanas incluindo pela primeira vez os 47 finais alternativos imaginados pelo autor. Dessa forma, leitores terão acesso direto ao processo de criação do escritor, que se revela às voltas com diversas opções de desfecho antes de se decidir a colocar o ponto final na história do militar Frederick Henry e a enfermeira Catherine Barkley na Primeira Guerra Mundial.

O livro foi lançado em 1930. Quase três décadas depois, em uma entrevista concedida em 1958, Hemingway reconhecia ter reescrito o final do livro 39 vezes; anos mais tarde, um pesquisador encontrou em seu acervo 41 versões; e, recentemente, o neto do autor, Sean Hemingway, descobriu mais seis finais no material de seu avô depositado na Biblioteca John Fitzgerald Kennedy, em Boston. Foi então que a família do escritor começou a negociar com a editora Simon & Schuster uma nova edição da obra.

O livro relata, de maneira "semibiográfica", segundo os editores, a "eterna e inesquecível" história de amor entre o tenente americano Frederick Henry e a enfermeira inglesa Catherine Barkley. O livro capta a "dura realidade da guerra e a dor dos amantes envolvidos em sua inevitável destruição", diz a apresentação.

Intitulado Adeus às Armas:
A Edição da Biblioteca Hemingway, o volume traz o texto original e, na sequência, inclui em anexo todas as 47 versões alternativas.
Em algumas, percebe-se pequenas mudanças, frases reescritas ou suprimidas; em outras, vários parágrafos aparecem ou desaparecem do texto, levando a uma alteração no tom da narrativa, que pode assumir caráter mais fatalista ou otimista. Em especial, chamam atenção os trechos dedicados à reflexão sobre a vida e a morte. "Não há outro final além da morte e o nascimento é o único princípio", escreve Hemingway em um dos finais descartados mais tarde.

Os desfechos alternativos, no entanto, não são a única novidade do volume. Está lá, por exemplo, uma lista de títulos imaginados por Hemingway para o romance, como O Encantamento, Amor na Guerra, Todas as Noites ou ainda Sobre Feridas e Outras Causas.

Há também ilustrações utilizadas na primeira edição e uma série de indicações de passagens reescritas ao longo da criação do livro, com suas respectivas versões originais. Há ainda fac-símiles de páginas manuscritas, um texto introdutório preparado pelo autor para uma edição de 1948 da obra e um prefácio assinado pelo seu filho, Patrick Hemingway. / EFE

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