terça-feira, 10 de julho de 2012

China - O Novo Mundo e o Brasil

Participante ativo ou coadjuvante?

Mesmo com o feriado do 9 de Julho em São Paulo, o Brasil acompanhou o noticiário da Abertura do 11º. Congresso Nacional da CUT – Central Única dos Trabalhadores. O noticiário de hoje é que os dirigentes da CUT declararam que “os Trabalhadores têm lado”, deixando claro que apoiam os candidatos à esquerda, principalmente os candidatos ligados ao PT.

A direita, tanto da Imprensa, como parlamentar, reagiu irada. O Brasil tem uma tradição de ser um país dissimulado. Onde finge que não tem lado, finge que não tem racismo, finge que não discrimina os pobres e nordestinos, finge que não tem “Complexo de Vira Lata”, e finge que a Justiça funciona igualmente para todos. As pessoas, de tanto fingirem, esquecem de suas mazelas.

Independente das nossas tradições, “a vida continua e o mundo gira”.
O Brasil ficou “deitado em berço esplêndido” e perdeu sua participação na História da Humanidade. Talvez tenha se preservado, como condição para manter sua unidade nacional. Mas é hora de acordar e participar ativamente dos Fóruns Internacionais. Mesmo que para isto tenha que criar uma nova cultura e uma nova classe hegemônica. O tempo não para.

Vejam parte de um bom texto, de autoria do professor Jean-Pierre Lehmann é professor emérito de Política Econômica Internacional no IMD, diretor-fundador do Evian Group no IMD e pesquisador sênior do Fung Global Institute em Hong Kong, e publicado no jornal VALOR, de ontem, dia 09 de Julho de 2012.

O poder da China no Novo Mundo


A história realmente importante entre o início dos séculos XVI e XXI
foi a transferência de riqueza e poder da Ásia para o Ocidente.

Entre 1500 e 1600 a Ásia era responsável por mais de 65% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial; em 1700, à medida que o impacto da ascensão das grandes empresas holandesas e britânicas no Leste Asiático começou a ser sentido, a participação começou a declinar, embora ainda mantendo-se em 60%. No início do século XIX a Ásia ainda parecia estar mais ou menos se mantendo por conta própria.

De fato, só a China era responsável por 33% do PIB mundial. Então, os diques da industrialização e imperialismo ocidental estouraram. Em 1950, a Ásia tinha 60% da população mundial e 17% do PIB. A Ásia estava pobre, muito pobre. Em 1975, 25 anos depois, havia aumentado a participação no PIB mundial para 22%.

Estamos testemunhando hoje uma mudança tão profunda quanto a ocorrida há meio milênio, com a ascensão do Império Ultramarino Português. Em razão da tecnologia, no entanto, esta era de transformações na qual vivemos vem fluindo ao longo de um período de tempo muito comprimido; a situação vem mudando a uma velocidade alucinante - tão alta, que muitos, especialmente no Ocidente, as pessoas não percebem.

O que é esse "novo mundo"?


Para começar, é um mundo que não é mais dominado pelo Ocidente.
Há 20 anos, a participação do mundo em desenvolvimento no PIB era de 35%;
hoje é de 50% e segue em alta.
Há 20 anos, os países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) eram o centro da economia mundial com outras regiões girando a seu redor passivamente.
Hoje, a maior parte do comércio exterior e dos fluxos de investimentos internacionais se dá dentro ou entre as outrora regiões periféricas do mundo.

O comércio entre China e Brasil multiplicou-se mais de 20 vezes entre 2000 e de 2010.
A China, que estava à margem das relações econômicas da maioria dos países do mundo em desenvolvimento, hoje ultrapassou os Estados Unidos e União Europeia (UE) e se tornou o maior parceiro comercial do Brasil.

Uma tendência similar pode ser vista nos laços econômicos da China
com outros países da Ásia, África e América Latina. Os laços e a influência chinesa não estão limitados aos países em desenvolvimento. Pequim possui cerca de US$ 1,8 trilhão investidos em bônus do Tesouro dos EUA; a China é, como Hillary Clinton admitiu recentemente, o banqueiro dos EUA.

O novo mundo está cada vez mais sinocêntrico.
A China tornou-se o centro de produção industrial mundial, o centro da cadeia de fornecimento mundial. Superou os EUA e Alemanha como maior potência comercial do mundo. Superou o Japão e tornou-se a segunda maior economia do mundo e quase certamente passará os EUA, em termos de PIB agregado, antes do fim da década.

Embora Mao tenha conquistado a independência política da China
, seu regime seguiu um regime de autarquia econômica. Em 1978, a liderança chinesa, sob o comando de Deng Xiaoping, decidiu, nas palavras do economista Zheng Bijian, acolher a globalização. O resto, como se costuma dizer, é a história dos últimos 30 anos e é algo que marcará as próximas décadas.

A revolução mundial sinocêntrica realmente está apenas em seu início.


Se quiserem a íntegra, leiam em:

http://www.valor.com.br/opiniao/2742454/o-poder-da-china-no-novo-mundo?utm_source=newsletter_manha&utm_medium=09072012&utm_term=o+poder+da+china+no+novo+mundo&utm_campaign=informativo&NewsNid=2741728#ixzz20E84Y64S



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