terça-feira, 31 de julho de 2012

China - Disputa de Hegemonia Olímpica

Formação Internacional

Quem lê a História da China com a sua derrota e ocupação pela Inglaterra, quando um dos motivos foi a destruição da frota marítima que a China tinha, e a não utilização da pólvora para fins militares, e vê a China agora como principal produtor econômico, maior credor dos Estados Unidos e grande vencedor nas Olimpíadas de Pequim, não pode se surpreender com as vitórias desta Olimpíadas de Londres.

Da mesma forma que a China importou fábricas e tecnologias, mandou mais de um milhão de chineses estudar fora, também formou esportistas nos melhores ginásios disponíveis do mundo.

O caso desta chinesinha de apenas 16 anos não é diferente. Mesmo tendo desconfiança por parte dos Estados Unidos de que ela possa ter usado drogas proibidas, doping, ela já entrou para a história destas Olimpíadas.

O Brasil precisa aprender com os chineses. Vejam a matéria do Estadão de hoje:

Chinesinha assombra o mundo na piscina

Aos 16 anos, Ye Shiwen tem marcas que impressionam - e levantam suspeitas

31 de julho de 2012 | 3h 03 - Alessandro Lucchetti , Jamil Chade / Londres - O Estado de S.Paulo

Nem Michael Phelps, nem Missy Franklin, a versão feminina do "Prodígio de Baltimore". Quem causou furor mesmo nos primeiros dias da natação no Aquatics Centre foi a chinesinha Ye Shiwen, de apenas 16 anos e 1,70m.

Primeiro, estarreceu o mundo ao nadar os últimos 50m dos 400m medley mais rápido do que o próprio Ryan Lochte, ouro dos 400m medley com marca impressionante (4min05s18). Nunca na história da natação olímpica uma mulher havia conseguido nadar trecho algum de uma prova em menos tempo do que o campeão do correspondente masculino.

Ye foi também a primeira mulher que, usando traje têxtil, derrubou marca feita na época dos supermaiôs. Marcou 4min28s43, deixando para trás os 4min29s45 que deram à australiana Stephanie Rice o ouro em Pequim.

Ontem, a fera asiática nadou em 2min08s39 e quebrou "apenas" o recorde olímpico nos 200m medley, outra marca que pertencia a Rice (2min08s45). O recorde mundial é da norte-americana Ariana Kukors (2min06s15). "Eu segurei o ritmo", disse ela à imprensa chinesa, dando a entender que já está se poupando para a final, que será hoje, às 16h43, quando outra marca mundial pode cair.

Os feitos assombrosos, é claro, dispararam fortes suspeitas de doping. O flagrante passou perto de Ye. Há seis semanas, Li Zhesi, outra nadadora chinesa, colega de equipe da nova estrela, testou positivo para a substância eritropoietina (EPO). A agência antidoping chinesa (Chinada) anunciou o resultado e informou que o teste foi feito sobre uma amostra colhida num período não competitivo, no dia 31 de março.

Ontem, Arne Ljungqvist, chefe da Comissão Médica do COI, foi bombardeado por perguntas de dezenas de jornalistas em uma coletiva de imprensa, mas insistiu em proteger a nadadora. "Não vou falar de suspeitas. Dizer que alguém é suspeito é metade de uma condenação e não temos nada sobre esse caso", declarou ele, visivelmente irritado.

Questionado se o tempo dela não era motivo de suspeita, apenas respondeu negativamente: "Não tenho nenhuma razão para isso e só posso aplaudir até ter novos fatos", disse. "Se uma vitória dessa natureza for algo sempre suspeito, então o esporte está ameaçado. Isso arruína o charme do esporte", declarou. Para ele, o resultado não pode ser motivo de uma suspeita por si só e garante que todos os medalhistas foram alvo de testes. A Fina (Federação Internacional de Natação) ainda não divulgou nenhuma punição.

Mudança.
A história chinesa na natação não é constituída apenas por glórias. Nos anos 1990, 40 exames feitos com material colhido de chineses acusaram positivo para esteroides. Os chineses, então, passaram a trabalhar para melhorar seus resultados na natação.

Há mais de uma década, Pequim, a capital do país, foi escolhida para sediar os Jogos Olímpicos de 2008. Obcecados por resultados impressionantes nas piscinas, os dirigentes chineses foram buscar conhecimento na Austrália, país que já revelou vários talentos nas piscinas.

O Estado chinês paga vultosas somas para alugar o Miami Aquatic Centre, localizado em Gold Coast, no litoral australiano. Levas de jovens chineses se deslocam para lá, treinam e voltam para a China. Assim que partem, uma nova leva chega.

Os nadadores escolhidos para receber esse investimento são selecionados após um recrutamento feito nas escolas. Pés e mãos grandes, capazes de deslocar apreciáveis volumes d'água, são o foco. Ye Shiwen, a chinesinha de 16 anos que foi campeã nos 400m medley, mede 1,70m, mas calça 41 e tem as mãos grandes.

Nas entrevistas, a adolescente continua a impressionar. Cita não poucos aspectos que precisa corrigir. Se ela nada tão rápido com tantas deficiências, a qual velocidade poderá chegar se conseguir saná-las?

"Tenho margem de melhora, porque não sei nadar bem (o estilo) peito, tampouco faço as viradas corretamente. Não sou tão boa no crawl também."

O principal mentor da usina australiana de nadadores chineses é Denis Cotterell, responsável por orientar lendas quando se fala em fundistas, como Grant Hackett e Kieren Perkins. Os resultados desse pacto entre nações banhadas pelo Pacífico deverão ser contabilizados por anos a fio. Dos 49 nadadores chineses presentes em Londres, 27 nasceram de 90 para cá.

A Austrália, é claro, agrada à chinesinha, que diz gostar do clima quente do país e ainda aprecia o churrasco local.

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