sábado, 23 de junho de 2012

Pão de Açúcar - O Jogo do Poder

O olhar da Imprensa

No dia 22 de Junho, o Dia “D” do Pão de Açúcar e de Abílio Dinis, quem deu a melhor matéria jornalística foi o jornal VALOR. Fez uma boa matéria de capa, complementada no interior do jornal. Como eu já falei antes, a Folha foi burocrática e o Estadão fez boa matéria, com chamada na capa do Caderno de Economia.

Hoje, um dia depois da passagem do poder, o Estadão fez uma boa chamada na capa do jornal “ADEUS AO PODER”.

Já a Folha, foi mais burocrática ainda. A impressão é que a Folha está articulada com as dezenas de assessorias que o Casino contratou no Brasil. Os próprios “Conselheiros” indicados pelo Casino, são brasileiros vinculados aos Tucanos e à Folha. Gente que apoiou o neoliberalismo de FHC.

O mais irônico da Folha, foi que ela pôs a matéria no Caderno B, página 12, lado esquerdo, com o título “Comando do Grupo Pão de Açúcar passa, enfim, para o Casino”. E na página 13, do lado direito, a manchete é: “LARANJAS APODERECEM NO PÉ EM POMARES DE SÃO PAULO”. Ao lado uma foto grande com a legenda “Agricultor mostra LARANJAS QUE CAÍRAM DO PÉ”>

A Folha é assim: A forma vale mais do que o conteúdo.

Em homenagem à boa matéria do VALOR,
a matéria utilizada do dia será a da Capa do dia 22.

Vale a pena ler:

Valor – Primeira página de 22 de junho de 2012 – Dia “D” no Pão de Açúcar
22/06/2012 às 00h00

Em ambiente de discórdia, Abilio passa poder ao Casino

O Pão de Açúcar, maior rede varejista do país, cumpre hoje, às 14h, o destino que começou a ser traçado em 2005, quando Abilio Diniz buscou recursos no grupo francês Casino e aceitou os termos de um contrato que o força hoje a entregar o controle da rede de supermercados. A troca de bastão se dá ao lado de onde tudo começou: a sede social do grupo na capital paulista é vizinha da loja número 1, onde ficava a doceria criada por Valentim dos Santos Diniz, em 1948. Abilio passa a ser apenas um sócio relevante, com a presidência do Conselho de Administração.

O Casino assumirá a maioria do capital votante do Pão de Açúcar desembolsando apenas US$ 10,5 milhões, depois de ter socorrido o grupo por duas vezes frente a dificuldades financeiras, em 1999 e 2005, quando o atual acordo foi selado e o grupo francês entrou no grupo de controle, pagando US$ 900 milhões.

A transição do comando em uma companhia avaliada em R$ 19,2 bilhões e com receita líquida de R$ 46,6 bilhões ocorre em um ambiente conflagrado. Desde que Abilio desenhou um projeto de compra do Carrefour que o colocaria, por meio de nova estrutura societária, em pé de igualdade de poderes com o Casino, o clima azedou. Até hoje há arbitragem internacional a respeito da disputa.

A empresa ainda enfrenta discussões societárias com a família Klein, arrependida de ter vendido a Casas Bahia, e com Lily Safra, antiga controladora do Ponto Frio. Essas aquisições multiplicaram por dois o tamanho do Pão de Açúcar e aumentaram a frustração de Abilio em ter de deixar o negócio.

Nota do Blog:


Tenho recebido algumas mensagens alertando de que Abílio Dinis também é predador e que já deu muito tranco em muita gente. Quero esclarecer que jamais polarizei entre um predador e outro. Minha questão central neste debate é o fato de o Brasil, mais uma vez, estar entregando suas riquezas aos estrangeiros. É o fato de o Brasil ser um país sem auto-estima.

As quatro maiores redes varejistas no Brasil, hoje, pertencem a estrangeiros, incluindo um empresário chileno. Estes compraram uma rede de varejo e acabaram de assumir o controle da TAM.

As quatro redes estrangeiras são:
Pão de Açúcar/Casino, Carrefour, Walmart e a chilena Cencolsud – dono da Rede GBarbosa.

Os empresários brasileiros usam e abusam de subsídios e proteções de governos, ficam ricos e depois vendem seus negócios para estrangeiros e o Brasil fica em segunda plano.

Por que a Índia, a China e a Coréia do Sul têm industria automobilística própria e o Brasil não tem? Por que sempre foi “quintal” americano? Quando mudaremos esta história.

Nos meus e-mails eu sempre escrevo embaixo do meu nome:

“Brasil – O Futuro é Agora”

Está na hora de todos os brasileiros tomarem consciência
e criarem um Projeto Nacional de Desenvolvimento e de Inclusão Social.

Dilma é a minha esperança!


5 comentários:

  1. Prezado Gilmar,

    Acompanhei todas as postagens suas sobre o episódio Pão de Açúcar X Casino.

    A lógica apresentada por você é absolutamente correta, a do princípio do patrimônio empresarial brasileiro.

    Nossos empresários parecem adormecer os sentidos quando desenvolvem um gosto muito especial pelo que vem do estrangeiro, permitindo a transferência de seus patrimônios sem nenhuma resistência.

    Nossa cultura geral, notadamente as que se desenvolvem nas classes mais abastadas, faz reverência a qualquer bobagem oriunda dos Estados Unidos ou da Europa.

    Não discuto aqui as qualidades de qualquer produto que nos chegam às fronteiras para melhorar o país. Refiro-me neste caso ao valor que se dá a essa tola cultura subserviente.

    Nelson Rodrigues nos definia como possuídores da síndrome do Vira-Latas. Num exemplo simplório, nossas crianças e adolescentes das classes econômicas A e B conhecem mais a Disney do que qualquer parte do território nacional.

    Há pessoas da classe média que conhecem mais de trinta países pelo mundo e nunca visitaram uma só praia do nordeste brasileiro.

    Morei na Amazônia, em Parintins, há 35 anos. Sempre descrevi as belezas do Festival de Parintins, uma festa sem paralelos no sul/sudeste brasileiro. Vinte anos depois voltei a Parintins e a festa estava mais bonita. Nunca consegui convencer um amigo ou uma amiga a conhecer Parintins. Mesmo depois do sucesso que os parintinenses fazem tanto no carnaval carioca quanto no paulista, trazendo suas arquiteturas fabulosas ao nosso conhecimento. No final deste mês repete-se a festa. Poucos dão importância para sua realização e quem tiver curiosidade e fizer uma pesquisa vai descobrir que Parintins recebe mais estrangeiros que brasileiros.

    Na economia não é diferente. Seja na indústria automobilística, conforme sua anotação Gilmar, em outras áreas segue-se o mesmo diapasão.

    A FNM - Fábrica Nacional de Motores, em Duque de Caxias - RJ, talvez tenha sido a primeira tentativa de uma grande indústria no ramo de veículos, ainda na década de 50. Mas Gurgel, de São Paulo, e a Troller, do Ceará, talvez sejam as que mais sejam lembradas. Mas há as fábricas de carroçarias de ônibus, um arremedo do setor, e muitas delas já fecharam as portas, ou se transformaram em pequenas subsidiárias das que restaram.

    Carbrasa, Ciferal, Metropolitana, CMA, Cobrasma, Eliziário, Grassi, são algumas fábricas e indústrias que desapareceram do nosso mercado metalúrgico de veículos.

    Neste segmento de ônibus do ramo veículos ainda sobraram as gigantes Marcopolo, de Caxias do Sul - RS, e Busscar de Joinvile - SC.

    No ramo ferroviário já tivemos duas gigantes, a Santa Marta, de Três Rios - RJ e a MAFERSA, de São Paulo.

    (continua)

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  2. (continuação)

    Sua preocupação, Gilmar, é meu dilema.

    Amigos me chamam de tolo por não fazer compras em lojas como Carrefour ou Walmart. A partir da próxima semana não compro mais no agora Casino e suas empresas.

    Há outras empresas brasileiras para receberem minha preferência. Há 40 anos pratico pesquisa de produtos que vou comprar. Se tem similar nacional, eu dou preferência. Faço exceção aos vinhos, vá lá! Mas um alimento fabricado no Estado brasileiro mais pobre tem minha preferência sobre o de uma unidade federativa mais rica. Um produto oriundo de uma cidade menor em relação a outra maior.

    Pode ser uma bobagem. Mas tenho um sentimento de querer valorizar o que é brasileiro e, dentre estes, os das pequenas comunidades. Adoro feiras, pra comprar direto do produtor sempre que possível.

    De lado essa particularidade, voltemos ao tema principal. Você citou a Tam, adquirida pela Lan chilena. Tem a Trip, outra empresa aérea, criada a partir de uma empresa de ônibus de Campinas, a Caprioli. Agora ela passa ao controle da Azul, uma empresa cujo proprietário é norte-americano.

    No ramo de alimentos essa lista de perdas para as empresas estrangeiras é enorme. A Companhia Industrial de Conservas Alimentícias, popularmente denominada CICA, foi a maior multiprodutora agrícola brasileira. Pra quem não se lembra, molho de tomate Elefante. A CICA tinha uma lista enorme de produtos e sua primeira fábrica, em Jundiaí, foi fechada na década de 90. Hoje pertence a Unilever, uma multinacional anglo-neerlandesa.

    Outro exemplo é a ARISCO, que iniciou operações na década de 60 em Goiás, com a pasta de Alho, e se transformou numa gigante brasileira de alimentos. Hoje também é da Unilever, a patrocinadora do time feminino de vôlei onde Bernardinho é o técnico.

    Para economizar linhas, outra lista resume bem essa triste história. A das empresas estrangeiras que mais adquiriram companhias nacionais de alimentos. Foram elas a Parmalat, Nabisco, Danone e Bunge y Born, que juntas adquiriram mais de dez empresas brasileiras.

    A mais recente transação do ramo de alimentos foi a da Yoki, tristemente lembrada pela morte e esquartejamento de um de seus executivos em São Paulo. Nos últimos anos mais de trinta empresas nacionais de alimentos se transferiram para a propriedade estrangeira.

    No ramo de bebidas várias empresas nacionais agora são propriedade de outros países. Até a tradicional chachaça Ypioca, fabricada no Ceará desde o século XIX, onde há um museu da Cachaça, virou empresa britânica, a mesma que produz o Whisky Red Label. A Coca-Cola, a Pepsi e também a suíça Nestlé (também do ramo de alimentos), são companhias estrangeiras que dominam esse mercado. Até o guaraná Jesus, cor de rosa, fabricado no Maranhão, é da Coca.

    (continua)

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  3. (conclusão)

    Esses fatos são alguns, meu Prezado Amigo Gilmar.

    Há muitos e muitos outros em quase todos os segmentos da indústria nacional.

    Um bom desafio é tentar comprar um sabonete, um produto de limpeza, de higiene e assemelhados, de uma empresa cuja propriedade não seja estrangeira.

    Se há os que entendem que a "globalização" é um fenômeno inevitável e que por isso as empresas estrangeiras vão mesmo se tornar donas do mundo, que tudo isso é natural, sempre é bom lembrar que o emprego, a renda, as indústrias e suas fábricas, o lucro e os dividendos, além de outros aspectos dessas perdas para o capital internacional vão, a cada dia, sendo decididos por estratégias que não passam pelo interesse brasileiro.

    A tal da sinergia entre companhias corta salários, empregos e diminui a concorrência, elevando nossa dependência a poucas opções.

    Quanto mais poucos e grandes grupos a controlarem a economia, em todos os seus segmentos, maior a fragilidade dos governos na gestão dos problemas sociais, que aumentam em taxas extraordinárias quando essas multinacionais fecham uma determinada unidade para concentrar noutra região a sua produção, por exemplo.

    Não por outra razão, esse processo vem produzindo cada vez mais um inchaço nas regiões metropolitanas em detrimento do restante do país.

    Agravam-se por conta disso a prestação de serviços públicos em transporte, educação, saúde, segurança, habitação, etc.

    E se há problemas para o fornecimento desses serviços nas grandes cidades, por outro lado também há dificuldades para suprir as necessidades do povo brasileiro nas pequenas comunidades. Hoje é muito difícil conseguir contratar médicos para pequenas cidades no interior do país.

    Em Minas Gerais, o governo de Aécio Neves iniciou um processo de gestão em serviços de saúde pública baseado em vans e micro-ônibus. Os pacientes são transportados para os grandes centros pela ausência até de clínicas médicas mais comuns.

    Os nossos gestores públicos adotam o tradicional jeitinho brasileiro para solucionar problemas onde o Estado perdeu a capacidade de intervenção.

    Ao não nos dedicarmos - por estudos, pesquisas acadêmicas, investigação pública - a esses fenômenos de transferência do controle da produção e de bens de consumo, vamos criando outros problemas mais graves e mais grandiosos para as futuras gerações.

    O transporte público nas regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro, mesmo que pudesse receber um olhar especial e atento, além de amplos recursos financeiros aplicados na solução dos problemas, levaria mais de uma década para amenizar o drama que se tornou o direito constitucional de ir e vir nessas grandes comunidades.

    Para encerrar, meu Caro Amigo Gilmar, penso que o exercício da cidadania em solo pátrio ainda é uma questão a ser resolvida. Com tantas décadas perdidas em ditaduras e golpes nos últimos cem anos, nossa capacidade de intervenção na gestão pública do Estado brasileiro e, por conseguinte, na economia, especialmente no emprego e na renda, matrizes para o desenvolvimento de qualquer povo, está muito aquém da necessidade num mundo em que a velocidade das mudanças atordoam a todos nós. Ou seja, ao imaginar o planejamento para uma ação em benefício da população esta se torna defasada em pouco tempo.

    Surgem outras necessidades, ainda que fabricadas por interesses que não dominamos, porque as estratégias vão sendo definidas longe de nossas fronteiras. E aquilo que sequer foi iniciado e ficou pra depois vai se acumular com os novos problemas que também não daremos conta de resolver.

    A gente corre atrás do rabo, que nem um cachorro louco.

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  4. Alexandre Pagliano28 de junho de 2012 18:15

    Peco licenca para discordar.

    Tem muitos mercados onde a empresa brasileira tem feito progresso, ganho participacao de mercado, assumindo mesmo posicoes de lideranca nacional como internacional.

    E uma historia de competencia, visao estrategica, qualidade de execucao...

    Assim, empresas como a Ambev, a Embraer, A Vale, e tantas outras no cenario internacional, ou Bradesco e Itau nos mercados financeiros locais, construiram bases solidas e competitivas.

    Quanto ao Pao de Acucar e Abilio Diniz, pesquisem nos anais da historia como ele "comprou" os irmaos e irmas para assumir o controle. Ajudou a salvar a empresa, certo, num periodo de turbulencia, mas tambem quebrou de novo, duas vezes, em 1999 e em 2005, unica razao pela qual o Casino obteve a opcao de compra... que o Abilio assinou e depois nao quis respeitar, nesta bravata toda da malfadada operacao com o Carrefour, que nao teria feito outra coisa que aumentar o preco para o vendedor, o Abilio, numa transacao com outro grupo multinacional...

    No mais, a geracao de valor no mundo nao vem da distribuicao nem do varejo, que sao negocios pouco rentaveis, menos ainda da industria automobilistica que e supercapacitaria e anacronica, continua consumindo petroleo, e nada gerou de interessante para o mundo nas ultimas decadas, a nao ser talvez subsidios dos governos pra salvar os empregos quando as coisas vao mal...e assim no Brasil como nos EUA e na Europa...

    O mundo e a economia sao globalisados, o mais importante e fazer do Brasil e dos brasileiros mais capazes e competitivos, precisamos de menos choradeira e mais Ambevs e Embraers...

    Dona Dilma tem uma oportunidade unica, de fazer as reformas politica e fiscal, e botar dinheiro na educacao, espero que ela o faca !!!

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