quinta-feira, 7 de junho de 2012

Pão de Açúcar e Casino - O Rato e o Gato

II – O que era grande, ficou ainda maior

Continuação de ontem:

Embora o jornal Valor seja da Folha e de O Globo, a qualidade de suas matérias é sempre melhor do que da Folha. Este jornal (a folha), não sei por qual motivo, vem dando cobertura favorável ao Grupo Casino contra Abílio Diniz, controlador do Pão de Açúcar até o próximo dia 22.

Mesmo sendo uma matéria longa, como muita gente que lê este Blog não lê o jornal Valor. Por considerar a matéria de alta relevância para os estudiosos e para os defensores da Economia Brasileira, resolvi reproduzi-la em duas partes.

A primeira parte
mostrando como as negociações partiram de um patamar que é a metade do que representa hoje e que levou a grande vantagem para o Grupo Casino.

A segunda parte complementa a primeira, mas mostra que o jogo não está totalmente resolvido, isto é, o Pão de Açúcar do Casino pode não ser o quê vemos hoje, pode ter outra forma. O futuro dirá...


Parte II - O jogo está favorável ao Casino

Mas o jogo ainda não acabou.

Leiam a boa matéria do Jornal Valor, publicada ontem, 06/06/2012.

"O grupo francês, contudo, não vê a fotografia dessa maneira, pois acredita que fez uma aposta de risco quando entrou na companhia, em 1999, e quando ampliou sua exposição em 2005, indo para o bloco de controle. Tudo isso porque, nessa época, as dívidas pesavam sobre o grupo de Abilio. Os compromissos eram superiores a R$ 1,6 bilhão, para uma receita líquida anual de R$ 13,5 bilhões - R$ 18,5 bilhões, quando corrigidos pela inflação.
De lá para cá, a economia mundial foi chacoalhada pela crise financeira internacional de 2008, originada pela excessiva alavancagem em torno das hipotecas americanas.

A Europa não é mais sinônimo de economia madura e segura e o Brasil ganhou projeção internacional. Todos querem colocar um pé aqui para apresentar a seus acionistas uma exposição a um mercado de crescimento.
Enquanto o eixo da economia global era sacudido, colocando o Brasil em evidência, o Pão de Açúcar mais do que dobrou de tamanho em receita e hoje seu valor de mercado é R$ 19,7 bilhões, ante os R$ 6 bilhões da época do acordo, em 2005.

A frustração de Abilio em deixar o negócio para o Casino é justamente o Pão de Açúcar de hoje, que passou por uma ascensão quase meteórica.
Depois dos anos de aperto, em especial, os últimos cinco anos foram de rápida expansão, a ponto de permitir que a próxima fronteira vislumbrada pelo empresário brasileiro fosse a internacionalização dos negócios, a partir do grupo que ajudou a fundar.

Esse era o sonho que estava por trás da proposta de comprar o Carrefour e que causou a discórdia com o Casino. O próximo passo almejado por Abilio se tornou um problema principalmente porque, com ele, não mais precisaria mais entregar o controle ao Casino. Novas bases seriam criadas para a relação, de forma que seu poderes voltariam a se igualar ao do grupo francês.

Para Abilio só isso poderia vir depois da compra do Ponto Frio (Globex) e do ícone do varejo de eletroeletrônicos, a Casas Bahia. E ambos os passos foram feitos sem que a companhia tivesse que desembolsar mais de R$ 500 milhões, pois as ações - desde então já valorizadas na bolsa - foram importante moeda de pagamento.
O grupo, com isso, além de dobrar de tamanho, também diversificou seus negócios e ampliou a participação na venda de eletroeletrônicos, atento à forte expansão imobiliária do país - que puxaria outros segmentos da economia, como linha branca, linha marrom e eletrônicos. Atualmente, se considerada uma companhia de varejo "multiformato", que emprega 150 mil pessoas.

O Pão de Açúcar, que já sofreu com a dureza dos posicionamentos de Abilio junto aos investidores e as dívidas do passado, tornou-se uma das empresas preferidas dos aplicadores da BM&FBovespa.
Essa mudança de patamar do Pão de Açúcar é que o faz com que Abilio busque novas bases para sua saída, embora nunca tenha formalmente solicitado a revisão das cláusulas do contrato que estabelecem o valor de sua fatia.

Dois meses após 22 de junho, quando o Casino pode assumir a maioria do conselho de Pão de Açúcar, Abilio precisa entregar o controle por US$ 10,5 milhões - participação que vale em bolsa cerca de R$ 120 milhões. Depois, entre 2014 e 2022, se a parceria durasse tanto, poderia vender o restante de suas ações em Wilkes por uma fórmula matemática ou 91,5% do valor de mercado das ações preferenciais - podendo receber em ações ou em dinheiro - o que for maior.

A fórmula matemática não está vantajosa, pois é balanceada por múltiplos das hoje descontadas empresas americanas e europeias do setor. Portanto, o que o empresário brasileiro tem em mãos vale menos do que a cotação de mercado - daí os R$ 2,2 bilhões.
Tudo indica, porém, que Abilio conseguirá o que o Casino vem repetindo que ele já recebeu: prêmio de controle. Por isso, os mesmo ventos que foram favoráveis ao Casino no cenário podem empurrá-lo para comprar seu sossego.
É possível que ele consiga continuar no setor, com Ponto Frio e Casas Bahia, na empresa denominada ViaVarejo - e capitalizada.

Assim, o Pão de Açúcar do Casino pode não ser o mesmo de hoje.

Sem saber o que esperar para o dia 22 de junho ou depois, o mercado começou recentemente a atribuir um desconto para os papéis. A companhia, que já chegou a valer mais de R$ 23 bilhões, perdeu quase 15%.

Caso Abilio e Casino não cheguem a um novo acordo, o empresário também terá de limitar sua disposição para discordar dos planos do grupo francês: seu lastro no papel e na vida real está todo em ações do Pão de Açúcar.


Leia mais em:
http://www.valor.com.br/empresas/2693876/fundador-quer-receber-valor-do-novo-pao?utm_source=newsletter_tarde&utm_medium=06062012&utm_term=fundador+quer+receber+valor+do+novo+pao&utm_campaign=informativo&NewsNid=2693392#ixzz1x2qqFAne

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