quarta-feira, 6 de junho de 2012

Pão de Açúcar e Casino - O Gato e o Rato

I - Negociações de curto e de longo prazo

Embora o jornal Valor seja da Folha e de O Globo, a qualidade de suas matérias é sempre melhor do que da Folha. Este jornal (a Folha), não sei por qual motivo, vem dando cobertura favorável ao Grupo Casino contra Abílio Diniz, controlador do Pão de Açúcar até o próximo dia 22 de junho.

Mesmo sendo uma matéria longa, como muita gente que lê este Blog não lê o jornal Valor, vou mostrá-la.
Por considerar a matéria de alta relevância para os estudiosos e para os defensores da Economia Brasileira, resolvi reproduzi-la em duas partes.

A primeira parte mostrando como as negociações partiram de um patamar que é a metade do que representa hoje e que, com a expansão da economia brasileira e do Grupo Pão de Açúcar, levou a grande vantagem para o Grupo Casino.

A segunda parte complementa a primeira, mas mostra que o jogo não está totalmente resolvido, isto é, o Pão de Açúcar do Casino pode não ser o quê vemos hoje, pode ter outra forma.
O futuro dirá...

Leiam a boa matéria do Jornal Valor.

Parte I – O Brasil não conhece o Brazil


Fundador quer receber valor do novo Pão de Açúcar
Valor – 06/06/2012 – 16h55

Um olhar mais atento sobre as condições estabelecidas entre Abilio Diniz e Casino, no contrato de 2005 que regula o controle do Pão de Açúcar, permite entender porque o fundador da maior rede varejista do Brasil está insatisfeito. E ajuda a explicar como se transformou num conflito a relação que seria "mais um passo de Abilio Diniz para preparar a vida para o futuro", nas palavras do próprio na entrevista à imprensa que anunciou a parceria.

Toda essa dificuldade na relação permite que, visando encerrar as divergências, os sócios negociem o fim antecipado da convivência, algo que ambas as partes desejam. O problema é como e por quanto.

O valor de mercado das ações detidas pela Wilkes, sociedade que reúne Abílio e Casino, está em pouco menos de R$ 5 bilhões. Cada um tem metade do controle.

E o que o filho do fundador da rede de supermercados tem assegurado para si são R$ 2,2 bilhões - a valor de hoje. Mas trata-se de um dinheiro que pode ser embolsado só entre 2014 e 2022. Portanto, o Casino pode comprar toda posição de controle que não possui com 12% de desconto.

É comum que mesmo em parcerias, o sócio que deixa o grupo de controle leve para casa um bom prêmio de controle.
Foi assim com a Vivo, na negociação entre Telefônica e Portugal Telecom, e também na Usiminas, com a chegada da Techint. E até mesmo na assunção da Aracruz pela Votorantim Celulose e Papel (VCP).

Nessa operação, porém, o prêmio foi pago antecipadamente. A questão é que quando isso aconteceu, em 2005, o Pão de Açúcar era muito menor e, portanto, as cifras envolvidas também. Por isso, Abilio quer um novo prêmio.

O negócio que levou o Casino ao co-controle do Pão de Açúcar movimentou US$ 900 milhões, há sete anos. Foi uma estrutura que envolvia US$ 400 milhões em dinheiro - usados por Abilio para comprar os imóveis do grupo e, com isso, recapitalizar a empresa e obter uma renda para si com os aluguéis - mais cerca de US$ 300 milhões em ações preferenciais da empresa e ainda US$ 200 milhões em outros títulos conversíveis em ações.

Na época, justamente pelo prêmio envolvido, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) entendeu que se tratava de uma troca de controle e obrigou o Casino a realizar uma oferta pública pelas ações ordinárias da empresa, embora quase não houvesse papéis em circulação na bolsa.

Abilio aceitou o contrato. Pelos valores de então, o Casino gastaria mais US$ 567 milhões para ficar com a fatia que permaneceu com o empresário. O desconto já estava embutido, como compensação pelo prêmio já pago.

Mas nesses sete anos o mundo mudou muito e o Pão de Açúcar, também. E os ventos foram favoráveis ao Casino

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