terça-feira, 19 de junho de 2012

Pão de Açúcar - Cada dia um Martírio

A divisão do espólio

Digno de Shakespeare, a transição do controle acionário do Pão de Açúcar se assemelha à queda de um general, depois de perdida a guerra, ou à disputa entre as hienas e os abutres para ver quem fica com os restos mortais da gazela, depois de abatida pelo predador maior.

Há um filme japonês,
em preto e branco, muito interessante, que conta a história de um camponês inescrupuloso que, por acaso, encontra um samurai famoso, porém doente, e ao reconhecê-lo como um samurai que o inimigo oferecia grande prêmio por quem o matasse, o camponês inescrupuloso corta a cabeça do general e leva-a ao samurai adversário. Assim ganha muito dinheiro e fama, como se fosse um “grande combatente”, mas, com o passar do tempo cai no ridículo, ao ser constatada impossibilidade de ele ter lutado contra o general, mesmo que doente.

No "Caso Pão de Açúcar",
agora, que restam apenas quatro dias para Abílio Diniz perder o controle do Pão de Açúcar, os predadores que já tinham perdido a disputa interna para ele, voltam a reivindicar antigas demandas, mesmo que, para isto, se alie ao inimigo de Abílio.

É a vingança dos vencidos.

Normalmente, é uma das vinganças mais perigosas e irracionais.
É mais movida pelo ódio do que pela razão.

Vejam o que Sônia Racy, aquela colunista do Estadão que primeiro abordou sobre as negociações do Banco Santander Brasil, está falando sobre “o caso Pão de Açúcar”, hoje:

RETA FINAL

Tem gente vendo conspiração no fato de LILY SAFRA ter entrado na Justiça (contra o Pão de Açúcar),pedindo mais dinheiro pela venda do Ponto Frio justamente agora – depois de três anos.

Tudo porque o homem de Lily no Brasil, Marcelo Trindade, também é advogado de Jean-Charles Naouri (do Casino).

Nota do Blog:

Sobre este caso do Pão de Açúcar e de Abílio, com o passar do tempo, aparecerá algum roteirista e diretor de cinema para fazer um “filme nacional”, patrocinado pelo BNDES e Petrobrás, onde contará, mais uma vez, a saga de um português, dono de um pequeno negócio, que cresceu e ficou rico, mas depois vendeu subvalorizado seu negócio para o comprador estrangeiro.

Não é por acaso que vivemos num país sem memória.

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