sábado, 23 de junho de 2012

On the Road e o Novo Mundo

Até Ignácio de Loyola Brandão comenta

Não sei bem por que, mas sempre gostei das ideias que aparecem quando se escreve sobre On the Road. Gostei mais ainda quando vi Walter Salles dirigir o filme. Sou fã de carteirinha de Walter Salles.

Hoje, ao ver o texto de página inteira do caderno Sabático do Estadão, sobre o livro, o filme e a exposição no Museu de Paris, onde está sendo exibido o mítico ROLO em que Jack Kerouac escreveu o livro. Fiquei curioso tanto com o conteúdo, como pelo fato de ter sido escrito por Loyola Brandão. Estou lendo o livro publicado pela L&PM Pocket, onde aparece a foto do “rolo”.

Vou reproduzir somente a introdução, o texto completo vocês podem ler no Estadão aqui .

O que há depois do além?

Museu de Paris exibe o mítico rolo em que Jack Kerouac escreveu 'On The Road', o ícone beat que acenava para um horizonte a ser descoberto; filme de Walter Salles sobre o livro já estreou lá

22 de junho de 2012 | 21h 30
Ignácio de Loyola Brandão - O Estado de S.Paulo – 23 de Junho de 2012 - sábado

Um livro inteiro escrito em um rolo de papel.
Foi espantoso saber disso. Jack Kerouac sentou-se entre 2 e 22 de abril de 1951, e datilografou sem parar e sem precisar tirar o papel da máquina em nenhum momento. Mais de 60 anos atrás, aquele jovem de 29 anos não sabia que tinha inventado o formulário contínuo que só entraria em cena mais de 40 anos depois. Como seria esse rolo?

Estávamos acostumados a usar o papel sulfite A-4, cuja largura era a mesma do rolo das máquinas de escrever comuns. Escrevia-se cerca de 20 a 30 linhas, em espaço duplo e acabava a lauda, era preciso trocá-la. O gesto se repetia em casa, nas redações, escritórios, faculdades, escolas, por toda a parte. Puxada a lauda, colocava-se outra, girava-se o rolo e recomeçava.

Nunca imaginei que precisasse explicar este processo banal, a fim de que as novas gerações crescidas com o computador, entendessem a questão. Por esta razão, ter escrito de uma vez só, em um rolo de papel, se tornou um fato mítico, único na literatura. Vinha em seguida o que o livro significou, o impacto que provocou, o espanto que ocasionou.

As notícias, naqueles anos 1950, diziam que o livro On The Road, que abalaria o mundo, teria sido escrito em um rolo de papel para teletipo, o que também poucos das novas gerações sabem o que é. Um aparelho existente em redações, escritórios, bolsas de valores, que recebia informações, notícias, cotações, vivia ligado 24 horas, parecia funcionar sozinho, uma vez que era acionado a distância. De uma cidade para outra, de um Estado, de um país. Funcionava o tempo todo, portanto necessitava ser alimentado por um rolo de papel que devia durar horas.

Em seguida, divulgou-se que On The Road não tinha sido datilografado em rolo de teletipo. Como seria então? Passaram anos até vermos a primeira foto de Jack Kerouac, o escritor, segurando o rolo na mão. Eu vi pela primeira vez na contracapa da edição integral de On The Road publicada pela L&PM, em 2008.

Mas que rolo seria esse?

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