sexta-feira, 29 de junho de 2012

Marisa Monte - Irrepreensível!

Ela chega aos 45 anos?

Para nós, ela continua uma garotinha!

Não vou publicar fotos para não dispersar a leitura
do texto de João Luiz Vieira, para o Estadão.

Marisa Monte: tecnicamente irrepreensível em show

Estadao.com - por João Luiz Vieira – 29/06/2012

Muita gente acha que chegar aos 40 anos é atingir a plenitude pessoal e profissional, o auge. Chegar aos 45 seria o que para Marisa Monte? Ela acabou de estrear a turnê de Verdade Uma Ilusão no HSBC, em São Paulo, confirmando que está muito bem, obrigada, e isso fica nítido em cena.

Não necessariamente nessa ordem de realização ela é dona do próprio negócio (e estamos falando de música), está milionária e magra, é mãe de duas crianças lindas, namora e trabalha com quem quiser, tem uma legião de pessoas que ama tudo o que ela canta e uma outra que passa a vida tentando imitá-la. Que tal?

Só que ela ainda é mais que isso, e se você for assistir ao show que recomeça nesta quinta-feira (28) vai entender que ela está dois patamares acima de suas colegas. Parecer flutuar, puxada por fios invisíveis que a conectam com o tecnicamente perfeito. Ela entra no palco e nada sai do lugar.

A voz é das mais cristalinas e afinadas, e a direção de cena consegue superar o show anterior (que já era excelente, com a histórica execução de Infinito Particular na penumbra), com intervenções visuais de bater palmas a cada ponto final. Com direção de Leonardo Netto e Claudio Torres, curadoria de Luisa Duarte, direção de arte de Batman Zavarese e cenografia de Marcelo Lipiani, o show tem projeções de artistas como Tunga, Luiz Zerbini, Alexandre Brandão, Marcos Chaves, Cao Guimarães e José Damasceno. Isso não é pouca coisa.

O mais impressionante, porém, nem é isso. Marisa enaltece qualquer letra que se dispõe a defender, o que uma multidão de jovens cantoras até tenta, mas não chega lá. Quando ela surgiu, nos já longínquos anos 1980, provocou comoção por ser uma moça discreta e, ousadia das ousadias, eclética como poucas na escolha de repertório: resgatou sambas antigos, reinventou os Titãs e Carmen Miranda.

O tempo passou, ela continuou a remexer no baú e a customizar melodias, só que foi se soltando mais em cena e nas composições. Ornamentou, assim, seu próprio santuário. E na lacuna de cantoras de técnica irrepreensível como Elis Regina, por exemplo, foi se firmando e provocando admiração e inveja.

O show desta temporada mostra uma cantora com absoluto domínio de sua garganta, que faz milagre com canções que se estivessem na boca de outras poderiam soar um tanto bregas.

O novo disco, O Que Você Quer Saber de Verdade, dividiu a crítica que, dentre outras coisas, a chamou de "acomodada", comparando-a com Gal Costa, que lançou disco radicalmente transgressor no fim do ano passado. Marisa Monte, convenhamos, é melhor cantora que compositora (ainda, ao menos), mas ela merece todos os aplausos por mostrar no palco, como toda canceriana, que sabe defender bem suas crias.

Um comentário:

  1. "No meu tempo, tinha três ou quatro iguais a ela, só no Beco das Garrafas."

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