segunda-feira, 11 de junho de 2012

Espanha - Não existe almoço de graça

Supervisão, Intervenção, Resgate ou Tomate

Já brincava o articulista do NYT – New York Times. O nome não interessa, o quê interessa é que os agentes econômicos europeus vão monitorar o uso dos recursos disponibilizados para os bancos espanhóis. E, como não existe almoço de graça, não adianta o primeiro ministro fazer discurso político de que não estará subordinando a Espanha ao FMI e ao BCE. São fatos, e contra fatos não há argumentos.

Vejam a matéria do jornal Valor desta tarde:

Comissão Europeia contraria discurso da Espanha de ajuda sem exigência

Valor on-line – 11/06/2012 - Há 6 horas e 13 minutos

A Comissão Europeia informou nesta segunda-feira que a chamada Troica – grupo formado por Banco Central Europeu (BCE), Fundo Monetário Internacional (FMI) e pela própria comissão – vai monitorar o pacote de ajuda financeira de até 100 bilhões de euros anunciado para os bancos da Espanha, sugerindo que o acordo fechado no fim de semana poderá ser mais rígido do que o sinalizado por Madri.

Os comunicados sobre a ajuda divulgados pela Espanha e pela União Europeia deixam diversas questões em aberto, incluindo o volume exato do socorro e como os fundos serão distribuídos.

O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, disse no domingo que o acordo vai incluir condições relacionadas ao setor bancário e não fez referência a nenhum monitoramento externo do processo, uma possibilidade que foi expressamente descartada na semana passada pelo ministro do Orçamento, Cristóbal Montoro.

Em entrevista à rede de rádio espanhola "Cadena Sur", o vice-presidente da Comissão Europeia, Joaquín Almunia, disse que o órgão terá um papel significativo no processo e planeja monitorar os planos individuais de reestruturação de cada banco que for socorrido pela linha.

“Qualquer pessoa que dá dinheiro nunca o dá de graça”
, disse Almunia.
“Há pessoas vindo para cá (para a Espanha) para ter certeza de que o dinheiro será utilizado apropriadamente.”

O porta-voz da Comissão, Amadeu Altafaj, disse que a ajuda da União Europeia vai conter “condições rígidas” sobre a supervisão da reforma bancária da Espanha. Altafaj, que é espanhol como Almunia, disse que as condições do empréstimo estarão sujeitas ao cumprimento de metas macroeconômicas previamente acordadas pelo país.

Em comunicado, o Tesouro espanhol disse que a taxa de juros exata a ser paga pelos empréstimos da UE ainda deve ser decidida. Segundo Altafaj, a taxa vai depender das condições do mercado e pode ficar em média entre 3% e 4%.
O Tesouro espanhol informou que o acordo não terá efeito sobre as emissões planejadas de bônus para o restante do ano. Isso é fundamental para a Espanha, que precisa manter acesso aos mercados para evitar uma ajuda para toda a sua economia, nos moldes do ocorrido com Grécia, Portugal e Irlanda.

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