quarta-feira, 6 de junho de 2012

Espanha - Bancos com Risco de Falência

Crise contamina sistema financeiro espanhol

O jornal Estadão, através de seu correspondente em Bruxelas e na Espanha, Andrei Netto, mostra que a situação dos BANCOS na Espanha é muito delicada.

Vejam com atenção a matéria de hoje:

Espanha pede socorro aos bancos, mas alerta que país não pode ser resgatado

Ministro de Finanças espanhol admite que espanhóis precisam de ajuda externa
para recapitalizar seu sistema financeiro e evitar o pior

06 de junho de 2012 | 6h 39 - ANDREI NETTO, enviado especial - VALÊNCIA - O Estado de S.Paulo

Pressionado pelo aumento da crise de liquidez de seu sistema financeiro, o governo da Espanha lançou ontem um SOS à Europa, admitindo que precisa de ajuda externa urgente para salvar seus bancos do risco de falência.

A admissão, feita pelo ministro de Finanças
, Cristóbal Montoro, teve o efeito de um tremor de terras em Bruxelas, Berlim e Paris. O executivo admitiu que o país "não tem mais acesso aos mercados financeiros", pediu solidariedade para recapitalizar as instituições e advertiu: "A Espanha não é resgatável".

As declarações deixaram claro que a crise das dívidas na Europa está ganhando um novo e mais grave capítulo, por já contaminar o sistema financeiro da quarta maior economia da zona do euro. Em entrevista à rádio Onda Cero, Montoro comentou a escalada dos juros cobrados no mercado de dívidas soberanas pelos papéis emitidos pelo Tesouro de Madri.
"O prêmio de risco significa que a Espanha não tem acesso aos mercados financeiros", reconheceu. Na prática, o ministro admitiu que o país não tem como emitir mais bônus sob pena de aumentar o endividamento e pagar um custo insustentável, que supera 6% para papéis com validade de 10 anos.

Diante desse cenário, a solução para recapitalizar o sistema financeiro espanhol é solicitar a ajuda da União Europeia. Analistas estimam que serão necessários entre € 40 bilhões e € 50 bilhões para socorrer as instituições. Só para o Bankia, o quarto maior banco privado do país, são € 19 bilhões. O valor total é equivalente a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Montoro não comentou os números, mas deixou claro que espera socorro da UE. "É muito importante que as instituições europeias se abram e nos ajudem a superar este montante, que não é astronômico", argumentou.

Alternativas.
Uma das opções em discussão é a intervenção do Banco Central Europeu (BCE) ou do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef) no mercado de obrigações soberanas. A medida reduziria a pressão dos juros sobre os títulos espanhóis, o que permitiria ao governo de Mariano Rajoy socorrer sozinho os bancos.

Outra possibilidade é a recapitalização pelo futuro Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), que substituirá o Feef em julho e contará com mais de € 700 bilhões em caixa. Para tanto, porém, seria necessário alterar o recém-elaborado estatuto do mecanismo, criando uma "união bancária" na Europa. Isso permitiria recapitalizar diretamente os bancos, sem passar pelos Estados. "Esperamos que (a proposta) esteja madura antes do fim do mês", disse ele, referindo-se à próxima cúpula da UE.

Essa proposta vem sendo discutida pelos líderes europeus, mas mais uma vez tem a oposição da Alemanha. Isso porque a chanceler Angela Merkel não aceitaria que os bancos de um país recebam recursos de contribuintes alemães sem que haja contrapartidas, como reformas estruturais e planos de austeridade. Ainda assim, Bruxelas estuda a hipótese. Ontem, Olli Rehn, comissário europeu de Finanças, classificou o projeto de "opção séria" para "romper o vínculo entre os Estados e os bancos".

Para Montoro, o SOS lançado em relação ao sistema financeiro é ainda mais urgente para evitar o agravamento da crise na Espanha, país que responde por 18% do PIB da UE - contra 6% de Grécia, Irlanda e Portugal. Segundo ele, resgatando o sistema financeiro evita-se o pior, porque, por seu tamanho, o país em si não poderá ser salvo. "Os homens de preto não vão vir à Espanha, porque (o país) não é resgatável", disse Montoro, referindo-se à troica - UE, BCE e FMI. A Espanha representa um risco sistêmico muito superior ao de Atenas, por exemplo. Só os bancos da Alemanha têm € 146 bilhões em títulos da dívida madrilenha.

Horas após a entrevista do ministro, o premiê Rajoy confirmou ao Senado que a economia do país vive um momento grave. Em pronunciamento aos parlamentares, o chefe de governo se uniu ao coro em favor da criação de eurobônus - os títulos da dívida soberana da UE. "A Europa precisa apoiar quem está em dificuldades e necessita integração fiscal, com uma autoridade fiscal e uma união bancária com eurobônus, com um supervisor bancário e com um fundo de garantia dos depósitos europeus."

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