segunda-feira, 18 de junho de 2012

Eleições em SP - O jogo nem começou

Só estamos nas preliminares

A imprensa está com as barbas de molho. Faz campanha para Serra, boicota Haddad, tenta estimular outras candidaturas para dificultar a vida de Haddad e esconde seu lado manipulador de campanhas eleitorais.

Esta nova pesquisa da Folha ainda não inclui o nome de Erundina como vice de Haddad. Quando acontecer os números serão ainda melhores.

Estou editando esta matéria no domingo à noite, por que nesta segunda-feira teremos atividades bem cedo. Por isto estou aproveitando o texto de Fernando Rodrigues, que é da Folha mas “não gosta de fazer papel de bate-pau da Folha”. Sempre faz análises que merecem ser lidas e analisadas.

Leiam mais esta matéria de Fernando Rodrigues, na UOL.

Chalita parado confirma embate PSDB-PT


Fernando Rodrigues – UOL – 17/06/2012 – 20h39m

Além da alta de Fernando Haddad (PT),
a maior notícia da pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (17.jun.2012) é que empacou (e até oscilou negativamente, dentro da margem de erro) a candidatura de Gabriel Chalita (PMDB) a prefeito de São Paulo.

A pesquisa Datafolha na cidade de São Paulo foi realizada nos dias 13 e 14 de junho. José Serra (PSDB) ficou com 30%, mesmo percentual que tinha na primeira semana de março.

O 2º colocado é Celso Russomano (PRB), que oscilou de 20% em março para 19% agora. Russomano é uma personagem midiática. O seu percentual é em grande parte “recall” de suas participações passadas. Em tese, a curva de intenções de voto do candidato do PRB deve descrever uma descendente a partir de agora. Até porque o PRB tem apenas alguns segundos de tempo de rádio e de TV durante o horário eleitoral.

Embolados em terceiro lugar, dentro da margem de erro, estão os seguintes candidatos:
Soninha Francine (PPS) – 8% (tinha 7% em março)
Fernando Haddad (PT) – 8% (tinha 3% em março)
Netinho de Paula (PC do B) – 7% (tinha 10% em março)
Gabriel Chalita (PMDB) – 6% (tinha 7% em março)
Paulinho da Força (PDT) – 5% (tinha 8% em março)

Que Fernando Haddad subiria nas pesquisas de opinião ninguém duvidava.

Ele pertence ao partido hegemônico no plano federal e tem o apoio explícito do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É normal portanto que Haddad tenha chegado aos atuais 8%.

Uma surpresa moderada fica por conta de Gabriel Chalita, do PMDB.
Ele é filiado ao maior partido brasileiro, aparece bem na TV e teve ampla exposição nas propagandas da sua legenda neste semestre –mais do que Haddad, pois o PT perdeu muitos minutos na Justiça. Não obstante suas aparições, Chalita não saiu do lugar. Oscilou negativamente de 7% para 6%.

O que isso significa? Que possivelmente a campanha paulistana pode mesmo afunilar entre o tucano José Serra e o petista Fernando Haddad. Havia até agora uma dúvida sobre se Chalita poderia crescer e ofuscar Haddad. A pesquisa Datafolha mostra que esse cenário parece ser cada vez mais inviável.

Apoiadores de Soninha Francine (PPS), Netinho de Paula (PC do B) e Paulinho da Força (PDT) poderão indagar: por que está sendo dada como inevitável a polarização PSDB-PT.

É uma boa pergunta. De fato, não está gravado em pedra que só Serra e Haddad têm condições de ir ao segundo turno. Mas o fato é que eles são os candidatos que têm à disposição as maiores estruturas partidárias e o maior tempo no rádio e na TV.
Soninha, Netinho e Paulinho –assim como Chalita– podem surpreender, mas são claramente “zebras” a esta altura da disputa.

No caso de Chalita, a se confirmar a sua desidratação nas próximas pesquisas, será mais uma história de decepção no PMDB ao buscar se renovar. O partido que foi tão importante na reconstrução da democracia está em constante agonia na cidade de São Paulo. Se Chalita fracassar, esse cenário só tende a piorar –e será uma derrota pessoal do vice-presidente da República, Michel Temer, o grande patrocinador do “projeto Chalita”.

Netinho de Paula também é um caso à parte. O candidato do PC do B está sendo pressionado a desistir já para que sua legenda possa apoiar Fernando Haddad no primeiro turno. A pesquisa Datafolha reforça a posição dos integrantes do PC do B que pretendem empurrar Netinho para fora da disputa.

Tudo considerado:

1) José Serra (PSDB) parece ter chegado ao seu limite de pontuação (30%) nesta fase da campanha. Oscilações (positivas ou negativas) mais robustas para ele podem vir com a propaganda no rádio e na TV;
2) Fernando Haddad (PT) cumpre a profecia há muito anunciada de subir nas pesquisas.
3) Gabriel Chalita (PMDB) apareceu muito na TV, mas não saiu do lugar.
4) candidatos de partidos médios e pequenos (Soninha Francine, Netinho de Paula e Paulinho da Força) terão dificuldades daqui para frente para reagir. E Netinho será pressionado a desistir para que o PC do B possa apoiar Haddad.
5) Celso Russomano (PRB) vive do seu recall e tende a desidratar a partir da propaganda eleitoral.

Um comentário:

  1. O PIG quer pautar o debate interno no PT.

    Pura conveniência política, não assumida, é claro!

    O PIG pode tanto criticar o PT por não fazer alianças (no passado), como também criticar por fazer alianças com adversários (no presente), sem mudar de figurino. Que é o mesmo de sempre: criticar o PT e a hipótese dele virar governo em São Paulo.

    Ora, bolas!

    O partido do Maluf, o PP, apoia o governo Dilma como apoiou o governo Lula.

    O PT quer vencer as eleições de São Paulo capital, e não apenas marcar presença e fazer discurso ideológico.

    As forças políticas que sustentam os tucanos na prefeitura de São Paulo (Kassab é só o ex-vice de Serra e assumiu na renúncia dele para disputar o governo) e no governo estadual são patrocinadas pela mídia, pelos conservadores, pela elite paulistana e do interior, pelos partidos da direita, e por aí vai.

    E se o PT quer vencer as eleições, disputando democraticamente o voto do povo, tem que buscar fazer todas as alianças partidárias e políticas com todos que assinem o mesmo projeto político para São Paulo:

    - Derrotar os tucanos e sua nefasta política privatista, neoliberal, elitista, e que vem degradando São Paulo em todos os segmentos da sociedade.

    A disputa é política, na máxima compreensão democrática, onde o povo decidirá quem receberá a chancela para governar a capital do maior Estado do país.

    O resto é tro-ló-ló de adversário (os assumidos e os subentendidos).

    Fazer política é correr riscos. O PT sabe de seus riscos e busca a mesma aliança das forças políticas que apoiam o governo federal para governar também em São Paulo.

    Não há contradição no apoio do PP, que já apóia o mesmo projeto há oito anos.

    Quando Lula anunciou em 2002 que seu vice era o mega empresário José de Alencar muitos torceram o nariz.

    Oito anos de governo depois o projeto apresentado à Nação foi amplamente aprovado, pelo povo. Pouco importa as caretas da oposição.

    O PT tem um projeto político para mudar o país. E está mudando o Brasil para patamares muito melhores. Quem acha isso é o povo, a maioria da Nação, para quem o PT quer governar.

    O nosso maior risco é perder a eleição. E pra ganhar, é preciso ter coragem e determinação para defender o projeto, que é muito maior que os toscos discursos de coerência ideológica.

    O candidato é do PT e a vice é do PSB. Quem nos apoiar o faz sabendo qual o projeto será implantado em São Paulo.

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