domingo, 10 de junho de 2012

Dilma e o Brasil de todos nós

Dialogando com os brasileiros

A visão maniqueísta divide o Brasil entre os “lulistas” e os “neoliberais contra o PT”.
Esta visão tem feito mais mal ao país do que bem.
Toda vez que este maniqueísmo é superado, como no caso dos juros bancários e da poupança, o Brasil sai ganhando.

O dilema é como superar este maniqueísmo?
Aqui vai uma boa contribuição de Vinicius...

O "fim da euforia" com o Brasil


Mesmo com a preguiça de fazer grandes mudanças, país pode surpreender os mal-humorados de turno

Vinicius Torres Freire – Folha – 10junho12

ESTÁ NA MODA dizer que passou a "euforia com o Brasil", euforia que se tornara forte entre 2008 e 2010. A bem da verdade, não há euforia nem bom humor em quase lugar algum do planeta, nem mesmo em relação a China ou Índia.
Também se tornou moda dizer que é quando a maré baixa que se nota quem estava nadando nu.

Mas quão pelados estamos?
O que a euforia do fim da década passada ou a depressão de humor neste primeiro biênio dilmiano dizem sobre nossos problemas reais?

Parte do azedume com o Brasil é "moda ao contrário".

Deriva do fato de que o país deixou de render dinheiro fácil aos rapazes do mercado financeiro. Com juro a mais de 10% e câmbio se valorizando sem parar, a vida era risonha e franca.
Com juro caindo a 8%, desvalorização do real, variação excessiva do câmbio e imposto pesado para tirar dinheiro daqui, perdemos a graça. Como os rapazes do mercado fazem o cotidiano da mídia mundial, ficamos mal na foto.
Crescer menos obviamente não ajuda. Passamos de 4,5% ao ano na segunda metade da década passada para os prováveis 2,5% do primeiro biênio de Dilma Rousseff. Intervir demais em mercados (finanças) e empresas (Petrobras, "campeãs nacionais") também não pegou bem. O governo ser incapaz de investir é outro problema.

Era ilusão imaginarmos que podíamos correr a 6%. Mas será tão difícil voltar a algo perto dos 4%?
Economistas-padrão, que quase todos torcem o nariz para as políticas lulo-dilmianas, dizem que se esgotou o "modelo petista". Nem "modelo" houve, mas a crítica observa que ele se valeu: 1) em parte dos benefícios das reformas feitas nos anos FHC, que renderam frutos um pouco mais tarde; 2) do aumento de renda derivado da alta de preço das nossas exportações principais ("efeito China"); 3) do rapidíssimo aumento do crédito, que, enfim, criou uma ilusão sobre as possibilidades do aumento do consumo, desfeitas agora com a alta da inadimplência, por exemplo.

É tudo em parte verdade.

Os críticos esquecem outros aspectos do "modelo", como o aumento do mercado doméstico, em parte impulsionado por transferências sociais ("Bolsas") e aumentos do salário mínimo, e a estabilização das contas externas (com a acumulação de reservas em moeda forte). Enfim, esquecem que o país mudou de patamar. É menos faminto, é social e politicamente mais estável e não quebra a cada tumulto mundial.

Faltam "reformas", "mudanças estruturais", dizem.
É verdade, seja lá qual for o conteúdo que se dê ao jargão.
Mas trata-se de coisa difícil de fazer, política e tecnicamente: reduzir impostos e dívida pública (não dá para fazer os dois ao mesmo tempo), melhorar a educação (coisa para uma década, com sorte, engenho e arte), trocar gasto de custeio por investimento no governo etc., para ficar no mais óbvio.

Dados a nossa tendência à ignorância (não gostamos de estudar ou de inovação) e gosto por jeitinhos, "transições transadas" e arranjos de meias medidas, é de fato difícil pensar em arrancadas. Mas destravar uns investimentos públicos, dar um tempo no aumento de salário e renda via mão pesada do Estado e simplificar burocracias já podem nos fazer crescer um pouco mais de 3,5% ou 4%. Não é lá tão difícil.

Um comentário:

  1. Alexandre Pagliano28 de junho de 2012 18:24

    Gilmar,

    1.000 por cento de acordo desta vez !
    De corinthiano e tucano pra voce, FHC e Lula mudaram o Brasil, cada qual a sua maneira.

    O Lula descobriu o grande mercado consumidor das classes D e E, que com bolsa familia e credito farto estao fazendo o Brasil mudar de cara e de rumo.

    Mas beneficiou e muito das reformas feitas pelo FHC e pela gestao financeira mais seria, que ele ameacou ameacou, mas nunca mudou, nadinha de nada..

    Acho que com o apoio popular que tinha, poderia ter feito certas reformas, mas no final ja nao tinha mais apetite. Se esforcou pra fazer a sucessora, foi bem sucedido, e afinal, ela esta mostrando que e melhor e mais preparada que ele, mesmo se a intuicao e o instinto ela nao tem.

    Tomara pra nos todos, que ela faca o que tem potencial pra fazer.

    A limpeza do governo e os niveis eticos melhoraram muito, e vai aqui um elogio de tucano.

    Que, Corinthiano, respira aliviado com o fim do governo Lula, Lula ele que, Corinthiano como nos dois, foi um grande pe frio, ate rebaixados fomos no seu tempo, e o ultimo titulo mundial da selecao foi nos tempos do FHC :)

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