segunda-feira, 4 de junho de 2012

Deu no New York Times

Walter Salles nos caminhos de “On the Road”

Lembrando o Henfil e Jorge Ben Jor,
a Folha reproduz o artigo sobre o filme de Walter Salles
que saiu no New York Times.

Você ainda vai ver este filme...


Os beats caem na estrada de novo, na vastidão das telas

Por STEVE CHAGOLLAN do New York Times – publicado na Folha de 04/06/2012

Para os cineastas que tentaram captar o espírito da geração beat, sempre houve a pressão de que sua obra fosse equiparável às lendas retratadas.
Não foi diferente para Walter Salles, o primeiro diretor que levou ao cinema o romance "Na Estrada", de Jack Kerouac, mais de cinco décadas depois que sua publicação causou sensação literária e provocou mil viagens e inúmeros "road movies".

A resposta de Salles foi a de se aproximar de virtualmente todos os poetas, artistas e filósofos que fazem parte do legado do livro, enquanto literalmente refazia o percurso em zigue-zague de Kerouac pelos Estados Unidos com uma câmera Super 8.

Ele entrevistou os poetas Gary Snyder, Lawrence Ferlinghetti, Michael McClure, Diane di Prima e Amiri Baraka, além dos biógrafos de Kerouac, Gerald Nicosia e Barry Gifford, que também serviram de consultores para o filme. Assim ele gastou cinco dos oito anos do projeto. O filme estreou em maio no Festival de Cannes e em breve estará nos cinemas.
"Eu estava muito consciente de que minha paixão pelo livro não bastava para justificar uma adaptação direta", disse por e-mail Salles, que está reunindo as filmagens em um documentário. "Na verdade, fazer o longa-metragem deixou de ser minha principal preocupação na época. Compreender e conhecer melhor essas pessoas tornou-se meu principal objetivo."

"Na Estrada" completa a santa trindade
das obras-primas beats que confundiram cineastas durante vários anos, incluindo a visão extremamente fantasiosa de David Cronenberg do "Almoço Nu" de William S. Burroughs, de 1991, e o docudrama de Rob Epstein e Jeffrey Friedman do poema "Uivo" (2010), de Allen Ginsberg.
O grupo principal de personagens dos beats era tão entrelaçado em seus tempos áureos que "Uivo", "Na Estrada" e "Almoço Nu" foram publicados com intervalos de três anos, e as três versões para o cinema apresentam personagens que se sobrepõem.

Não é por acaso que "Na Estrada" foi feito pela mesma criativa equipe internacional -incluindo o diretor, que é brasileiro, e o roteirista porto-riquenho José Rivera- de "Diários de Motocicleta", outra "road trip" realizada por um introvertido pensador (neste caso, Che Guevara) com um companheiro de viagem ruidoso.

Em "Na Estrada", Sal Paradise, o "alter ego" de Kerouac, é um escritor que deseja viver aventuras, com Dean Moriarty, usando como modelo Neal Cassady, como força propulsora. Sam Riley, no papel de Paradise, tinha consciência desde o início das expectativas impossíveis do projeto. "O primeiro personagem que interpretei em um filme foi um famoso cantor britânico" -Ian Curtis, do Joy Division, em "Control"- "com fãs igualmente ciumentos", disse. "Por isso, estranhamente, sei me preparar para um tiroteio de críticas."

O roteiro de Rivera segue de perto o livro e usa elementos extraídos do infame manuscrito em que Kerouac despejava a maior parte de sua matéria-prima.
Russell Banks, um romancista que conheceu Kerouac em seus últimos anos, também colaborou no roteiro de "Na Estrada". Ele vê a novela de Kerouac como uma metáfora do "fim da inocência americana". Achou que o script precisava da moldura dos acontecimentos turbulentos da época.

Banks contou a história de um incidente de quando Kerouac, aos 45, apareceu em sua casa en Chapel Hill, na Carolina do Norte, em 1967, dois anos antes de morrer. Kerouac passou uma semana na casa de Banks, bebendo, contando histórias e, de modo geral, causando confusão. "Ele estava muito distante naquela altura", lembrou Banks. "Estava doente, física e mentalmente."

A interpretação que agora chega às telas é ambientada entre 1940 e 1951.
Ela não evita os detalhes homoeróticos da história ou as atividades de Moriarty como gigolô, adúltero e ladrão. Também exibe a proeza física de um poeta universitário, as bravatas sexuais de um Casanova e o otimismo de um santo generoso.

"Neal foi um personagem fascinante para muitas pessoas. Já outras mudavam de calçada quando o viam", disse Barry Gifford, um romancista que escreveu uma biografia de Kerouac e um roteiro anterior de "Na Estrada".
Foi John Cassady, o filho de Neal, quem lembrou a Salles que "Na Estrada" era uma história de homens e mulheres na juventude. Uma época em que, segundo Salles, "eles não tinham ideia do que se tornariam".


Agora, a música especial:


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