terça-feira, 26 de junho de 2012

Dedo-duro e torturador. Não pode

Financiador, Mandante, Chefe da Repressão, pode?

Gosto muito de Juca Kfouri, mas acho esta discussão muito delicada. Fui preso várias vezes, fui cassado, anistiado, mas, mesmo assim, acho que esta discussão sobre quem deve e quem não deve ser punido, a esta altura do campeonato, muito delicada.

Acho imprescindível que todos saibam a verdade.
Mesmo sabendo que o conceito de “Verdade” pode ser questionado. Historicamente a “verdade que vale” é a dos vencedores. A História dos vencidos raramente é registrada.

A verdade de um Palestino é diferente da verdade de um Judeu, e vice-versa. Daí a importância do direito de existir várias maneiras de se relatar os fatos históricos. A diversidade possibilita que “a verdade mais perto da verdade verdadeira” seja identificada.

Como já registrei neste blog, comprei e estou lendo o livro “O Cerco de Leningrado”. Sobre este fato histórico inquestionável há mais mentiras escritas do que verdades. São versões dos nazistas, dos americanos,dos stalinistas e dos contra-stalinistas.
E onde fica a verdade?

Podem me acusar de cristão e conciliador, mas, a conjuntura internacional, e mesmo a nacional, não nos estimula a sair identificando quem fez o quê.
Mesmo por que tem gente que é acusada de emprestar carros e jornais para a operação OBAN. E nunca gostei de ver estas acusações serem colocadas de qualquer jeito. Mesmo por que, a grande maioria que é contra Lula e o PT, também apoiou o golpe de 64. Todos podem mudar, tanto os conservadores de direita, como os radicais de esquerda.

Sempre achei que a Democracia é o melhor mecanismo de pacificação.
Mas é importante que todos respeitem as regras democráticas, sem casuísmo e oportunismo.

Peço desculpas a Juca por abrir este debate, mas, é de quem se gosta que temos que melhor defende-los. Eu gosto de Juca Kfouri, um bom corintiano e um ótimo jornalista.

Vejam o texto de chamada da UOL e o texto de Juca Kfouri.

Por que Dilma não recebe Marin

Dilma não recebe presidente da CBF por ele ter sido “dedo-duro” da ditadura.

Juca Kfouri – UOL - 26.06.2012 - 13:03

A presidenta Dilma Rousseff fez questão de não receber o ex-presidente da CBF e do COL, Ricardo Teixeira que, diante do clima pesado acabou por fugir para Boca Raton.
E ela também não está nada disposta a receber o novo presidente das duas entidades, José Maria Marin.

E não é porque ele foi servil serviçal da ditadura, porque outros também foram, como José Sarney e Paulo Maluf, todos até homenageados.
Mas Marin fez mais.

Com seus discursos na Assembléia Legislativa de São Paulo, em 1975, Marin foi fartamente responsável pela prisão que acabou no assassinato do jornalista Vladimir Herzog.

O então deputado Marin se desfazia em elogios ao torturador Sérgio Paranhos Fleury e ao seu bando, assim como engrossava “denúncias” sobre a existência de comunistas na TV Cultura, cujo jornalismo era dirigido por Vlado.

Um desses discursos, no dia 9 de outubro de 1975, aconteceu 16 dias antes de Herzog ser torturado e morto nas dependências da Operação Bandeirantes (OBAN), na rua Tutóia, em São Paulo, por agentes do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI).

E Dilma, com razão, disso, não esquece.
Porque servir a ditadura é uma coisa, mancha indelével, sem dúvida.
Mas a dedo-duragem desperta asco invencível.

Um comentário:

  1. Alexandre Pagliano28 de junho de 2012 15:20

    Gilberto,

    Gostaria de ver da Presidente Dilma como de seu governo, um pouco mais de atitude a respeito da falta de democracia nos paises vizinhos...
    O Brasil mudou pra melhor, superou a ditadura e vive em democracia, que pena para os cubanos e os venezuelanos que eles nao possam dizer o mesmo...

    ResponderExcluir