domingo, 10 de junho de 2012

Banqueiros Corruptos

Transparência para todos

Hoje, mais uma vez Élio Gaspari dá uma aula de como avançar na democracia brasileira.

A recomendação vale para todos os segmentos: Bancos, empresas, imprensa, judiciários, políticos, sindicalistas, militares, religiosos (principalmente os que cobram muitos dízimos), etc.
No Brasil, quem paga imposto de renda é visto como otário. Precisamos dar este salto de qualidade social. O Brasil precisa efetivamente ser visto como um país sério.

Como fazer um pacto pela transparência nacional?


Aqui vai uma boa contribuição, Elio Gaspari na Folha de hoje:

"Cachorrão" para a diretoria do BC


Se o Banco Central olhar para o 'jeitão' do banqueiro, poupará seus clientes de muitos dissabores
Elio Gaspari – Folha – 10/06/2012

O professor Ademar Fonseca, titular de mecânica da faculdade de engenharia da PUC do Rio, tinha o apelido de "Cachorrão". Ele deu zero a um aluno que resolveu um problema em cinco páginas e errou a colocação da vírgula na última conta. Quando o jovem reclamou, recebeu uma aula para toda a vida: "Uma ponte não pode ter 8 metros ou 80 metros. Você mergulha em uma questão complexa, depois, quando você termina, você se afasta e olha o jeitão da coisa. Pelo jeitão você vai ver se é 8 ou 80".

A doutora Dilma deveria criar uma "Diretoria do Cachorrão" no Banco Central.
O encarregado teria a atribuição de olhar o "jeitão" dos banqueiros.

Em geral, um banco quebra meses depois de o mercado saber que ele estava "virado". Assim foi com o PanAmericano, com o Cruzeiro do Sul, com o Lehman Brothers e assim será com o próximo.
As autoridades monetárias têm centenas de funcionários qualificados estudando os números do mercado, mas é comum que desprezem o "jeitão" dos banqueiros.

Nos Estados Unidos, Bernard Madoff, o ilustre fundador da Nasdaq, deu um golpe de dezenas de bilhões de dólares, apesar de ter sido denunciado sete anos antes. Tinha casas em Londres, Paris, Nova York e Palm Beach, jatinho e iate de US$ 7 milhões.

Se "Cachorrão" soubesse disso, acreditaria na denúncia.
Richard Fuld, o responsável pela explosão do Lehman Brothers, mandara que o elevador do prédio fosse programado para ir direto ao 33º andar quando ele estivesse a caminho do banco. Nesse caso, "Cachorrão" pediria que prestassem atenção na inteligência do doutor.

Um dia Amador Aguiar (1904-1981), o maior gênio da banca brasileira, viu uma Mercedes no estacionamento da diretoria do Bradesco. Chamou o dono e disse-lhe que aquele tipo de carro estava fora do alcance dos funcionários da casa.
Rafael Palladino, presidente do Banco PanAmericano, quebrado em 2010 numa operação pra lá de esquisita, tinha um belo apartamento e uma imobiliária em Miami. Seu diretor financeiro morava num teto de R$ 14 milhões.

Coisa de classe média emergente se comparada com as extravagâncias do doutor Luís Octavio Índio da Costa, dono do banco Cruzeiro do Sul, com sua carteira de 300 mil empréstimos irregulares, num total de R$ 1,3 bilhão. O magnata tem dois helicópteros da griffe Eurocopter, com dez lugares cada, coisa de R$ 60 milhões. Isso e mais um iate de 110 pés, com cinco suítes, avaliado em R$ 30 milhões. Nas suas festas apresentavam-se Elton John, Bono Vox e Tony Bennett.

Bastava que o Banco Central olhasse para o "jeitão" do doutor para que acendesse a luz amarela.

Acender a vermelha seria preconceito contra rico, mas deu no que deu. "Cachorrão" chamaria o diretor de fiscalização do BC e haveria de constrangê-lo apontando o risco que corria.

Seria pedir demais que a "Diretoria do Cachorrão" ficasse encarregada de recuperar pelo menos uma parte do que os clientes perdessem. As casas, barcos e chinelos dos Madoff foram a leilão em 2010. Onze pares de cuecas entraram num lote que saiu por US$ 1.700.

Um comentário:

  1. Acho corretíssimo essa colocação, mas é preciso começar em casa, verificando o que os diretores dos bancos federais fazem, como fazem e de quer forma cumprem as determinações governamentais, sem estrapolar aquilo que deve ser sempre resquardado - A instituição e seus funcionários que erguem essas instituições.
    Caso comessemos pela nossa casa, aí sim, podemos dar pitacos nas casas alheias...

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