segunda-feira, 14 de maio de 2012

Um amigo na Hungria

Terra de Bela Bartók

O país mais novo a acessar nosso blog foi a Hungria.
País famoso, rico de tradições e de histórias. Entre os grandes compositores da primeira metade do século XX, está Bela Bartók, que representa a fusão do nacionalismo e do pensamento musical do período em um meio de expressão convulsivamente poderoso, nas palavras de Haroldo C. Schonberg, autor do livro “A Vida dos Grandes Compositores”.

Vou reproduzir duas passagens do livro que mostram a personalidade e a vida de Bartók.

1 – Um homem sensível politicamente, Bartók ficou perplexo com o avanço nazista. Depois do “Anschlus” (Anexação) em março de 1938, Bartók sabia que seria forçado a deixar o país, pois logo depois da Áustria seria a vez da Hungria. Como escreveu para um amigo na Suíça: “Há o perigo iminente de que também a Hungria se renda a esse sistema de roubo e assassinato. Como posso continuar a viver ou – o que dá na mesma – trabalhar em tal país me é inimaginável”. Entretanto, Bartók já tinha 58 anos e sustentava sua mãe, além da esposa e família.

Em 1939, quando sua mãe faleceu, ele decidiu sair da Hungria e, já no ano seguinte, estava nos Estados Unidos, onde passaria o restante de seus dias.

2 – Nos Estados Unidos
, ele conseguiu emprego na Universidade de Columbia. Por um tempo, ele viveu em Forest Hills, em um pequeno prédio de apartamentos, quando no Natal de 1940, escreveu para seus filhos em Budapeste.

Na carta ele fazia a seguinte observação:
“Em 7 de dezembro de 1940, nos mudamos para um apartamento mobiliado no endereço acima. Ele fica a 16 km do centro de Nova York, mas a estação de metrô está praticamente em nossa porta, portanto, por cinco centavos podemos estar na cidade em 20 minutos. Os trens passam constantemente, noite e dia, sem interrupção.”

Agora vejam que interessante:

Em 1980 comprei uma casa na Vila Sônia, perto do Morumbi, um dos bairros mais nobres de São Paulo. O pessoal do Metrô de São Paulo orientou-me a comprar lá por que em pouco tempo chegaria o metrô e o transporte até o centro ficaria mais fácil. A distância da nossa casa até o centro de São Paulo era de 14 km. Saímos da Vila Sônia 22 anos depois, e o Metrô ainda não tinha chegado. Como ainda não chegou. Está sendo construído.

Bartók estava falando do Metrô de Nova York de 1940!
Estamos em 2012!

Nosso metrô é bom, apesar de estar sempre cheio. Mas ele supre uma parcela pequena da população da Grande São Paulo. Nunca entendi por que nosso metrô demora tanto para crescer. Creio que seja culpa dos políticos.

Não foi por acaso que Chico Buarque inspirou-se em Budapeste para escrever seu belo romance.
Eu fico com inveja do metrô de Nova York de 1940.
Queremos que nosso metrô seja o mais abrangente possível,
que toda a Grande São Paulo tenha interligação Metrô-Trem-Ônibus-Automóveis-Bicicletas-Motos-etc.

E que, além de Metrô, tenhamos também músicos, compositores e pessoas corajosas com Bela Bartok e tantos húngaros que lutaram contra o nazismo e depois contra o stalinismo.

Que possamos dialogar mais com os húngaros e com o mundo,
tanto no blog, como na vida.

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