quinta-feira, 31 de maio de 2012

Flores e Violência na Consolação

Carros e pessoas em nossa cidade

Ontem eu vinha pela Rua Consolação
ouvindo música e prestando atenção nas flores.
Encantado com a quantidade de verde nos canteiros centrais da rua, a quantidade de árvores no Cemitério da Consolação, e também, admirando as flores dos pés de Ipê, que estão aparecendo em abundância.

Ao passar em frente às revendedoras de automóveis, do lado esquerdo de quem desce a rua da Consolação, observei que, apesar de serem três imóveis bem largos, não existe uma árvore. Portanto, não existe nenhuma flor. Existem somente automóveis...

Na media que o trânsito fluiu, fui chegando à Praça Roosevelt e nesta região vários pés de Ipê já estão florindo. Mas, ao chegar ao final da Rua Consolação, bem em frente de onde era o jornal O Estado de São Paulo, nosso conhecido “Estadão”, como sempre, lá tinha “um corpo estendido no chão”, coberto de ponta à ponta por panos e papelões. Era uma pessoa dormindo. Um morador de rua...

Raramente mostro foto de pessoas, usualmente mostro flores.
Mas, neste caso, a pessoa está “invisível”. Isto é, não dá para saber se é homem ou se é mulher. Se é jovem ou velho. Como diz a história das Aventuras de Hércules. “Seu nome é Ninguém”. Este é um tipo de violência que marca a gente. Chama-se “omissão”!

Tomei coragem e, aproveitando que o sinal fechou, tirei o celular, abri a janela do carro e bati a foto. Uma foto só, para não ficar com a consciência ainda mais pesada.

Vejam a foto de “Ninguém”:


Fiquei muito triste, fechei a janela do carro e guardei o telefone. Continuei dirigindo e ouvindo música. Passei ao lado do Teatro Municipal, peguei o Largo Paiçandu e quando cheguei no Anhangabaú, vi de longe o pé de Ipê Rosa totalmente florido.

Voltei a ficar alegre, fui até a passarela tirar várias fotos e comecei a andar para nossa Rua São Bento.

Vejam as fotos do Ipê do Anhangabaú:


Vejam as flores mais de perto:



Ainda no Anhangabaú, perto do estacionamento e também do pé de Ipê, num ponto de ônibus, várias pessoas estavam em pé, esperando condução para o trabalho. Eram várias pessoas e ninguém olhava ou percebia um jovem de, mais ou menos 25 a 30 anos, dormindo no chão, perto do muro e do ponto de ônibus. Era outro “Ninguém”.

Desta vez não tirei foto. E perdi a alegria de ter encontrado o Ipê Rosa cheio de flores. Continuei caminhando e pensando:
- O que faz uma cidade se preocupar mais com os carros do que com as pessoas?
– Por que, os poderes públicos não fazem nada para acolher estas pessoas que dormem nas ruas?
- Estas pessoas, chamadas aqui de Ninguém?
- E, pensei também, por que tem tanta gente indiferente e eu preciso me envolver com isto?

A vida inteira priorizando as pessoas, mas, ao mesmo tempo, já com a idade avançada e vendo tanta disputa pela prefeitura de São Paulo, a miséria humana ainda está presente em nossa cidade.
Será que vamos conseguir melhorar nossa cidade?
Será que um dia vamos acolher as pessoas necessitadas?
Não sei se terei tempo para ver.
Mas sei que tive tempo para descobrir as flores da nossa cidade.

Ainda bem que temos os pés de Ipê
e tantas outras flores.

Um comentário:

  1. Gilmar lendo essa história lembrei que ontem pela manhã ao fazer minha caminhada, vi um corpo estendido no chão, porém estava coberto com um papel aluminio, ou seja, uma senhora de 67 anos havia se atirado do 10º andar de seu prédio. Imagina como fiquei, a imagem não saía de minha mente e comecei a pensar em várias situações a que leva uma pessoa ao suicidio. Hoje retornei ao local e a impressão era que o corpo ainda estivesse lá. Mudando de assunto, ontem à tarde no neurologista em frente ao consultório na Av.
    Angélica tem um pé de Ipé mais lindo e florido que este, coisa de louco. A natureza é maravilhosa e as pessoas precisam deixar o egoísmo de lado e pensar nas outras menos afortunadas, pois essas merecem carinho e respeito quem sabe assim seriam mais felizes. E ainda bem que temos DEUS no coração!!!
    Clarice

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