quinta-feira, 17 de maio de 2012

Estilo Lula, Clovis Rossi e a França

Um abraço no grande jornalista

Quem acompanhou diariamente a campanha eleitoral na França sentiu a diferença entre a cobertura do Estadão e da Folha de São Paulo. Eu ficava sempre impressionado, até por que, quem cobria para a Folha era Clovis Rossi, um dos papas no jornalismo brasileiro. Mas, a impressão que dava era que, a posição da Folha a favor de Sarkozy, se sobrepunha às opiniões de Clovis Rossi.

Mas, finalmente saiu um artigo que é mais o estilo de Clovis Rossi do que da Folha. Como se fosse uma despedida da campanha, já que Hollande tomou posse e Sarkozy voltou para casa, com sua belíssima esposa.

A França voltou a sorrir, com o texto abaixo, eu voltei a ficar contente com Clovis Rossi e espero que este grande jornalista tenha voltado para casa mais alegre e sorridente. Já a Folha, poderia também voltar a sorrir, como nas Diretas Já e na redemocratização do Brasil.

Vejam o gostoso artigo de Clovis Rossi, na Folha de ontem:

'Estilo Lula' marca posse de Hollande na França
Clovis Rossi – Folha SP – 16/05/2012 – Enviado a Paris

François Hollande tornou-se ontem o 24º presidente da França com um estilo muito Luiz Inácio Lula da Silva.
Em todas as cinco ocasiões em que deixou o Palácio do Eliseu, a sede presidencial, ele procurou sempre o público que se animou a ver os atos de posse e pós-posse, mesmo sob chuva e um frio anormal para a primavera.

O próprio presidente chegou ensopado, com a camisa branca colada à pele, depois de percorrer em carro sem capota, acenando para o público, os 1.800 metros entre o Eliseu e o Arco do Triunfo, no qual depositou uma coroa de flores no túmulo do soldado desconhecido e reacendeu a chama eterna.

A palavra marca da posse, selecionada pelo próprio Hollande, foi "confiança", com a qual o novo presidente abriu seu discurso. "Dirijo aos franceses uma mensagem de confiança. Nós somos um grande país que, em sua história, sempre soube enfrentar os obstáculos", afirmou.

SIMPLICIDADE X POMPA


Outra característica da posse do presidente foi a simplicidade, pelo menos até que o engoliu a pompa inevitavelmente ligada ao Eliseu. Hollande foi para o palácio em um Citroën DS5 híbrido (elétrico e a diesel), um "carro como o de todo mundo", como exagerou o locutor do canal de TV TF1.
Exceto nas imediações do palácio, o trânsito era livre e o Citroën, sem o habitual cortejo de segurança, até respeitava os semáforos.

Depois de se despedir de Nicolas Sarkozy, o presidente derrotado, Hollande recebeu -mas não chegou a envergar- o colar de Grão-Mestre da Ordem Nacional da Legião de Honra, símbolo da Presidência, embora tenha sido criado por um imperador (Napoleão Bonaparte).

Em seguida, fez um discurso de 11 minutos em que repetiu, na essência, a retórica de campanha.
Falaria de novo junto à estátua de Jules Ferry, "pai" da escola laica e gratuita, em que defendeu a escola para todos como elemento de igualdade social.

Depois fez no Hôtel de Ville, sede da prefeitura, um hino de amor a Paris. "Quando Paris fala, o mundo escuta", chegou a dizer, arrancando lágrimas do prefeito Bertrand Delanöe, socialista como ele.

Hollande esteve também no Instituto Marie Curie, para homenagear a Prêmio Nobel de Química e Física -uma maneira de enfatizar seu empenho em dotar a França de uma economia da inovação e da pesquisa. (CLÓVIS ROSSI)

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