segunda-feira, 28 de maio de 2012

As Primaveras Brasileiras

Nassif apresenta três, mas são muito mais

Na verdade, há muito mais Primaveras. Além das mentiras e manipulações na Imprensa, temos casos denunciados, inclusive pela Imprensa, como os salários e benefícios dos desembargadores, as falcatruas dos políticos, as obras superfaturadas, os policiais orientando os bandidos, o apagão no transporte público, os hospitais vergonhosos, a degradação no futebol e nos esportes. E tantas outras coisas que o Brasil vai conhecendo graças à redemocratização. Queremos mais liberdade de imprensa e de comunicação.

Apesar das viúvas da ditadura,
nossa Primavera é ampla, geral e irrestrita...


A primavera brasileira

Luis Nassif - Coluna Econômica - 28/05/2012


O conceito da “primavera” foi adotado para descrever países ou comunidades em que a Internet entrou quebrando barreiras de silêncio.

Nos países de regime ditatorial, a “primavera” significou romper o controle estatal sobre a informação. Mas em muitos países democráticos, significou romper cortinas de silêncio impostas pela chamada velha mídia – os grandes meios de comunicação nacionais.
Nos Estados Unidos, a blogosfera ajudou a romper o sigilo em torno das guerras do Iraque e Afeganistão.
Na Espanha, antes mesmo da explosão da Internet, os sistemas de SMS (torpedos) telefônicos ajudaram a desarmar a tentativa de grandes grupos midiáticos de atribuir um atentado à oposição.
No momento, passeatas tomam as ruas da cidade do México, contra a imprensa local.

No Brasil, em pelo menos três episódios exemplares a blogosfera foi fundamental para romper barreiras de silêncio.

O primeiro foi na Operação Satiagraha, da Polícia Federal. Capitaneados pela revista Veja, a chamada grande mídia se esmerou em demonizar os agentes públicos, vitimizar o banqueiro Daniel Dantas e transformar Gilmar Mendes no maior presidente da história do STF (Supremo Tribunal Federal).
Apenas a blogosfera preocupou-se em mostrar o outro lado, o das investigações.
O episódio terminou com o Opportunity se safando junto à Justiça. Mas, no campo da opinião pública, poder judiciário, Ministros que se aliaram ao banqueiro, o próprio banqueiro e Gilmar Mendes saíram amplamente derrotados. O episódio mostrou os limites da grande mídia para construir ou destruir reputações.
Várias armações foram denunciadas pela blogosfera, como o caso do falso grampo no STF, o grampo sem áudio da suposta conversa entre Demóstenes Torres e Gilmar Mendes, a lista falsa de equipamentos da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) brandida pelo então Ministro da Justiça Nelson Jobim.

O segundo episódio
relevante foi a promoção do livro “A Privataria Tucana”, com indícios de enriquecimento pessoal do ex-governador José Serra. Apesar de totalmente ignorado pela velha mídia, o livro bateu todos os recordes de vendas do ano.

Agora, tem-se o caso do envolvimento da revista Veja com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.
Foram quase dez anos de parceria, que transformaram o bicheiro no mais poderoso contraventor da república.
Graças às reportagens de Veja, o senador Demóstenes Torres tornou-se símbolo da retidão na política. Com o poder conquistado, participou de inúmeros lobbies em favor de Cachoeira e de avalista das denúncias mais extravagantes da revista.Veja sempre soube das ligações de Demóstenes com Cachoeira. Mas por quase dez anos enganou seus leitores, não só escondendo essa relação, como difundindo a ideia de que Demóstenes era político inatacável.

Na velha mídia, não há uma linha sobre essas manobras, nada sobre as 47 conversas gravadas entre o diretor da revista em Brasília e Cachoeira, as quase 200 dele com todos os membros da quadrilha.

Assim como no Egito, Estados Unidos, Espanha, México, França,
é a Internet que está explodindo cortinas de silêncio.


Esta Primavera não tem preço, tem muita beleza...



2 comentários:

  1. Nesta terceira primavera brasileira apresentada pelo Nassif há que se registrar outras possíveis mudanças que podem abalar nossas Instituições.

    Neste final de semana, por meio de mais uma "reporcagem" da Veja, o ex-supremo presidente supremo do Supremo Tribunal Federal aprontou mais uma, e com a ajuda, de novo, do ex-ministro e ex-presidente do mesmo Tribunal e ex-ministro de Lula e Dilma, o ex-deputado do PMDB Nelson Jobim.

    De novo porque tem o episódio da máquina de grampos, apresentada por Jobim como ferramenta emprestada para a ABIN, a conformar a denúncia de grampo (sem áudio) de Demóstenes e Mendes. As Forças Armadas desmentiram Jobim, mas o Paulo Lacerda foi sacado assim mesmo da Agência de Inteligência e exilado em Portugal.

    Faço um parêntesis para lembrar de uma CPI que levou o apelido de "CPI DO FIM DO MUNDO". Imaginada para tratar de um assunto específico e fato determinado, conforme manda a legislação pertinente, acabou por investigar de tudo um pouco, transformando-se numa piada nacional.

    Pois sou dos que pensa que a atual CPI do Cachoeira, que pode ser a CPI da Veja, do Demóstenes, dos tucanos, dos governadores, da Delta, dos meios de comunicação, dos arapongas e muitas outras nominações, pode chegar perto, ao menos perto, do FIM DO MUNDO.

    Neste final de semana a Record TV publicou uma reportagem mostrando as falas de um diretor da revista Época, da Globo, e do araponga do Cachoeira tramando contra uma construtora para facilitar as operações da Delta.

    Se a CPMI seguir a linha condutora do que a Polícia Federal já registrou nos inquéritos, terão que se desdobrar para investigar Demóstenes e o DEM, Cachoeira e seus arapongas, Perillo e seus secretários, Gilmar Mendes e as facilidades concedidas ao senador dos Demo, as construtoras já arroladas, o Ministério Público Federal, seu procurador geral e sua esposa subprocuradora, o MP de Goiás, as Polícias de Goiás, militar e civil, que guardavam Cachoeira e seus negócios, a Veja, a Globo, a Época, seus dirigentes e jornalistas responsáveis, os contratos assinados a preços subfaturados e seus aditivos astronômicos nos diversos governos estaduais (parece que em 18 estados), inúmeros municípios (inclusive por coleta de lixo) e até no governo federal nas pastas administradas pelo PMDB, PR, PP e outros aliados, enfim, será uma CPMI DO FIM DO MUNDO.

    Pra muita gente será sim o fim do mundo, da corrupção, dos mal feitos, da política que impede mudanças na educação, na saúde, na segurança... Vamos ver no que vai dar!

    Pode ser um novo começo. A redemocratização brasileira ainda é só uma adolescente.

    E como tal, irá descortinar novos caminhos tão necessários a essa transição de gerações, a essa mudança de patamar das responsabilidades coletivas com a Nação.

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  2. Sergio Vianna, que estava sumido, voltou com sua sabedoria. Creio que ele não viu a homenagem que fiz para ele e Joel, no dia 22 passado. Coisas de filósofos...

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