sexta-feira, 20 de abril de 2012

On the Road e Na Estrada

O destaque é Walter Salles

Hoje, não quero falar de Santander, não quero falar de CPI, não quero falar de eleições municipais, não quero falar de “baixa dos juros”, não quero falar da “quebra do sigilo bancário do ex-vice presidente do Banco do Brasil”, nem da mudança dos juízes, com suas brigas. Meu computador deu “pau”, desorganizou tudo e estou dependendo dos técnicos para “restaurar a ordem”.

Hoje quero destacar a volta dos filmes de Walter Salles. Falar de Walter Salles é como falar de Chico Buarque, Elis Regina e Milton Nascimento. É uma satisfação!

Este filme é uma grande história, porém, superada a maldição, por nosso herói Walter Salles, temos que esperar aparecer nos cinemas. Walter faz cinema para o mundo.

Vou reproduzir as duas matérias dos jornais de São Paulo. A do Estadão sai primeiro e a da Folha sai em seguida. Não publicarei a íntegra de Walter Salles no Estadão porque fica muito grande. Acessem no Google ou comprem o jornal.

Walter Salles fala sobre 'Na Estrada'


Filme que estreia no Brasil em junho vai disputar a Palma de Ouro no Festival de Cannes
20 de abril de 2012 | 3h 07 - LUIZ ZANIN ORICCHIO - O Estado de S.Paulo

A expectativa acabou: Na Estrada, de Walter Salles, disputa mesmo a Palma de Ouro, prêmio principal de Cannes, o mais badalado dos grandes festivais de cinema - a lista oficial foi divulgada ontem. O título brasileiro é tradução literal de On the Road, o romance beat de Jack Kerouac, que influenciou o comportamento de várias gerações de jovens, antecipou o espírito hippie e a revolta dos anos 1960 e fez a cabeça de grande parte dos escritores da segunda metade do século 20 - e não apenas nos Estados Unidos.

Coube, portanto, a Walter Salles levar para a tela a viagem tão norte-americana quanto universal de Na Estrada, com seus três jovens personagens: o escritor Sal Paradise (Sam Riley), cuja vida entra em ebulição pela chegada de Dean Moriarty (Garrett Hedlund), um jovem libertário vindo do Oeste com sua namorada de 16 anos Marylou (Kristen Stewart). O filme inclui em seu elenco nomes como Kirsten Dunst, Viggo Mortensen, Steve Buscemi e a brasileira Alice Braga e estreia no Brasil em 15 de junho.

Várias vezes os estúdios já haviam desejado levar esse romance tão importante às telas. Dez tentativas, para citar o número exato, e nunca tiveram êxito. Chega agora pelas mãos desse brasileiro, que gosta tanto de filmes de estrada que fez vários desse gênero, como Terra Estrangeira, Central do Brasil e Diários de Motocicleta. Agora conduz, como diretor, o protótipo do gênero, num projeto cheio de desafios como conta na entrevista abaixo, exclusiva ao Estado, realizada por e-mail.

Vamos começar pelo começo: o romance. Dizem os críticos que foi uma revolução na cultura norte-americana, do mesmo porte de O Apanhador no Campo de Centeio, ou ainda maior. Está de acordo? Por quê?

Sim, foi um choque. On the Road foi um divisor de águas, pela liberdade radical que os seus personagens anunciavam, pela narrativa ritmada pelo jazz e pelo bebop, pelas drogas usadas como forma de ampliar o conhecimento do mundo, pela maneira como o sexo era vivido e descrito à flor da pele. On the Road lançou as raízes de uma revolução comportamental, o início da contracultura americana, e marcou a chegada de uma geração de novos escritores brilhantes. Mas o livro esteve longe de ser uma unanimidade. Truman Capote, por exemplo, dizia que aquilo não era literatura, e sim datilografia. Gore Vidal foi pelo mesmo caminho, assim como John Updike. A mesma divisão aconteceu com a crítica.

Como foi o desafio de filmar essa "instituição americana", que tinha sido cogitada para ir às telas desde seu lançamento, em 1957?

É sintomático que mais de dez projetos tenham sido desenvolvidos e engavetados durante todos esses anos, e que nenhuma produtora norte-americana tenha se aventurado nessa tarefa. O Beat Museum de São Francisco está fazendo um seminário no mês que vem sobre o tema On the Road X Hollywood, para entender as razões desse desencontro. O filme acabou sendo possível graças à produtora independente francesa MK2, que o financiou com a ajuda do Film Four inglês e pequenos distribuidores independentes europeus que pré-compraram o filme. A Zoetrope é a coprodutora do filme, e foi dela que partiu o convite logo depois da exibição de Diários de Motocicleta, em 2004, no Festival de Sundance.

Um comentário:

  1. Eu li o livro há alguns anos e esperava muito mais. Achei sem nenhuma empolgação, para um filme então, pior ainda. Ou Walter Salles fez malabarismos, ou melhor, mudou muito, para conseguir dar alguma emoção à história ou fez um filme "água com açucar".

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